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domingo, 27 de outubro de 2019

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Livro: Só tinha saudades de contar uma história




Só Tinha Saudades de Contar uma História
de Joel Neto
ISBN: 9789895425631

Edição ou reimpressão: 01-2019
Editor: Cultura Editora
Idioma: Português
Dimensões: 140 x 209 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 64

SINOPSE

Num bairro indistinto de uma grande cidade, um polícia faz-se contador de histórias. Todos os dias, pela manhã, um grupo de rapazotes se reúne à volta daquele homem grande e negro, a ouvir os relatos maravilhosos de outros povos e geografias. Mas a rotina acaba por ser perturbada pelo crescimento da fama do polícia e a chegada de novos ouvintes.

Opinião 
(Roberta Frontini) 

Joel Neto é aquele autor especial... aquele autor (da lista de autores preferidos) que uma pessoa decide que quer ter tudo, e ler tudo. Portanto, quando saiu este conto/livro eu tive logo de o ler. E li-o numa manhã! Soube tão bem! Eu quero todos os livros do Joel Neto, e acho que vocês todos deviam querer os livros dele nas vossas estantes. 

Esta é uma história invulgar, onde temos várias personagens principais, e um final interessante. 

Hoje para escrever este post decidi relê-lo, porque o seu reduzido tamanho e a escrita frenética assim o permitem. E foi tão agradável. Está a chover lá fora e sabe mesmo bem! 

Se Joel Neto podia ter escrito mais nesta história? Podia. Podia ter desenvolvido de tal forma que se tornaria num romance? Talvez sim. Mas eu continuo a achar que só assim já é suficiente. Já tem a força e o poder de me deixar deliciada... Aliás, é impressionante como Joel Neto consegue, em 61 páginas, num pequeno conto, encerrar tantas pequenas histórias. Não há volta a dar: há pessoas que nascem com a genialidade dentro, e o Joel é uma dessas pessoas. 

No final fica a pairar a ideia que as pessoas podem ter, dentro delas, diferentes facetas... ou talvez diferentes objectivos! Porque é diferente ser-se alguém que gosta de contar uma história ou que a vende? Talvez então não sejam diferentes facetas mas uma só? Enfim... num pequeno conto acho que há aqui bastante material bom de discussão... é daqueles livros que várias pessoas podem ler e depois, calmamente, trocar opiniões. 

Só tinha saudades de ler Joel Neto... 


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

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[OPINIÃO] Livro: Meridiano 28



Título: Meridiano 28
Autor: Joel Neto
ISBN: 9789898886194
Edição ou reimpressão: 05-2018
Editor: Cultura Editora
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 229 x 26 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 424

Sinopse 

Em 1939, o mundo entrou em guerra. Foi o conflito mais mortífero da história da humanidade. Mas, na pequena ilha açoriana do Faial, ingleses e alemães conviveram em paz durante mais três anos. Eram os loucos dos cabos telegráficos. 
Do mar em frente emergiam os periscópios de Hitler. Dezenas de navios britânicos eram afundados todos os meses. Já em terra, as crianças inglesas continuavam a aprender na escola alemã, dividindo as carteiras com meninos adornados de suásticas. As famílias juntavam-se para bailes e piqueniques.
Os hidroaviões da Pan American faziam desembarcar estrelas do cinema e da música, estadistas e campeões de boxe. Recolhiam-se autógrafos. Jogava-se ao ténis e ao croquet. Dançava-se o jazz.
Viviam-se as mais arrebatadoras histórias de amor.

Poderia um agente nazi ter-se escondido nos Açores, consumada a derrota de Hitler?

QUEM FOI HANSI ABKE?
QUE SOMBRA LANÇA HOJE SOBRE O DESTINO DE JOSÉ FILEMOM MARQUES, O SOBRINHO CRIADO NO BRASIL?
Um romance que vai de Lisboa a Nova Iorque, de Friburgo a Praga, de Bristol a Porto Alegre e às ilhas açorianas, onde todos são descobertos e ninguém pode ser apanhado.
Um reencontro entre dois homens de tempos distintos e que talvez tenham mais em comum do que aquilo em que gostariam de acreditar. Uma memória das mulheres que amaram e talvez não tenham sabido fazê-lo.

Opinião 
Roberta Frontini

Eu já fui aos Açores! A primeira vez foi em 2016 quando li Arquipélago (http://flamesmr.blogspot.com/2016/02/livro-arquipelago-joel-neto.html). A segunda foi, novamente, em 2016 quando li A vida no campo (http://flamesmr.blogspot.com/2016/06/livro-vida-no-campo-joel-neto.html). Esta terceira vez foi ainda mais especial, com a leitura de Meridiano 28, e as razões que o tornaram ainda mais especial para mim não serão aqui explicadas. Não, eu nunca fui (fisicamente) aos Açores, mas eles já habitam no meu imaginário graças ao Joel. 

É sempre ingrato para mim quando falo num livro ou num autor que me tocam tanto. Tenho muito para dizer mas nada sai de jeito. 

Penso que posso afirmar que, apesar de Meridiano 28 também se passar nos Açores, este livro se destaca dos anteriores, porque impregna uma atmosfera diferente. Existe muito suspense (como existia em Arquipélago sim), mas a época é outra, e a viagem que vamos fazendo no tempo também é distinta. O final, como sempre, é surpreendente. 

É a história de um livro, dentro de um livro… Mas já me estou a precipitar. Falo-vos primeiro da história ou da escrita soberba e consistente do Joel? De todas as referências musicais, cinematográficas e literárias que percorrem as páginas do livro? Ou devo falar-vos da forma como Joel Neto nos engana sem que nos apercebamos disso? Ou das referências histórias que nos são colocadas à frente, de forma tão sublime, que em nada se assemelha com outros livros que parecem querer dar-nos uma aula de História contra a nossa vontade? Em nenhum momento me senti entediada ou aborrecida com as descrições espaciais e as referências históricas. Talvez falar-vos-ei da forma como o autor estuda a nossa própria condição de humano e de como chega a tentar desvendar um pouco da mente humana, das relações familiares e amorosas… enfim… Não vos falarei de nada. Direi apenas que, mais uma vez, Joel Neto criou uma obra de arte. Um livro sobre guerra, sobre paz e sã convivência, mas também sobre o que é crescer e tornar-se adulto. É sem dúvida uma obra extremamente completa e rica onde facilmente compreenderão o estudo que o autor fez e onde a ficção e a realidade se misturam ao ponto de já não sabermos o que ocorreu realmente ou o que é imaginação. Nota-se que é um livro cuidado e muito trabalhado. 

Posso apenas imaginar o que sentirão, as pessoas que moram nos Açores e que viveram estas alturas, ao lerem este livro. Deve ser uma sensação maravilhosa reviver um pouco aquela atmosfera que lhes poderá ser tão familiar (e que para mim é absolutamente desconhecido)… 

A caracterização das personagens está irrepreensível, assim como todo o enquadramento temporal e espacial que denota um claro conhecimento dos locais e um enorme estudos dos mesmos. 

Enfim, Joel Neto é um dos poucos autores mundiais que consegue escrever uma obra que contem tanta coisa, e onde consegue tornar uma ilha numa personagem por si só. É um dos poucos autores que me faz experienciar inúmeras emoções distintas ao contar uma história de poderia ser perfeitamente real.

sábado, 11 de novembro de 2017

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TAG Doenças Literárias


As doenças da Roberta e da Mariana... :P



 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

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Livro: Uma dor tão desigual





Editor: Editorial Teorema
Edição ou reimpressão: 2016
ISBN: 9789724751139

SINOPSE

«Este livro resulta de um desafio feito a oito autores portugueses para que explorassem as fronteiras múltiplas e ténues que definem a saúde psicológica e o que dela nos afasta. Em estilos muito diferentes, um leque extraordinário de escritores brinda-nos com textos que mostram como qualquer um de nós pode viver momentos difíceis e precisar de ajuda.
Estas são histórias de perda, solidão, fraqueza e delírio, mas também de esperança e humanidade. São relatos de gente que podíamos conhecer e talvez conheçamos, histórias íntimas e ricas de homens e mulheres como nós.
A área da saúde psicológica está ainda sujeita a muitos preconceitos, que dificultam a procura de ajuda profissional e estigmatizam quem sofre. Pretende-se com este livro combater esses preconceitos, despertar consciências e ajudar a encontrar uma saída.»

OPINIÃO

(Roberta Frontini)

Este livro chamou-me à atenção por vários motivos: 
1) pela temática que aborda;
2) por ter o "selo" da Ordem dos Psicólogos Portugueses (e para quem não sabe, tanto eu como a Mariana somos psicólogas);
3) pelos autores que escreveram os contos (este livro contem pelo menos 3 autores que eu admiro imenso: Afonso Cruz, Joel Neto e Richard Zimler);
4) por serem contos.. e eu adoro contos. 

Inicialmente a minha ideia era ler os contos e fazer uma análise de cada um tendo em conta as patologias que apresentavam.. mas assim que li o primeiro conto percebi que isso não ía ser possível... algumas patologias não são bem delineadas e isso é das coisas mais interessantes do livro porque, na vida real, as coisas são de facto assim. Outras vezes nem se pode falar numa patologia no sentido de se enquadrar numa nomenclatura específica. É apenas a história de vida de uma pessoa...
Vejamos alguns dos contos com mais algum detalhe: 

Afonso Cruz 

Afonso Cruz apresenta, através de uma história muito bem escrita, um acumulador compulsivo, mas da-lhe um novo olhar. Usa palavras diferentes que raramente são usadas e foca-se num museu de objectos inúteis. Quem toma conta do museu é um senhor que os recolhe e que inventa uma história para cada objecto. Um conto ao estilo de Afonso Cruz onde, quem sabe, o leitor mais experiente encontrará personagens (ou histórias) presentes noutros livros dele...

Dulce Maria Cardoso 

O conto parece estar dividido em duas partes que se interligam.. mas essa interligação é um pouco deixada ao leitor e não foi de todo clara. Fala sobre um homem que inventa o seu passado. Está muito bem escrito, mas faltou-me qualquer coisa... talvez o resto devesse ser deixado à imaginação do leitor...

Gonçalo M. Tavares

Gostei imenso deste conto. É um relato totalmente desigual e insano sobre os pensamentos de um esquizofrénico. Apesar de "louco", lê-se muito bem e é interessante. E parece, de facto, tratar-se de um discurso que frequentemente é ouvido por parte de uma pessoa que sofre desta patologia. 

Joel Neto 

Só o Joel Neto consegue pegar numa história real e conta-la desta forma agradável. Neste conto, inicialmente sente-se alguma crítica por parte do autor relativamente ao excesso de diagnóstico que existe, no entanto, terminei o conto a achar que o Joel Neto nos quis demonstrar que cada um de nós tem algo.. que afinal a loucura está um pouco dentro de cada um. Achei o conto muito bonito, a escrita muito boa e uma linda homenagem. Bem escrito, fácil de se ler... como Joel Neto já nos habituou.

Maria Teresa Horta 

Gostei imenso da ideia deste conto, mas a certa altura torna-se confuso e um pouco cansativo. Trata-se da história de uma mulher que confunde realidade com ficção (o próprio leitor começa a confundir). É a história da sua gravidez e do pós-parto. Repito: a ideia é fabulosa, mas a escrita é cansativa... 

Nuno Camarneiro 

Foi a primeira vez que li algo do Nuno, e posso dizer que o autor me conquistou completamente. A escrita é simples e fluída (e depois fala no Etna, por isso já tem muitos pontos para me conquistar :p ). Trata da história de um homem que é deixado pela mulher e que tem de aprender a se re-organizar (nomeadamente na relação com a filha). Uma escrita mesmo cativante e interessante. 

Patrícia Reis 

Foi a primeira vez que li algo desta autora. Adorei a história mas o que mais gostei foi a escrita. A história, na verdade, é banal (mulher que é deixada pelo marido e que começa a ir a um psicólogo). Vamos acompanhando esta senhora ao longo de 4 consultas. O discurso é que é muito real e é um discurso muito típico destas pessoas. Está muito bem pensado. Gostei bastante.

Richard Zimler 

Foi o meu conto preferido mas que beneficiou pelo facto de ser mais comprido. A história é interessante e o autor consegue abordar vários assuntos diferentes. A ligação com as questões da saúde mental pode não ser tão evidente como nos outros casos, mas este é um dos pontos fortes do conto. Gostei bastante!

No final, o saldo é mais do que positivo. É um livro que vale mesmo a pena e que de certeza irei reler. 

domingo, 1 de janeiro de 2017

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Vídeo: Encontros de autores em 2016


Fiquem com um cheirinho do que foi ouvir e ver estes autores em 2016

Link - https://www.youtube.com/watch?v=3Bj9OZzuhWE


Mário Cláudio
Paulo Kellerman
Fernando José Rodrigues
João Paulo Silva (que por lapso no vídeo aparece como Fernando também)
Luís Mourão
Fausta Cardoso Pereira
Andreia Monteiro
Elsa Margarida Rodrigues
Paulo Assim
Paulo Moreiras
Fernanda Botelho
João de Melo
Tânia Bailão Lopes
Afonso Cruz
Walter Hugo Mãe
Joel Neto
Ella Berthoud
Susan, Elderkin
Carlos Ruiz Zafón


FELIZ 2017 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

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Canal Youtube: Queijadas D. Amélia


Bom dia.
Que tal começar a semana com um doce?
Apresento-vos as queijadas D. Amélia, uma receita da Lídia (amiga do Joel Neto) que no seu livro "A vida no campo" nos fala delas.


Não as polvilhei com açúcar pilé no final (mea culpa), mas posso garantir-vos que são absolutamente divinais.

Trago-vos, então, mais uma Receita de Inspiração literária (uma rubrica que tem sido negligenciada no canal).
Para espreitarem a receita cliquem no link aqui - https://www.youtube.com/watch?v=mkLRruJDdZ8

Ou vejam em baixo.

Uma semana doce para todos!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

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Livro: A vida no campo (Joel Neto)



Título: A Vida no Campo
AutorJoel Neto
Editora: Marcador
Páginas: 232

Sinopse

Um homem e uma mulher. Um jardim e uma horta. Dois cães. Ao fim de vinte anos na grande cidade, Joel Neto instalou-se no pequeno lugar de Dois Caminhos, freguesia da Terra Chã, ilha Terceira. Rodeado de uma paisagem estonteante, das memórias da infância e de uma panóplia de vizinhos de modos simples e vocação filosófica, descobriu que, afinal, a vida pode mesmo ser mais serena, mais barata e mais livre. E, se calhar, mais inteligente.

Opinião
(por Roberta Frontini)

Quem me segue pelo blog e pelas outras redes sociais sabe que quando eu descubro um autor que adoro ofereço-me para autenticas cruzadas cujo objectivo principal é obrigar todos os que estão à minha volta a ler as suas obras. Quando acabei de ler Arquipélago sabia duas coisas: 1) eu ía querer ler tudo o que Joel Neto escrevesse (incluindo a lista das compras se mais nada houvesse) e 2) eu ía empreender uma nova cruzada e obrigar todos a ler este livro. 
E foi por isso mesmo que, quando soube que a Marcador ia editar este livro, fiquei logo empolgada. Sabia que o queria ler, e rapidamente. Como sabem, tenho aversão a sinopses, por isso não fazia ideia sobre o tema ou mesmo o género do livro (e, na verdade, que me interessava saber? Era um livro do Joel Neto, e isso era suficiente). No entanto, o título (sim, vivo no campo) e a maravilhosa capa, ainda me faziam ter mais vontade de o ler. E foi por isso que quando ele chegou cá a casa dei graças a Deus por não ter vizinhos (o que me permite por vezes ter alguns comportamentos um pouco menos socialmente aceites, como gritar a plenos pulmões: CHEGOU!!!!!!!!!!!!!!).

Este livro volta a demonstrar-me que Joel Neto é, realmente, um dos melhores escritores da actualidade. Faz-me pensar que, por vezes, perco o meu precioso tempo a ler autores que não valem a pena, quando podia estar a ler todas as obras dos escritores que realmente me enchem as medidas. Este livro não é um romance, mas também não se aproxima de muitos livros de cronicas da actualidade que, com o tempo, se tornam desactualizados. É um livro com um estilo totalmente próprio. Sem dúvida que no que toca a leituras dou preferência a bons romances (nada de lamechices obrigada), sendo que as crónicas são normalmente relegados para segundo plano, mas mesmo assim, este tornou-se num dos meus livros favoritos. Para isso contribuiu o facto de ter gosta imenso de Arquipélago. Não sei se o disse quando escrevi a minha opinião (ler aqui), mas quando li Arquipélago imaginei que a personagem principal era o Joel. Pelo menos fisicamente. Imagino sempre as minhas personagens quando leio, e não conseguia separar os dois. Por vezes dava por mim a pensar "Roberta, apaga essa imagem, este não é o Joel!", mas como eu sabia que o autor se baseava em muitas pessoas que conhecia nos Açores para a criação das suas personagens, não me conseguia desligar daquela visão. Assim sendo, foi com imensa alegria que, quando comecei a ler o livro, reparei em algumas semelhanças entre a vida de Joel Neto e a vida de José Artur (personagem principal do livro). É por isso que acho que as obras são tão complementares. Ler um quase que "obriga" a que a pessoa vá ler o outro, porque quer saber mais sobre aqueles lugares, aquelas gentes... quer perceber melhor como é morar naquela zona. Enfim, quer sentir-se nos Açores!

Peguem no livro, saboreiem as crónicas/entradas de diário. Metam-no na vossa mesinha de cabeceira e façam um pacto com vocês mesmos de que irão ler uma cronica/entrada por dia (duvido que consigam ler só uma por dia) e tentem combater a vontade louca que terão em se mudar para o campo. Se, como eu, têm o privilégio de já lá morar, preparem-se pois a vossa visão do local onde vivem nunca mais será a mesma!

PS. Preparem também a cozinha que o livro trás receitas!!!!!!!

Excerto início do livro


Trailer do livro

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

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Livro: Arquipélago (Joel Neto)




Ficha Técnica

Título: Arquipélago
Autor: Joel Neto
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 460
Editor: Marcador
ISBN: 9789897541698
Colecção: Marcador Literatura
Adquirir - Aqui


Sinopse

Açores, 1980. Uma criança desaparecida. Um homem que não sente os terramotos.

Quando um grande terramoto faz estremecer a ilha Terceira, o pequeno José Artur Drumonde dá-se conta de que não consegue sentir a terra tremer debaixo dos pés. Inexplicável, esse mistério há-de acompanhá-lo durante toda a vida. Mas, entretanto, é hora de participar na reconstrução da ilha, tarefa a que os passos e os ensinamentos do avô trazem sentido de missão.
Já professor universitário, carregando a bagagem de um casamento desfeito e uma carreira em risco, José Artur volta aos Açores. Durante as obras de remodelação da casa do avô, é descoberto um cadáver que o levará em busca dos segredos da família, da história oculta do arquipélago e de uma seita ritualista com ecos do mito da Atlântida. Mas é nos ódios que separam dois clãs rivais que o professor tentará descobrir tudo o que os anos, a insularidade e os destroços do grande terramoto haviam soterrado…
Usando a mestria narrativa e o apuro literário dos clássicos, bem como um dom especial para trazer à vida os lugares, as gentes e a História dos Açores, Joel Neto apresenta o romance Arquipélago, em que a ilha é também protagonista.


Opinião
(por Roberta Frontini)

Como é que uma pessoa que não sabe escrever e que tem dificuldades em exprimir o que sente poderá, alguma vez, falar sobre este livro? 
A tentativa será feita porque a minha vontade de o dar a conhecer ao mundo é gigante, mas sei que o resultado final será coxo. 

De vez em quando gosto de conhecer bons autores portugueses. Não raras vezes conseguem surpreender-me e várias vezes são as que se tornam autores para a vida. A culpada de querer ler Arquipélago foi a minha mãe que, tendo lido a obra "Os sítios sem resposta" ficou fã incondicional do trabalho do autor. Depois de várias insistências e de termos voltado a falar sobre ele no encontro com o autor Paulo Caiado (que podem ver aqui), acabei por aceder ao seu pedido e foi precisamente ela que o começou a ler antes de mim. A minha relutância em o ler prende-se apenas com o facto de eu e a minha mãe termos gostos opostos. No entanto, por vezes, é precisamente ela que me apresenta autores e obras que me acompanharão para sempre. É o caso de Richard Zimler, Carlos Ruiz Zafón ou David Liss. E agora, é o caso de Joel Neto. 

A trama passa-se em território nacional e predominantemente nos Açores. Não conheço os Açores, mas posso dizer que já lá estive, guiada por Joel Neto. De que outra forma se sente um leitor depois de ler esta obra, senão como alguém que já conhece aquelas ilhas de uma ponta à outra? Estou a ser injusta, as ilhas têm muito para oferecer, mas sem dúvida que o Arquipélago entrou para a minha lista de locais a visitar, e de certo que quando lá for irei sentir que estou a voltar a um sítio que já conheço. Adorei a forma como o autor enaltece o lugar, a fauna, a flora e a gastronomia que ele descreve e que quase nos consegue fazer sentir o paladar. Depois temos as vistas, o mar, as paisagens.. e a maneira como descreve a ilha faz-me lembrar o local onde eu nasci, também ilha e também habitado por um vulcão que volta e meia decide fazer-se sentir. E claro, o autor para nos fazer sentir mesmo no local, acaba por nos apresentar rituais, costumes, mas também expressões tão típicas que, para quem tem amigos/conhecidos açorianos como eu, consegue ouvir as personagens a falar com o típico sotaque.

E que dizer das personagens? Personagens que não são apenas criadas pela mente do escritor, mas que por vezes são inspiradas em pessoas reais e moldadas pelo autor. Personagens que se vão encontrando e desencontrando e cuja vidas, por vezes, se entrelaçam... algumas das quais encerram um verdadeiro mistério.. outras que nos vão dar muito a conhecer. E já que falei em mistério, esse foi precisamente o ponto forte do livro para mim. Mistério ou será que deveria falar em mistérios? É que, na verdade, Joel Neto não nos apresenta apenas o mistério do desaparecimento de uma criança, mas cria muitos outros, e é precisamente isso que não nos permite largar o livro.  E já que comecei a falar em personagens, gostava de vos apresentar a minha favorita: Maria Rosa. Esta é uma menina que, sempre que aparecia no livro, me fazia rir às gargalhadas. Queria-a lá o tempo inteiro. Queria um livro só com Maria Rosa. Queria uma Maria Rosa na minha vida! 

Esta obra não é um simples livro de mistério, não é um simples romance. É quase uma saga familiar que nos faz acompanhar uma personagem principal desde a infância até à vida adulta, e que no epílogo nos conta ainda mais sobre ela. E assim, no final, temos a sensação que vamos fechar um livro e perder um amigo que tanta companhia nos fez e da qual sabemos quase tudo. 

A escrita é intocável. Soberba! Vale todos os elogios que lhe têm sido tecidos ao longo destes tempos. Joel Neto e a sua escrita é bom que tenham vindo para ficar! Não resisto a vos referir algo que me aconteceu. Mais ou menos nas últimas 100 páginas senti que o autor estava a brincar comigo. Literalmente! A fazer-me imaginar possibilidades, a trilhar-me caminhos que me pareciam certos, e depois a tirar-me o chão e a deixar-me desamparada ao reformular toda a realidade das personagens... Cheguei a ter pesadelos e insónias porque não conseguia compreender o mistério por detrás de algumas personagens, e não queria parar sem os ter todos desvendados. Quando um livro mexe assim connosco, significa que estamos perante algo de extraordinário. E é por tudo isto que julgo poder afirmar que esta é uma das melhores obras escritas em língua portuguesa nos últimos anos, e Joel Neto um dos maiores e melhores romancistas lusófonos. 

A cereja no topo do bolo? Uma coisa que já nada tem a ver com o enredo: a menção, nos agradecimentos, ao fabuloso Luís Miguel Rocha, que tanta falta tem feito ao panorama cultural português!

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