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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

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Livro: Crónicas do Sul


 
Título Original: Los Calzoncillos de Carolina Huechuraba y otras Crónicas
Ano de Edição: 2008
Género: Crónicas
Autor: Luis Sepúlveda
 
Não posso dizer que a minha primeira experiência com Luis Sepúlveda tenha sido a mais agradável, mas decidi dar uma nova oportunidade a este autor, tão conceituado um pouco por todo o mundo, mas desta vez com um livro de crónicas.
 
 
Sinopse
Os mortos estorvam, as vítimas estorvam, são incomodativas, e os que clamam por justiça são mais incómodos ainda.
Mas no silêncio que rodeia os perseguidos, há alguém como Luis Sepúlveda que não hesita em colocar a sua pena ao serviço de uma legítima demanda pela igualdade.
Nestes breves e intensos textos, escritos entre a Primavera de 2005 e Dezembro de 2006, quando Pinochet morre, Sepúlveda debruça-se sobre uma longa galeria de horrores (…)
Um livro em que vibra de novo a paixão implacável de um grande escritor, capaz de fazer com que a denúncia e a indignação se transformem em matéria da mais alta qualidade literária.”
 
Este livro foi uma agradável surpresa. Se com “O Velho que Lia Romances de Amor” tinha ficado com a ideia de que um dos maiores escritores chilenos da actualidade se contentava em escrever histórias simples, sem grande profundidade, eis que “Crónicas do Sul” me apresentou um autor reivindicativo, sem papas na língua, com uma opinião fortemente formada e com uma personalidade vincada.
Luis Sepúlveda não tem medo de meter o dedo na ferida daqueles que, a seu ver, são os principais culpados por uma ditadura que assolou o Chile durante vários anos e que contribuiu para uma regressão social e económica do país.
Sepúlveda não se faz de rogado e, ao longo das várias crónicas que compõem este livro, aponta a sua arma àqueles que considera serem os maiores parasitas de uma sociedade que não só contribuiu para a degradação do Chile mas também de outras sociedades. Ninguém está a salvo, nem mesmo, para minha surpresa, o escritor vencedor de um Prémio Nobel Mário Vargas Llosa fica livre das acusações deste revoltado autor.
Para mim, esta leitura foi, fundamentalmente, uma aprendizagem. Já tinha ouvido falar em Pinochet e nos estragos que este causou no país chileno, mas foi com “Crónicas do Sul” que fiquei a conhecer pormenores absolutamente grotescos e, no mínimo, revoltantes relacionados com uma ditadura incrivelmente recente. Se concordo com todas as acusações apresentadas por Luis Sepúlveda e se partilho por completo do seu ponto de vista? Se dissesse que sim estaria a mentir, bem como se a minha resposta fosse não. Confusos? A minha posição é muito simples: se, por um lado, concordo com muitas das coisas escritas pelo autor, não é menos verdade que alguns dos assuntos abordados na obra eram, até então, desconhecidos por mim pelo que não possuo (ainda!) informação suficiente para me pronunciar a seu respeito.
Contudo, quer se concorde ou não com o ponto de vista apresentado, esta é uma obra intensa, polémica e surpreendentemente actual que aconselho qualquer um que goste de estar a par do que se passa no nosso mundo a ler.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

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Livro: O velho que lia romances de amor



Título Original: Un viejo que lía novelas de amor
Ano: 1989
Género: Romance, Aventura
Autor: Luís Sepúlveda


Já não nos recordamos da primeira vez que ouvimos falar de Luís Sepúlveda, o mais conhecido
escritor chileno da actualidade. Mas a verdade é que nunca tínhamos lido nenhum livro dele até ao ano passado quando nos cruzámos com o seu maior best-seller – O velho que lia romances de amor.

A história apresenta-nos António José Bolívar, um velho em tudo simples que tem como única exigência que o deixem viver a sua vida sossegado juntamente com os seus romances que devora uma e outra vez na sua isolada cabana de uma aldeia do interior da floresta amazónica – El Idilio. Contudo, quando começam a aparecer misteriosos cadáveres perto da aldeia a sua população, apercebendo-se do risco que corre, toma a urgente decisão de eliminar a fonte do perigo. Assim, António José Bolívar, de um momento para o outro, vê-se incluído num grupo de caça (muito por causa do grande conhecimento que possui sobre a vida na selva) quem tem como grande objectivo eliminar de uma vez por todas o inimigo que ameaça a sua aldeia.

Confessamos que não fazíamos ideia daquilo que iríamos encontrar ao abrir este livro uma vez que, apesar da grande fama do seu autor, nada sabíamos sobre a história nem sobre o tipo de escrita de Sepúlveda. Foi por isso que ficámos surpreendidas ao encontrar uma escrita algo simples, muito fluida e “cristalina”. Não há aqui lugar para palavras difíceis nem frases elaboradas.
A própria história também é simples, muito simples até. O que não significa que não seja interessante e não consiga prender a nossa atenção até ao fim.
Depois de lermos este livro ficámos com uma sensação mista em relação àquilo que tínhamos lido: não foi nada do que estávamos à espera, a história era muito mais simples do que poderíamos ter pensado (principalmente para um livro tão conhecido) mas ao mesmo tempo, de uma forma subtil, consegue passar-nos uma grande mensagem acerca da natureza humana.


Curiosidade:

- Luís Sepúlveda escreveu esta obra em homenagem a Chico Mendes (1944-1988), um conhecido defensor da floresta amazónica e dos seus habitantes, que ao longo da sua vida “coleccionou” muitos inimigos acabando por ser morto numa emboscada.


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