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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

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Entretenimento: Marco Rodrigues - Fados do Fado



Descrição do álbum:
Marco Rodrigues está de volta. «Fados do Fado» é o seu quarto álbum. Com produção de Diogo Clemente (que já trabalhou, por exemplo, com Mariza ou Raquel Tavares), este disco é um registo genuinamente diferente num percurso que desde o início se descreveu como ímpar.
Pela primeira vez sem originais, é um disco dedicado aos homens do fado. “Ai Se os Meus Olhos Falassem”, “Trigueirinha”, “Vendaval” ou “Rosinha dos Limões”, o primeiro single, são pedras preciosas que remetem para nomes como Carlos do Carmo, mas também para Tristão da Silva, Jorge Fernando ou Tony de Matos, entre tantos outros, e que marcam a viagem de “Fados do Fado”.

Opinião:
Recentemente saiu o quarto álbum "Fados do Fado" de Marco Rodrigues, um álbum que de certo fará as delicias aos fãs de fado (e deste reconhecido fadista). 
Isto porque, num gesto ousado, Marco Rodrigues interpreta músicas conhecidas, emprestando-lhe a sua própria interpretação.  
Confesso que desde a entrevista que saiu aqui no blogue que tinha vontade de conhecer este seu álbum. Cada vez mais isso me acontece: após falar/entrevistar um artista, fico com imensa curiosidade em saber mais sobre o seu trabalho. E acredito que isso influencia também a forma como experiencio, posteriormente, o seu trabalho. 


Na entrevisto o artista referiu algo que achei particularmente interessante: 

"O fado é uma música de sentimentos, requer uma certa postura para se transmitir a sua mensagem, então o fadista tem de ser particularmente sensível."

E isso é das coisas que este álbum mais bem transmite... ao se ouvir o CD consegue-se compreender bem a emoção que Marco Rodrigues sente à medida que interpreta cada canção. 


Esta é, sem dúvida,  uma ode ao fado e aos fadistas. Denota-se o carácter de Marco Rodrigues e a vontade de homenagear quem sempre está por detrás deste género musical, tal como o próprio referiu: 

"Baseei-me no reportório musical dos homens mais impactantes da música nacional. Tentei perceber quais foram os fados mais marcantes na história e, através da minha interpretação destes, homenagear os homens por detrás deles."

Pessoalmente, penso que não há melhor forma para descrever este álbum.

Assim sendo, neste CD são homenageados grandes Homens tais como Carlos do Carmo, Tristão da Silva, Jorge Fernando e Tony de Matos (entre outros).

Para além de homenagear, este disco permite ainda dar a conhecer músicas que, alguém que pouco conhece do fado, pode desconhecer. 

Relembro ainda que Marco Rodrigues foi o vencedor da Grande Noite do Fado (1999) bem como do Prémio Revelação Amália Rodrigues (2007). É sem dúvida um artista a que devem estar atentos!



Foi difícil para mim escolher 3 palavras para descrever este álbum, na medida em que me apareciam à cabeça palavras como: 

Ousado (não na medida em que é novo e arriscado, mas por o artista decidir interpretar músicas tão conhecidas interpretadas por artistas sobejamente reconhecidos no mundo do fado). 
Nostálgico (pelos motivos referidos anteriormente). 
Emotivo (por demonstrar a emoção que Marco Rodrigues impregna na interpretação de cada música). 

Roberta Frontini

domingo, 12 de julho de 2015

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102ª Entrevista do FLAMES: Marco Rodrigues (artista português)


Marco Rodrigues 


Foi com apenas 15 anos de idade que Marco Rodrigues começou a cantar fado, mas pode dizer-se que o mesmo já lhe corria nas veias desde que nasceu.
Estreou-se na gravação de álbuns com o disco "Fados da Tristeza Alegre" (2006), ao qual se seguiram "Tantas Lisboas" (2010) e "Entretanto" (2013). Agora, dois anos depois, Marco brinda os seus fãs com mais um trabalho de estúdio, o aguardado álbum "Fados do Fado". 
O FLAMES esteve à conversa com o artista e ficámos a saber mais sobre este apaixonado fadista.


 A todos os artistas o FLAMES pergunta...

Quais são os artistas que mais o inspiram? 
Humm... Eu gosto muito de música. Ouço muita música e há muitos anos, os mais diversos artistas. Em Portugal, Toni de Matos, Max, Carlos do Carmo, Tristão da Silva, Francisco José, entre outros, são nomes muitos importantes para a música que crio. Por outro lado, também gosto de boa música brasileira, como Chico Buarque. Ou então, Frank Sinatra e outros nomes sonantes da música, que ouço frequentemente e realmente me inspiram enquanto artista. 

Qual é o local onde mais gostaria de actuar?
Tive a felicidade de actuar em algumas das salas mais importantes, em particular em Portugal. Mas já actuei com a Marisa no Royal Festival e gostaria de repetir a experiência, desta feita a título individual. A sala Royal Albert Hall é realmente deslumbrante. 

Que mensagem gostaria de ver ser erguida num concerto seu? 
Pois… a nível social existem várias mensagens que gostaria de ver erguidas. Só porque vivemos numa sociedade e esta sensibilização é muito importante, sendo que eu próprio me identifico com algumas causas. Contudo, num aspeto mais individual, seria alguma mensagem que desincentivasse o uso de telemóveis durante o espectáculo. É uma situação mesmo aborrecida, porque as pessoas estão a perder a oportunidade de usufruir da arte que está a acontecer, estão a distrair as pessoas em volta. E convenhamos, ninguém volta a ver essas fotografias e esses vídeos. Acho que é de uma falta de gosto e de sentido de oportunidade. Quando estamos num concerto deveríamos estar a prestar atenção ao momento, ao que está a acontecer e não estarmos de volta dos telemóveis e das câmeras.

Recorda-se de alguma situação caricata que tenha ocorrido num concerto seu e que queira partilhar? 
Já acontecerem várias. Deixa-me pensar numa que tenha acontecido ultimamente. Há uns temos atrás estava num teatro em Sines, o seu fórum cultural e, como de costume, estava a fazer um tema em acústico no final do concerto. Criou-se um ambiente particular, em que as pessoas estavam mesmo absorvidas pela música até que, de repente, um holofote estourou. Com o susto, um dos músicos, que estava ao meu lado, até saltou e saiu mesmo de onde estava com o medo. Quebrou-se o momento mas recuperou-se facilmente. 

Ao Marco Rodrigues o FLAMES pergunta...

Começou a cantar fado desde muito jovem. De que forma é que o fado influenciou o seu desenvolvimento enquanto ser humano? 
Boa pergunta! Eu comecei a cantar muito cedo. Quando vim para Lisboa tinha 15 anos, estava a formar a minha personalidade. O fado é uma música de sentimentos, requer uma certa postura para se transmitir a sua mensagem, então o fadista tem de ser particularmente sensível. Enfim, acho que o fado influencia a forma de estar de um artista e creio que, a mim em particular, tornou-me mais sensível e emotivo. 

É o próprio Marco quem afirma que os homens fadistas têm caído para segundo plano, sendo as fadistas quem tem recebido uma maior atenção por parte da imprensa e dos fãs nos últimos anos. Que motivos acha que poderão ter conduzido a esta realidade? 
Bom, não fui eu quem chegou a essa conclusão sozinho. Esta é mesmo a realidade. É muito mais difícil dizer o nome de 5 homens fadistas do que de 10 fadistas mulheres. Creio que isto se deve a dois fatores. Num primeiro momento, foi o fenómeno da globalização do fado pela Amália Rodrigues. O fado chegou a todo os pontos do planeta, então é natural que se tenha começado a associar, particularmente no estrangeiro, o fado à voz feminina. Num segundo momento, após o fado ter caído em esquecimento, quem o reavivou foram, novamente, as vozes femininas. Daí a associação que se faz do fado com as mulheres. Mas é engraçado que, historicamente, isto não seja verdade; tanto os homens como as mulheres ditaram a história do fado. Eu percebo que haja um certo “je ne sai quoi” que ligue as mulheres ao fado, talvez sejam mais “apetecíveis”, se bem que não é esta a palavra que quero usar. Enfim, as mulheres são mais facilmente contratadas, só é pena que actualmente haja pessoas que não conseguem nomear homens fadistas. 

Este seu quarto trabalho, o álbum "Fados do Fado", é composto por temas de diversos fadistas aos quais o Marco deu o seu cunho pessoal. Por se tratarem de temas que já existiam considera que compor este álbum foi mais fácil ou mais difícil do que quando criou os seus três primeiros trabalhos? 
Bom, uma das caraterísticas do fado é a criatividade dos intérpretes. No fado tradicional, o artista, ao som da mesma música, pode interpretar diferentes poemas. E é neste sentido que surge o meu álbum. Tudo isto para dizer que, de certa forma, é um desafio maior porque, quando se apresenta um tema pela primeira vez não há nenhum ponto de referência. Assim, quando pego numa música icónica, que atravessou gerações, torna-se mais complicado porque já houve muitas pessoas que interpretaram esta música muitíssimo bem. Mas confesso que tem um gosto especial, interpretar estes temas.

Em que se baseou para seleccionar os temas que compõem este álbum? 
Baseei-me no reportório musical dos homens mais impactantes da música nacional. Tentei perceber quais foram os fados mais marcantes na história e, através da minha interpretação destes, homenagear os homens por detrás deles. Se bem que se trata de uma homenagem em geral ao homens da música, porque seria impossível homenagear um a um. 

Em "Fados do Fado" contou com a colaboração do Diogo Clemente, um conceituado produtor que já trabalhou com outras grandes vozes do fado. O que aprendeu o Marco com esta colaboração e que conselhos irá usar daqui em diante? 
Eu já conheço o Diogo há muitos anos, nós somos da mesma geração. O Diogo é um excelente produtor e um músico igualmente bom, então achei que ele era a pessoa indicada para produzir este meu álbum. E isto porque, como queria criar um disco de clássicos, é preciso dar-lhes um cunho bastante pessoal mas (e por isso mesmo) também temos de ter muito cuidado. E acho que o Diogo me ajudaria nestes dois aspetos. Um dos segredos que penso levar para os meus próximos álbuns, foi a pré-produção que fizemos. Eu cantava e ele tocava, o que nos permitiu perceber as formas mais confortáveis de interpretar o tema, a forma como pronunciava certas palavras e toda uma série de nuances que verificámos atempadamente e que depois possibilitou uma produção muito mais suave. 

Como é possível reinventar o fado a cada álbum que se cria? 
Quando se faz música de uma forma transparente e se atende às caraterísticas da música, não é muito difícil. Pode ser caótico rearranjar um tema que não se conhece, se bem que corremos sempre riscos quando queremos inovar. Mas o fundamental é adoptar uma atitude transparente para com a música e tudo o resto irá fluir de uma forma bastante natural. Claro que algumas pessoas vão gostar e outras não, de todo, mas não há muito que se possa fazer em relação a isso. 

Se pudesse descrever o fado numa frase qual seria? 
[pensativo por uns brevíssimos momentos] “Forma de estar na vida”. Eu sei que é um cliché, mas não deixa de ser menos verdade por isso. Quando se entra numa casa de fado percebe-se que há todo um ambiente peculiar, uma postura diferente, um clima diferente. O fado não é só a música por si só, traz consigo algumas coisas que o tornam tão especial e que me levam a crer que pode ser encarado como um estilo de vida.

Muito obrigada ao Marco Rodrigues e um obrigada especial à Cátia Almeida sem a qual esta entrevista não teria sido possível!

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