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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

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Livro: Uma parte errada de mim (Paulo M. Morais)



Título: Uma Parte Errada de Mim
Autor: Paulo M. Morais
ISBN: 9789897415609
Edição ou reimpressão: 09-2016
Editor: Casa das Letras
Páginas: 312
Página facebook livro/autor: https://www.facebook.com/Paulo.M.Morais/

SINOPSE

Um testemunho impressionante sobre como, às vezes, é o desvio que nos põe no lugar certo.
Em meia dúzia de meses, Paulo M. Morais ficou sem trabalho, terminou um relacionamento de doze anos e viu-se obrigado a vender a casa. Embora derrotado pelas circunstâncias, queria estar à altura dessa nova etapa de vida e concentrou-se na missão de cuidar da filha pequena e reatar os laços com a avó centenária que o criara. Sobreveio, então, um estranho cansaço, uma exaustão que a médica de família inicialmente atribuiu às pressões de um ano atípico. Podia ser. E, porém, depois de vários sustos e vinte horas nas Urgências do hospital, a verdade veio ao de cima: tinha um linfoma.
Durante o tratamento de oito ciclos de quimioterapia (em que a leitura foi a sua grande companhia), começou a escrever sobre a sua experiência. Mas este livro, embora inclua dados sobre os exames, os internamentos ou os efeitos secundários da medicação, está longe de ser um diário da doença; representa acima de tudo uma revisitação do passado, uma reflexão sobre o valor da vida e a real importância das coisas e das pessoas, o elogio do amor e da paternidade, uma busca contínua das diferentes partes erradas - e certas - que constituem um ser humano que tem de confrontar-se diariamente com o espectro da morte.

Uma Parte Errada de Mim não é, pois, apenas MAIS um testemunho sobre o cancro. É uma reflexão magistral sobre a condição humana, escrita com a beleza e a cadência de um romance no qual se aguarda um final feliz.

OPINIÃO
(Roberta Frontini)

Li este livro num ápice. Assim que chegou não consegui mesmo parar. O problema foi escrever uma opinião para ele depois... custou-me imenso. Tenho sempre muito mais dificuldade em falar de livros de que gosto do que falar dos que odeio. É sempre mais fácil dizer mal e apontar o dedo não é? Talvez...
A verdade é que já tenho recomendado algumas vezes este livro, mas ainda não tenho conseguido falar realmente sobre ele. 

Acompanho o trabalho do Paulo M. Morais através do facebook, e por isso mesmo acompanhei o seu percurso com o cancro. Foi essa a razão que me levou a querer logo ler o livro, e foi giro ir vendo e revendo coisas que tinha visto por lá. 

Comecei esta minha opinião dizendo que o livro se lê num ápice, e é verdade. A forma como está escrito leva a isso. Desengane-se o leitor que achar que, por abordar a temática do cancro, esta será uma leitura lenta e dolorosa (apesar de eu me ter emocionado em algumas partes, mas isso deve-se à forma como eu própria lido com a doença). Este é o relato do Paulo e da sua "aventura" com o cancro, mas também desta aventura de que todos fazemos parte que é viver. É um livro bastante pessoal que conta a sua perspectiva e a sua experiência... mas é ainda mais do que isso. O cancro é quase um pretexto para o autor contar a sua história de vida, as suas memórias e vivências. Foi talvez uma forma que o Paulo encontrou para revisitar o seu passado. É o seu relato ao longo de 8 ciclos de quimioterapia, mas é também o relato do seu percurso no mundo. É uma viagem ao passado do autor, mas é também uma reflexão do autor sobre a vida, a doença e o futuro. Disse-vos que me emocionei algumas vezes, mais pela forma como eu lido com a doença do que propriamente pelo livro em si. Eu sei que esta não era a intenção do autor, e o livro não é de todo lamechas, mas eu não controlo as minhas emoções e por isso mesmo digo, sem vergonha, que sim, chorei ao lê-lo! Houve partes que me emocionaram bastante. Não é essa uma das coisas mais maravilhosas que um livro nos pode dar? O fazer-nos sentir emoções... não apenas contar uma história, mas fazer-nos reflectir e experienciar? E essa parte já não tem só a ver com o livro e o autor, mas sim com as nossas próprias vivências. 

Posto isto, é um livro sobre cancro? Também... mas é mais do que isso... é um livro sobre vida, sobre amor, família... É um livro que de certo tocará as pessoas de diversas formas... É um livro que mais do que oferecer respostas, incentiva ao constante questionamento. É um livro que poderá soltar lágrimas, e rasgadas gargalhadas com o humor negro que se passeia por entre as páginas. É um livro a ler!

domingo, 25 de agosto de 2013

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21ª Entrevista: Paulo M. Morais (escritor)


Paulo M. Morais

(imagem de Hervé Hette)

Lisboa foi a cidade que viu nascer o autor Paulo M. Morais em 1972. É jornalista freelancer e já viajou imenso pelo mundo fora. Foi em 2013 que lançou, pela Porto Editora, a sua primeira obra “Revolução Paraíso”. Vamos então conhecê-lo melhor…

Qual é a sua nacionalidade: Portuguesa

O seu Filme favorito: Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola
O seu Livro favorito: sempre o próximo
O seu Anime favorito: filmes de Hayao Miyazaki
O seu Manga favorito: não tenho
O seu Evento/Espectáculo de música/Programa de Entretenimento favorito: Feiras do Livro
A sua Série de televisão favorita: Sete Palmos de Terra

O seu livro retrata uma época que já foi muito falada, quer em filmes, quer em livros e documentários. Não teve medo de “arriscar” num assunto já tantas vezes abordado?
Por diversas razões, o Revolução Paraíso impôs-se com uma força que fui incapaz de contrariar. Quis viver o meu pós-25 de Abril e, ao mesmo tempo, procurei ser imaginativo no tratamento desse período histórico. Se calhar arrisquei ao escolher um assunto bastante badalado. Mas os comentários de leitores que tenho recebido têm sido muito reconfortantes e recompensadores da aposta.
  
Gostaria de ver o seu livro adaptado para o cinema? Acha que seria possível?
Sou apaixonado por cinema, pelo que seria fantástico ver o romance adaptado a filme. Parece-me que o plano histórico-ficcional seria facilmente transposto para o grande ecrã; já a personagem Eva do Paraíso e toda a ação do Sótão das Delícias constituiriam um enorme desafio para o realizador...

Um livro deste género requer imensa investigação por parte do autor. É, a seu ver, muito importante que um escritor goste da temática que está a abordar, ou pensa que é mais importante que o escritor siga as “modas” literárias da altura para ter sucesso?
Julgo que se me limitasse a seguir as modas literárias, sem ter gosto pelas mesmas, jamais poderia aspirar a qualquer sucesso. Se calhar nem sequer seria publicado. Os leitores percebem muito bem quando um autor está a ser genuíno ou falso. Escrevi o Revolução Paraíso porque a temática do pós-25 de Abril é realmente entusiasmante. E por ter achado que podia acrescentar uma “leitura” diferente e romanceada dessa época.

Alternar realidade e ficção como fez no seu livro é uma tarefa mais árdua, ou sente que assim tem o trabalho “facilitado”?
À partida, pensei que o fundo histórico me facilitasse a escrita do romance; mas no fim, o trabalho revelou-se muito difícil e complexo. Começou logo pela delicada escolha dos episódios reais a incluir no livro. Depois, veio o puzzle de entrelaçar as peças históricas e ficcionais que resultou, por vezes, num verdadeiro pesadelo. De tal forma que no livro que escrevi a seguir não quis ter qualquer amarra histórica!

O Paulo é um escritor bastante ativo nas redes sociais e interage com alguns dos seus leitores… já alguém lhe contou alguma história interessante relacionada com a leitura do seu livro que gostasse de partilhar connosco?
Houve um leitor que me disse ter chegado a pensar que o sótão que ele tem com vista para a Praça de São Paulo é o que aparece no livro. Fiquei de visitar o espaço, um dia... Também houve um leitor que me disse, emocionado, que tinha tido uma Pandora na sua vida e que, por isso, essa fora a personagem de que mais gostara. É uma sensação extraordinária tocar assim na vida dos leitores.

Em todas as nossas entrevistas pedimos à pessoa entrevistada para deixar uma pergunta para a próxima pessoa a entrevistar. No seu caso, foi o autor Jeff Abbot que lhe deixou uma pergunta (pode ver a sua entrevista aqui http://flamesmr.blogspot.pt/2013/08/entrevista-jeff-abbott.html). A pergunta foi: What are you working on now?
Neste momento estou a terminar a estruturação de um novo romance. A fase de pesquisa incluiu visitas a cemitérios. Quando dizia o que andava a fazer, os meus amigos e familiares ficavam a olhar para mim com um ar entre o espantado e o arrepiado... “Cemitérios?! Brrr...”

Agora é a sua vez... Pedimos-lhe para deixar uma pergunta ao próximo entrevistado e, se possível, que fosse “diferente”:
Quando tem de “matar” alguma das suas personagens, emociona-se? Chega a chorar quando dá cabo dela?


As administradoras do blogue com o autor - Janeiro 2014

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