Mostrar mensagens com a etiqueta Richard Zimler. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Richard Zimler. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

0

Livro: Uma dor tão desigual





Editor: Editorial Teorema
Edição ou reimpressão: 2016
ISBN: 9789724751139

SINOPSE

«Este livro resulta de um desafio feito a oito autores portugueses para que explorassem as fronteiras múltiplas e ténues que definem a saúde psicológica e o que dela nos afasta. Em estilos muito diferentes, um leque extraordinário de escritores brinda-nos com textos que mostram como qualquer um de nós pode viver momentos difíceis e precisar de ajuda.
Estas são histórias de perda, solidão, fraqueza e delírio, mas também de esperança e humanidade. São relatos de gente que podíamos conhecer e talvez conheçamos, histórias íntimas e ricas de homens e mulheres como nós.
A área da saúde psicológica está ainda sujeita a muitos preconceitos, que dificultam a procura de ajuda profissional e estigmatizam quem sofre. Pretende-se com este livro combater esses preconceitos, despertar consciências e ajudar a encontrar uma saída.»

OPINIÃO

(Roberta Frontini)

Este livro chamou-me à atenção por vários motivos: 
1) pela temática que aborda;
2) por ter o "selo" da Ordem dos Psicólogos Portugueses (e para quem não sabe, tanto eu como a Mariana somos psicólogas);
3) pelos autores que escreveram os contos (este livro contem pelo menos 3 autores que eu admiro imenso: Afonso Cruz, Joel Neto e Richard Zimler);
4) por serem contos.. e eu adoro contos. 

Inicialmente a minha ideia era ler os contos e fazer uma análise de cada um tendo em conta as patologias que apresentavam.. mas assim que li o primeiro conto percebi que isso não ía ser possível... algumas patologias não são bem delineadas e isso é das coisas mais interessantes do livro porque, na vida real, as coisas são de facto assim. Outras vezes nem se pode falar numa patologia no sentido de se enquadrar numa nomenclatura específica. É apenas a história de vida de uma pessoa...
Vejamos alguns dos contos com mais algum detalhe: 

Afonso Cruz 

Afonso Cruz apresenta, através de uma história muito bem escrita, um acumulador compulsivo, mas da-lhe um novo olhar. Usa palavras diferentes que raramente são usadas e foca-se num museu de objectos inúteis. Quem toma conta do museu é um senhor que os recolhe e que inventa uma história para cada objecto. Um conto ao estilo de Afonso Cruz onde, quem sabe, o leitor mais experiente encontrará personagens (ou histórias) presentes noutros livros dele...

Dulce Maria Cardoso 

O conto parece estar dividido em duas partes que se interligam.. mas essa interligação é um pouco deixada ao leitor e não foi de todo clara. Fala sobre um homem que inventa o seu passado. Está muito bem escrito, mas faltou-me qualquer coisa... talvez o resto devesse ser deixado à imaginação do leitor...

Gonçalo M. Tavares

Gostei imenso deste conto. É um relato totalmente desigual e insano sobre os pensamentos de um esquizofrénico. Apesar de "louco", lê-se muito bem e é interessante. E parece, de facto, tratar-se de um discurso que frequentemente é ouvido por parte de uma pessoa que sofre desta patologia. 

Joel Neto 

Só o Joel Neto consegue pegar numa história real e conta-la desta forma agradável. Neste conto, inicialmente sente-se alguma crítica por parte do autor relativamente ao excesso de diagnóstico que existe, no entanto, terminei o conto a achar que o Joel Neto nos quis demonstrar que cada um de nós tem algo.. que afinal a loucura está um pouco dentro de cada um. Achei o conto muito bonito, a escrita muito boa e uma linda homenagem. Bem escrito, fácil de se ler... como Joel Neto já nos habituou.

Maria Teresa Horta 

Gostei imenso da ideia deste conto, mas a certa altura torna-se confuso e um pouco cansativo. Trata-se da história de uma mulher que confunde realidade com ficção (o próprio leitor começa a confundir). É a história da sua gravidez e do pós-parto. Repito: a ideia é fabulosa, mas a escrita é cansativa... 

Nuno Camarneiro 

Foi a primeira vez que li algo do Nuno, e posso dizer que o autor me conquistou completamente. A escrita é simples e fluída (e depois fala no Etna, por isso já tem muitos pontos para me conquistar :p ). Trata da história de um homem que é deixado pela mulher e que tem de aprender a se re-organizar (nomeadamente na relação com a filha). Uma escrita mesmo cativante e interessante. 

Patrícia Reis 

Foi a primeira vez que li algo desta autora. Adorei a história mas o que mais gostei foi a escrita. A história, na verdade, é banal (mulher que é deixada pelo marido e que começa a ir a um psicólogo). Vamos acompanhando esta senhora ao longo de 4 consultas. O discurso é que é muito real e é um discurso muito típico destas pessoas. Está muito bem pensado. Gostei bastante.

Richard Zimler 

Foi o meu conto preferido mas que beneficiou pelo facto de ser mais comprido. A história é interessante e o autor consegue abordar vários assuntos diferentes. A ligação com as questões da saúde mental pode não ser tão evidente como nos outros casos, mas este é um dos pontos fortes do conto. Gostei bastante!

No final, o saldo é mais do que positivo. É um livro que vale mesmo a pena e que de certeza irei reler. 

sábado, 14 de maio de 2016

0

Ciclo Sefardita - 4 livros do Richard Zimler - VÍDEO SEM SPOILERS [Canal FLAMES]



Onde comprar: 
O último cabalista de Lisboa - Wook
Goa ou o Guardião da Aurora - Wook
Meia-Noite ou o Princípio do Mundo - Wook
A Sétima Porta - Wook

Vejam um post sobre os quatro livros detalhado aqui - http://flamesmr.blogspot.pt/2013/08/livros-os-livros-de-richard-zimler-post.html

♥ ♥ SIGAM O FLAMES! ♥ ♥ 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

0

Livro: A Sentinela (Richard Zimler)



Título: A Sentinela
Autor: Richard Zimler
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 424
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04490-7

Sinopse
Até que ponto um único assassinato pode iluminar a crise moral em que se encontra o país?
6 de julho de 2012. Henrique Monroe, inspetor-chefe da Polícia Judiciária, é chamado a um luxuoso palacete de Lisboa para investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil. Depois de interrogar a filha da vítima, Monroe começa a acreditar que Coutinho foi assassinado ao tentar defender a perturbada adolescente do violento assédio sexual de algum amigo da família. Ao mesmo tempo, uma pen que o inspetor descobre escondida na biblioteca da casa contém alguns ficheiros com indícios de que a vítima poderá também ter sido silenciada por um dos políticos implicados na rede de corrupção que o industrial montara para conseguir os seus contratos. Tendo como pano de fundo o Portugal contemporâneo, um país traído por uma elite política corrupta, que sofre sob o peso dos seus próprios erros históricos, Richard Zimler criou um intrigante policial psicológico, com uma figura central que se debate com os seus demónios pessoais ao mesmo tempo que tenta deslindar um caso que irá abalar para sempre os muros da sua própria identidade.

Opinião:
Ainda está para vir (ou não!) um livro de que não goste de Richard Zimler.
No entanto, este foi o livro que menos gostei de todos os que já li dele (vejam a minha opinião sobre À Procura de Sana; Os Anagramas de Varsóvia; O último cabalista de Lisboa; Goa e o guardião da aurora; Meia-noite ou o Princípio do mundo; e Trevas de Luz).
Como sabem, Richard Zimler é um dos meus escritores favoritos de todos os tempos!
Neste livro, surpreendeu-me imenso ao ter mudado, radicalmente, de temática. Arrisco-me a dizer que este é o livro dele mais "diferente" de todos os outros, mas espero que não se trate de um livro que marca uma mudança de estilo e de temática! Quero desesperadamente mais romances históricos escritos pelo autor! A minha sanidade mental e felicidade dependem disso :) !

Escrito num estilo mais contemporâneo, mas não deixando de usar a escrita crua e real que tanto o caracterizam e que tanto adoro, Richard Zimler apresenta-nos um policial passados nos nossos dias.
As pesonagens são bem dissecadas e estão carregadas de pormenores. É fácil criarmos empatia com as mesmas, colocarmo-nos do lado delas e sentir as emoções que o autor tão bem nos queria transmitir.
Interessante também o facto de o autor colocar, como personagens, pessoas que tão bem "conhecemos" e que fazem parte do real quotidiano da sociedade portuguesa. Sem medo, Richard Zimler acaba por, mais do que nos apresentar um policial, por nos mostrar os podres na nossa sociedade, uma sociedade cada vez mais corrompida e sem escrúpolos. Estamos a atravessar um período de crise terrível! Mas mais do que a crise económica que nos avassala, a pior crise que vejo é mesmo a crise moral e de valores, e foi aí que o livro me conseguiu tocar mais! Sem dúvida que consigo sentir bem (infelizmente) a crise moral que estamos a ultrapassar e que está a afectar todos quanto nos rodeiam. Isto é algo que me deixa profundamente triste, mas que não vou aprofundar neste post. Deixo apenas, aqui, este meu pequeno reparo.

Mais uma vez, o "mistério" está presente. O autor tem este dom, de deixam o leitor preso à trama pelo véu de mistério que gosta de tecer.
Sendo eu psicóloga, e apesar de amar policiais, posso dizer que também uma das coisas que gostei mais no livro não foi a questão da personalidade múltipla, mas sim o sofrimento que a personagem principal sente devido aos maus tratos infantis de que foi vítima. Aliás, mais do que empatizar com Henrique Monroe eu senti uma grande empatia pelo irmão (Ernie). Adorei a estrutura psíquica que Richard Zimler criou nesta personagem.

Amantes de policias contemporâneos - têm aqui um livro a não perder!

Saibam mais sobre o evento que houve em Vila Nova de Gaia só sobre este livro - aqui.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

0

Livro: Trevas de Luz (Richard Zimler)



Autor: Richard Zimler
Páginas: 195
Editora: Quetzal Editores
Título Original: Angelic Darkness

Comecei a leitura deste livro com as expectativas muito elevadas. É o que acontece quando começamos um novo livro do nosso escritor favorito, e eu penso que vocês já devam estar fartos de me ouvir falar em Richard Zimler (vejam a entrevista que lhe fizemos aqui). Tenho por ele uma enorme admiração e acredito que é dos autores portugueses contemporâneos mais brilhantes!


Assim, quando comecei a ler este livro estranhei a escrita e a temática. Pensei para mim mesma "Ok.. isto não é nada do que estava à espera". De facto, a história é diferente do que esperava e a temática também. Não foi fácil entrar nesta obra como foi até agora nos outros livros.

Até que, a certa altura, chegou aquele momento...! Aquele momento que eu já identifico em mim quando leio as obras dele... aquele momento em que começo a ficar completamente obcecada pela obra e em que só penso em virar a página e ler mais e mais. Comecei a ficar muito intrigada com a historia das personagens. E claro, mais uma vez, fiquei fascinada pela escrita exemplar, brilhante e perfeita deste fantástico escritor português. 
E assim, mais uma vez, Richard Zimler não me desiludiu, trazendo através deste "Trevas de Luz" uma história completamente diferente da dos outros livros de que já vos falei neste blogue ("O último cabalista de Lisboa"; "Goa ou o Guardião da Aurora"; "Meia-Noite ou o Princípio do Mundo"; "À Procura de Sana"; "Os Anagramas de Varsóvia").

Apesar de, à primeira vista, me ter parecido que este livro nada tinha de igual aos outro, com a leitura, encontrei o fio condutor. Aquele que liga todas as suas obras. Esse fio, é o mistério. O mistério está sempre presente nas suas obras... assim como está sempre presente nas nossas vidas. O mistério, é o que me faz apaixonar pelos seus livros.

Aqui, nesta obra, entramos na mente de uma personagem, e viajamos no seu mais íntimo.
Um livro que me encheu as medidas, que me fez querer ler sem o pousar! No entanto, comparativamente aos outros, não é dos meus preferidos. Prefiro todas as obras que li dele anteriormente, mas este é daqueles que, quem conhece os livros do escritor, vai querer adicionar à lista "A ler".

Sinopse
Bill é um jornalista entediado que vive em San Francisco e que trabalha num pequeno jornal. Quando Alexandra, a sua mulher, deixa definitivamente a casa de casal, é a vida de Bill que desmorona. O terror de morar sozinho, o medo de passar a dividir a casa com a lembrança corrosiva dos pais e com uma multidão de fantasmas infantis, agora tão crescidos quanto ele, empurram Bill para o desespero. Acaba por conhecer Peter, um misterioso funcionário do consulado brasileiro que cresceu numa colónia portuguesa de África e morou algum tempo no Brasil. Um ser perturbador, com histórias inacreditáveis e capacidades especiais. Agora Bill tem de escolher: pode embarcar com o improvável Peter numa viagem libertadora ou continuar a viver no porto seguro e ilusório da sua vida.

sábado, 12 de julho de 2014

2

Evento: Cultura na Casa Barbot com Richard Zimler


Há eventos que valem sempre a pena pelos seus intervenientes. De Coimbra rumo ao norte, lá nos encontrámos em Vila Nova de Gaia com Richard Zimler e Miguel Miranda. É sempe com enorme prazer que os ouço!

Na segunda semana de cada mês, reúnem-se, na casa Barbot (um local extraordinário - quando chegará o dia em que não ache tudo no norte extraordinários?), uma série de pessoas para uma tertúlia.
Desta vez o livro em análise era "A Sentinela" último livro editado pelo fabuloso Richard Zimler.
Assim, a conversa começou com Miguel Miranda a fazer um resumo do mesmo. E depois.. foi a  vez de Zimler falar e deliciar os seus leitores. Todos ficaram encantados de o ouvir. É impossível ficar-lhe indiferente.
Zimler explicou que dentro de nós existem tantas possibilidades de pessoas que poderíamos ter sido. "Quando tinha 20 anos não pensava nisto, mas hoje com 58 anos questiono-me como poderia ter sido eu, por exemplo, se tivesse ficado nos E.U.A. Certamente não teria escrito este livro que é muito influênciado pela minha experiência em Portugal."
Ainda, referindo-se ao livro "A Sentinela", afirmou que "ao escrever sobre um caso tão violento senti a necessidade de escrever sobre a crise moral que estamos a atravessar em Portugal" sendo que "queria um livro real, daí o final. Sou escritor, a minha maneira de reagir é esta".
Muitas foram as questões colocadas ao autor. Os intervenientes foram fantásticos, e a vontade de conversar e questionar o autor impunha-se. Sobre o facto de ter usado nomes reais de políticos portugueses, Zimler refere que "o meu cérebro é anglosaxónico. Tenho esta liberdade no meu cérebro, tenho liberdade na minha cabeça e por isso não tenho auto-censura. O que eu faço no livro, no entanto, não é difamar. Não tenho medo de represálias porque eu estou muito fora do radar deles. Não sou dependente de entidades políticas porque eles não são os meus leitores. Provavelmente não gostam de mim! Tudo bem! Não tenho qualquer problema com isso."

Sobre se haverá uma continuação do livro, Zimler responde que é um dos seus desejos continuar, mas que de momento está a trabalhar numa outra obra.
Na foto - Richard Zimler com uma das administradoras do blogue e 3 leitores do FLAMES :)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

4

Livros: O Ciclo Sefardita - 4 livros de Richard Zimler - O Último Cabalista de Lisboa, Goa ou o Guardião da Aurora, Meia-Noite ou o Princípio do Mundo e A Sétima Porta


Richard Zimler (pode ver a sua entrevista aqui) cedo me cativou com a sua simpatia, e quando decidi ler o meu primeiro livro dele, ler as suas obras tornou-se uma obsessão. Assim, este transformou-se no meu autor contemporâneos favorito.
Com a sua escrita inebriante, Zimler deixa-nos curiosos e atentos logo desde a primeira página. 

Para ler Richard Zimler é necessária uma ordem? A resposta correcta é NÃO... mas na MINHA opinião... CONVÉM! Pelo menos o "Ciclo Sefardita" que é composto por 4 livros. A verdade é estes 4 livros se debruçam sobre a família Zarco, uma família de judeus que habita em Portugal e, apesar de todos os livros serem independentes, a meu ver faz TODO o sentido que sejam lidos numa determinada ordem. Em baixo deixo-vos a minha SUGESTÃO (e não é mais do que isso mesmo) para a leitura deles.

Assim sendo, a meu ver, quem quer ler O Ciclo Sefardita poderia fazê-lo da seguinte forma:

1º O Último Cabalista de Lisboa


2º Goa ou o Guardião da Aurora


3º Meia-Noite ou o Princípio do Mundo


4º A Sétima Porta



Esta ordem é, como vos disse em cima, apenas a minha sugestão. Apesar de primeiro Richard Zimler ter escrito Meia-Noite ou o Princípio do Mundo antes do livro Goa ou o Guardião da Aurora, a meu ver faz sentido lê-los por esta ordem (depois de os lerem entenderão o porquê).

Um outro livro cuja ordem, para mim, é importante é o livro À Procura de Sana (vejam a minha opinião aqui) que deve ser lido SEMPRE DEPOIS de já se ter lido O Último Cabalista de Lisboa, pois contem um spoiler sobre este último.

Espero que gostem de ler as minhas opiniões, e sintam-se à vontade para comentar sobre elas.

 


Título: O Último Cabalista de Lisboa
Título Original: The last Kabbalist of Lisbon
Páginas: 384
Blogue do livro: http://o-ultimo-cabalista-de-lisboa.blogs.sapo.pt/


"O Último Cabalista de Lisboa" foi o 2º livro que li de Richard Zimler e o primeiro que foi assinado pelo autor; e encontra-se "ligado" de certa forma ao primeiro livro que li "À Procura de Sana". O autor conheceu Sana na Austrália, e esta disse-lhe que lera o seu livro "O Último Cabalista de Lisboa". Como o autor nos referiu numa entrevista"Essa bailarina, Sana, reconheceu-me e falou comigo. Disse que adorou o meu livro «O último cabalista de Lisboa» e que tinha sido um livro importante para ela."
Após o suicídio de Sana, Richard Zimler tenta compreender o porquê de ela se ter matado, e de que forma este livro a influenciou. Por um lado, aconselho que leia este livro antes de ler "À Procura de Sana", pois neste o autor revela algumas coisas sobre "O Último Cabalista de Lisboa". Relativamente à minha experiência (que foi o contrario) acabei por ter uma perspectiva diferente. Quando apareciam certas partes automaticamente eu pensava "o que será que Sana sentiu quando leu isto?".
Bom, mas independentemente desta ligação, a verdade é que os livros são completamente diferentes mas ambos são INCONTORNÁVEIS!
Richard Zimler tornou-se no meu autor contemporâneo favorito. A sua escrita é inebriante... consegue cativa-nos de uma maneira soberba. Durante dias foi-me impossível pensar noutras coisas que não fizessem parte do enredo que ele nos apresenta, nas personagens, no destino de cada uma...
Para além do mais, Richard Zimler transporta-nos para épocas que pouco conheço, oferece-nos conhecimento e faz-nos sentir os horrores que os judeus passaram nestas épocas.
Mas para compreender melhor, vamos ver um pouco da história.

Corre o ano de 1506. É Abril e celebra-se a Páscoa.. e é durante esta celebração religiosa que morrem cerca de dois mil cristãos-novos (judeus obrigados a serem convertidos). E este massacre é real e aconteceu em Lisboa, sendo os corpos queimados no Rossio. É neste cenário que encontramos a família Zarco, uma família de valores judeus mas que é impedida, como todos os da mesma religião, a mostrar e a celebrar rituais religiosos. Nesta altura o narrador, Berequias Zarco, encontra o seu tio morto na cave onde costumam, às escondidas, praticar estes mesmos rituais. Mas o mais estranho é que não encontra apenas o seu tio. Este está nú ao lado de uma rapariga que ninguém reconhece, despida. Ambos têm a garganta cortada e a cave encontra-se trancada por dentro. O que se terá passado? Quem os matou, como conseguiu desaparecer de um sala fechada à chave por dentro e porque o terá feito? É que contrariamente ao que parece, não foram os cristãos... Trata-se de um extraordinário romance-policial-histórico que nos deixa com o coração a palpitar. Uma história fantástica que retrata acontecimentos verídicos. A ler e RELER!
No último capítulo o autor faz uma coisa que eu adoro pois mete-nos a par dos destinos de TODAS as personagens envolvidas.





Título: Goa ou o guardião da Aurora
Título Original: Guardian of the Dawn
Páginas: 346

Em Goa, no séc. XVI, encontramos alguns membros da família Zarco, mais especificamente os irmãos Tiago e Sofia, o pai deles e o tio Isaac. Conhecemos Tiago já adulto que foi preso, tal como seu pai, devido à religião que pratica: o judeísmo. Mas isso significa... que alguém os traiu. Quem? E porquê? Para isso, o narrador conta-nos a sua infância, o modo como viviam, as ligações entre as personagens, a fim de conseguirmos, juntamente com ele, tentar chegar à verdade. E assim somos transportados para a Índia deste século... passeamos nas suas ruas, vemos as suas cores e sentimos os aromas exóticos que compõe esta viagem.
A última página tem dos melhores finais que já li na minha vida, e valeu tanto a pena. Está fantástico. Se o livro tivesse sido a maior porcaria de sempre (que NÃO foi de todo) a última página compensaria toda a leitura. O autor deixa-nos sempre saber o que aconteceu a cada uma das personagens. O que é muito bom!




Título: Meia-Noite ou o Princípio do Mundo
Título Original: Hunting Midnigth
Páginas: 540
Este livro foi, para mim, uma enorme surpresa. Assustada com o tamanho da obra e com os temas que não me diziam muito, achei que ía demorar imenso tempo a lê-lo. Mais uma vez, foi impossível parar de o ler e em menos de 1 semana, estava lido. Claro que o enredo não é tão frenético como no livro O Último Cabalista de Lisboa, mas desconfio que dificilmente voltarei a ler um livro como aquele. 

Nesta obra vamos encontrar John Zarco Stewart. John é apenas um rapazinho (filho de pai escocês e mãe portuguesa) quando o encontramos na primeira página da obra, mas vamos acompanhando a sua adolescência onde participa em inúmeras aventuras com o seu amigo Daniel e a querida Violeta. Com o tempo, descobre o que é ser judeu e o que isso implica (o que foi óptimo para mim pois aprendi imenso sobre esta religião de uma forma nada maçadora). Mais tarde, vai habitar para sua casa um negro chamado Meia-Noite que irá mudar para sempre a sua vida. Assim, ficamos a saber mais sobre África e sobre a América e a escravidão que se praticava naquela altura. Esta foi uma obra que fez rir e chorar... sorrir com os triunfos e maldizer as desgraças que acompanharam esta família.




Título: A Sétima Porta
Título Original: The Seventh Gate
Páginas: 656

Esta obra tinha tudo para ser a minha obra favorita do autor, mas de todos os 4 livros foi o que menos gostei. Terão sido as expectativas elevadas? Não sei.. talvez.. 

Como vos disse, este livro tinha tudo para eu o adorar: passa-se na segunda guerra mundial e fala de outro tipo de pessoas que sofreram com o nazismo que não os alemães judeus. Gosto imenso de livros/filmes/documentários sobre a 2ª Guerra Mundial e já li e vi muita coisa sobre esta temática. Quase sempre se fala nos judeus mas pouco se fala sobre as outras pessoas que também sofreram, como os alemães com alguma deficiência (física ou mental) ou os aderentes de outros partidos políticos. Muitas pessoas têm uma visão romanceada sobre a 2ª Guerra Mundial: Judeus mal tratados, alemães cristão todos felizes da vida. As coisas não se passaram desta forma taxativa e quem tem um verdadeiro conhecimento sobre esta época negra da História percebe que as coisas nunca se poderiam ter passado desta forma. O cinema é que nos transmite essa ideia errada. Richard Zimler como sempre é magistral e escreve-nos uma história onde a personagem principal. Sophie, uma alemã católica e um irmão diferente que se revolta com as injustiças que acontecem à sua volta. Escrito muito antes do livro "A rapariga que roubava livros", esta obra foi sem dúvida pioneira neste aspecto. 

No entanto houve um aspecto que não gostei no livro. Trata-se da relação (ou relações) amorosas que Sophie vai tendo ao longo da sua vida. Tendo em a personalidade dela tornou-se estranho para mim algumas das opções que foram sendo tomadas, e algumas das cenas que foram sido descritas ao longo do livro tornavam-se, para mim, totalmente desnecessárias. Penso que este facto minou um pouco a minha opinião sobre este livro. Tenho pena...


Roberta Frontini

segunda-feira, 22 de julho de 2013

5

Livro: Os Anagramas de Varsóvia



Título: Os Anagramas de Varsóvia
Autor: Richard Zimler
Título Original: The Warsaw Anagrams
Género: Histórico e policial
Páginas: 362


E cá está... mais um livro de Richard Zmler que se tornou num dos meus livros favoritos de todos os tempos. Por motivos pessoais, a IIª Guerra Mundial sempre me interessou muito.. e é por isso mesmo que por vezes já me cansei de estar sempre a ler, basicamente, as mesmas coisas e os mesmos relatos. 
Mas este é totalmente diferente.
Trata-se de um policial histórico que se passa num gueto judeu da Polónia. Desta vez o narrador é uma personagem que aparenta não ser quem é, e que deveria estar morto. Será que está?

Erik Cohen é encerrado no gueto com a sua família: uma sobrinha, um sobrinho-neto e um grande amigo chamado Izzy. Uns tempos depois, o sobrinho-neto desaparece e é encontrado morto. Estava nú e o corpo profanado. Mas esta era apenas uma das mortes que iria assombrar o gueto. Quem estaria por detrás disto e porquê? E porque razão outras crianças foram mortas e profanadas?
Será que alguém irá descobrir o mistério?

Uma obra que retrara um dos tempos mais obscuros da história da Humanidade, mas que o faz de forma totalmente original. Já era ora de alguém escrever um livro sobre esta temática, mas com uma abordagem diferente e um ponto de vista claramente original. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

6

Livro: À Procura de Sana


Autor: Richard Zimler
Páginas: 253

Foi com este livro que iniciámos a nossa incursão pelo mundo da escrita de Richard Zimler. Fãs dele pela personalidade, disponibilidade e carinho que demonstra por todos os seus leitores, iniciámos a leitura de "À Procura de Sana" com as expectativas muito elevadas...
Logo este se tornou num dos melhores livros que já lemos, não só pela história fenomenal que combina realidade com ficção, como pela escrita do autor. De facto, ler um livro de Richard Zimler não é apenas conectar-se com uma história, personagens, factos e locais...é muito mais do que isso... É ligar-se às vivências de cada personagem, viver com elas uns tempos... imaginá-las ao nosso lado e aprender. Sim aprender, porque ler Richard Zimler permite-nos "beber" cultura. Estamos a falar de um daqueles autores que escreve no sentido de nos enriquecer, e não só para nos contar uma história que nos entretém por algumas horas.

Mas para vos contar a história do livro, quem melhor que o próprio autor? De facto, numa entrevista feita para o FLAMES a 19 de Abril de 2013 (aqui) o autor falou-nos no seu livro:

"Tudo começou em 2000 numa viagem que fiz à Austrália e que tinha uma escala em Londres. Ao todo, a viagem durou 35 horas. Por isso tudo, fiquei muito esgotado. Estava desnorteado e não conseguia dormir por causa da diferença de horários. Estava muito mal e foi muito difícil para mim. Tudo foi uma experiência muito interessante. Quem me "salvou" foram os escritores e os bailarinos que conheci, pois estávamos lá num festival que envolvia a escrita mas também a dança. Neste romance, conto esse evento da minha vida. Lá, encontrei uma bailarina que dizia ser italiana mas que, mais tarde, descobri ser palestiniana. Essa bailarina, Sana, reconheceu-me e falou comigo. Disse que adorou o meu livro "O último cabalista de Lisboa" e que tinha sido um livro importante para ela. E, assim, desenvolvemos uma relação de amizade (daquelas que se estabelecem quando viajamos). No dia seguinte, estava no café que se encontrava fora do hotel, e ouvi uns estilhaços e um corpo a cair. Alguém se tinha suicidado (ou tinha sido morto não se sabia). Fiquei muito traumatizado. Não foi nada fácil. O romance conta a minha procura pela história de Sana. Queria saber porque se tinha suicidado e o que teria acontecido. É uma história que envolve a Palestina, Israel e, no fim, terrorismo. O livro é uma mistura da minha vida com ficção."

Um livro fenomenal que aconselhamos a toda a gente (especialmente aos mais curiosos) e que se tornou, como já dissemos, num dos nossos livros favoritos!

ATENÇÃO: O livro"À Procura de Sana" contém pelo menos 2 spoilers ao livro "O último cabalista de Lisboa" pelo que, se quiserem ler este segundo livro, tenham cuidado e passem essas linhas (são poucas) em frente...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

11

10ª Entrevista: Richard Zimler (escritor)



Richard Zimler


Nota: A presente entrevista foi feita telefonicamente no dia 19 de Abril de 2013 e foi, aqui, transcrita da forma mais fiel possível. Agradecemos imenso ao autor esta oportunidade única. 

Sigam o autor através do seu site oficial: http://www.zimler.com/
Ou através do seu facebook: http://www.facebook.com/pages/Richard-Zimler/179279892106230?fref=ts

Richard Zimler nasceu em Roslyn Heights (Nova Iorque) em 1956. Tirou o bacharelato em religião comparada na Duke University (1977) e o mestrado em jornalismo na Stanford University (1982). Para além de jornalista foi professor de jornalismo durante 16 anos no Porto, cidade para onde foi morar em 1990. Publicou 9 romances, contos, mas também livros infantis.  Em Portugal, editou O Último Cabalista de LisboaTrevas de LuzMeia-Noite ou o Princípio do MundoGoa ou o Guardião da AuroraÀ Procura de SanaA Sétima PortaConfundir a Cidade com o MarDança Quando Chegares ao fim (livro para crianças), Os Anagramas de VarsóviaIlha Teresa e Hugo e Eu e as Mangas de Marte (livro para crianças). Apesar de ser uma personagem muito acarinhada e conhecida do público português, vamos conhecê-lo um pouco melhor...

Qual é a sua nacionalidade?: Americana e Portuguesa


O seu Filme favorito: Não tenho só um, mas sempre gostei muito do filme Cabaret (1972) de Bob Fosse com a Liza Minelli . Vi-o no mínimo umas 6 ou 7 vezes. As músicas são muito inteligentes, gosto muito, e a atmosfera do filme foi muito bem recriada e tem um significado muito especial por causa da vinda dos nazis  para Berlim  Outro filme que gosto bastante é Fanny e Alexander (1982), um filme de co-produção sueca com uma história muito bonita. Os actores foram maravilhosos.  
O seu Livro favorito: Não sei se é o meu favorito, mas foi um livro que me inspirou muito A Luz em Agosto do grande grande grande escritor William Faulkner. Fiquei tão fascinado com a história desse livro que fiz uma análise do mesmo. Foi um livro que me marcou muito.   
O seu Anime favorito: Nenhum
O seu Manga favorito: Nenhum 
O seu Evento/Espectáculo de música/Programa de Entretenimento favorito: O último concerto que assisti foi em Espinho da cantora Jacinta. Adorei. Acredito que ela tenha muito talento e não é tão conhecida como devia. Um outro espectáculo  que assisti e adorei foi  do Leonard Cohen em Nova York.  
A sua Série de televisão favorita: CSI Las Vegas. É uma série que está muito bem escrita  com actores muito bons. É um programa internacional de muita qualidade. 

Os seus livros são lidos em inúmeros países. Costuma integrar-se no processo de tradução e na construção das capas etc. ou é um processo feito à parte e só tem acesso ao resultado final?
Sempre que posso ou a editora mo permite envolvo-me muito em tudo. Na sinopse, no que se encontra na contracapa do livro, na capa... faço sempre que posso uma revisão muito cuidadosa das versões portuguesas porque é uma língua que conheço bem. Nas outras já não faço uma revisão tão rigorosa, apesar de até compreender bem o francês, por exemplo. Sempre que um dos meus tradutores entra em contacto comigo, respondo-lhes. É uma grande ajuda quando o fazem porque, por mais inteligente que o tradutor seja, há sempre questões em que eu posso ajudar. Estou muito envolvido nesse processo sempre que posso. Por outro lado há sempre escritores que, numa ou noutra edição, têm capas menos bonitas. Às vezes nem têm nada a ver com a história do livro e isso é sempre uma tristeza muito grande pois há muitas pessoas que compram os livros influenciados pela capa. Quando vejo uma capa que não gosto, e já me aconteceu numa edição estrangeira, é sempre uma tristeza muito grande porque sei que ninguém vai comprar o meu livro. Infelizmente há muitos editores que não conseguem fazer bem os aspectos gráficos dos livros e, por isso, sempre que posso, envolvo-me, porque às vezes as minhas ideias são muito melhores. Isto porque, por vezes, quem trabalha nestes meios é da área do marketing, e olha para um livro como quem olha para uma cerveja que tem de promover. Outras vezes é um processo muito arriscado pois não vejo mesmo como será o produto final.

A sua formação de base foi feita, praticamente, no estrangeiro, onde nasceu e viveu grande parte do seu tempo. Cá em Portugal continuou a escrever e a dar aulas. Encontra muitas diferenças entre os dois países ou acha que não há um grande choque cultural?
Há choques culturais enormes porque, pelo menos para mim, quando cheguei a Portugal em 1990, pensava que toda a gente no mundo pensava da mesma maneira sobre o amor, o tempo, a amizade, a tolerância, a intolerância etc. e isso não é verdade. As minhas ideias, em alguns temas, não eram iguais ao do povo português. Por exemplo, quando me mudei para o Porto foram necessárias obras em casa. A relação que o português tem com o tempo não tem nada a ver com o americano. Quando necessitei das obras tive de ligar a muitos profissionais que acabavam, na maioria das vezes, por não cumprir com os horários que estabelecíamos. Isto era um contraste com o qual eu não sabia lidar. Não digo que o americano seja melhor ou pior, tem a ver com as nossas personalidades e era eu que não sabia lidar com as coisas. Mas penso que as coisas estejam a mudar. Eu tenho uma personalidade muito nervosa, por exemplo, e gosto de tudo feito no seu tempo porque senão fico muito nervoso por ter de fazer tudo ao último minuto. É por isso que por vezes não gosto de trabalhar em grupo. Mas a questão do tempo é apenas uma questão simples, imaginem então o que é com questões como a solidariedade, o amor ou a amizade.

Num dos seus livros "À procura de Sana", tornou-se numa das personagens do livro. Foi uma ideia muito original e que tem por base uma história muito interessante que lhe ocorreu. Poderia contá-la aos nossos leitores?
De facto esta foi uma experiência diferente como escritor. Tudo começou em 2000 numa viagem que fiz à Austrália e que tinha uma escala em Londres. Ao todo, a viagem durou 35 horas. Por isso tudo, fiquei muito esgotado. Estava desnorteado e não conseguia dormir por causa da diferença de horários. Estava muito mal e foi muito difícil para mim. Tudo foi uma experiência muito interessante. Quem me "salvou" foram os escritores e os bailarinos que conheci, pois estávamos lá num festival que envolvia a escrita mas também a dança. Neste romance, conto esse evento da minha vida. Lá, encontrei uma bailarina que dizia ser italiana mas que, mais tarde, descobri ser palestiniana. Essa bailarina, Sana, reconheceu-me e falou comigo. Disse que adorou o meu livro "O último cabalista de Lisboa" e que tinha sido um livro importante para ela. E, assim, desenvolvemos uma relação de amizade (daquelas que se estabelecem quando viajamos). No dia seguinte, estava no café que se encontrava fora do hotel, e ouvi uns estilhaços e um corpo a cair. Alguém se tinha suicidado (ou tinha sido morto não se sabia). Fiquei muito traumatizado. Não foi nada fácil. O romance conta a minha procura pela história de Sana. Queria saber porque se tinha suicidado e o que teria acontecido. É uma história que envolve a Palestina, Israel e, no fim, terrorismo. O livro é uma mistura da minha vida com ficção.

A escrita desse livro foi, a nosso ver, um acto corajoso, assim como o foi quando escreveu o livro "Goa ou o Guardião da Aurora", pois sabemos que fez muita pesquisa para o livro, mas decidiu não visitar a cidade... 
Sim, fiz muita pesquisa para acertar em todos os pormenores da vida em Goa no século XVII. Na verdade, eu queria visitar a cidade, mas um amigo meu que conhecia a zona disse que era um risco. Contou-me que a cidade se tinha desenvolvido muito e estava modificada e, então, decidi não ir, pois não queria ser influenciado pelo carácter moderno da cidade. Curiosamente, depois do livro ter saído, muita gente de lá me escreveu a dizer que a descrição era muito fiel e perguntavam-me quando é que eu estava a pensar voltar a Goa... e eu nunca lá tinha ido. Fiquei muito lisonjeado pois vi que tudo tinha batido certo.

Há uns tempos criou uma música muito bonita dedicada ao seu irmão que morreu com HIV. Pensa vir a criar outras músicas ou este foi apenas uma ocasião especial?
Penso que já escrevi umas 7 ou 8 canções. Não escrevo muitas. Estudei música e toco guitarra, mas para além disso estudei também a teoria da música. Curiosamente, para mim, o mais difícil não é a construção da música ou dos sons mas a da letra, porque há muitas músicas com letras vulgares e eu quero criar algo de novo. Curiosamente é isto que me custa mais e curiosamente não consigo escrever músicas enquanto estou a escrever um livro ou um conto, porque fico completamente obcecado com as personagens do livro e dedico-me inteiramente a elas.

E como é que foi a escrita dos guiões para a curta-metragem?
Escrevi com a realizadora Solveig Nordlund o guião para uma curta-metragem "O Espelho Lento" baseado num conto meu. A realizadora conseguiu o patrocínio da ICAM, a entidade portuguesa para os filmes e, assim, realizámo-lo em 2009. Entretanto, escrevi um papel para mim pois eu queria participar nas filmagens e queria ver como tudo se desenrolava, porque não sabia quando é que teria outra oportunidade para o fazer. Adorei a experiência. As actrizes Gracinda Nave e Marta Peneda foram excelentes. A curta estreou-se no Fantasporto e venceu o prémio de Melhor Drama no New York City Downtown Short Film Festival em 2010. Infelizmente esta curta não foi muito vista em portugal, mas no final de Maio podem voltar a vê-la em Lisboa. Gostava muito de a ver a passar na TV. Pode ser que algum canal mostre interesse nela... Entretanto já escrevi uma longa metragem também "I’m Not Here" e a Maria de Medeiros gostava de ser realizadora e actriz, mas ainda não está produzida. Necessitamos ainda de dinheiro para a fazer. Mais recentemente, transformei o livro "Os Anagramas de Varsóvia" também em guião, por uma questão muito simples, é que o livro vai ser transformado numa ópera em New York. Para isso, tem de haver a construção do libreto. Pensei que se construísse o guião, seria muito mais fácil escrever-se o libreto porque já fica muito mais reduzido. O libreto já retira cerca de 80% do livro, assim a tarefa fica mais facilitada. Acabei também de enviar o guião e estou à espera que alguém esteja interessado em fazer um filme com ele.

O nosso anterior entrevistado, o realizador, argumentista e actor, Luís Ismael, teve como desafio deixar uma pergunta ao próximo entrevistado sem saber de quem se tratava (Pode ver a entrevista aqui: (http://flamesmr.blogspot.pt/2013/04/entrevista-ao-realizador-argumentista-e.html). A pergunta foi a seguinte: "Costuma ver cinema português?" 
Curiosamente sim. Penso que o posso dizer, não é segredo para ninguém, mas sou dos poucos portugueses que vai ao cinema ver cinema português, porque acho que um português mais facilmente acredita que um filme feito em Portugal é uma seca. O último filme português que vi foi o filme TABU (do realizador Miguel Gomes) e vi-o em Paris. Vejo muitos filmes em Paris. Gostei muito da segunda parte do filme que achei muito interessante.

Se pudesse, o que é que perguntaria ao próximo autor ou autora (ainda a definir) que iremos entrevistar? 
Qual foi o livro que leu em criança que acha que mais o influenciou?

(Na foto em baixo podem ver o autor com uma das administradoras do blogue FLAMES, a Mariana. Esta foto foi tirada meses depois desta entrevista, no evento "Não há feira mas há escritores" no Porto).

1%

1%