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quinta-feira, 3 de abril de 2014

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Livro: O Deus das Moscas


 
 
 
Título Original: Lord of the Flies
Ano: 1954
Género: Suspense
Autor: William Golding
 
 

Não é com muita frequência que me decido pela leitura de um livro com décadas de existência, mas quando o faço normalmente é baseada em bons motivos. “O Deus das Moscas”, um livro publicado pela primeira vez há 60 anos, não foi exceção. Assim que ouvi falar de uma história que marcou gerações pela sua controvérsia e questões morais levantadas e que foi escrita por um vencedor do prémio Nobel (em 1983) não pensei duas vezes: este era um livro que tinha que ser lido!
 
A história começa numa ilha deserta no meio do oceano quando um grupo de crianças inglesas se vê ali abandonado após a queda do avião em que seguiam.
No início este parece ser o cenário ideal: pela primeira vez estão livres da supervisão dos adultos e podem fazer tudo o quiserem. Contudo, à medida que o tempo avança, torna-se evidente que uma sociedade criada por crianças terá, inevitavelmente, várias falhas. Afinal, quão longe estão eles de se tornarem selvagens?
 
Este foi um dos livros que mais me marcou nos últimos anos.
William Golding conseguiu criar uma história tenebrosa que avança a um passo certo para  o descontrolo total.
Aquilo que mais gostei nesta obra foi a forma como o autor conseguiu criar personagens tão distintas que transmitiram na perfeição aquilo que pretendia abordar: a democracia e a falta dela, o lado racional e a emotividade, as diferentes formas de liderança e a facilidade em manipular o ser humano.
No seu conjunto, “O Deus das Moscas” é uma obra que incomoda o leitor por nos mostrar do que é que o ser humano é capaz e que levanta uma questão pertinente: sendo os protagonistas desta história crianças isoladas da sociedade, quer isso dizer que a maldade já nasce connosco ao contrário de ser aprendida pelo exemplo dos outros à medida que crescemos?
 
Uma história que nos faz pensar na essência do ser humano. Um livro que por mais anos que passem continuará a ser atual. Um clássico que recomendo sem quaisquer reservas.

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