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quinta-feira, 25 de maio de 2017

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Filme: Alien - Covenant



Ano: 2017
Género: Ficção Científica, Suspense
Realizador: Ridley Scott


* Por Mariana Oliveira *


Aproveitando a iniciativa que decorreu esta semana a nível nacional e que tornou o cinema mais acessível a nós, comuns mortais, decidi ir ver um filme cuja história já se tornou mítica. Falo da aterrorizadora trama de ficção científica que foi vista ao longo dos anos por toda a gente. Bem, toda a gente menos eu que do “Alien” só conhecia o nome e a actriz que se celebrizou como protagonista desta saga: Sigourney Weaver.

Decidi ver este filme simplesmente para acompanhar o grupo de entusiastas que estava comigo, por isso mesmo as minhas expectativas eram quase inexistentes. Tábua rasa como se costuma dizer.
Assim, ver o “Prometheus 2”, ups quero dizer, o “Alien” acabou por ser uma experiência bastante mediana.  Num filme deste género já todos esperamos excelentes efeitos especiais, muita confusão com tiros e mortes à mistura e actos de bravura por parte de alguns personagens. Até aqui nada de novo. “Alien” cumpriu com todos os requisitos.

A maior surpresa surge quando percebemos, a determinado momento, que este filme é a continuação do “Prometheus”, outro filme de ficção científica que há alguns anos esteve em destaque nas salas de cinema um pouco por todo o mundo. Se tivéssemos pesquisado o assunto previamente, já teríamos sabido disso antes de ver o filme mas… tábua rasa lembram-se?
Por isso mesmo, senti-me algo defraudada. Já tinha visto o “Prometheus” e não o tinha achado nada de especial. Se eu soubesse que “Alien” seria uma continuação dessa história muito provavelmente teria optado por ir ver outro filme. Quanto aos fãs da saga Alien, pelo que percebi ao ouvir vários comentários, os filmes que se tornaram míticos no século passado terão uma qualidade muito superior a este filme de 2017.

A enorme previsibilidade desta história fez com que nem sequer o final, que supostamente deveria deixar-nos de boca aberta, conseguisse surpreender-nos.
Bem, pelo menos o bilhete do cinema foi barato…  

terça-feira, 23 de maio de 2017

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126º Entrevista do FLAMES: Frankie Chavez


Frankie Chavez


Frankie Chavez está de volta com um novo trabalho. Este foi o motivo que nos levou a mais uma conversa com um dos guitarristas mais talentosos do país. Fiquem com a nossa conversa, e aproveitem para conhecer o trabalho do músico. 




O álbum “Family Tree” é mais ligado à família e à tua recente experiência enquanto pai na altura... entretanto sai o “Heart and Spine” onde se falava na importância de se lutar pelos nossos objectivos e sonhos.. o que nos conta este “Double or Nothing”?
Este álbum também é o resultado de eu ter tido duas filhas gémeas.. entretanto surgiu uma música chamada “Double or Nothing”, porque eu estou sempre a brincar com essa expressão. Este álbum relaciona-se com isso, mas também com o “ir ao jogo”, ou seja, neste caso, eu sou pai de quatro filhos e deparei-me com uma situação meio crítica (mas crítica no bom sentido), que levou a que eu pensasse se continuaria a conseguir fazer música da forma como tinha feito até ali. No entanto eu não queria levar o disco só para assuntos familiares... Em termos de conteúdo (e de letras) o disco fala nisto mas também fala do que aconteceu no Bataclan, fala de terrorismo e da privação de liberdade. Fala no facto de termos de acreditar que “para a frente é que é o caminho”. Este disco fala sobre termos de ir a jogo com o que temos e “logo se vê”.
Já se notava, no “Heart and Spine” a tua preocupação com a conjectura social actual.. Neste isto acontece ainda de forma mais vincada... o que se passa no mundo vai ter sempre influências na tua música? 
Desde que eu tenha alguma preocupação com o que se passa com o mundo, acho que sim, porque a minha música vai ser sempre o reflexo daquilo que eu vou vivendo. Se eu vivesse numa ilha deserta seria diferente do que se eu viver numa cidade como Lisboa, que é o caso, com acesso a notícias e à quantidade de informação que há disponível hoje em dia. Eu acho que nós, inevitavelmente, vamos sempre ser influenciados por aquilo que se passa à nossa volta. E agora o “à nossa volta” já não é só o nosso bairro, mas é o nosso mundo. Ou eu “fecho os olhos” ao mundo ou então acabo por ser influenciado pelas várias coisas que vão acontecendo... A minha música é uma coisa muito orgânica e é sempre o resultado daquilo que eu vou vivendo, e acho que vai ser sempre o resultado disso.  
A música “My Religion” conta com a colaboração de Poli Correia.. podes-nos contar um pouco como surgiu a ideia de o convidar para cantar? 
Sim, eu conheço-o à cerca de 3 anos. Conheci-o no Algarve e criámos logo ali uma empatia enorme. Ele é um músico de que gosto muito.. Conhecia o trabalho dele, mas não o conhecia pessoalmente. Quando isso aconteceu ficámos amigos. Quando escrevi aquela música senti que ele se ia identificar com ela e então convidei-o para participar. Gravámos aquilo tudo em Lisboa, depois combinamos, encontrar-nos em estúdio e ele gravou a parte da voz e acho que tem tudo a ver comigo e com ele.


Sim, e acho que as duas vozes combinam muito bem uma com a outra... Na “My Religion” a letra a certa altura diz: “I guess the world is getting smaller every day”. A que te referias neste caso concreto?
Às pessoas que partem mais cedo e não deviam partir, por variadíssimas razões! Na altura, quando escrevi a música, pensei nas pessoas que morreram devido a um atentado como aquele num concerto... 
Para além deste artista, arranjaste um grupo de músicos interessante que convidaste para participar contigo neste disco. Quem é que gostarias de convidar para trabalhar contigo no futuro? 
Sei lá.. há tanta gente com quem eu gostava de trabalhar! Sou péssimo para responder a estas perguntas do tipo “Olha, fala lá de uma música”.. Deixa-me pensar.. Beck por exemplo... mas era quase impossível tê-lo num disco rock. 
Sei que te inspiras em muitos guitarristas, mas quando pensas numa pessoa para colaborar contigo pensas em alguém que toca o teu mesmo instrumento, ou preferes alguém que toque um instrumento que te complemente?
Agora, lá está, até me lembrei que gostaria muito de colaborar com um guitarrista que admiro muito, o Jack White por exemplo.. como baterista gosto imenso do Steve Jordan é um baterista que eu gostava muito de ter comigo, só para dizer que toquei com ele (risos). Gostava de experimentar um concerto com ele, havia de ser engraçado. Mas o Jack White é o guitarrista/produtor de que mais gosto na actualidade...
Na “My Religion” a certa altura diz-se: “My religion is Rock n' Roll…” contrariamente às religiões que por vezes tendem a afastar as pessoas, a música ajuda a aproximar-nos? Ou também tem este efeito perverso de nos afastar? 
Não, a música é uma celebração, e o que faz é unir as pessoas. E eu digo isso mesmo por isso mesmo. O pessoal mais extremista está completamente enganado e acha que vai fazer com que os concertos acabem e as celebrações da vida acabem! A música é uma celebração da vida e é assim que deve continuar. 
Em geral, gostas de falar sobre as tuas músicas ou preferes que sejam os outros a falar delas? Ou ouvir os outros a falar nas tuas músicas gera-te algum embaraço?
Não me gera embaraço. Prefiro que os outros falem nelas para conseguir perceber o que a minha musica transmite. 
Foste pai de gémeos e houve uma altura em que pensaste se deverias continuar no mundo da música ou não.. Quais são os aspectos negativos de se ter uma carreira nesta área?
Hoje em dia a música é vista quase como um complemento de outras coisas. Para tentar exemplificar: as pessoas quando vão a um restaurante não dizem “epá, posso comer sem pagar?”. Nos concertos, há muita gente a querer entrar e não pagar. Isto é um exemplo diário. Ouço imenso “Não arranjas lá um bilhete?”, “Não arranjas aí um CD?”, “Olha, dá aí uma música para fazer aí um filme”. A música é uma arte como as outras, e uma vez que é arte, há processo criativo que muitas vezes não é pago. Durante o processo criativo eu estou a tocar e não estou a receber ao final do mês. Portanto, é cada vez mais complicado fazer arte num país e numa altura em que a música não é valorizada. É valorizada enquanto complemento, por exemplo, de um spot publicitário. Às vezes gastam-se milhões a fazer uma campanha e a música é aquela coisa que, se puder vir à borla, melhor. Este é um aspecto que tem de ser mudado. Mas é muito complicado de se mudar porque hoje em dia a música é disponibilizada de forma quase gratuita... Mas as pessoas têm de perceber que por detrás de um disco há um processo de gravação, um processo criativo, contratação de músicos, produção física de discos... é complicado. É nesse sentido que eu digo que às vezes me questiono. Eu sei que não vou deixar de fazer música, mas poderia ter de fazer outras coisas. Há poucos músicos em Portugal que conseguem fazer apenas música em Portugal. 
Tivemos a oportunidade de te entrevistar quando saiu o “Heart and Spine”. O que é que o Frankie Chavez de agora diria ao Frankie Chavez daquela altura?
Diria: “Continua que é para fazeres o Double or Nothing” (risos). Dava-lhe incentivo! Ainda há bocado me perguntavam se eu alteraria alguma coisa. Eu já tive esse sentimento nos outros discos. Acho que é normal nós pensarmos que agora faríamos de forma diferente. Mas eu acho que o interessante é isso. O disco torna-se numa fotografia daquele momento. O interessante dos discos e da arte de uma forma geral é o facto de poder ser representativo de uma determinada altura. Isto é o mais importante da arte e as pessoas têm de saber viver bem com isso. Se eu agora fosse refazer o EP da Optimus, o Frankie Chavez, ele ía soar a outra coisa. Tenho outra bagagem, já dei alguns concertos... a musica iria soar de forma diferente. E aquela musica tinha de sair assim naquela altura para também, agora, haver uma margem de progressão. Tu não queres fazer dois discos iguais, e ainda bem que fiz aquele naquela altura, para hoje poder fazer este, e amanhã fazer uma coisa diferente. 
A recente vitória de Portugal na Eurovisão parece que reavivou a paixão dos portugueses pelos artistas lusitanos. Acreditas nesta mudança ou achas que "será sol de pouca dura"?
Acho que cada vez mais se tem dado valor à música portuguesa feita em Portugal, e à música cantada em português. O festival, da mesma forma que deu a conhecer Portugal e os músicos portugueses ao resto da Europa, também deu a conhecer alguns músicos portugueses a pessoas em Portugal que estão meio adormecidas ou que não conheciam, por alguma causalidade. Acho que é importante, e ainda bem que isso aconteceu, mas lembro-me de uma coisa que o Salvador Sobral disse “isto daqui a um tempo ninguém se vai lembrar”. Claro que isso pode acontecer. Eu espero que este festival da Eurovisão tenha estimulado a criação de mais música portuguesa. Já na altura do Heart and Spine eu disse isto: eu acho que a música portuguesa está a passar por um período muito bom porque acho que a qualidade da música que se faz em Portugal (quer seja cantada em português ou em inglês) tem sido muito boa. Aquilo que se faz hoje em dia não está nada atrás do que se tem feito noutros países. Hoje em dia a música feita em Portugal está ao nível da musica mundial. Este festival veio provar isso e espero que seja um estimulo para se continuar a fazer música em Portugal. 
E agora, por onde vais levar este teu novo álbum? Onde te podemos encontrar?
Vou ter algumas datas em Portugal, como o festival bons sons. Vou ter algumas datas em Itália, vamos voltar a Espanha e lá para Outubro há concertos agendados para Portugal. Ainda estou a marcar coisa. 
TOUR 2017

15 de Junho – GUITARRAS AO ALTO com Peixe (Avis,PT)
16 de Junho – GUITARRAS AO ALTO com Peixe (Estremoz, PT)
17 de Junho – GUITARRAS AO ALTO com Peixe (Beirã-Marvão, PT)
24 de Junho - Montemor-o-Novo
5 de Julho – VILLA ADA (Roma, IT)
6 de Julho – TBC (IT)
7 de Julho – BOTANIQUE (Bologna, IT) 8 de Julho – ROCKA IN MUSICA (Roccamandolfi, IT)
9 de Julho – A anunciar (IT)
10 Julho - A anunciar (IT)
14 Julho - A anunciar (IT)
20 de Julho – ORIENTOCCIDENTE (Terranuova Bracciolini, IT)
30 de Julho – ARRIFANA SUNSET FEST (Arrifana, PT)
12 de Agosto - A anunciar (PT)
14 de Agosto – FESTIVAL BONS SONS (Cem Soldos, PT)
19 de Outubro - A anunciar (PT)
20 de Outubro - A anunciar (PT)
21 de Outubro - HARD CLUB (Porto, PT)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

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Livro: Anna e o Homem-Andorinha



Título: Anna e o Homem Andorinha
Autor: Gavriel Savit
ISBN: 9789896651909
Edição ou reimpressão: 02-2017
Editor: Suma de Letras
Idioma: Português
Páginas: 224

Sinopse:
Uma história sobre a perda da inocência perante a tragédia. Cracóvia, 1939. Um milhão de soldados marcham e mil cães ladram. Este não é um lugar para crescer. Anna tem apenas sete anos no dia em que o alemães levaram o seu pai, professor de Linguística, durante a purga de intelectuais na Polónia. Está sozinha quando encontra o Homem-Andorinha, um astuto trapaceiro, alto e estranho, com mais de um ás na manga; um impostor que consegue até que os soldados com quem se cruza só vejam aquilo que ele quer que vejam. O Homem-Andorinha não é o pai de Anna - ela sabe-o bem -, mas também sabe que, como o seu pai, está em perigo e, também como o seu pai, tem o dom das línguas: fala russo, polaco, alemão iídiche e a linguagem dos pássaros. Quando o misterioso indivíduo consegue que uma bela andorinha lhe pouse na mão para que Anna deixe de chorar, a menina fica encantada. E decide segui-lo até onde ele for. Ao longo da viagem, Anna e o Homem-Andorinha escaparão a bombas e a soldados e também farão amigos. Mas, num mundo louco, tudo pode ser um perigo. Também o Homem-Andorinha.

Opinião
(Roberta Frontini)

Como podem ler pela sinopse, este livro passa-se durante a Segunda Guerra Mundial. Por isso mesmo, assim que o vi, a minha curiosidade por ele foi enorme. 
É-me difícil falar sobre este livro, porque o li na altura errada. Fiquei com a sensação que este livro é mais voltado para um público mais jovem ou um público que está a dar os primeiros passos na leitura sobre o Holocausto. Mas talvez esteja a ser injusta. Em ultima análise, penso que poderá ser interessante para um público interessado pelas vidas que foram tocadas pela 2ª Guerra Mundial..

No entanto uma coisa é certa, ele conseguiu surpreender-me. Isto porque achei incrível que este seja o primeiro livro do autor. Gavriel Savit conseguiu criar um livro bastante original: pegou numa temática já demasiado dissecada, e conseguiu dar-lhe uma nova roupagem, com personagens incomuns e uma escrita diferente que toca, por vezes, o poético. 

Este é um livro que traz mais um testemunho de duas personagens que tentam passar incólumes pela guerra... por isso mesmo não faltam descrições de situações desumanas, que infelizmente (de certo) se assemelham a muitas situações reais. Tudo isto a par com um toque de realismo mágico que pode fazer as delicias de quem aprecia este género. A visão é maioritariamente a de uma criança que não compreende tudo o que se passa e a de um homem que tudo faz para sobreviver ao horror da guerra. O leitor, por seu turno, também não compreende sempre os motivos que movem o homem-andorinha, personagem da qual nunca se chega a saber o nome.. O mistério anda, assim, de mão dada com as pessoas que vamos encontrando no decorrer da leitura. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

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259º Passatempo do FLAMES (em parceria com a Planeta)


Vamos começar mais um passatempo :) desta vez contamos com a colaboração da Planeta Editora.
Para ganhares um exemplar deste livro basta preencheres o formulário em baixo.
Boa sorte :)


Desejo Concedido
As Guerreiras Maxwell 1
de Megan Maxwell

SINOPSE

O romance é passado na Inglaterra do século XIV. Lady Megan Phillips - jovem muito bela e lutadora cuja vida não tem sido fácil, e , o highlander Ducan McRae, acostumado a chefiar exércitos, a comandar batalhas e a sair vitorioso de todas.

Esta nova série tem como protagonistas mulheres com um intrépido espírito guerreiro, que perseguem os seus ideais e conjuga o romance histórico com o erotismo.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

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Série: Taboo


Ano: 2017
Género: Drama
Produtores: Chips Hardy, Tom Hardy e Steven Knight


* Por Mariana Oliveira *


Quero agradecer à pessoa responsável pela série Taboo por ter decidido criar uma primeira temporada com apenas 10 episódios. Com isto libertaram mais rapidamente o meu tempo para ver séries que realmente valham a pena.
É com tristeza que digo isto pois quando parti para esta história estava bastante entusiasmada. A época que retrata - o século dezanove - bem como o conhecido actor com o papel de protagonista - Tom Hardy – faziam adivinhar uma série incrível. Até o genérico parecia guardar em si um misticismo contagiante!

Quando o primeiro episódio falhou em surpreender-me não entrei em pânico pois não era a primeira vez que tal acontecia (pois não meu caro amigo Dexter?). Contudo, quando começou a ser episódio atrás de episódio a despertar em mim um tremendo tédio de mãos dadas com constantes ataques de bocejos comecei a ficar preocupada. Estaria, pensei eu, perante uma das maiores desilusões dos últimos tempos? Não tardou muito até que a resposta a esta minha inquietante pergunta surgisse: “Não Mariana, esta não é UMA das maiores desilusões dos últimos tempos, é sim A maior desilusão. A primeiríssima, a vencedora dessa infame corrida rumo à meta das piores séries dos últimos meses.”

A ter em conta a boa classificação que Taboo tem no IMDb fiquei a pensar que o meu grupo de apoiantes não deverá ser muito grande. Contudo, acredito que certamente seremos alguns a detestar o ritmo demasiado lento da trama, a confusão constante das discussões e conspirações políticas retratadas bem como o facto de nos levarem a crer que alguma componente sobrenatural poderia vir a ser devidamente desenvolvida quando na verdade não o foi.

Apreciei o esforço do último episódio com uma cena de luta bem conseguida, mas adulterando completamente o ditado popular quanto a esse episódio o que tenho a dizer é o seguinte: “ Não é uma andorinha que salva a Primavera”.
Quanto à segunda temporada, quando estrear vou ver se consigo trocá-la por um pacote de gomas. Bem ficarei mais satisfeita.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

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Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? (Philip K. Dick)


Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? 
(Blade Runner #1)


Título: Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?
Autor: Philip K. Dick
Editor: Relógio D'Água
Edição ou reimpressão: 2016
ISBN: 9789896416027

Sinopse
O romance que deu origem ao filme "Blade Runner", do autor de "Minority Report" e "A Scanner Darkly". A Guerra deixou a Terra devastada. Por entre as ruínas, o caçador de recompensas Rick Deckard persegue a sua presa: os andróides desertores. Quando não desempenha esta tarefa, Deckard sonha possuir o maior símbolo de status da época: um animal vivo. É então que Rick recebe a sua principal tarefa: localizar seis Nexus, seis alvos que lhe podem valer uma enorme recompensa. Mas a vida nunca é assim tão linear, e a de Rick transforma-se rapidamente num pesadelo caleidoscópio de subterfúgios e enganos.


Opinião 
(Roberta Frontini)

Ultimamente tenho lido algumas coisas que fogem totalmente da minha zona de conforto. Sci-Fi é um desses géneros de que fujo a 7 pés. Não que tenha lido o suficiente para ter uma opinião minimamente formada sobre o género. Na realidade apenas vi filmes (e a verdade é que mesmo dentro dos filmes, há filmes de ficção científica que eu adoro). Portanto, para ser sincera, ainda estou a tentar compreender porque razão não gosto (ou digo que não gosto) deste género literário. 

Contactei com este livro a primeira vez no clube de leitura "Conversas Livrásticas" quando um dos membros o apresentou. Gostei bastante da temática e das questões que a pessoa dizia que o livro levantava. Apesar de tudo, tinha receio de o ler. Felizmente a pessoa insistiu em mo emprestar, e hoje posso dizer que fiquei contente por lhe ter dado uma oportunidade. Não considero que pertença à lista dos meus livros favoritos da vida, mas sem dúvida que foi daquelas obras que me fez reflectir (e me deixou a pensar se não deveria parar com este preconceito literário).  De qualquer das formas, deixo aqui esta nota: não sou de todo conhecedora deste género. Tinha apenas uma grande vontade em vos falar neste livro porque acho que não é muito conhecido, e acho que mais pessoas o devem ler, mas peço que compreendam que não será uma opinião muito completa ou exaustiva, porque sinto que não tenho conhecimentos suficientes para o fazer. Esta é apenas uma opinião extremamente pessoal (como aliás têm sido sempre os meus posts aqui). 

Em cima na sinopse podem compreender um pouco a história. A primeira coisa que nos chama à atenção é esta questão de humanos a conviver com andróides que, na verdade, me parece que acontecerá num futuro breve. Toda esta questão levanta outras interrogações: como será a convivência entre ambos? Até que ponto ser-se andróide é menos "humano" (ou mais condenável) que ser-se um Ser Humano? Um andróide sabe que o é? Poderão os andróides compreender ou adquirir características intrinsecamente humanas tais como a empatia ou o medo? Onde se traça a linha entre real e não real? As dúvidas sobre identidade são também muito prementes durante toda a obra... Mas Philip K. Dick vai mais além e faz-nos pensar sobre o poder da religião (ou dos mass media), a forma como os meio de comunicação social nos podem influenciar... Por exemplo, como pode uma sociedade onde se compreende que a religião é uma invenção, poder criar uma? Mesmo sabendo, à partida, que foi totalmente inventada? Os animais também ganham aqui um papel importante e, para mim que deixei de comer carne há uns tempos, consegui criar uma ligação especial com essa parte do romance. 

No entanto, ler esta obra fez-me lembrar um pouco do que me leva a fugir deste tipo de livros: o clima de pessimismo. Tento viver o dia a dia de forma optimista (o que não é de todo fácil sendo eu bastante negativa), mas ler obras que me façam sentir ainda mais este clima negro e de tristeza, faz-me sentir mais um baixo. E esse foi um dos pontos negativos da obra (para mim). Sei que nem todos vão compreender esta minha visão mais negativa do livro: esta é daquelas sensações mais pessoais que a leitura por vezes consegue activar. Um outro aspecto que me fez gostar menos do livro, foi o facto de algumas partes serem confusas. O livro está escrito de forma bastante cinematográfica, quase como se se tratasse de um guião de cinema. Mas esse aspecto não faz com que o livro seja mais linear. Na verdade como existem saltos muito velozes em algumas passagens, senti alguma falta de explicação em alguns aspectos, e por vezes dava por mim extremamente confusa. 

Quanto às personagens, gostei bastante da sua construção. Rick (e especialmente a relação dele com a mulher) exemplificam bem a decadência em que a Humanidade [pode] vir a cair. No mundo real, a alteração entre as relações humanas tem ocorrido de forma confusa (e a minha visão mais pessimista faz-me acreditar que as coisas não estão a ter uma evolução positiva). Por isso, esta questão da relação entre eles foi uma das coisas mais interessantes do livro (e que eu gostava de ter visto ainda mais explorado).

Por fim posso dizer que este me parece um livro que irá agradar aos fãs de ficção cientifica, mas não só: de certo agradará a todos os que têm interesse em tentar compreender melhor a "evolução" das relações humanas (por exemplo)... É um livro que, no final, nos deixa num misto de confusão, perplexidade e reflexão, colocando-nos a pensar sobre a realidade em que vivemos hoje em dia. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

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Filme: Big Eyes (2014)



Título: Big Eyes
Ano: 2014
Realizador: Tim Burton
Cast
Amy Adams - Margaret Keane
Christoph Waltz - Walter Keane 


Opinião
(Roberta Frontini)

Assim que vi este filme fiquei logo com uma enorme vontade de vos vir falar nele no FLAMES, porque acho que é daqueles filmes que todos devemos ver. Para além de entreter, coloca questões muitos interessantes, algumas das quais apenas uma pessoas mais curiosas se lembrariam de pensar. 

Big Eyes conta a história real (talvez um pouco romanceada por Tim Burton) da pintora Margaret Keane. Margaret foi (e ainda é) uma pintora extraordinária, com um toque muito pessoal nos seus quadros. Infelizmente, a vida encarregou-se de a fazer cruzar caminho com um homem que não só não a tratou com o devido respeito, como ainda fez passar as obras de arte de Margaret Keane, por suas. Depois de ter visto o filme, também pesquisei sobre a vida da pintora, que encerra tanto de fascinante como de assustador. 

Há vezes em que vejo um filme e acho que as coisas são tão surreais e fora da realidade. Este é daqueles casos em que sinto que a realidade supera, de longe, a ficção. 

Relativamente à interpretação dos actores, de destacar o brilhantismo de Amy Adams, que consegue encarar na perfeição o papel de pessoa totalmente alheada. Se por vezes nos indignamos com a falta de indignação dela, por outro é fácil criarmos alguma empatia com a personagem. Já Christoph Waltz volta a fazer um papel que já nos habituou em outros filmes. Começo a achar que Waltz se enquadra mais em papeis deste género. É fácil irritar-mo-nos com ele, mas já o vi noutros papeis semelhantes (ele tem cara de vilão, não há nada a fazer), por isso não lhe consegui dar, aqui, o devido mérito. Adorei o papel, a interpretação, mas considero que já é algo fácil nele. 

O filme passa-se entre os anos 50/60, e todo o ambiente e caracterização das personagens e locais, estão absolutamente fabulosos. As roupas foram a parte que mais me chamou à atenção. Para além do mais, trata-se de um filme sobre pintores, e a cor aqui tem um papel preponderante.

Enfim... não quero falar mais. Quero que vocês o vejam e, se possível, que venham aqui discutir sobre ele!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

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Livro: Stoner



Ano de Edição: 2014
Género: Drama
Autor: John Williams


* Por Mariana Oliveira *


Ouvi falar na obra “Stoner” pela primeira vez no início de 2015 e o facto de ser uma história com 50 anos mas que apenas recentemente tinha sido redescoberta alimentou a minha curiosidade.


Sinopse:
“Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams - também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. 
Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. 
Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: "É o melhor romance que ninguém leu". Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da hiper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos - se tivermos um livro a que nos agarrar.”



Opinião:
Antes de iniciar esta leitura estava plenamente ciente de que a grande maioria dos seus leitores a tinham adorado. Aparentemente, tratava-se de uma obra de culto e tive sérias dificuldades em encontrar vozes discordantes.
Por isso mesmo, dizer que parti para esta leitura com expectativas elevadas seria um eufemismo. Basicamente, acreditava estar perante aquela que seria a melhor leitura deste ano para mim. Assim, foi com tristeza que constatei que esta obra foi apenas mais uma leitura mediana.
Longe de ser um mau livro, “Stoner” peca pela banalidade da história. A escrita é simples e fluída o que convida a uma leitura rápida, contudo o seu conteúdo não me arrebatou.

O pano de fundo desta trama é o meio universitário, mais concretamente uma Faculdade de Letras. Este aspecto foi um bónus visto que esse mundo, as interacções entre os professores e alunos em inícios do século XX, tem particularidades interessantes.  
É evidente desde muito cedo a própria carreira do autor, John Williams: também ele foi professor universitário na área das letras. O seu conhecimento sobre o assunto é de mestre e em algumas passagens somos deleitados com pequenas apresentações sobre a evolução da literatura e da gramática ao longo dos séculos (para a grande maioria dos ávidos leitores, estes parágrafos são um verdadeiro bónus).

Contudo, a história do nosso protagonista, o professor William Stoner, acabou por ser demasiado comum para mim. Aparentemente sorumbático, Stoner demonstra ser uma personagem forte visto conseguir ultrapassar as várias adversidades com que se cruza ao longo da sua vida: um casamento instável, um amor proibido e uma rivalidade exagerada no local de trabalho. Acabei por sentir pena dele em alguns momentos e por me surpreender com a sua resiliência noutros, no entanto achei que faltou algo para que a vida de Stoner fosse fascinante. Entendo que o objectivo do autor seria precisamente o de apresentar uma história sobre um indivíduo real, ao invés de alguém perfeito e com uma veia de herói (como acontece com muitos livros). Contudo, acho que parti para esta leitura com demasiadas expectativas e acabei por desiludir-me.


Muito longe de ser um mau livro, “Stoner” é uma leitura que recomendo a todos os apaixonados pelos livros em si, no entanto aconselho a que não partam para esta leitura com ideias pré-concebidas. Tábua rasa é o estado ideal para se ler esta obra.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

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258º Passatempo do FLAMES


Começa hoje mais um passatempo, em parceria com a 4 Estações Editora. Temos um exemplar da obra "O Livro dos Chacras" de Osho para oferecer:




Passatempo Terminado
Vencedor: Diana Santos (Leiria)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

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Anime: OverLord



Ano de Estreia: 2015
Género: Acção, Fantasia
Nº Episódios: 13


* Por Mariana Oliveira *


Uma premissa interessante elevaram as minhas expectativas relativamente ao anime “OverLord”, contudo a forma como a história foi desenvolvida acabou por deixar algo a desejar. No entanto, estou a precipitar-me. Fiquemos em primeiro lugar com um breve resumo da história.


Sinopse:
“Yggdrasil é o mais popular jogo online do momento. Contudo, os seus criadores decidem encerrá-lo e todos os jogadores abandonam-no a fim de regressar à sua vida real. Todos à excepção de Momonga, um poderoso feiticeiro líder da guild Ainz Ooal Gown, que decide permanecer no jogo até ao último segundo. No entanto, quando o momento final chega algo de inesperado acontece: Momonga permanece no jogo, completamente consciente e com a possibilidade de continuar a controlar a sua personagem; para além disso, as restantes personagens do jogo subitamente ganharam consciência e agem de forma independente. Como não tem família e amigos no mundo real, Momonga decide permanecer no jogo tornando-se num poderoso líder que, em conjunto com os seus fiéis servos, vai tentar dominar este novo mundo, enfrentando quem quer que se oponha aos seus intentos.”


Opinião:
O primeiro episódio e a premissa que apresenta deixou-me curiosa com este anime. Há vários anos passava horas seguidas a jogar World of Warcraft e “OverLord” trouxe-me algumas reminiscências desses tempos.
Contudo, à medida que a história prossegue, começou a tomar um rumo menos interessante. Ou se calhar deveria dizer: ficou quase sem rumo!

Depois de apresentado o protagonista e os seus servos, basicamente passamos a acompanhá-los em aventuras por diferentes aldeias, enfrentando vilões e aceitando diferentes desafios.
Como qualquer anime que se preze, os momentos de humor pontuais não faltam e servem para aligeirar o ambiente. Longe de serem exagerados, são bem aplicados ao longo dos episódios.
No entanto, um anime como “OverLord” que tem apenas 13 episódios tem de fazer com que cada episódio seja incrível. Numa história tão curta, há que criar episódios espectaculares para tornar um anime inesquecível. Infelizmente, não foi o caso de “OverLord”, cuja maioria dos episódios mais se assemelhava a fillers. Já para não falar em alguns servos de Momonga que não tiveram qualquer oportunidade de brilhar. Terminámos o anime sem ficar a conhecê-los convenientemente e alguns deles pareciam ter muito para acrescentar à história. 

Na recta final surge uma batalha realmente interessante que, não sendo suficiente para tornar este anime fantástico, pelo menos salvou-o de ser uma história facilmente olvidável. Se todos os episódios tivessem sido como os dois finais, esta review seria completamente diferente. Não tendo sido o caso, “OverLord” acabou por ser um anime mediano, que aconselho a quem gosta do mundo dos jogos de computador desde que não avance para esta história com demasiadas expectativas.    

quarta-feira, 26 de abril de 2017

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O teu FLAMES num ano

2016 foi um ano repleto de surpresas. Por ter sido um ano fora do comum, acreditamos que ainda vamos ouvir falar nele bastante em 2017. No FLAMES queremos fazer o mesmo. De um ano que tanta gente apelidou de um dos piores na história da humanidade, nós queremos retirar o que de melhor houve. Assim nasce a rubrica "O teu FLAMES num ano"


Paulo Lima
2016

Página facebook: www.facebook.com/clubedoslivros

Blogue: www.clubedoslivros.pt



Filmes: A Rapariga do Comboio / Suicide Squad 

Livros: As Raparigas Esquecidas / O Assassino do Crucifixo 
Animes: One Piece / One Punch Man 
Mangas: One Piece 
Eventos, espetáculos e/ou entretenimento: Feira do Livro de Lisboa 
Séries: Black Mirror / Gotham / Stranger Things

Vejam TODAS as participações aqui

segunda-feira, 24 de abril de 2017

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Livro: A Rapariga de Antes





Título original: The girl before
Ano de edição: 2017
Género: Thriller, Drama
Autor: J. P. Delaney
Editora: Suma de Letras

* Por Mariana Oliveira *


Hoje em dia é cada vez mais comum colocar um livro na categoria de thriller psicológico. Contudo, nem sempre o mesmo corresponde à realidade e muitas vezes a leitura dessas obras acaba por defraudar as minhas expectativas. Por isso mesmo, foi incrível perceber que “A Rapariga de Antes” encaixa completamente no verdadeiro género do thriller psicológico.


Sinopse:
«Por favor, faça uma lista de todos os bens que considera essenciais na sua vida.» O pedido parece estranho, até intrusivo. É a primeira pergunta de um questionário de candidatura a uma casa perfeita, a casa dos sonhos de qualquer um, acessível a muito poucos. Para as duas mulheres que respondem ao questionário, as consequências são devastadoras.
Emma: A tentar recuperar do final traumático de um relacionamento, procura um novo lugar para viver. Até que conhece a casa que fica no n.º 1 de Folgate Street. É uma obra-prima da arquitectura: desenho minimalista, pedra clara, muita luz e tectos altos. Mas existem regras. O arquitecto que projectou a casa mantém o controlo total sobre os inquilinos: não são permitidos livros, almofadas, fotografias ou objectos pessoais de qualquer tipo. O espaço está destinado a transformar o seu ocupante, e é precisamente o que faz… 
Jane: Depois de uma tragédia pessoal, Jane precisa de um novo começo. Quando encontra o n.º 1 de Folgate Street, é instantaneamente atraída para o espaço. Exactamente o lugar que Jane procurava para começar do zero e ser feliz. Depois de se mudar, Jane sabe da morte inesperada do inquilino anterior, uma mulher semelhante a Jane em idade e aparência. Enquanto tenta descobrir o que realmente aconteceu, Jane repete involuntariamente os mesmos padrões, faz as mesmas escolhas e experimenta o mesmo terror que a rapariga de antes.  O que aconteceu à rapariga de antes?


Opinião:
O autor, J. P. Delaney, recorreu a um dos melhores truques para utilizar neste género literário: capítulos muito curtos, alternando entre os pontos de vista de Emma e Jane, que nos impelem a querer ler sempre apenas mais um capítulo, acabando por devorar o livro em pouco tempo. A ajudar a tudo isto, está a história de suspense brilhantemente criada!

Numa fase inicial cheguei a arrepiar-me ao ver a forma como ambas as mulheres são manipuladas. A autêntica lavagem cerebral a que são sujeitas levou-me a mergulhar de cabeça nesta história e tentar mudar o rumo dos acontecimentos. Contudo, tive de contentar-me em ser uma espectadora silenciosa, desesperada por não conseguir fazer nada para evitar aquilo que se me afigurava como um desfecho terrível.

No entanto, quando estava convencida que já tinha percebido todos os contornos desta trama e conseguia prever o seu final eis que o autor dá uma volta de 180 graus e faz-me sentir como se um balde de água fria me tivesse sido despejado em cima. A forma brilhante como consegue apresentar uma perspectiva completamente nova a esta história e fazer-me ver os seus protagonistas de uma forma inteiramente diferente deixou-me atordoada. De repente, comecei a desconfiar de tudo e todos e a duvidar daquilo que tinha lido anteriormente. Parecia que era eu quem estava a ser sujeita a um teste por parte do autor para averiguar a minha capacidade de manter o sangue frio e lidar com esta súbita reviravolta… que seria a primeira de muitas!
A forma como o livro “A Rapariga de Antes” está escrito é, a meu ver, bastante cinematográfica; há muito tempo que não sentia isto a ler um livro, parecia que estava literalmente a ver um filme. A leitura é tão fluída que parecia que estava simplesmente a olhar para um ecrã e a ver uma história a desenrolar-se à minha frente.

Pela originalidade da trama, pelas reviravoltas surpreendentes e pelo ritmo impresso à história, este livro foi uma verdadeira lufada de ar fresco dentro do seu género e fez-me querer voltar a ler mais obras que se enquadrem nesta categoria. Um livro que recomendo sem hesitações aos fãs deste género literário!

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