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sábado, 26 de dezembro de 2015

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111ª Entrevista do FLAMES: Ana Moura (artista portuguesa)


Ana Moura


Ana Moura é um dos nomes incontornáveis do panorama musical da actualidade. Nome grande do fado português, há mais de uma década que leva um dos maiores símbolos nacionais além-fronteiras. Com vários álbuns de sucesso editados, foi com "Desfado" que chegou aos quatro cantos do mundo, um disco que lhe valeu 5 Platinas e que continua a ouvir-se um pouco por todo o lado, não fosse ele o disco mais vendido em Portugal nos últimos anos. Segue-se o seu mais recente disco de estúdio, "Moura", que no dia do seu lançamento alcançou o Ouro e que conta já com uma Platina. Pode dizer-se que, no caso de Ana Moura, nem o céu é o limite! 
O FLAMES esteve à conversa com a fadista e o resultado foi a entrevista que se segue... 

A todos os artistas o FLAMES pergunta... 

Quais são os artistas que mais a inspiram? 
Tenho vários artistas. Em Portugal obviamente a Amália Rodrigues, mas tenho vários artistas de diferentes áreas, acho que a Atrix é uma artista que me inspira. Quando falamos de inspiração posso também referir-me a outros eixos completamente diferentes, por isso a Nina Simone também é uma das cantoras que mais me inspira, o Marvin Gaye. Pronto, são assim alguns dos nomes que mais me inspiram. 

Há algum local onde gostaria muito de poder tocar, onde poderia levar este seu novo disco? 
Eu tenho tocado em salas espectaculares, muito boas e realmente este ano de 2016 volto a fazer uma tournée em salas como o Carnegie Hall em Nova Iorque, vou ao Olympia em Paris, mas vou fazer finalmente uma sala que gostava muito de fazer que é cá em Portugal - o Meo Arena. Vou fazer dia 9 de Abril e estou a preparar um concerto completamente diferente uma vez que é uma sala tão grande e que pede um espectáculo que também se centre não única e exclusivamente na música mas também numa parte mais cénica e portanto estou a desenvolver imensas ideias para o concerto. Essa é a sala onde eu gostaria de tocar pois já tenho tocado em várias salas extraordinárias e agora realmente faltava-me essa aqui em Portugal. 

Lembra-se de alguma situação caricata que já tenha ocorrido durante um dos seus concertos? 
Tenho várias, variadíssimas mesmo (risos). Por exemplo, uma coisa que muitas vezes me acontece é ter brancas e esquecer-me da letra. Então houve uma vez em que me esqueci da letra e de repente olho para o meu viola e só me ouço a dizer-lhe para me ajudar. Não aguentei e desatei a rir para o microfone. O que vale é que no público desataram a rir também e pronto acabámos por desculpar um bocadinho aquele momento, mas quando uma pessoa pensa que não se pode rir é pior porque assim é que dá mais vontade de rir. 

Que mensagem gostaria de ver a ser erguida num cartaz num concerto seu? 
Às vezes escrevem-me mensagens enternecedoras, principalmente as meninas mais pequeninas escrevem mensagens muito bonitas assim com corações... sei lá, tanta coisa! Mas assim como mensagem específica não sei, nunca tinha pensado nisso, mas as mensagens que me chegam e que mais me enternecem nos concertos quando eu tenho uma necessidade de estar um bocadinho com o público, quando dou os autógrafos, as mensagens que mais enternecem são aquelas onde as pessoas dizem que a minha música os ajudou a ultrapassar um momento mais difícil nas suas vidas. Tenho assim histórias incríveis e são esses momentos os que mais me enternecem. 

À Ana Moura o FLAMES pergunta... 

Este seu novo disco foi gravado em Los Angeles, tal como o "Desfado", com o produtor Larry Klein. Na altura como é que surgiu a oportunidade de trabalhar com ele? 
Eu comecei a fazer uma listinha de produtores que eu seguia, que produziam outras cantoras, e entretanto o meu manager contactou o Larry Klein e ele disse logo que sim porque ele já tinha ouvido falar da minha música, já me tinha ouvido cantar, e disse que já tinha manifestado o interesse com amigos de um dia me produzir, que gostava de trabalhar comigo. Foi uma coincidência daquelas felizes e que me têm acontecido. Por acaso têm acontecido imensas coincidências deste género e ainda bem que o contactei porque correu muito bem mesmo com o "Desfado" que foi muito bem aceite. É o disco mais vendido da última década e teve 5 Platinas numa altura em que ninguém vende discos e portanto deixou-me super feliz. Agora este meu mais recente álbum também conta com a colaboração dele e aproveitámos para ainda arriscar mais e desenvolver outras ideias mais arriscadas que me deixam super feliz como por exemplo: nós usámos várias coisas como a guitarra eléctrica que está muito mais presente neste disco, do que no "Desfado", e também temos vários detalhes em termos de som que são assim o que mais o diferenciam do "Desfado" que é, por exemplo, nós amplificámos a guitarra com o amplificador da guitarra eléctrica. Portanto, são assim pequenos detalhes que fazem toda a diferença e que nos põem naquela linha de risco que é sempre encantadora para não estarmos na nossa zona de conforto (risos). 

Apesar de a Ana fazer um cruzamento entre vários estilos musicais nos seus álbuns, o fado está bastante patente. Como é a reacção das pessoas de lá que trabalham consigo num tipo de música que é tão particular como o fado que presumimos que não seja tão ouvido lá? 
Por exemplo, essas experiência com estes músicos extraordinários com quem colaborei em estúdio foi muito bonita porque, de repente, eles estão a trabalhar com uma sonoridade completamente diferente da deles e nós também! Tanto eu como os meus guitarristas estamos também a descobrir outras sonoridades. Esse encontro é muito bonito. Por exemplo, com o "Desfado" nós fizemos uma tournée gigantesca, foram 3 anos, em que passámos por todos os cantos do mundo, quase mesmo, só não explorámos muito o continente africano, mas de resto andámos mesmo quase por toda a parte e as salas estavam sempre cheias. Há um conhecimento cada vez maior da nossa música e há uma vontade de conhecer e de ouvir coisas diferentes cada vez maior. Isso também se vê aqui em alguns festivais que temos em Portugal,vê-se que nós hoje estamos mais cultos.O festival Bons Sons, por exemplo, vai sempre procurar bandas um bocadinho mais alternativas e diferentes, com sonoridades diferentes; acontece também fora de Portugal, portanto há circuitos onde as pessoas procuram sonoridades diferentes às do seu dia-a-dia. 

Para este álbum a Ana trabalhou de perto com o escritor José Eduardo Agualusa. No nosso blogue para além de falarmos muito de música também damos destaque à literatura. Gostávamos de saber se a Ana tem o hábito de ler e quais são os seus escritores favoritos? 
Eu gosto imenso do José Eduardo Agualusa,o último que li foi o "Milagrário Pessoal". Gosto também de Mia Couto... gosto de tanta coisa diferente! Gosto muito de poesia e gosto do nosso Fernando Pessoa. Neste momento estou a ler um livro da Chimamanda Ngozi, o "Todos devemos ser feministas". É este o livro que estou a ler neste momento. 

Já entrevistámos outros músicos que nos têm referido que o fado é mais apreciado lá fora do que em Portugal e que sentiam uma diferença ente actuar no estrangeiro e em Portugal. A Ana também sente essa diferença? 
Isso vai-se desvanecendo mais. Já o senti há uns anos atrás mas neste momento confesso que não o sinto. Hoje em dia eu vou a uma discoteca e existem remixes de músicas minhas, não é? Já não sinto isso cá em Portugal. Acho que foi algo que aconteceu há uns anos atrás mas agora já não se sente tanto. 

O disco "Moura" já foi galardoado com a marca de disco de Ouro, como é que foi para si receber esta notícia? 
No dia em que saiu foi logo Ouro e eu fiquei extremamente feliz porque nós fizemos uma pequena apresentação para as pessoas mais chegadas e portanto logo aí foi uma celebração, porque realmente no primeiro dia ser logo galardoado com o Ouro... mas em duas semanas já atingiu a Platina, neste momento já é disco de Platina. Estou extremamente feliz porque não contava assim tão de repente que fosse logo Platina. 

Neste disco trabalharam imensas pessoas e artistas nacionais e internacionais. Como é que conseguiu juntar tantas pessoas com esta qualidade para trabalharem consigo? Como foi estabelecer um contacto com eles? Sabemos que alguns já tinham trabalhado consigo em discos anteriores. Como é que normalmente surgem estas parcerias? 
Vai acontecendo de uma forma bastante natural. Eu vou conhecendo-os. Por exemplo, o Samuel Úria conhecemo-nos pessoalmente e eu adoro o trabalho dele e pedi-lhe uma música. Com os outros aconteceu também assim dessa forma. Eu não gosto de pedir algo a alguém em específico, eu gosto de ser surpreendida por eles. Gosto de sentir esse olhar, o olhar deles perante a música que eu faço acho que é sempre surpreendente e engraçado. Portanto, vou estando atenta àquilo que se passa no panorama actual musical e vou escolhendo os meus compositores que mais se assemelham; obviamente que também tem isso, os que mais se assemelham à minha linguagem. 

A música tende a modificar-nos não só enquanto músicos mas também enquanto pessoas. Acha que o fado a mudou enquanto pessoa? 
Mudou. Eu também acredito nisso. Acho que a música tem esse poder incrível de mudar as pessoas e o fado acabou por moldar um bocadinho a minha personalidade. Sou extremamente emotiva e acho que uma coisa está ligada à outra. Não sei se foi a minha emotividade que fez com que eu fosse buscar o fado ou se foi o contrário, não é? Mas obviamente o facto de eu ouvir fado transforma-me, eu acredito que sim. 

Com ainda tanto para cantar e para criar como é que pensa conseguir continuar a reinventar-se ao longo da sua carreira? 
Essa é a grande pergunta (risos). Realmente é o mais difícil, não é? Eu tinha esse desejo, uma vez que eu estava a trabalhar com o mesmo produtor e alguns dos compositores, queria que este disco fosse diferente. E consegui-o musicalmente. Ele é um disco diferente, bastante diferente. Mas realmente pensar assim num próximo disco... nem sei, não faço ideia do que é que vou fazer. Quer dizer eu vou ter sempre imensas ideias e vontade de escrever coisas completamente diferentes. Há vários ambientes por onde explorar. Eu costumo dizer que vou sempre vivendo na surpresa dos instantes, como diz a Sofia de Mello Breyner. Eu acho que a vida acaba por nos reservar algumas... como hei-de dizer: não se trata de acreditar no destino, é mais na serendipidade. Eu acredito que nós nos cruzamos com alguns músicos ou que ouvimos determinadas músicas ou que nos inspiramos em determinadas coisas ou situações por alguma razão. Portanto acho que vou vivendo nessa surpresa dos instantes e vendo o que é que a vida me reserva. 

Muito obrigada Ana pela simpatia e disponibilidade em conversar connosco!

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