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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

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Livro: Eu Sou a Árvore


Ano: 2016
Género: Drama, Romance
Autor: Possidónio Cachapa
Editora: Companhia das Letras 


* Por Mariana Oliveira *

O meu interesse crescente pelos autores portugueses viu as suas forças redobradas com a leitura do mais recente romance de Possidónio Cachapa, um conceituado escritor que nos últimos anos tinha andado afastado das lides editoriais. Contudo, como uma verdadeira fénix renascida das cinzas, o autor apresenta-nos a obra “Eu sou a árvore” e demonstra que a literatura lusa está de boa saúde e recomenda-se! 


Sinopse:
“Entre os homens e as árvores há tanto em comum que por vezes não se sabe onde começam uns e acabam os outros. É o gosto obstinado de lançar raiz na terra funda, de dar fruto e espalhar semente. Samuel acredita que lhe basta um solo fértil para ser feliz e, sendo-o, permitir que todos o sejam tanto como ele. Mas a mulher sonha longe, os filhos guardam segredos e a força brutal dos seus gestos de patriarca deixa marcas inesperadas naqueles que ama. No seu esperado regresso ao romance, Possidónio Cachapa colhe um livro onde a Natureza e o Homem vivem misturados, moldando-se e afeiçoando-se mutuamente, enquanto o tempo se some como um carreiro de água em terra seca.” 


Opinião:
Os primeiros capítulos bastaram-me para comprovar a excelência da escrita de Possidónio Cachapa. A partir daí, limitei-me a recostar-me no sofá e desfrutar desta viagem incrível pela vida de uma família peculiar. 
Cada um dos seus membros, ao longo do seu crescimento e amadurecimento, vê-se confrontado com questões fulcrais para a sua felicidade. A grande questão aqui é que cada um deles vê a vida de uma forma completamente diferente, daí que um afastamento progressivo seja inevitável com o passar dos anos. Para nós, leitores, é delicioso vermo-nos confrontados com personagens tão distintas que apresentam problemas muito diversos. Mesmo sendo impossível identificarmo-nos com todos esses dilemas, foi interessante ver como é que estas pessoas, que poderiam muito bem ser os nossos vizinhos ou conhecidos, mudam ao longo da vida. Assim, temos simples seres humanos a braços com a vida dura e crua: as suas ilusões e desilusões, alegrias e tristezas povoam as páginas deste romance que nos leva a acreditar que estamos perante uma história verídica, tal é a forma real como tudo acontece. 
A par disto está o subtil humor do autor. Sem forçar a nota, Possidónio Cachapa colocou um ou outro acontecimento em que a ironia do destino leva a melhor sobre as personagens e gostei deste pequeno fôlego de variação que pontuou a obra. 
Contudo, aquilo de que mais gostei foi a parte final do livro. A intensidade das emoções apresentadas e o desenlace da obra foi tão belo, com uma descrição tão magistral dos sentimentos acumulados por uma pessoa ao longo de toda uma vida que dei por mim a chorar ao longo das últimas páginas.
Com tudo dito, resta-me recomendar esta obra a todos os leitores que queiram ler o que de melhor se escreve em Portugal. Quanto a mim, resta-me continuar a ler mais obras deste grande autor!

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2 comentários:

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