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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

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[OPINIÃO] Livro: Meridiano 28



Título: Meridiano 28
Autor: Joel Neto
ISBN: 9789898886194
Edição ou reimpressão: 05-2018
Editor: Cultura Editora
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 229 x 26 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 424

Sinopse 

Em 1939, o mundo entrou em guerra. Foi o conflito mais mortífero da história da humanidade. Mas, na pequena ilha açoriana do Faial, ingleses e alemães conviveram em paz durante mais três anos. Eram os loucos dos cabos telegráficos. 
Do mar em frente emergiam os periscópios de Hitler. Dezenas de navios britânicos eram afundados todos os meses. Já em terra, as crianças inglesas continuavam a aprender na escola alemã, dividindo as carteiras com meninos adornados de suásticas. As famílias juntavam-se para bailes e piqueniques.
Os hidroaviões da Pan American faziam desembarcar estrelas do cinema e da música, estadistas e campeões de boxe. Recolhiam-se autógrafos. Jogava-se ao ténis e ao croquet. Dançava-se o jazz.
Viviam-se as mais arrebatadoras histórias de amor.

Poderia um agente nazi ter-se escondido nos Açores, consumada a derrota de Hitler?

QUEM FOI HANSI ABKE?
QUE SOMBRA LANÇA HOJE SOBRE O DESTINO DE JOSÉ FILEMOM MARQUES, O SOBRINHO CRIADO NO BRASIL?
Um romance que vai de Lisboa a Nova Iorque, de Friburgo a Praga, de Bristol a Porto Alegre e às ilhas açorianas, onde todos são descobertos e ninguém pode ser apanhado.
Um reencontro entre dois homens de tempos distintos e que talvez tenham mais em comum do que aquilo em que gostariam de acreditar. Uma memória das mulheres que amaram e talvez não tenham sabido fazê-lo.

Opinião 
Roberta Frontini

Eu já fui aos Açores! A primeira vez foi em 2016 quando li Arquipélago (http://flamesmr.blogspot.com/2016/02/livro-arquipelago-joel-neto.html). A segunda foi, novamente, em 2016 quando li A vida no campo (http://flamesmr.blogspot.com/2016/06/livro-vida-no-campo-joel-neto.html). Esta terceira vez foi ainda mais especial, com a leitura de Meridiano 28, e as razões que o tornaram ainda mais especial para mim não serão aqui explicadas. Não, eu nunca fui (fisicamente) aos Açores, mas eles já habitam no meu imaginário graças ao Joel. 

É sempre ingrato para mim quando falo num livro ou num autor que me tocam tanto. Tenho muito para dizer mas nada sai de jeito. 

Penso que posso afirmar que, apesar de Meridiano 28 também se passar nos Açores, este livro se destaca dos anteriores, porque impregna uma atmosfera diferente. Existe muito suspense (como existia em Arquipélago sim), mas a época é outra, e a viagem que vamos fazendo no tempo também é distinta. O final, como sempre, é surpreendente. 

É a história de um livro, dentro de um livro… Mas já me estou a precipitar. Falo-vos primeiro da história ou da escrita soberba e consistente do Joel? De todas as referências musicais, cinematográficas e literárias que percorrem as páginas do livro? Ou devo falar-vos da forma como Joel Neto nos engana sem que nos apercebamos disso? Ou das referências histórias que nos são colocadas à frente, de forma tão sublime, que em nada se assemelha com outros livros que parecem querer dar-nos uma aula de História contra a nossa vontade? Em nenhum momento me senti entediada ou aborrecida com as descrições espaciais e as referências históricas. Talvez falar-vos-ei da forma como o autor estuda a nossa própria condição de humano e de como chega a tentar desvendar um pouco da mente humana, das relações familiares e amorosas… enfim… Não vos falarei de nada. Direi apenas que, mais uma vez, Joel Neto criou uma obra de arte. Um livro sobre guerra, sobre paz e sã convivência, mas também sobre o que é crescer e tornar-se adulto. É sem dúvida uma obra extremamente completa e rica onde facilmente compreenderão o estudo que o autor fez e onde a ficção e a realidade se misturam ao ponto de já não sabermos o que ocorreu realmente ou o que é imaginação. Nota-se que é um livro cuidado e muito trabalhado. 

Posso apenas imaginar o que sentirão, as pessoas que moram nos Açores e que viveram estas alturas, ao lerem este livro. Deve ser uma sensação maravilhosa reviver um pouco aquela atmosfera que lhes poderá ser tão familiar (e que para mim é absolutamente desconhecido)… 

A caracterização das personagens está irrepreensível, assim como todo o enquadramento temporal e espacial que denota um claro conhecimento dos locais e um enorme estudos dos mesmos. 

Enfim, Joel Neto é um dos poucos autores mundiais que consegue escrever uma obra que contem tanta coisa, e onde consegue tornar uma ilha numa personagem por si só. É um dos poucos autores que me faz experienciar inúmeras emoções distintas ao contar uma história de poderia ser perfeitamente real.

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