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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

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112ª Entrevista do FLAMES: PAUS (respostas por Quim Albergaria)


Foto por André Leal
PAUS

O lançamento do novo álbum de PAUS (Mitra) foi o pretexto para, mais uma vez, estarmos à conversa com estes talentosos músicos portugueses. 



Entrevistas anteriores no FLAMES:

- 56ª Entrevista: PAUS (banda portuguesa) - respostas por Hélio Morais - http://flamesmr.blogspot.pt/2014/07/56-entrevista-paus-banda-portuguesa.html

- 94º Entrevista do FLAMES: PAUS (banda portuguesa) - Respostas por Hélio Morais - http://flamesmr.blogspot.pt/2015/02/94-entrevista-do-flames-paus-banda.html

Aproveito para agradecer ao Quim Albergaria pela disponibilidade e simpatia.



Depois de ter ouvido o novo álbum, reparei que este se destaca um pouco dos outros. Por exemplo, apesar de a bateria siamesa continuar lá, parece que há um maior complemento com a voz e os outros instrumentos. Foi propositado ou foi uma coisa que aconteceu?
Foi um desafio que nos propusemos a nós próprios. O que acontecia nos álbuns anteriores e nos EP's era que as vozes surgiam normalmente mais no final para colmatar algumas fragilidades das canções. Já neste álbum queríamos uma coisa mais directa, que dissesse mais respeito ao grupo. Achámos que devia haver mais espaço para as vozes. O desafio que nos propomos foi o de tentar percebermos como é que os PAUS cantam. Nós próprios queríamos compreender isso porque ainda não o tínhamos percebido. Daí haver mais vozes neste álbum. 

Li noutra entrevista que a parte da composição da letra foi mais demorada e que por vezes houve músicas para as quais tinham mais do que uma versão. Porque é que este processo demorou mais?
[Risos] Foi exactamente por isso, porque nós não sabíamos como é que os PAUS cantavam. Normalmente uma banda mais convencional confia no vocalista para criar um vocabulário, uma abordagem.. no fundo uma paleta de cores e uma assinatura na forma melódica. Aqui somos os 4 a cantar e nunca tínhamos definido isso. Assim sendo, havia 4 vocabulários, 4 paletas, 4 abordagens que nós tínhamos de conjugar. Isso foi o que deu mais trabalho no disco, foi criar a identidade das vozes.

A seguir à nossa última entrevista vocês íam entrar numa tour pela Europa. Esta viagem influenciou este vosso novo disco?
Sim, claro que sim. A música que se vai fazendo é sempre o somatório das experiências que tu tens enquanto pessoa. Não faz sentido fazer-se arte se não for para a pessoa explorar o que ela é e o que vai vivendo. A arte acaba por ser a expressão das vivências. Então a minha resposta é: obviamente que sim. Todo aquele tempo que passamos juntos em aeroportos, salas de espera, soundcheck , foram momentos em que estávamos mais próximos e de repente no meio disto foram aparecendo expressões do que estávamos a fazer na altura. Os soundchecks já não precisavam de ser tão rigorosos o que nos deu espaço para fazermos outras músicas e outros improvisos. Deu-nos tempo e espaço para brincar uns com os outros.. e dessas descontracções foi surgindo o som que viria depois a chegar ao Mitra. 

Há alguma música deste novo álbum que seja a vossa preferida?
Hum... Não! Acho que cada um de nós terá a sua música favorita.. e por vezes até gosta de mais do que uma. Por isso acho que não é muito justo eu responder sozinho, se estivéssemos os 4 aqui cada um poderia dizer a sua. Ía ficar coxa a minha resposta... (risos).

Como é que decorreu o processo de gravação e, no final, ficaram satisfeitos com o resultado final do álbum? 
Ah sim, por várias razões. Eu pessoalmente estou muito orgulhoso com este disco. De todos, é o disco de que gosto mais. Quer dizer, haverá outras razões para gostar dos outros mais, algumas razões que eu nem conseguiria identificar... Mas como este é o último que fizemos, está "fresquinho e novo" e como estou cheia de vontade de o mostrar, é o que gosto mais de momento. 
O processo em algumas coisas foi muito parecido com os anteriores: montar, começar a gravar... mas desta vez com algumas ideias que tínhamos que ainda não tínhamos concretizado, algumas que surgiram durante outros soundchecks.. o mais trabalhoso foi mesmo a questão das vozes.. e mesmo isso foi fácil! Foi bom porque estamos a tocar cada vez mais juntos e já conseguimos antever e identificar as abordagens de cada um. Acho que este é um disco mais sólido e mais coeso por causa disso. Acho que o segredo deste novo disco também é o facto de conseguirmos dar espaço uns aos outros. 

O que é que normalmente as pessoas vos dizem quando vos vêm ao vivo e se apercebem da presença das baterias como elemento central do palco? 
O que é que as pessoas nos dizem? Aqui em Portugal já tocamos a algum tempo mas ainda há muitos sítios que temos de descobrir... ainda há muita gente que nunca ouviu falar de nós. Não quero estar a ser desconstructivo, mas acho que as nossas conversas com as pessoas não costumam passar muito por aí. Normalmente a presença das duas baterias não é o tema de conversa. A seguir aos concertos interessa-nos, numa forma mais global, virar-nos para as pessoas. Conhecer as pessoas perguntar "que fazes?", "quem és?", "de onde vens?". Não é muito do nosso estilo dissecar o que é que fizemos ou vamos fazer em palco.  

O improviso costuma fazer parte dos vossos concertos....
Não, não muito...

Não? 
Não, não muito. O improviso em si ali no palco não. Por vezes pode acontecer nas transições entre músicas. Não somos muito dados a improvisos no palco. Claro que já aconteceu.. mas muitas vezes sabes porquê? Para mascarar algum problema técnico ou algum imprevisto. Aí sim, aí tem de ser. Mas fazer propositadamente do tipo: "Vá, bora, vamos lá.." isso não acontece. 

Vocês criaram um estúdio próprio, o HAUS. Para além do óbvio que é a gravação dos vossos próprios trabalho, que outras coisas gostariam que ocorressem lá? 
O HAUS não é um estúdio dos PAUS, é "com" os PAUS. Também tem outras bandas. Serve para uma comunidade muito maior de músicos. Os Linda Martini já cá gravaram, os "You can't win Charlie Brown" também vão gravar aqui. Alias, eles têm uma sala de ensaios aqui connosco e os Linda Martini também têm uma sala deles. Temos também uma sala de ensaios aberta. Ou seja, é um estúdio aberto a outros músicos, não é só dos Paus, e nem nos interessava que fosse só para nós. E temos outras coisas, temos uma agência de concertos onde o Hélio, quando não está a tocar, marca concertos para os "Capitão Fausto" e para mais uma data de bandas. Eu também ando a tentar criar umas pontes entre músicos, música e marcas...ando a tentar que o pessoal se dê todo bem e se façam coisas juntas (risos). Por isso HAUS é muito mais do que o estúdio dos PAUS. No fundo é o que os Paus fazem quando não estão a fazer música, ou seja, ajudam outros a fazer música. É esse o nosso objectivo com o estúdio. 

E o facto de estarem tantos bons artistas todos juntos num mesmo local já vos permitiu fazer coisas em conjunto e criar colaborações entre vocês que não tinham sido pensadas? 
Colaborações ainda não. Mas imensa partilha de opinião.. o facto de estarmos todos a partilhar o mesmo espaço torna-nos mais próximos. Houve uma vez, numa altura de maior hesitação, em que deu para perguntar "o que é que achas disto?". Ainda há pouco tempo tivemos Linda Martini que estava a fazer as pré-produção do novo disco que está para sair, e houve uma troca de ideias "isto está muito fixe" ou "isto não está tão bem". Estás a ver? É este espírito de comunidade.. de perguntar "Ora diz-me lá o que achas disto" ou "podes-me dar uma opinião sobre isto?". É muito fixe e depois cria uma dinâmica interessante. Não é uma competição.. até parece que se cria ali uma espécie de "vírus fixe". Imagina, um pensa "Olha, aquele está ali com um beat fixe" ou "epá, aquele está a escrever uma letra fixe, vou rasgar esta e começar tudo de novo". Tudo isto inspira-nos. É muito fixe.

Foto por André Leal


Não percam a digressão de PAUS pois estes rapazes valem mesmo a pena!  



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