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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

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Livro: Picante


Ano: 2011
Género: Romance
Autoras: Alice Vieira, Catarina Fonseca, Leonor Xavier, 
Maria João Lopo de Carvalho, Maria do Rosário Pedreira e Rita Ferro


Comecei o ano de 2016 com um objectivo em mente: ler mais autores portugueses.
Não sou tão inocente ao ponto de pensar que, de repente, vou ler dezenas de livros de escritores lusitanos. Contudo, sei que passo a passo conseguirei levar esse objectivo a bom porto e colmatar uma falha que começou desde que deixei de ser adolescente: voltei-me quase exclusivamente para autores estrangeiros. Um dos grandes motivos para esse facto deve-se à diferença abismal que existe entre a oferta de livros e géneros entre a literatura portuguesa e a estrangeira. No entanto, cheguei à conclusão de que tal facto não justifica este meu quase total afastamento da literatura lusitana. Por isso mesmo, decidi ler um livro de contos escrito por seis nomes conhecidos da literatura em Portugal: Alice Vieira, Catarina Fonseca, Leonor Xavier, Maria João Lopo de Carvalho, Maria do Rosário Pedreira e Rita Ferro.


Sinopse:
“6 Autoras… 6 histórias… 6 receitas, uma paixão: o picante. Os ritos de passagem da vida e um Caril do Adeus muito especial. A história intrincada de Lady Araminta Hack e de uma Carne de Rena com Molho Picante. Nem tudo o que parece é: a história ilusória de uns Pimentos Padrón. De como um Molho Agridoce Picante pode mudar uma ou mais vidas. Os poderes (quase) encantatórios de um Chilli com Carne. Uma Sopa Picante de Cogumelos Selvagens que levanta tudo.”



Opinião:
Começo por louvar a iniciativa original de se fazer um livro de contos com várias autoras com uma ideia central curiosa: o picante. Desengane-se o potencial leitor mais desatento que possa pensar que se trata de um livro erótico. Nada disso! Ao longo destas 6 histórias, acompanhamos amores e desamores que ocorrem sempre em torno de uma receita culinária e a componente cómica não ficou esquecida.
A (permitam-me o trocadilho) apimentar ainda mais a questão, cada autora partilha no final do seu conto a receita que apareceu na sua história. Assim, os leitores mais curiosos poderão experimentar os sabores descritos com tanto requinte nas histórias que leram.
Tratando-se de um livro de contos, penso que será melhor dar a minha breve opinião sobre cada um deles em separado. Aliás, autoras tão distintas só poderiam dar origens a história completamente diferentes!


1º Conto: O Caril do Adeus (Alice Vieira) – 3 Estrelas

Por algum motivo que não sei bem precisar, este conto fez-me pensar no incrível Gabriel Garcia Marquez.
Alice Vieira começa por apresentar-nos a história de uma noviça que, a par das suas companheiras, sabe desde muito cedo que só estará realmente preparada para enfrentar a vida adulta quando conseguir fazer um caril que agrade aos “tios”, as pessoas responsáveis pela instituição onde a jovem cresce. Contudo, à medida que vamos avançando na história percebemos que nem tudo é o que parece e que Alice Vieira, com humor e alguma crítica social à mistura, nos mostra que afinal o que espera a nossa protagonista depois de confeccionar o seu ambicionado Caril pode ser bem diferente daquilo que ela pensa…


2º Conto: A Rena e o Cisne (Catarina Fonseca) – 5 Estrelas

Não conhecia a escrita desta autora e só posso dizer que a experiência de ler este conto foi absolutamente excepcional. O sentido de humor é a chave desta história e a veia de fantasia que a escritora lhe atribuiu fez com que este fosse, para mim, o melhor conto do livro sem sombra de dúvidas. A história é simultaneamente inverosímil e caricata. Os acontecimentos sucedem-se a um ritmo tão elevado que dei por mim a surpreender-me com cada parágrafo que lia. Simplesmente ADOREI esta história e foi com muita pena que cheguei ao seu fim. O que é que eu queria mesmo? Que em vez de um conto esta história fosse transformada num livro!


3º Conto: O Verdadeiro Pecado de Xoán Zalzívar (Leonor Xavier) – 2 Estrelas

Este conto deixou muito a desejar. A forma como está escrito deve-se, provavelmente, ao facto de a autora ter vivido no Brasil, contudo não consegui de maneira nenhuma habituar-me à escrita que, a meu ver, nem está em português de Portugal nem do Brasil, sendo antes uma mescla de ambos. Isto a par de uma história que não tem tanta originalidade por aí além fez com que este conto fosse decepcionante. Nem mesmo o final que, acredito que fosse essa a intenção da escritora, deveria ter sido surpreendente conseguiu realmente sê-lo.


4º Conto: As Costas da Malagueta (Maria João Lopo de Carvalho) – 3 Estrelas

Esta história é simples. Muito simples até e não há muita acção ao longo das suas páginas. Contudo, a autora conseguiu salvá-la ao optar por uma receita que por norma resulta muito bem: alternar constantemente entre dois pontos de vista numa mesma situação. Assim, aquilo que poderia ter sido uma história chata, tornou-se num conto engraçado com um toque final interessante.


5º Conto: Chilli com Laura (Maria do Rosário Pedreira) – 1 Estrela

Não sei bem em que estava a pensar a autora quando decidiu tornar esta história num filme policial barato norte-americano. Para além de decorrer em terras do tio Sam e de as personagens serem americanas, a trama não conseguiu apresentar qualquer originalidade. Até o próprio final foi bastante previsível e sensaborão. Não consegui deixar de pensar: em que filme/série é que eu já vi algo do género a acontecer?
Este foi, sem dúvida, o pior conto do livro.


6º Conto: Sete Dias de Juventude (Rita Ferro) – 3 Estrelas

Gostei muito do sentido de humor de Rita Ferro. A verdade é que este conto não se trata de uma história com uma finalidade muito definida. Não me pareceu que o objectivo da autora fosse dar-lhe um final em grande, mas sim apresentar um local com uma personagem caricata independentemente de onde esta história fosse terminar. Apesar de simples, a ousadia da autora em pegar num bordel cuja principal estrela é uma cozinheira bastante idosa e com isso criar uma trama à volta de uma receita milagrosa pareceu-me de uma grande originalidade.


Por Mariana Oliveira




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