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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

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113ª Entrevista do FLAMES: Deolinda (banda portuguesa)


Deolinda


Os Deolinda são Ana Bacalhau, Luís José Martins, Pedro da Silva Martins e Zé Pedro Leitão. Durante vários anos dominaram os tops de vendas com os multi-platinados “Canção ao Lado” e “Dois Selos e um Carimbo” acumulando diversas distinções tais como 2 Globos de Ouro, um prémio Amália Rodrigues, um Prémio José Afonso e um Songlines Music Award. Depois do grande sucesso “Mundo Pequenino”, produzido pelo britânico Jerry Boys e pela própria banda, regressam aos palcos com o seu mais recente trabalho "Outras Histórias".

(fonte: http://deolinda.com.pt/)

A todos os artistas o FLAMES pergunta... 

Como é que se conheceram e decidiram formar os Deolinda? 
Somos todos família, crescemos juntos. O Pedro e o Luís são irmãos e primos da Ana. E eu sou casado com a Ana. Um dia o Pedro apareceu com umas quatro canções que começámos a tocar e gostámos de como as coisas estavam a correr. Foi assim que começámos, de uma forma não intencional. 

Porque escolheram este nome para a banda?
Tínhamos um concerto agendado e precisávamos de um nome para o grupo com urgência. O Luís lembrou-se de Ivone e eu repliquei “Deolinda”. Gostámos todos e ficou. 

Lembram-se da primeira vez que ensaiaram juntos? Como foi? 
O primeiro ensaio que tivemos foi depois de um almoço num dia quente de Agosto. Estávamos ao ar livre e fomos tocando as músicas que o Pedro nos tinha mostrado.

Quais são os artistas que vos inspiram?
Todos nós temos um grande gosto pela música portuguesa, em geral. O meu primeiro concerto foi do Rui Veloso. E o primeiro concerto a que assisti com os meus amigos foi dos GNR. Portanto as nossas influências são, de uma forma geral, música portuguesa que pode estar mais ou menos ligada à tradição portuguesa. Eu pessoalmente estudei muito jazz, e também ouvi muito rock na minha adolescência e princípio da idade adulta. E continuo a ouvir. Temos um grande misto de influências para a nossa música. 

Quem é normalmente o responsável pela composição das vossas letras?
O Pedro é o responsável pelas nossas letras, quase sempre. 

Há algum local onde gostariam de tocar e ainda não tiveram oportunidade de fazê-lo? 
Sim, ainda não tocámos na Austrália. Aliás, ainda não actuámos em nenhuma parte da Oceânia e gostávamos de o fazer, porque já estivemos em quatro continentes e já só nos falta este. Pode ser que o consigamos com este novo álbum! 

Que cartaz ou mensagem em particular gostariam de ver a ser erguida num concerto vosso? 
Nada assim em específico. E isto porque os nossos fãs são sempre tão originais e as mensagens que partilham são mensagens pessoais, que eles querem que nós leiamos. Portanto, continuem a surpreender-nos! [risos] 

Lembram-se de alguma situação caricata que já vos tenha acontecido concerto? 
Sim, já nos aconteceram diversas situações caricatas. Por exemplo, na nossa primeira tour, tínhamos um candeeiro de tecto que levámos para todos os concertos. Num deles, em Aveiro, as velas estavam acesas e uma delas começou a pingar em cima de mim. A parte mais engraçada é que eu só me apercebi do que estava a acontecer muito mais tarde, tinha já a camisa arruinada. [risos] 

                                        Aos Deolinda o FLAMES pergunta... 

Decidiram chamar “Outras Histórias” ao vosso novo disco. Que histórias são essas que nos vão contar e onde se inspiraram para criá-las?
São sobretudo histórias do nosso dia-a-dia, do quotidiano. Especialmente em Portugal, mas não só. Representam o que é viver em 2016, a nossa vida actual. 

Existe algum fio condutor entre as várias histórias ou são narrativas individuais?
Se tiver de responder sim ou não, diria que não. Mas a verdade é que às vezes as pessoas podem ver pontes de contacto entre várias canções que nós não fizemos de forma intencional. 

Neste álbum convergem influências de vários géneros musicais. Isso é consequência natural das vossas diferentes origens enquanto músicos ou era um objectivo propositado para este 4º disco? 
Não foi propositado. Depois de ouvirmos as músicas fomo-nos lembrando de artistas que podiam trabalhar connosco que, de alguma forma, pudessem enriquecer o álbum. Por exemplo, achámos que o Riot dos Buraka Som Sistema se encaixaria perfeitamente na música “A velha e o DJ”. Foi algo que foi acontecendo assim com os outros artistas que trabalharam connosco também. 

Qual é o vosso critério na escolha desses nomes e com que outros artistas gostariam de trabalhar no futuro?
São artistas dos quais somos fãs, cujo trabalho nós gostamos e que façam sentido no nosso trabalho, pelo menos para nós. E têm de ser artistas que percebam o nosso trabalho também. Estamos muito felizes com as colaborações que fizemos neste álbum. 

O vídeo do primeiro single foi gravado no Museu de Arte Moderna. Porque optaram por este cenário para apresentar o tema “Corzinha de Verão”?
Este videoclip representa o eterno problema que enfrentamos quando estamos de férias ou temos um dia de folga e queremos, obviamente, ir para a praia, mas o tempo não ajuda. Lembramo-nos assim desta ideia, de levarmos a praia para o Museu de Arte Moderna que tem peças que marcam a cultura portuguesa e não só. E estamos muito gratos por eles terem aceite esta proposta! 

O “Outras Histórias” vem celebrar uma década de existência dos Deolinda. No início imaginaram que viriam a ter todo este reconhecimento e sucesso?
A nossa expectativa inicial era só fazermos música juntos. Mas depressa percebemos que os nossos concertos estavam a ter uma afluência considerável. O que é formidável! Eu próprio já toquei em bandas que não tinham muito público, portanto consigo perceber o quão bom é quando as pessoas reconhecem o nosso trabalho e gostam de nos ver actuar. 

Nestes 10 anos vocês conquistaram imensos prémios e um grande e merecido reconhecimento. O que é que ainda vos falta alcançar? 
O desafio é sempre ultrapassar os nossos próprios limites, dar sempre o máximo que conseguimos e superarmo-nos a nós próprios. E nós olhamos à volta e vemos que o mundo tem tantos países e tantas histórias para contar! Queremos continuar a fazer o que fazemos, porque sentimos que ainda há caminho a percorrer.

Obrigada Zé Pedro pela disponibilidade e Cátia pela ajuda na realização da entrevista!

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