Ano de Edição: 2016
Género: Drama, Erótico
Autor: Raduan Nassar
Editora: Companhia das Letras – Penguin Random
House
* Por Mariana Oliveira *
Um livro vencedor do Prémio Camões
inevitavelmente chama a atenção dos leitores que não perdem a oportunidade de
mergulhar nas páginas de uma obra de excelência. Por isso mesmo, foi com grande
entusiasmo que decidi ler “Um Copo de Cólera”, uma obra vencedora do Prémio
Camões 2016 mas que desde 1978 tem encantado leitores no Brasil e um pouco por
todo o mundo.
Sinopse
"Esta é
uma história narrada por um homem que, numa manhã como todas as outras, depois
de uma intensa noite de amor, vê a harmonia interrompida entre ele e a sua
parceira. Começa, assim, uma discussão acesa entre os dois que os leva a
percorrer temas controversos e ameaça alterar a sua relação para sempre."
Opinião
Considero-me
uma leitora com alguma experiência, tendo já lido diversos géneros literários e
obras de níveis de dificuldade distintos. Contudo, confesso que “Um Copo de
Cólera” me fez sentir pequenina e me fez perceber que ainda há obras capazes de
me deixar perplexa com a sua complexidade.
O início
do livro foi simples e directo para mim e tudo dava a entender que se tratava apenas de um romance erótico. No entanto, à medida que prosseguimos na leitura e a
grande discussão começa, cedo se percebe que a escrita de Raduan Nassan é tudo menos simples. A começar
pelo facto de cerca de mais de metade do livro estar escrita numa única frase! Apesar de à partida poder parecer confuso, eu já tinha tido esta experiência
com um conto do incrível Gabriel Garcia Marquez que foi todo escrito numa única
frase. Por isso mesmo, esta particularidade não me abalou.
Contudo, à medida
que a leitura progrediu e as palavras difíceis apareceram (muitas delas
levaram-me a visitar o meu fiel amigo dicionário) comecei a ficar assustada.
Então quando as próprias ideias apresentadas se tornaram mais complexas é que
percebi que todos estes anos de leitura não tinham sido suficientes para me
preparar para este livro.
É
possível que o facto de eu não conhecer o autor nem o contexto político-social
em que a obra foi escrita (note-se: Brasil no ano de 1970) tenha contribuído para
que eu não conseguisse perceber algumas das questões abordadas nesta história.
No entanto, houve algo que compreendi logo desde o início e que me sinto na
obrigação de ressalvar: a escrita do autor é de uma beleza ímpar, e tanto a
parte inicial como a final me deixaram deliciada com a sua prosa.
Esta é
uma obra que aconselho aos aventureiros que se queiram desafiar com um livro
complexo mas belo e assim ficar a conhecer uma obra premiadíssima.
Contudo, aqui fica um conselho: façam previamente uma breve pesquisa sobre a obra e o
contexto em que foi escrita para poderem percebê-la melhor e usufruir mais
desta leitura.
Ameii :) Beijnhos! Grande blog*
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