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segunda-feira, 27 de abril de 2015

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Livro: O Cultivo de Flores de Plástico



Ficha Técnica

Título: O Cultivo de Flores de Plástico
Autor: Afonso Cruz
Edição limitada, numerada e assinada
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 104
Editor: Alfaguara Portugal
ISBN: 9789896721879 (chancela Objectiva)
Idioma: Português

Sinopse


No fundo é isso. Ninguém nos vê. Somos invisíveis. A miséria é uma poção de invisibilidade. Quando as roupas ficam rotas, quando estendemos uma mão, puf, desaparecemos. Somos as pombas dos ilusionistas. Isto dava para um negócio, dava para ganhar a vida com os turistas. Levava-os a ver fantasmas numa cidade assombrada. Levava-os a verem-nos. Olhem, damas e cavalheiros, meninos e meninas, esta é a Lili, tem saudades de ser criança, tem no nariz o cheiro do tabaco dos dedos do pai e crostas nos braços, por aqui, por favor, cuidado com os pés, não pisem as camas, parecem cartões, eu sei, ali ao canto está o couraçado Korzhev, que se deixou ficar, com os ícones na lapela, sigam-me, é um deserto meio russo e traz o barulho do mar nos bolsos, atenção, cavalheiro, saia de cima do cobertor, vejam, ali, ali ao fundo, uma genuína senhora de fato, que ainda há poucos meses andava a alcatifar o mundo, minhas senhoras e meus senhores, e ainda tem na voz restos da sua vida anterior, do tempo em que havia casas. Palmas, por favor. E eu? Eu sou o Jorge, também invisível como qualquer fantasma, vivo nas ruas. Obrigado, obrigado, e agora, se me permitem, vou comer a minha sopa que está a arrefecer há tantos anos.

Opinião

Não, desta vez o motivo principal que me fez comprar este livro não se prendeu, apenas, com o nome do autor. Mas também não tive de comprar esta edição limitada de 1000 exemplares por estar numerada e autografada, mas por aquilo que estamos a fazer quando o compramos.
Passo a explicar: Os direitos de autor desta obra revertem na totalidade para a associação CASA - Centro de Apoio ao Sem-Abrigo. Quer melhor motivo que este?

Mais uma vez Afonso Cruz não desilude ao nos apresentar um livro pequenino com uma prespectiva muito interessante, os próprios sem-abrigo. 

O que gostei menos nesta obra (e que me levou a dar-lhe 4 estrelas em vez de 5), foi o facto de estar escrito como se fosse uma peça de teatro. Não é um estilo que aprecie particularmente. No entanto, os diálogos, os monólogos, toda a "trama" envolvente é genial (não fosse ele escrito por um dos autores portugueses mais fantásticos de sempre). 

A intensidade com que certas emoções nos são transmitidas é algo que apenas Afonso Cruz conseguiria fazer. Pode-se ler este pequeno livro de 104 páginas de forma rápida? Sim, pode, mas duvido que o fará, por a introspecção a que nos leva a cada paragrafo deixa-nos pouco espaço para uma leitura corrida. Desafio-vos a lê-lo!





Roberta Frontini

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