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quinta-feira, 7 de abril de 2016

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Livro: Carta à mulher do meu futuro




Título: Carta à Mulher do Meu Futuro
Autor: Péter Gárdos
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 244
Editor: Alfaguara Portugal
ISBN: 9789896650339

Sinopse

Em Julho de 1945, depois de sobreviver ao campo de concentração de Bergen-Belsen, Miklós, um jovem húngaro de vinte e cinco anos, é enviado para um campo de refugiados na Suécia. Pele e osso, desdentado, doente, o médico dá-lhe poucos meses de vida. Mas morrer depois de sobreviver a uma guerra não está nos planos de Miklós.
Ele não se sente sozinho. Sabe que há 117 mulheres da sua terra a viver em campos de refugiados na Suécia. Ignorando a sentença de morte da febre que o atormenta todas as manhãs, envia uma carta a cada uma delas. Alguma haverá de sucumbir à sua veia poética e sedutora caligrafia.
A centena de quilómetros, Lili responde. Assim começa uma história de amor redentora e inesquecível entre dois sobreviventes que eram também sonhadores.
Baseada na história real dos pais do autor e narrada a partir das cartas trocadas entre os dois, o romance de Péter Gárdos relembra-nos que o amor é uma força de vida, capaz de vencer a própria morte.

Opinião (por Roberta Frontini)

A Alfaguara não pára de me surpreender. Os autores que publica são sempre fabulosos, e as capas que faz ajudam sempre a enaltecer as suas obras. Por isso mesmo, sempre que sai uma obra nova, fico logo interessada. A primeira coisa que me chamou à atenção foi, sem dúvida, a capa. Ainda antes de ler o título, ainda antes de ler o nome do autor ou de saber o que trata, sabia que o tinha de ter! Colecciono selos, mas independentemente disso acho que qualquer pessoa fica facilmente encantada com a qualidade desta capa. E hoje posso dizer que esta é das capas mais lindas da minha estante. Passada a surpresa inicial pela capa, li o nome do autor, vi o título, li a sinopse e pensei "Sim! Este livro terá de fazer parte da minha estante". Tal como os pais do autor do livro, também o meu avô sobreviveu aos campos de concentração nazi. Depois de ter ido combater por Itália, foi preso precisamente na altura em que Itália e Alemanha deixaram de ser aliados. E assim, sempre cresci a ouvir algumas das histórias que ele contava (apesar de tudo muito poucas, que não era um assunto que lhe interessasse recordar)... Talvez isso tenha aumentado o meu gosto por este género de história. Gosto bastante de ler sobre a Segunda Guerra Mundial. 
No entanto, confesso-vos que ultimamente começo a estar um pouco farta. Isto porque já li tanto, já vi tantos filmes, tantos documentários, que ultimamente começo a achar que a literatura sobre o tema é "mais do mesmo". 

Não é o caso deste livro. Posso dizer muito sobre ele, mas não posso dizer que é "mais do mesmo". Primeiro porque estamos perante uma história verdadeira! Depois porque a trama se foca no pós guerra. Sim, é verdade que nos conta alguns episódios que se passam durante a guerra, mas a forma como o autor o faz é diferente e não exaustiva. Neste livro, seguimos a história do pai de Péter Gárdos, Miklós, a quem um médico lhe comunica que tem apenas 6 meses de vida. Sobreviveu, mas o seu estado de saúde não é dos melhores. Então, ele decide escrever cartas a mulheres que sejam da localidade de onde ele era antes da guerra.. e assim escreve 117 cartas a mulheres húngaras sobreviventes. 

Mas não pense o leitor que esta obra é uma mera colecção de cartas. Não. Esta não é uma mera obra epistolar. É uma história, contada pela voz do filho, que usa esta obra para contar o romance dos pais, algumas vivências do pós guerra (algumas durante a própria guerra e a libertação dos judeus dos campos de concentração) acompanhados de alguns trechos de cartas. Essa era a parte interessante, quando sabíamos o que tinha acontecido e depois a informação era complementada pelos trechos das cartas. Muitos podem pensar que com o fim da guerra terminariam as dificuldades para os sobreviventes, e que estes voltariam a casa e tudo seria como antes. Mas é precisamente por isto que obras destas são tão importantes. Para nos lembrar que ainda muitos trabalhos passaram estas pessoas antes de conseguir refazer e recuperar as suas vidas. Uma obra interessante, de grande valor histórico, que se lê rapidamente pela fluidez de escrita e o ritmo que o autor impõe (não fosse ele realizador de cinema). Este livro deveria ser leitura obrigatória nas escolas (por exemplo), especialmente tendo em conta a época em que vivemos. 

E já agora, precisamente a propósito disso, aproveito este post para me referir a um "outro" assunto. Esta é a história de duas pessoas... dois refugiados da guerra. Uma história de amor belíssima, e real! O romance de dois judeus maltratados por causa de uma nação com lamentáveis ideologias. Que teria acontecido se a Suécia não tivesse acolhido milhares de refugiados como fez? Bom... muito provavelmente Péter Gárdos não existiria, e assim esta obra e todos os filmes de que é realizador, não existiriam! Talvez este livro venha recordar, a algumas pessoas, a importância de se acolher quem mais precisa e que um dia, também nós, poderemos precisar de apoio. De facto, as personagens deste livro são refugiados húngaros. É "interessante" saber isto, tendo em conta a posição que a Húngria está a tomar neste momento, relativamente a outros refugiados de guerra. Este facto apenas aumenta o meu respeito pelo autor, que escreveu esta obra também por este motivo.

Agora, o meu próximo passo é ver o filme, e espero falar-vos dele em breve! A curiosidade é enorme!

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