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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

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Livro: Orfeu da Conceição




Ano de Edição: 2016
Género: Teatro Dramático 
Autor: Vinicius de Morais
Editora: Companhia das Letras


* Por Mariana Oliveira *

Há mais de três anos que descobri um novo hobby: o teatro. Desde que entrei para um grupo de teatro amador que tenho ficado cada vez mais interessada nessa forma de arte tão antiga e, a meu ver, das mais belas que existe. Como se pisar o palco não fosse suficiente, há poucos meses comecei a dar os primeiros passos, ainda que pequeninos, no mundo da encenação o que fez com que a minha paixão pelo teatro ficasse ainda mais forte. Assim, quando percebi que me iria estrear a ler o conceituado autor e músico Vinicius de Moraes com uma peça de teatro escrita pelo próprio e que entrou para a História do teatro brasileiro fiquei, como às vezes se diz, fora de mim de contente!


Sinopse:
“Orfeu da Conceição, uma tragédia carioca em 3 actos, é uma peça de teatro escrita por Vinicius de Moraes em 1954, baseada no drama da mitologia grega de Orfeu e Eurídice. A banda sonora foi lançada em 1956, com música escrita por António Carlos Jobim e letra de Vinicius. A actualização de um mito clássico numa favela do Rio de Janeiro, uma ode à contribuição da cultura africana para o Brasil. Um texto lírico e apaixonante que ainda hoje emociona o Brasil.” 


Opinião:
Ler uma peça de teatro é uma experiência completamente diferente de qualquer outro tipo de literatura. No teatro, é a acção que surge em primeiro lugar e o texto apenas existe para complementá-la. Por isso mesmo, um autor de peças de teatro tem de preocupar-se não só com o diálogo das suas personagens mas também com a toda a acção envolvente. 
É neste segundo aspecto que destaco “Orfeu da Conceição”, pois Vinicius de Moraes preocupou-se em deixar bem claro quais considerava serem os cenários adequados, as entradas e saídas das personagens e as suas movimentações em palco. Embora pessoalmente prefira trabalhar um texto que não me dite com tanto rigor quais as acções que devo levar a cabo, deixando espaço para a minha criatividade, tratando-se de um texto cuja única intenção que tinha era a de lê-lo, “Orfeu da Conceição” acabou por me transmitir uma sensação muito vívida daquilo que deverá ter sido o espectáculo original apresentado na década de 50 no Rio de Janeiro. 

Baseada na mitologia grega, um universo que por si só me fascina desde criança, esta história transporta-nos para o mundo das favelas, um mundo repleto de pobreza mas onde a sede de viver impera. Dizer isto assim pode parecer de pouca monta, contudo se tivermos sempre em mente que esta peça foi estreada na década de 50 e que ao palco apenas subiram actores negros, facilmente percebemos o impacto que esta produção teve na altura e o porquê de ter alcançado um estatuto de evento histórico. 

O único aspecto que eu mudaria no livro está relacionado com o facto de num texto introdutório, com o objectivo de explicar ao leitor de que forma é que Vinicius adaptou a história grega para o universo de uma favela brasileira, acabarem por referir a forma como a história termina. Para quem, como eu, não conhecia o mito grego acabou por revelar a grande reviravolta cedo demais bem como o seu final. Contudo, mesmo assim apreciei bastante este texto que, pelos seus contornos trágicos e tom místico, me deixou agradavelmente sobressaltada e com a certeza de que se tivesse estado num daqueles bancos de uma sala de teatro no Rio de Janeiro em 1956, certamente teria assistido a um dos espectáculos de teatro mais marcantes da minha vida!

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