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sábado, 21 de novembro de 2015

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108ª Entrevista do FLAMES: Isabel Stilwell (escritora e jornalista portuguesa)



Isabel Stilwell

Isabel Stilwell é jornalista e escritora. Desde o Diário de Notícias, onde começou aos 21 anos, que contribui de forma essencial para o jornalismo português. Fundou e dirigiu a revista Pais e Filhos, foi directora da revista Notícias Magazine durante 13 anos e directora do jornal Destak até ao final do ano de 2012, entre muitos outros projectos. Paralelamente escreveu vários livros de ficção, contos e histórias para crianças, mas a sua grande paixão por romances históricos revelou-se em 2007, com o bestseller "Filipa de Lencastre", a que se seguiram "Catarina de Bragança" e "D. Amélia", com crescente sucesso. Em abril de 2012, foi a vez de "D. Maria II", que vendeu mais de 45 mil exemplares, e mereceu uma edição especial para o mercado brasileiro. Em outubro de 2013 lança um novo romance histórico intitulado "Ínclita Geração", sobre a vida de Isabel de Borgonha, filha de D. Filipa de Lencastre, e em maio de 2015 publica o seu mais recente livro sobre a mãe do nosso primeiro rei, "D. Teresa". Em julho de 2015 viu traduzido para inglês o seu primeiro romance histórico, "Philippa of Lancaster - English Princess, Queen of Portugal". No tempo que lhe sobra de crónicas, entrevistas, livros infantis e conferências para os mais velhos, e os mais novos, dedica-se a investigar e a escrever o seu próximo romance histórico.
(Fonte: http://www.isabelstilwell.com/Biografia.aspx)

O seu Filme preferido: “A Música no Coração”
O seu Livro preferido: “Senhor dos Anéis”, do J.R.Tolkien
O seu Anime preferido: nenhum
O seu Manga preferido: nenhum
O seu Espectáculo/Evento/Programa de Entretenimento preferido: “Os Miseráveis”
A sua Série preferida: “Anatomia de Grey”, “Scandal”, “Downton Abbey” (a primeira série), adoro ter um pretexto para me alienar...

A Isabel é das autoras portuguesas mais versáteis. No entanto, considera-se de alguma forma "refém" de um género literário ou acha que, sem dificuldades, os portugueses a veem como uma escritora de diferentes géneros? 
Sinto que tenho públicos diferentes para os livros diferentes que escrevo. Os romances históricos, para minha felicidade, têm leitores muito heterogéneos, dos 16 aos 90, como o Tintin, e que descobriram (ou redescobriram) o gosto pela História. Mas há depois leitores dos livros infantis, leitores dos meus livros sobre Adolescentes, ou mais recentemente dirigidos aos avós, como o mais recente de todos “Diário de uma Avó Galinha”. Uns são os recreios dos outros... Acho que o facto de ser essencialmente jornalista, ajuda a criar registos diferentes com mais facilidade. 

O seu livro "Philippa de Lencastre" tem agora uma versão inglesa. Como tem sido o feedback de quem o leu nessa língua? 
A tradução é da minha irmã Martha, e é fabulosa. Sinto que o livro ganhou em ser traduzido para inglês, sobretudo neste caso em que mais de metade se passa exatamente em Inglaterra. É claro que quem lê não faz a comparação, mas o feedback tem sido fantástico, tenho ouvido as pessoas dizer que querem ir para casa depois do trabalho para continuar a ler. Ou que o leram de uma assentada. São coisas que faço quando gosto do livro que estou a ler. Dito isto, os canais de distribuição não são fáceis, não é fácil fazer chegar o livro aos potenciais leitores. A Fnac entendeu que os estrangeiros em Portugal que leem em língua inglesa estão interessados, e tem nas suas lojas. A Bertrand também, e o Pingo Doce colocou nas suas lojas no Algarve. Depois recebi a ajuda individual de muita gente desta comunidade: a embaixadora do Reino Unido apresentou o livro em Cascais, e há umas semanas estive no Funchal, onde a cônsul do Reino Unido na Madeira fez uma apresentação da obra. A International Women of Portugal, um grupo interessantíssimo, que acolhe as mulheres que chegam ao nosso país, e se querem reunir com outras que estão a passar pela mesma experiência, e organiza encontros em redor de livros, workshops, visitas a museus, etc, tem sido também extraordinária. E agora é possível comprar o livro através do site da própria editora, a Livros Horizonte. Mas vamos ver, não é fácil. Gostava que corresse bem, porque disso depende a tradução do seguinte – "Catarina de Bragança".

Nos seus livros, tenta sempre falar de pessoas que, de alguma forma, admira? 
Diria que, acima de tudo, as personagens principais têm de me suscitar curiosidade, vontade de as conhecer melhor. Invariavelmente fico depois a admirá-las. Mas nunca no registo de adoração. O que me fascina é a sua vida, como viveram e superaram os obstáculos, a coragem que tiveram para enfrentar dificuldades inimagináveis — já pensou no que terá sentido, por exemplo, a rainha D. Amélia quando o seu filho querido foi assassinado na mesma carruagem em que seguia, para além do marido? E D. Maria II, criança, rainha aos 7 anos, e enviada sozinha para a Europa, para descobrir em Gibraltar que o tio lhe roubara o trono? Se me ponho para aqui a falar sobre elas, nunca mais me calo. 

A História de Portugal sempre foi um “bicho-de-sete-cabeças” para algumas pessoas. Acha que os seus romances históricos podem ajudar a desmistificar esta ideia? 
Não quero estar para aqui a dizer bem de mim mesma, lol, mas a verdade é que acho que sim às duas perguntas. Que sim, que muitas vezes a História, como é dada nas escolas, pode ser uma seca, cheia de nomes e datas que não dizem nada a quem aprende, e sim, que um romance histórico, ao revelar os personagens que fizeram a História como pessoas de carne e osso, que amam e odeiam, que choram e se apaixonam, pode ajudar a contextualizar a informação mais factual. Sabe-se que precisamos de ligar as coisas entre si para as memorizar, que a informação nova precisa de, alguma forma, estar ligada àquela que já temos... 

Num dos seus últimos livros, a personagem principal (D. Teresa) não é uma personagem muito querida pelos portugueses. Porquê falar nela? 
Não é muito querida pelos portugueses porque não a conhecem. A história em redor de D. Teresa que nos foi “vendida” é a história dos vencedores, e ela foi a derrotada, e como se sabe os vencedores tendem sempre a diminuir aqueles sobre os quais triunfaram. D. Teresa é filha de Afonso VI de Leão e Castela, Imperador de todas as Espanhas, e herda dele a ânsia de poder. Mas é uma mulher, e uma mulher que luta pelo poder, que é capaz de quase tudo para conseguir alargar os seus domínios, e que ainda por cima escolhe o homem com quem dorme, mesmo sendo ele casado, não pode ter “boa reputação” num tempo medieval. Mas os traços da sua personalidade que então eram considerados diabólicos, de uma Jezebel ou serpente, à luz dos dias de hoje são lidos de uma forma completamente diferente. E é por isso que, acredito, ninguém fique com a mesma opinião sobre a rainha Teresa, depois de ter lido este livro. 

Como é que a Isabel se “reinventa” a cada nova obra que escreve dentro do mesmo género literário?  Quando estou a escrever, há momentos em que tenho muito medo de não me “reinventar”, em que sinto que estou a repetir palavras, que os diálogos não são suficientemente originais, tanta coisa, mas depois sou sempre levada por caminhos diferentes porque as minhas personagens principais são absolutamente únicas. São elas que marcam o livro e o cunham. 

No panorama literário português, a Isabel é uma referência para nós mulheres pois aborda com mestria a vida de algumas das maiores portuguesas da nossa História. Sente isso como sendo uma responsabilidade, uma honra ou um misto de ambos? 
Obrigada por me dizerem uma coisa dessas! É ótimo ouvir elogios, e sentir que dei a conhecer mulheres que estavam cheias de pó nos bastidores, mas como leitora de romances históricos que sou, sei que há quem os faça muito melhor do que eu. E a cada nova rainha, ambiciono conseguir fazer cada vez melhor. A cada novo livro tenho um receio horrível de desiludir os leitores. “E se é desta que não sou capaz de manter a curiosidade, o ritmo, o entusiasmo dos outros”, penso. Quando o professor Guilherme Oliveira Martins, que apresentou a D. Teresa e por quem tenho uma enorme admiração, disse que os meus livros estavam cada vez mais conseguidos, tive vontade de lhe acender uma velinha! Mais um que não posso desiludir, decididamente isto é uma montanha russa de emoções. 

Muito obrigada pela disponibilidade e simpatia Isabel!

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2 comentários:

  1. Lembro-me, perfeitamente, dos editoriais da Isabel Stilwell na "Pais e Filhos", uma tipologia textual em que raramente se repara, porque dificilmente nos "agarram" como os dele me faziam!

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