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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

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Evento: Hélia Correia, na Livraria Arquivo (Leiria)


Na cidade de Leiria existe uma livraria que não vende apenas livros... também proporciona aos leirienses oportunidades únicas, como esta conversa que ocorreu no passado dia 27 de Novembro pelas 18h30.

Chamo-a conversa porque Hélia Correia assim definiu este encontro, tendo-o começado dizendo: "Eu não sei bem o que querem de mim", utilizando assim o humor que tanto a caracteriza.

Em baixo ficam algumas fotos tiradas na Livraria Arquivo de Leiria, e algumas das coisas que a autora disse. Devo dizer que nunca li nada dela, mas adorei conhecê-la e o ouvir o que tem para transmitir. É uma senhora de uma cultura muito vasta e uma excelente comunicadora.  


"Não gosto que me perguntem que mensagem eu quero transmitir com os meus livros. 
Os meus textos funcionam como obra estética. 
Quando se usa um texto para se transmitir uma mensagem está-se a menosprezar o texto. 
Não tenho a pretensão de achar que tenho uma mensagem para transmitir. 
O máximo que posso fazer é utilizar o meu texto para questionar o leitor." 

  
"Sou uma cidadã do mundo mais do que uma cidadã portuguesa. 
Nunca entendi bem o que são estas divisões nacionalistas."

"A ditadura era o medo da palavra, mas em minha casa tínhamos o culto da palavra. 
Lá fora havia o medo da denúncia. 
Vivi isso em pequena porque o meu pai era da oposição."



"Uma parte do meu tempo é passada em Lisboa. 
Desloco-me imenso em transportes públicos o que me permite ter uma amostra do estado social ao vivo, e vejo que a palavra não é mais usada como diálogo mas quando as pessoas já estão a explodir. 
Mas a verdade é que o Ser Humano não foi feito para estar calado". 



"Nós não vivemos em democracia porque viver em democracia não é imos de 4 em 4 anos exercer o direito de voto. 
Não é votarmos numas pessoas que não conhecemos de lado nenhum. 
Democracia significa poder do povo e o povo em Portugal não tem poder nenhum. 
Nem quem governa tem mesmo poder. 
Quem mandam são os mercados. 
Não vivemos numa sociedade democrática mas numa sociedade livre o que é totalmente diferente da ditadura. 
Agora democracia não. 
Quanto muito vivemos numa oligarquia [poder de poucos] ou numa plutocracia [poder da riqueza]
Não vivemos numa democracia na beleza do seu significado". 



"A minha palavra favorita é de origem grega e é a palavra entusiasmo, que significa ter o Deus em nós, mas não no sentido religioso da palavra. 
Eu sou uma pessoa que vive com muito entusiasmo."


Por Roberta Frontini 


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3 comentários:

  1. Respostas
    1. A minha mãe diz o mesmo. Tenho o "Adoecer", mas acho que vou ler o Lillias Fraser. Já leste algum dos dois? Beijinhos
      Roberta

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