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terça-feira, 24 de maio de 2016

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120º Entrevista do FLAMES: Tori Sparks (artista norte-americana)


Nascida nos E.U.A, actualmente Tori Sparks vive em Espanha enquanto viaja pelo mundo encantando os seus fãs com o seu estilo musical peculiar: uma mistura de rock, blues e folk. Já conta com vários trabalhos publicados sendo que esteve há poucas semanas em Portugal para surpreender o seu público com os seus espectáculos divertidos e originais. O FLAMES esteve à conversa com a artista para podermos todos ficar a conhecê-la um pouco melhor.
Apresentamo-vos... a Tori Sparks!

A todos os artistas o FLAMES pergunta...

Quais são os artistas que mais te inspiram?
Tenho que responder sempre o mesmo – existe uma lista tão grande de artistas que me inspiram musicalmente ou apenas no que diz respeito à sua atitude ou história de vida – mas o Tom Waits será sempre o meu favorito. E foi um grande rombo quando o David Bowie morreu em Janeiro... foi como se um amigo meu tivesse desaparecido. Alguma música é de tal forma parte integrante da tua vida que não percebes o quanto te afectou até essa fonte directa ter desaparecido. 

Há algum local onde gostarias muito de poder actuar?
Royal Albert Hall! Suponho que seja um cliché, mas é verdade. Passei diante dele na primeira viagem que fiz a Londres – foi a minha primeira tour na Europa, tinha então 20 anos – e permanece na minha memória como uma dos locais mais espantosos que alguma vez vi. A outra opção teria que ser algum evento ao ar livre no Central Park em Nova Iorque... será sempre uma cidade com um lugar especial no meu coração. Seria particularmente divertido trazer os músicos espanhóis do projeto El Mar (o trio Calamento e El Rubio) aos EUA. 

Lembras-te de alguma situação caricata que tenha ocorrido numa das tuas actuações?
Novamente, existem tantas! Tive experiências maravilhosas e assustadoras e alturas em que as coisas se tornaram estranhas ou simplesmente parvas. Quando andas muito tempo em digressão, essas coisas acontecem. Por exemplo, uma vez um tipo subiu ao palco e tentou dançar comigo. E não me refiro a uma simples dança ocasional, mas sim em jeito slow enquanto estava a tocar guitarra, a meio de uma canção. Foi de loucos! 

Que mensagem gostarias de ver ser erguida num cartaz durante um concerto teu?
Penso que as mensagens mais simples e sinceras são sempre as melhores. “Obrigado” é perfeito. E caso não seja essa, algo um pouco mais caricato, tal como: “Hey! Vi-te a tocar num bar de Detroit ao vivo em 2006!”, ou algo do género. 


À Tory Sparks o FLAMES pergunta... 


Qual é a fonte de inspiração por detrás dos teus temas? 
Depende bastante do álbum que estivermos a falar. O mais recente, “El Mar”, é uma colaboração com o trio de fusão de flamenco Calamento. Estas canções reflectem algumas das minhas experiências durante os meus primeiros anos em Espanha, combinadas com alguns temas do álbum anterior, e composições de outros artistas adaptadas ao som de fusão de flamenco. O álbum passado, intitulado “Until Morning/Come Out of the Dark”, apresenta um conceito totalmente diferente. É uma colecção de dois EPs com 7 canções cada. Um lado, “Until Morning”, conta uma história que teve início em Barcelona, enquanto a metade “Come Out of the Dark” conta uma história de amor em Nashville. São experiências da minha vida que ocorreram enquanto me preparava para me mudar para o estrangeiro. O álbum anterior a esse, “The Scorpion in the Story”, não se tratava de histórias da minha vida, tendo antes sido inspirado pela de alguém que conheci na estrada um ano antes... a inspiração chega de todos os sítios possíveis, pessoas e experiências. 

Quem nunca te viu em palco, o que pode esperar num concerto teu? 
Surpresas, sempre. Interagimos bastante com o público. Os solos e as dinâmicas das canções são diferentes, as piadas também... cada espectáculo é diferente tal como o é também o dia a dia de uma pessoa. Depositamos a mesma energia nos concertos quer estejam a assistir 20 pessoas ou 20 mil. Tens de o fazer. Se não, estás a supor que essas 20 pessoas não são válidas ou valiosas, só porque não estão lá mais. Mas independentemente da dinâmica geral do espectáculo, com esta formação de músicos acaba por ser uma experiência diferente para mim, porque eles já tocam juntos há imenso tempo – o trio Calamento já existe há 15 anos – e agora que colaboramos todos há alguns anos também, existe uma ligação em palco que nos permite experimentar e misturar coisas ao vivo. É divertido. O melhor elogio que podes receber depois de um concerto é: “Fizeste-me chorar! E dois segundos mais tarde fizeste-me rir!”. É isso que queremos. 

Como te sentes sempre que chegas pela primeira vez a um novo país e actuas perante um público que te está a ver pela primeira vez? 
Honestamente, quer seja um local onde já estivemos antes, quer seja um país novo, sinto-me sempre grata, em primeiro lugar, pelo facto do público estar lá e ser receptivo – e, claro, ainda mais quando se trata da nossa primeira vez num novo país. Cada lugar tem o seu próprio sentido de humor e forma de reagir às coisas. Nunca sabes se as pessoas vão ser calorosas, frias, barulhentas ou silenciosas – e por vezes essas reacções não indicam se elas estão ou não a gostar do concerto! Tens que estar sempre a par da cultura local.

O que é que a música traz à tua vida que não consegues obter de mais nenhuma forma? 
A música em si é a própria recompensa. É difícil imaginar a vida sem tocar guitarra... faço-o há tanto tempo. É difícil explicá-lo, se não é algo que faças desde que te recordas... seria como esqueceres uma língua que falaste toda a tua vida. Adicionalmente, há experiências por que passas, pessoas que conheces, lugares que descobres e que nunca terias oportunidade de conhecer se não tocasses música ou andasses em digressão. Nem sempre é uma vida fácil – quase nunca é uma vida fácil – mas é bastante espectacular.

Se pudesses mudar algo na indústria da música o que seria e porquê? 
A música é fantástica, mas a indústria em seu redor é extremamente retorcida. É uma estranha dicotomia para se viver. Há duas coisas que me vêm à cabeça, caso fosse possível mudar alguns aspectos da indústria. A primeira prende-se com o facto de que a música contemporânea cria um produto essencialmente baseado no hype e na imagem, em vez de assente na qualidade ou na possibilidade de negociabilidade da música em si. Os executivos da indústria costumavam orgulhar-se de terem descoberto uma nova banda, e apesar das condições nestes contratos nem sempre serem favoráveis para o artista, as pessoas do lado negocial compreendem que um investimento de longo termo num artista com uma sonoridade sua vale mais a longo prazo do que uma cadeia de sósias com pouca ou nenhuma substância. Emocionalmente, investiram nestas bandas, mas foi também uma forma mais audaz de fazer negócio. Pensem em desenvolver a marca Coca-Cola e manter o seu mercado ao longo de várias décadas, em vez de tentar entrar no mercado com o refrigerante mais cool do momento a cada novo ano. A mentalidade de longo curso já não existe mais, em parte pelos efeitos da internet em todas as partes envolvidas e também porque o actual modelo de negócio não recompensa a inovação e experimentação. Uma segunda coisa: seria também bom ver mais países a reconhecer o valor que a música ao vivo acrescenta à cultura nacional e local, e que os respectivos governos a apoiassem activamente.

Qual é o teu grande sonho na tua carreira que ainda esperas vir a alcançar?
O meu sonho é bastante simples, apesar de não tão fácil de atingir como parece. Gostaria constantemente de poder gravar, andar em digressão e trabalhar com uma equipa de pessoas que respeito e confio, de forma a poder também delegar algum trabalho para conseguir relaxar um pouco. Sei que tudo soa simples, mas há muitos mais custos emocionais e financeiros envolvidos quando se anda em digressão com uma banda de cinco elementos – isto sem contar com o manager, relações públicas, técnicos e por aí fora. Não estou a dizer que gostava que fosse sempre uma festa. É um trabalho gratificante, mas seria bom poder atingir um nível onde pudesse trabalhar consistentemente com profissionais à minha escolha, e poder pagar-lhes o que verdadeiramente merecem. E depois disso, talvez até ter algum tempo para tirar umas férias de vez em quando (risos). 


Muito obrigada pela disponibilidade Tori! (FLAMES)

 Thanks so much for the interview, and hope to see you again in Portugal! (Tori)

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1 comentário:

Obrigada por ter passado pelo nosso Blog e por comentar! A equipa do FLAMES agradece ;)

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