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domingo, 17 de maio de 2015

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100ª entrevista do FLAMES: Bizarra Locomotiva (banda portuguesa)


Aviso: Antes de mais, queremos pedir desculpa aos Bizarra Locomotiva e à organizacão do WoodRock Festival, pelo tempo que demoramos a publicar esta entrevista.
Infelizmente, os ficheiros onde a entrevista tinha sido gravada sofreu danos e estivemos até agora a tratar de os arranjar. Finalmente o problema ficou resolvido, e podemos partilhar convosco a conversa que o FLAMES teve com esta banda.


Bizarra Locomotiva


Os Bizarra Locomotiva são uma banda totalmente fora do comum... Foi formada em 1993 por Rui Sidónio (voz) e Armando Teixeira (voz e maquinaria), aquando do Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa (onde acabaram por sair vencedores). Hoje, o Rui é o membro que resta, e a eles juntaram-se mais 3 artistas. A 23 de Fevereiro de 2015 lançam o álbum "Mortuário" pela gravadora Rastilho Records.
Estivemos à conversa com eles no dia em que actuaram no WoodRock Festival (em Quiaios).
Aqui fica o registo da mesma.

 A todas as bandas o FLAMES pergunta...
 
Como se conheceram e formaram a banda?
Rui - Eu sou o único que está na génese da banda. Começou com duas pessoas, eu e o Armando Teixeira que esteve envolvido em outros projectos. Fomos nós que iniciámos em 1993. Fizemo-la para concorrer a um concurso, fizemos as músicas em cima da perna e fomos apurados para as eliminatórias e acabamos por ganhar o concurso. Isso quanto a mim foi fabuloso. O primeiro disco gravei ainda eu e o Armando Teixeira só, o segundo disco também. Entretanto entrou o Miguel, o guitarrista, por volta de 1997. O resto do pessoal entrou mais recentemente, o Humberto em 2002/03 e o Ricardo em 2009. Portanto isto na prática fica a 50% da génese da banda. Já contamos com 21 anos.

E porquê da escolha deste nome para a banda?
Rui - A ideia foi do Armando. Isto foi um projecto que surgiu, em que tu vais fazer coisas e depois vais escolhendo a sonoridade ou vais, levando aquele processo natural e as pessoas vão-se juntando e vai aparecendo o estilo da banda. Foi criada na altura. Até foi um bocado brincadeira. Queríamos fazer uma coisa pesada mas com tecnologia, tanto que o primeiro disco foi gravado só com o teclado e eu só lhe dei a voz. Depois surgiu a guitarra, nós na altura não tínhamos outros instrumentos e então a ideia foi um bocado essa. O Bizarra é óbvio, porque a formação é um pouco bizarra. Teres duas pessoas em cima de um palco a fazer um som que normalmente estás habituada a ver a ser feito por 4 ou 5 pessoas... um som pesadíssimo e intenso... só poderia sugerir isso. Locomotiva tinha a ver com o poder do som em si.

Normalmente quais são os artistas que vos inspiram?
Rui - Eu nunca tive e acho que nenhum de nós também não, uma banda que estivesse a ouvir num momento e que me estivesse a inspirar. Nunca fiz essa identificação, ou que dissesse que me inspirou a fazer a gravação de um disco. Voltando há uns anos atrás, quando comecei a banda, os músicos que me influenciaram, mas que nem são referências à Locomotiva, talvez seja Max Cavalera. Na altura ouvia muito Sepultura e foi ele que me começou a fazer ter este registo cultural. Falo-te talvez na postura em palco dos Iron Maiden, que foi a minha banda de infância. O primeiro concerto que terei visto a sério foi em 86, os Iron Maiden em Cascais. Foi uma banda emblemática que eu entretanto também deixei de ouvir. Isto são músicos com os quais eu me identifico, que se calhar me influenciaram na minha maneira de estar mas que musicalmente não me influenciam completamente nada.
A única banda que terá tido alguma influência sobre os Bizarra Locomotiva será Young Gods, talvez, que era aquela banda que nós ouvíamos quando formamos a banda nos anos 90. No início dos anos 90, Young Gods influenciaram a nível sonoro mas com um bocado de distância. Nós somos uma banda um pouco mais pesada.

Vocês lembram-se do vosso primeiro ensaio? 
Rui - Foi como eu te disse, a banda foi feita mesmo para o concurso. O primeiro ensaio foi feito em casa do Armando, o Armando já tinha a ideia, tinha 2 ou 3 músicas para nós concorrermos a esse concurso que era o necessário e eu tive que fazer as letras em cima da perna porque o prazo das candidaturas das bandas acabava uma semana depois. Então fizemos essas 3 músicas e nunca nos nossos sonhos mais selvagens pensamos em ser apurados. Era uma coisa muito recente. Provavelmente se naquela altura não tivéssemos sido apurados até poderia existir na mesma Bizarra Locomotiva. Porque nós não iríamos nunca desistir, mas depois foi tudo muito mais rápido. E então foi esse o primeiro ensaio. Ele mostrou-me as músicas que tinha feito, eu fiz então as letras, recordo-me que a primeira até foi o… até foi um bocado a brincar. O conceito inicial até era brincar um bocado com a coisa, que foi o “Apêndices” que acaba por ser uma música carismática da banda, porque tem um refrão que diz “escumalha, são todos escumalha” e é como se auto-intitulam os nossos seguidores, pequena escumalha por causa desse tema. E já foi em 83 esse primeiro ensaio.

Miguel - Eu recordo-me do meu primeiro ensaio...

Rui - Com ele não me recordo mas é capaz de ter sido no “palco oriental”, porque ele não era da banda mas participou no primeiro disco. Ele fazia parte de uma banda que eram os Thormentor que na altura era uma banda de deathmetal. Tínhamos gravado no mesmo estúdio. E então como os admirávamos, o Armando convidou-o para ir tocar umas guitarras no nosso primeiro disco. Já se cruzou com os Bizarra desde o início.

Miguel- E eu lembro-me que no primeiro ensaio foi para o concerto de lançamento para o Jonhy Guitar e andamos a fugir de um cão... (risos)

Rui - Isso foi no ano a seguir... nós ensaiávamos num sítio lá na vila, que era onde eu morava, que tinha um teatro onde tinha um espaço onde se iniciaram algumas bandas e tinha lá um cão que era o “Actor” e como já tinha mordido, então andamos a fugir do cão (risos)...
Terá sido esse o teu primeiro ensaio em 94 Miguel.
Estás com uma cara muito espantada a olhar para o Miguel. Sei que ele parece ter 28 anos mas eu tenho 42 e ele é mais velho do que eu (risos)...

Não, é que ainda à bocado estavas a dizer que vocês o admiravam e eu pensei: “mas ele não é mais novo?” (risos)
Miguel - Não (risos)

Rui - Quer dizer, existíamos, mas como teríamos começado a fazer música mais ou menos na mesma altura, começamos a cruzar-nos, até porque o meio não é assim tão grande e era uma banda que nós admirávamos. Acima de tudo a prestação na guitarra dele.

Miguel- Sim e o Armando depois também acabou por participar no álbum dos Thormentor que gravamos a seguir no mesmo estúdio.

É engraçada essa troca de membros...
Rui -  Na altura havia muito disso, agora também acontece muito, mas noutra dimensão…

Quem é que normalmente compõe as vossas letras? É uma coisa feita em conjunto, ou…
Rui - No fundo acaba por ser feita em conjunto, mas vamos dizer como as coisas funcionam. Este rapaz [Miguel] faz a música e eu faço a letra, normalmente é assim. Mas é assim numa parte inicial porque o produto final é resultado dos 4 membros da banda.

Qual é o local onde gostariam mais de tocar?
Miguel- Já tocamos em quase todos os “grandes sítios” que há para tocar em Portugal…

Rui - Eu por acaso nunca toquei no MEO, tu por acaso já tocaste com outras bandas, por exemplo no Pavilhão Atlântico, mas não é assim um sítio que me dê muito gozo de ir. Confesso que provavelmente um sítio que gostaria de tocar não era aqui em Portugal. Seria um desses festivais de rock mais pesado que tivesse mais haver connosco e perante uma multidão que às vezes eles têm de 80 000 ou 90 000 pessoas.


Há algum cartaz ou mensagem que vocês gostassem de ver a ser erguida num concerto?
Rui - Sei lá, “faz-me um filho”, eu ria-me disso, acho que essas coisas só acontecem no Tony Carreira (risos)

Vocês lembram-se assim de alguma situação caricata, há pouco já contaram a do cão, mas alguma coisa assim de diferente que tenha acontecido num concerto?
Rui - Lembras-te de alguma situação assim num concerto?

Miguel- Olha, quando te vomitaste todo. (risos)

Rui - Vamos referir essa. Em 94 nós fomos convidados para fazer um concerto com os Xutos e Pontapés em Faro, para aí 15 000 pessoas. Então fui jantar às 19:00 ou 20:00 e comi praí duas doses de frango assado e 3 de bacalhau com natas e uma terrina de salada de fruta. Eh pá, nem 5 min depois de ter acabado de jantar, o runner deles vem-nos buscar porque íamos começar a tocar daí a 20 min. Escusado será dizer que estava tão mal disposto, mas tão mal disposto, que fiz um repuxo de vómito... e depois as pessoas acharam que aquilo era efeito de drogas e não era! A verdade é que fiquei mais aliviado. (risos)
Depois disso, surgiram uma série de mitos sobre as minhas prestações, mas pronto. Desde eu ter comido morcegos e o Adolfo se ter cortado… mas isso são coisas acidentais, coisas que as pessoas levam para outro campo e ficam míticas. E depois há o facto de termos a mania de vestir fraldas de bebé para tocar em palco, então…

Aos Bizarra Locomotiva, o FLAMES pergunta...

O que é que o público pode esperar hoje do vosso concerto? 
Rui - O que eu te acabei de dizer.. Quando estamos lá em cima queremo-nos divertir ao máximo e normalmente conseguimos contagiar as pessoas com esse tipo de ambiente. As pessoas podem esperar basicamente isso, a dedicação total da banda.

Vocês vão aproveitar para ver os outros concertos ou não?
Rui - Nós vamos tocar tardíssimo e se calhar vamos aproveitar talvez para descansar um bocado antes. Fizemos uma viagem antes e é mesmo só por esse facto. Temos por hábito ver as outras bandas. A nossa prestação é também muito física e se calhar é o melhor a fazer.

Vocês têm algum ritual antes de entrar em palco?
Rui - Temos, temos, é um grito que nós damos para libertar a tensão, nós damos sempre um grito os quarto. Subimos as escadas e depois de gritar atacamos, é o nosso ritual. E a única vez em que não o fizemos o concerto não correu nada bem. Não são superstições, são coincidências, é o nosso ritual, gostamos de o fazer. Mas também numa carreira de 21 anos aconteceu uma vez, por isso...
Já agora, não sei se sabes, mas vamos editar um novo disco... Nós editamos o último em 2009 e em princípio vamos editar agora em fins de novembro. Ainda não está previsto com toda a certeza absoluta, vai depender de uns timings. Vamos editar um disco novo que é o “Mortuário”.

E vão tocar aqui alguma coisa nova hoje ou não?
Rui - Não, nós decidimos que só íamos tocar as músicas novas quando fizermos os concertos do lançamento do disco.

Fazem sempre isso?
Rui - Não, nem sempre, pelo contrário. Costumamos avançar sempre um, dois temas, mas foi decisão nossa. Vamos guardar o disco para o lançamento. Até porque tencionamos tocá-lo na íntegra, não tocarmos absolutamente mais nada senão o disco novo.

E já têm datas previstas?
Rui - Exacto, é isso que nos falta. Sabemos que vai ser lá para meados de novembro mas ainda nos faltam marcar essas datas para poder dizer que é nessa altura que o vamos lançar. Porque ainda não sabemos se vamos a tempo de fazer a marcação do sítio onde queremos ir fazer o lançamento, senão a coisa vai ter de se atrasar um bocado.

Após tantos anos vocês ainda se sentem nervosos antes de entrar em palco?
Rui - Eu nunca me senti nervoso.

Miguel - Também nunca me senti nervoso...

Rui - É uma coisa estranha, eu nunca consegui perceber bem porquê. Sinto-me é com imensa adrenalina, cheio de vontade de ir para lá para cima mas nunca tive um pingo de nervosismo.. Não te sei explicar.

Nem daquela vez em que as coisas não correram tão bem? 
Rui - Não, não, aí eu estava chateado não estava nervoso. A adrenalina é muita como te digo... porque gostamos muito de fazer isto e então só queremos “bora lá para cima partir o palco”.... Agora nervosismo nunca senti. Eu tenho uma explicação para isso. Fui-me habituando a palcos e multidões desde cedo. Como te disse fizemos logo a tourné dos Xutos e Pontapés e habituei-me a estar em frente a muitas pessoas. Eu sou míope, sou uma toupeira cega, tenho 8 e 9 dioptrias e então na altura eu não tinha lentes e ia para o palco sem óculos. Nunca me preocupei com nada. Depois fui-me habituando, sejam 20.000 ou 30.000 pessoas, ou 100.000 que sejam, dá-me exactamente o mesmo gosto. Mas devo dizer com toda a certeza e com toda a sinceridade que tocar para 300 pessoas como fazemos normalmente com as salas sempre cheias é diferente de aparecer num festival em que a maior parte das pessoas estão lá por causa das outras bandas. Aí nós usamos essa “swat” ou essa oportunidade para nos mostrarmos a público que ainda não nos conhece, que é o teu caso. Não te estou a repreender, isto é só um sintoma de que nós ainda nos fazemos sentir e é isso que tem acontecido. Porque em termos de crescimento da banda, nós ainda conseguimos, de disco para disco, continuar a ter vontade de fazer isto. Para muita gente os “Bizarra” é considerada uma banda de culto. Como não somos uma banda de moda, vamos conseguindo manter as salas compostas e mantendo os fãs e vamos acrescentando alguns à causa e isso dá-nos vontade de continuar a fazer coisas, além de o gostarmos imenso de o fazer.


E o novo disco vai ser nos mesmos moldes que os outros? Vão mudar, como vai ser?
Miguel - Este novo disco é uma evolução. Uma das coisas de que sentimos falta era os discos soarem como a banda soa ao vivo. Há sempre aquela distinção. Um disco é um disco e um concerto é um concerto! Nós sempre fomos reconhecidos pelo que fazemos ao vivo. Os nossos concertos são sempre muito energéticos e neste disco quisemos tentar transmitir isso para uma sonoridade própria da banda. Foi esse o conceito base de onde partimos.

Rui - Isto em termos de sonoridade porque os discos de “Bizarra” são todos à volta de um conceito lírico também, e este disco vai-se chamar Mortuário. Inspirámo-nos um pouco no lado negro das coisas, que é um lado tão bonito (ou às vezes até mais bonito)... Quando digo negro não é o lado “mau”, é o negro. Muitas vezes há até um lado engraçado na escuridão, mais engraçada do que na luz, não que eu tenha alguma coisa contra a luz, que eu não sou um morcego, como vês, se calhar pareço mais "o tipo normal" como as pessoas têm tendência a dizer. (risos)
As pessoas julgam muito as aparências… e a lírica é um bocado por aí, mas em termos musicais é como ele diz. Nós sempre nos sentimos um bocado frustrados, porque nunca conseguimos passar a força que a banda tem para o disco, quando ouves uma música dos Bizarra no disco é um pouco mais baixa e queríamos passar mesmo isso: a energia. Queremos que a pessoa esteja a ouvir um disco em casa e consiga sentir aquele contágio que nós transmitimos nos nossos concertos ao vivo.

Vocês têm esse feedback pelas pessoas?
Rui - Sim, agora com a internet sabes que é muito mais fácil entrar em contacto directo com os teus fãs através das páginas no facebook. Eu quando saio dos concertos chego a casa e já tenho vídeos no youtube, já tenho comentários no facebook e dá logo para aferir…

E as pessoas costumam dizer que sentem essa diferença entre os concertos e os discos?
Rui - Não tanto, mas é uma coisa que nós sentimos e acredito que elas também sintam e talvez não o façam por uma questão de simpatia. Quando entramos numa discussão mais aberta, as pessoas são capazes de dizer isso “…vocês não soam como quando estão ao vivo…”, entendes? Não é uma crítica tão presente, mas acreditamos nisso. Gostas de ouvir outras sonoridades?

Por acaso não... até gosto do género...
Rui - O que ouves normalmente? De que bandas gostas?

Posso ser cliché? Muse, Metallica, Nighwish... por aí.
Rui - Ah, isso é mais comercial, mas eu gosto disto sinceramente porque por um lado podia-me sentir frustrado pelo facto de ouvires essas sonoridades com essa idade e não nos conheceres, mas por outro lado sinto que há outros sítios onde podemos ir desbravar. Espero que tu chegues no fim do concerto e me venhas dizer isso ou que tenhas a coragem de dizer mesmo que não gostaste. Que tenhas coragem de dizer “porra, mais uma banda riscada” ou dizeres mesmo “eh pá, vocês são malucos” (risos) que é o que nos acontece muitas vezes. E olha, ultimamente eu tive uma amizade mais próxima com o Fernando dos Moonspell, ele participou no nosso último disco, tem um tema que é o “Anjo Exilado”, tocamos mais 2 ou 3 vezes com eles e aí eu senti isso.

Também não sabia disso, e eu gosto imenso dele.
Rui - Nós somos contemporâneos, começamos mais ou menos na mesma altura e nós de facto não éramos muito amigos e entretanto ficamos mesmo muito amigos. Fizemos uma ópera em conjunto. O Fernando acabou por me convidar a fazer as datas em que ele não podia, isso foi em 2008 e a ópera era em Junho e Julho e eles têm muitos festivais na europa. Então aquilo era sempre sextas e sábados, não sei se domingos à tarde também, não me recordo. E o Fernando tinha 15 récitas e ele só podia fazer 7 e então convidou-me. Ao início nem gostava assim muito dele, aquelas tretas de nem conhecermos as pessoas mas termos uma imagem delas... Mas lá cedi e pronto. Actualmente, e fora da banda, é o meu melhor amigo no mundo musical. Normalmente vem sempre tocar um tema connosco quando está disponível. Até te vou avançar informação, eles estão a tratar do novo disco e daqui por um ou dois meses pensam em gravá-lo.

Estavas a dizer que as pessoas ainda ligam muito à aparência, vocês sentem que ainda há um pouco de resistência por parte dos portugueses em relação a este estilo musical.
Rui - Não, não acho que haja resistência. Nós temos que encarar as coisas com alguma frontalidade e honestidade. Isto é uma banda de gritos, e gritos não se acha piada em geral, mas também tenho a noção que se mostrarmos o conceito a maioria das pessoas terá outra percepção. Eu tinha amigos meus que não gostavam, foram ao concerto e ficaram fãs. Porque nós temos uma mensagem muito notória e também muito visual. Costumamos produzir-nos para subir ao palco, nada do outro mundo, mas costumamos encarnar as personagens e tu vais ver… (risos)

Já estou super curiosa...
Rui - Se tiveres tempo quando chegares a casa vê um vídeo ou outro e já sabes mais ou menos como tocamos. Não tocamos obviamente como estamos aqui, fazemos sempre alguma produção. Como disse, nada do outro mundo, para encarnarmos o personagem e ele não pertence aqui, o personagem é do palco. Portanto em relação a isso, não é propriamente uma questão de resistência, é mais por não teres facilidades em Portugal. Por exemplo, eu sei que vou gravar o disco e quase de certeza que não vai passar nas rádios visto que é uma banda de gritos, diz-me uma banda de gritos que passe na rádio… Quanto mais, passa à noite em programas especiais e essas pessoas a maioria também já nos conhece. Outra das coisas que nos caracteriza é sermos uma banda muito independente, mas verdadeiramente independente! Nós nunca fizemos um tema de compromisso para o que quer que fosse. Isso também é uma coisa boa de tu não teres um mega sucesso, isso é outra das coisas que os teus fãs te exigem quando tens uma banda de culto, é ter essa honestidade, não te chamarem de vendido. Nós nunca fizemos um tema a pensar “ah, isto vai ser um tema para passar na rádio”, “este tema é mais leve vai ser para passar não sei onde”, fizemos sempre o tema que nos apetecia. O próprio Anjo Exilado não foi feito a pensar no Fernando, coincidiu com a altura em que estávamos a fazer as misturas para o Álbum Negro, que foi o anterior, e ele estava sempre a dizer “eh pá, queria cantar uma música convosco”. Nem que fosse por gratidão por ele me ter proporcionado uma das melhores experiências que já tive, levei-o ao estúdio, mostrei-lhe as músicas que tinha e disse “escolhe aí um tema e canta-o”. E ele escolheu o Anjo Exilado que era o mais óbvio. Foca a religião e esse tipo de coisas, o que acabou por ser um tema excelente. E vê lá tu, nós chegamos ao ponto de nem sequer rentabilizar, ou melhor, fazer um vídeo, que era uma coisa que havíamos de ter feito. Mas isso foi burrice, já não se tratava de ser vendidos. As pessoas todas conhecem, tem a participação do Fernando, e não só, é um tema realmente mais single. Tem um refrão, um refrão que diz “Renego, renego tudo, renego mais do que tudo”, a cena de renegar e é fácil de competir com a última quadrada. E nós nem isso aproveitamos para fazer um vídeo para andar a “chitar” a coisa. Bastava-nos fazer um vídeo com o Fernando e tínhamos chegado a público, por exemplo a ti provavelmente.

E quanto ao novo disco... Já andam a pensar em vídeos ou não?
Rui - Sim, sim, já estamos a pensar em tudo. A parte estética eu sou humilde o suficiente para deixar quem tem bom gosto tratar disso. Depois de termos um conceito do disco a parte estética é quase sempre do Miguel, agora também temos o Ricardo que é uma pessoa com um sentido de estética muito apurado como já deves ter reparado. É o teclista e também interfere mais um bocado. Mas normalmente quando está o disco para sair já está tudo pensado.

Mas já podem avançar alguma coisa ou não?
Rui - Neste caso não, já avançamos há uns tempos o nome do disco, o título das faixas, avançamos na revista LOUD! em exclusivo. E está aí, já estamos a misturá-lo e está quase feito portanto é só mesmo uma questão de timing.

Um agradecimento especial à banda pelo tempo dispendido connosco em entrevista, e à equipa do WoodRock Festival pela disponibilidade.
Um agradecimento também ao Alipio Firmino (blogue LinkedBooks) pela ajuda com os ficheiros danificados e, sobretudo, pela transcricão integra da entrevista.


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