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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

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80ª Entrevista do FLAMES: Rui Drumond (artista português)



Rui Drumond

Natural de Torres Vedras, desde muito jovem que Rui Drumond percebeu que a música lhe corria no sangue. O público português ficou a conhecê-lo há 12 anos no programa Operação Triunfo mas foi este ano no The Voice Portugual que este incrível artista viu o seu talento reconhecido por todos. Após anos de trabalho árduo e de uma dedicação sem igual, Rui Drumond encontrou, finalmente, o seu lugar ao sol no mundo da música. Acabou de editar o seu primeiro álbum, "Parte de mim", e tem viajado pelo país e encantado os seus fãs com a sua incrível voz e paixão.

O FLAMES esteve à conversa com ele e foi isto que descobriu...
  

A todos os artistas/músicos, o FLAMES pergunta...

Quais são os artistas que mais te inspiram?
Olha, essa pergunta nunca me fizeram (risos). Estamos a falar a nível mundial, certo? Isso seria uma lista infinita… Olha, Stevie Wonder, Frank Sinatra, esse som soul e jazz estão sempre ligados e identifico-me com eles. Em português gosto de Paulo de Carvalho, de Rui Veloso… são artistas distintos mas que aprecio. Mas sou mais de música internacional: Ray Charles, Marvin Gaye e muitos outros.

Qual é o local onde mais gostarias de atuar?
(Risos) no Robert Albert Hall em Londres. Eu sonho alto! Esse sempre foi um espaço para mim único. Ou também o Madison Square Garden, outro grande palco! Seria incrível actuar nesses locais.

Que cartaz ou mensagem gostarias de ver ser erguida no meio do público durante um concerto teu?
Já vi. Já me aconteceu isso no The Voice com o meu grupo de apoiantes, os meus amigos que iam às galas. Eles escreveram uma frase que eu já tinha dito e adorei quando durante a gala olhei para eles e li a faixa: “A música é a minha vida”.

Lembras-te de alguma situação caricata que tenha ocorrido num concerto teu?
Já aconteceu muita coisa, desde coisas mais atrevidas a coisas mais engraçadas. Na tourné da Operação Triunfo há 12 anos atrás, o programa tinha tido muita fama, as pessoas atiravam para o palco desde ursinhos, camisolas ou flores. Uma vez, quando eu estava em palco, enviaram um urso gigante que parecia um meteorito a cair no palco (risos). Eu nem consegui perceber como é que tiveram força para atirá-lo para cima do palco. Foi tão engraçado ver aquela espécie de meteorito que desatei a rir e não conseguia cantar. Ainda me lembro bem do urso, era castanho e era daqueles que dizia “best friends”, mas já não o tenho, devo tê-lo dado a alguma criancinha entretanto.

Ao Rui Drumond o FLAMES pergunta...

O público português já te conhece há muitos anos fruto da tua participação na Operação Triunfo. Foi nessa altura que percebeste que querias dedicar a tua vida à música ou essa paixão já existia anteriormente?
Não, foi antes. Com 16 anos fui, a convite da minha mãe, para um coro, a Camarata Vocal de Torres Vedras. Aprendi imenso lá com o maestro Luís Bragança Gil. Eu era o mais novo, a pessoa imediatamente a seguir a mim tinha 25 anos e depois era tudo com mais de 30 ou 40. Aprendi muito lá. Há algo que digo aos meus alunos (eu dou aulas de música): antes de aprenderes a cantar tens de aprender a ouvir. Foi muito bom e acho que todos deviam fazer parte de um coro em algum momento. Depois, aos 17 anos, entrei para a escola de Jazz em Lisboa e foi muito bom só que só fiquei lá 1 ano pois era muito caro (risos). Eu vinha de Torres Vedras e a minha família não conseguia suportar os custos da escola. Ainda tive um emprego quando andava a tirar um curso profissional mas não deu. Depois disso é que surgiu a Operação Triunfo, quando eu já sabia que queria cantar.

Os anos que mediaram a tua participação na Operação Triunfo e no The Voice foram, segundo as tuas próprias palavras, anos de muita luta por um lugar no panorama musical português. Alguma vez te passou pela cabeça desistir?
Aconteceu-me uma vez em que as coisas não estavam a acontecer. O que me irritava era se fosse por ninguém me querer ouvir, mas não era o caso. Eu queria fazer as coisas mas elas simplesmente não aconteciam. Ainda pensei em sair do país e tentar lá fora. Aliás, estive inscrito no The Voice em Inglaterra mas, entretanto, apareceu o The Voice Portugal e desisti da minha inscrição. Foi um grande risco pois não sabia o que ia acontecer mas graças a Deus correu bem aqui. Também não sei como teria sido lá: podia ter corrido mal ou muito bem; Inglaterra é um país enorme por isso nunca se sabe. Ainda sonho actuar lá fora mas primeiro quero começar no meu país. Quero dar concertos lá fora em resultado da minha carreira em Portugal.

Ao decidires participar no The Voice sentiste que tinhas uma responsabilidade acrescida por já seres conhecido pelos portugueses e teres experiência em actuações ao vivo ou sempre te consideraste na mesma situação dos restantes concorrentes?
É assim, eu automaticamente penso sempre que somos todos iguais no momento em que estamos no mesmo concurso. Somos todos iguais e eu gostava de frisar sempre isso de uma maneira o mais clara possível. Isto depende dos gostos. Tinha miúdos (digo miúdos porque era mais velho do que eles) que cantavam excelentemente bem e cantavam músicas mais actuais. Eu tinha mais experiência mas eles tinham um estilo mais do presente. Por isso mesmo, tive que me esforçar para evoluir e actualizar-me também.

Em algum momento consideraste que tinhas boas probabilidades de vencer o The Voice ou essa hipótese sempre te pareceu demasiado remota?
É pá… nunca penso que vou ganhar uma coisa.

És um pessimista?
Não é ser pessimista, simplesmente sei o valor das outras pessoas. Se me dissessem que ficava em 4º lugar mas que gravaria na mesma um álbum e teria toda a promoção necessária aceitava logo. Para mim não se trata de ganhar um concurso mas sim do que se segue. Há 12 anos fiquei em 6º lugar na Operação Triunfo mas mesmo assim ao longo dos anos dei mais concertos do que outros que ficaram melhor qualificados. Ainda há dias falava sobre isso com o Filipe Gonçalves, que na altura ficou em 2º lugar, e que é um tremendo artista. Ele já vai no 2º álbum e mesmo assim se calhar não tem a visibilidade que devia. Era isto que eu dizia neste programa aos outros concorrentes: ficarem em 2º, 3º ou 4º lugar não quer dizer nada, não significa que não possam ter uma grande carreira.

Editaste há pouco teu álbum com as músicas que cantaste no programa, certo?
Não só.

Não são só as músicas do programa?
É claro que não.

Sentes que com este disco os teus fãs vão ficar a conhecer como é o artista Rui Drumond?
O álbum traduz uma parte de mim, daí o seu nome – “Parte de mim”. Tenho uma música original
com letra da Catarina Furtado chamada “Espelho” e orgulho-me muito disso. Tenho também uma música que dá nome ao álbum, “Parte de mim” que foi escrita pelo Pedro Abrunhosa. Estes dois temas foram inseridos para dar uma parte de mim ao álbum. Mas lá está, no programa cantei Stevie Wonder e muitas outras músicas, tirando uma ou duas, que são músicas que sempre sonhei cantar para um público grande, são um estilo com o qual me identifico. Mas é óbvio que se tivesse tempo pegava nessas canções e esfregava-as na parede e dava-lhes uma nova sonoridade, novos arranjos. No meu 2º álbum, já estou a pensar nele, as pessoas vão ver para onde é que eu queria seguir com este trabalho, independentemente de ser cantado em português ou inglês, esse é um pormenor que ainda é um mistério (risos).

O que podem os teus fãs esperar de um concerto teu?
Principalmente, quero que estejam descomprometidos com o que se passa lá fora nas suas vidas. Quero que se deixem contagiar com a energia que estou a transmitir e vejam que tudo aquilo tem uma construção lógica. É esse tipo de energia, altos e baixos, e a construção sempre ligada do concerto que quero que as pessoas apreciem. Vai haver momentos de nostalgia e momentos de bater o pé no chão e ter os braços no ar. Quero estar o mais próximo possível deles pois é disso que mais gosto: estar perto deles.

Quais são os teus planos para o futuro? O que mais desejas alcançar agora que a tua carreira recebeu um novo fôlego?
Eu quero que as pessoas me reconheçam e apreciem o meu trabalho, não só as canções originais mas sim na linha e no estilo musical em que gostam de me ouvir. Quero que me ouçam até eu ser velhinho sempre na mesma língua mas contando histórias diferentes. Admiro artistas como o Jamie Cullum, o John Legend e o Michel Bublé que cantam músicas de artistas que já morreram mas que o público identifica como sendo deles. É isso que quero: dar concertos e estar com o público. O mais importante não é o álbum, esse é apenas um cartão-de-visita que serve para promover os concertos. Aquilo de que gosto mesmo e que quero fazer é estar em palco e dar concertos.

Muito obrigada pela simpatia e pela disponibilidade Rui!

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2 comentários:

Obrigada por ter passado pelo nosso Blog e por comentar! A equipa do FLAMES agradece ;)

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