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domingo, 3 de agosto de 2014

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66ª Entrevista do FLAMES: Ana Simão (escritora Portuguesa)

 

Ana Simão

 
Ana Simão nasceu em Santarém no ano de 1965. É portadora de uma doença rara, a Osteogénese Imperfeita (OI), que é vulgarmente denominada por doença dos ossos de vidro ou de cristal. Actualmente, escreve para a revista da APOI (Associação Portuguesa de Osteogénese Imperfeita) e para a Associação Salvador. Tem uma licenciatura em Gestão de Recursos Humanos e uma pós-graduação no ISCTE e trabalhou durante muitos anos na Câmara Municipal de Santarém, onde exerceu funções na área da cultura, turismo e acção social. Depois de quase 25 anos de trabalho e 3 de sucessivos internamentos hospitalares, viu-se obrigada a uma aposentação por invalidez. Mas foi nesse momento que descobriu que há milagres e que a escrita, se não salva ninguém, pode com certeza dar-lhe esperança e alegria para seguir em frente. “A Menina dos Ossos de Cristal” (Guerra e Paz) é o seu inspirador testemunho de vida, que agora quer partilhar com os seus leitores.
 
Estivemos com a autora na última edição da Feira do Livro de Lisboa e, agora com mais tempo, pudemos ficar a conhecê-la melhor! Vamos ver o que Ana Simão disse ao FLAMES...
 
 
Filme favorito: "O Menino do Pijama às Riscas" e “A Casa dos Espíritos”
Livro favorito: Tenho vários livros favoritos. Posso dizer que a minha autora favorita é a Isabel Allende
Anime favorito: Não tenho
Manga favorito: Não tenho
Entretenimento/Evento/Espetáculos favorito: Festa Gosto muito dos musicais do La Féria, dos espectáculos do Nilton e há pouco fui ver uma peça de que gostei muito – “Vamos lá então perceber as mulheres… mas só um bocadinho”. 
Série de televisão favorita: Anatomia de Grey
 
 
Esta sua obra, “A Menina dos Ossos de Cristal”, aborda um assunto muito delicado para si. Escrever este livro funcionou, entre outras coisas, como uma espécie de catarse para a Ana?
Há cerca de três anos tive um grave acidente que piorou bastante o meu estado de saúde. Comecei a escrever como uma terapia e fez-me bem, pois consegui passar para o papel o que não conseguia verbalizar com ninguém. Só mais tarde a ideia do livro começou a ganhar a forma de um projeto sério. Enviei uma proposta para várias editoras e, felizmente, fui contactada por uma boa editora que mostrou todo o interesse em publicar a história da “Inês”, que é a protagonista do livro “A Menina dos Ossos de Cristal”.
 
Como tem sido a reacção dos seus leitores a esta sua tocante obra de estreia?
O retorno dos leitores tem sido maravilhoso, dizem-me que começam a ler e não conseguem parar e isso é um bom indicador. Não é um livro de lamentações nem de revolta. É um hino ao amor. As pessoas dizem-me que se revêm em muitos aspetos da Inês, que consegue perceber o quanto é feliz ao tomar um café. É um testemunho em que cada um de nós se pode rever, quer seja como doente, familiar, amigo, cuidador, profissional de saúde, voluntário ou, simplesmente, como um cidadão observador atento da sociedade. A vivência marcante no meio hospitalar levam a “A Menina dos Ossos de Cristal” a descobrir a felicidade nas coisas mais simples e banais e ensinam-lhe muito sobre a finitude, a fragilidade, a sobrevivência e a vulnerabilidade humana.
 
Acha que Portugal é um país preparado para os cidadãos portadores de doenças raras? Considera que ainda há muito a fazer para que estes possam desfrutar dos mesmos direitos e oportunidades que os demais portugueses?
Sim, ainda há muito por fazer. Espero que este livro seja o grito de todos os que sofrem desta doença. Existem entre 6.000 a 8.000 doenças raras. Estima-se cerca de 40 milhões de pessoas na Europa sejam afetadas por elas. Todas as semanas, são descobertas novas doenças raras. Em média, entre 5 a 6% da população portuguesa poderá vir a sofrer de uma doença desta tipologia. Perante isto, o livro «A Menina dos Ossos de Cristal» é uma gota de água no oceano, mas espero que sirva para uma maior consciencialização das dificuldades sentidas.
 
De que forma podemos todos nós apoiar a Associação Portuguesa de Osteogénese Imperfeita (APOI) e outras associações de apoio a cidadãos com doenças raras?
Adquirindo este livro e ir passando a palavra. O livro tem como ponto de partida uma doença rara que serve de elo de ligação para abordar tudo o que nos rodeia. É uma abordagem sociológica e, como tal, portador de uma mensagem estrondosa que deveria chegar a todos, para que o raro se torne cada vez menos raro.
 
O “bichinho” da escrita veio para ficar ou não pensa voltar a escrever mais nenhum livro? Decididamente veio para ficar. Não consigo estar um dia sem escrever. Atualmente, já estou a trabalhar num projeto novo mas muito familiar. Estou a escrever o Livro de Memórias da Família. Foi um pedido muito especial e será também uma prenda muito especial. Penso ter uma surpresa para os leitores, talvez para o final do próximo ano.
 
 
Ajudem a "menina" a crescer:
 
 
Muito obrigada Ana pela disponibilidade e simpatia!

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