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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

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Livro: Salomé



Título Original: Salome
Ano de Edição: 2002
Género: Drama
Autor: Oscar Wilde


* Por Mariana Oliveira *


Li em 2013 uma colectânea de contos de Oscar Wilde que me arrebatou por completo. Refiro-me ao livro “Histórias à volta da mesa”. A partir daí, fiquei com vontade de voltar ao famoso autor, contudo só este ano é que a oportunidade se proporcionou, desta feita com um tipo de literatura que não costumo ler com muita frequência apesar de ser um género que me agrada muito: teatro.


Sinopse:
“Inspirado numa passagem bíblica, Oscar Wilde relata uma festa celebrada no palácio do tetrarca Herodes Antipas. É durante essa festa que Salomé se perde de amores por um profeta que era mantido preso por Herodes e partir daí fará tudo o que estiver ao seu alcance para tê-lo só para si.”


Opinião:
O primeiro aspecto que salta à vista no início desta leitura é o teor erótico do livro. Não me admira que tenha sido tão polémico na altura em que publicado, corria o ano de 1891. Não me refiro a acções eróticas por parte das personagens, falo antes daquilo que elas falam: Salomé é uma jovem impulsiva e sedutora que não desiste dos seus intentos com facilidade.
Todos os diálogos são dramatizados, sendo que a maioria das personagens leva as suas emoções ao extremo, sejam elas quais foram: paixão, desejo, medo, entre outras.
A tensão é evidente desde o início do livro e o leitor cedo percebe que algo de trágico mais cedo ou mais tarde irá acontecer. É precisamente essa a alavanca que nos impele para uma leitura rápida na ânsia de chegar ao desfecho desta história. 

Sendo baseado na história bíblica, não posso dizer que o final do livro me tenha surpreendido, mas não deixou de ser interessante ler esta história recontada por Oscar Wilde e dei por mim curiosa com o desfecho que o autor iria dar-lhe.

Contudo, em alguns momentos senti que os diálogos eram um pouco repetidos, como se as personagens estivessem a dizer o mesmo através de outras palavras. Claro que ver isto a ser interpretado num palco teria um impacto diferente e estas ideias supostamente repetidas iriam reforçar a intenção das personagens se bem representadas.

Compreendo que este não será um livro que agradará a todos os leitores visto o seu tema e o tom erótico que é evidente durante toda a leitura. No entanto, recomendo-o aos fãs do autor que queiram ficar a conhecer mais um trabalho de Oscar Wilde.   

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

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Livro: Uma Vida Alemã




Título Original: Ein Deutsches Leben
Ano de Edição: 2017
Género: Biográfico, Histórico
Autores: Brunhilde Pomsel e Thore D. Hansen
Editora: Objectiva


* Mariana Oliveira *




Há alguns anos tive a oportunidade de ler um livro que nos apresenta a perspectiva na primeira pessoa de alguém que seguiu de perto os passos de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Essa obra, com o título “Até ao Fim”, apresentou-me um ponto de vista completamente diferente de um dos momentos mais sombrios da História recente do nosso planeta através das palavras de Traudl Junge, uma das últimas secretárias pessoais de Hitler.
A experiência foi de tal forma interessante que assim que tive a oportunidade de voltar a viajar até essa época através do relato fiel de um dos intervenientes que trabalhava para o governo alemão não hesitei!


Sinopse:
"Neste livro ficamos a conhecer o relato de Brunhilde Pomsel, antiga secretária de Joseph Goebbels – o homem responsável pelo Ministério da Propaganda de Adolf Hitler. Ao longo destas páginas acompanhamos a falta de interesse de Brunhilde face à ascensão dos nacional-socialistas e das suas próprias aspirações em tempos de decadência social e moral – de que o aparelho nazi foi o expoente máximo. Thore D. Hansen organiza e regista, neste excepcional documento, as memórias desta alemã traçando um impressionante paralelo entre aquela época e os dias de hoje. Assim, este livro constitui sem qualquer margem para dúvidas uma chamada de atenção para a geração actual.”


Opinião:
Este livro despertou em mim alguns dos meus medos mais profundos. Enquanto a leitura de “Até ao Fim” se centrava fundamentalmente naquilo que aconteceu, “Uma Vida Alemã” faz um paralelo entre a década de 30 do anterior século e os dias de hoje. É assustadora a quantidade de semelhanças e não podemos ficar indiferentes à possibilidade de que algo semelhante àquilo que aconteceu na Segunda Guerra Mundial possa vir a acontecer na nossa geração ou nas gerações vindouras. Por vezes é muito fácil cairmos na tentação de achar que somos muito mais evoluídos e que nunca iríamos cometer tal erro mas se analisarmos os dias de Brunhilde Pomsel e os nossos dias vamos encontrar vários pontos em comum entre os jovens e adultos daquela época e nós próprios. Na última porção do livro Thore D. Hansen faz essa comparação e alerta-nos para que abramos os olhos e alteremos o rumo dos acontecimentos. Será que ainda vamos a tempo? É isso que o autor questiona e é precisamente isso que me assusta. Quero acreditar que sim e que o Ser Humano não voltará a repetir os mesmos erros.


Relativamente ao relato de Brunhilde propriamente dito, não consegui ter uma opinião consensual. Se por um lado gostei de ter ficado a saber mais sobre o famoso Ministério da Propaganda dos nazis, o seu propósito, a forma como funcionava e quem foram as principais figuras que estiveram na sua liderança, por outro lado não consegui sentir empatia com Brunhilde Pomsel.
Sei que é muito fácil criticarmos alguém quando estamos de fora e não fazemos a mínima ideia do que seria viver na pele tais acontecimentos, contudo a forma quase distante como ela falava dos factos surpreendeu-me. 


Desde o início percebemos que Brunhilde Pomsel era alguém bastante fútil nos seus anos de juventude, a própria faz questão de afirmá-lo várias vezes ao longo do livro, e tal fez com que procurasse um conforto financeiro e continuar com a sua vida o mais normalmente possível numa altura em que milhares de judeus eram levados para campos de concentração.
Sei que na altura a informação não chegava até às pessoas como chega hoje, mas ela trabalhou durante anos no Ministério da Propaganda e passaram pelas suas mãos documentos ultra secretos. Segundo a mesma, nunca leu nenhum deles, cumprindo simplesmente a sua função. Mas fez isto numa altura em que até conhecidos e amigos seus judeus tinham desaparecido?! A preocupação dela numa altura em que milhares de pessoas fugiam do país ou simplesmente eram levadas à força consistia em fazer convenientemente o seu trabalho e ganhar o seu salário ao fim do mês?!
Se isto não bastasse para me deixar estupefacta, a forma como Brunhilde muitos anos mais tarde, quando já era centenária, de certa forma “sacudiu a água do capote” como se não tivesse tido absolutamente nada a ver com o assunto deixou-me completamente, desculpem-me a expressão, aparvalhada. No caso de Traudl Junge, a mesma confessou que na altura não tinha noção da gravidade daquilo que estava a fazer mas tal não impediu que, anos mais tarde, quando ficou a par das atrocidades que tinham sido cometidas não sentisse uma terrível culpa. Afinal de contas, tinha contribuído, ainda que sem o saber na altura, para que um dos momentos mais negros da nossa História tivesse acontecido.
Confesso que fiquei sem perceber bem a atitude de Brunhilde Pomsel, não sei se será algum mecanismo de defesa a que a mesma recorreu para conseguir viver os seus 106 anos em relativa paz consigo mesma… talvez seja isso mesmo…


De qualquer forma, a oportunidade que esta obra nos dá para aprender ainda mais sobre essa terrível época e, acima de tudo, para evitar que algo de semelhante se venha a repetir torna-a numa leitura que recomendo a todos os leitores. Nunca é demais estarmos informados e evitar os erros do passado.

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