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quarta-feira, 18 de março de 2020

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135ª Entrevista do FLAMES + O teu FLAMES num ano: João Rogaciano


Em 2016/2017 criámos no FLAMES a rúbrica: O teu FLAMES num ano 2016

Este ano vamos recomeçar uma nova O teu FLAMES num ano 2019

Espero que gostem!


JOÃO ROGACIANO

Bio do autor
João Rogaciano, nascido em 1966, é engenheiro electrotécnico. Adora ler e tem um gosto especial pela escrita. Participa, regularmente, em certames literários. Publicados em Portugal e no Brasil, os seus contos podem ser encontrados em revistas, fanzines e diversas antologias.

Como entrou para o mundo da escrita?
Entrei, timidamente, para o mundo da escrita em 2005, através da participação em concursos realizados pelas câmaras municipais e juntas de freguesia do nosso país; e também através de participação em colectâneas de contos no Brasil e em Portugal.

Em 2010, a editora “Saída de Emergência” lança a versão portuguesa do “Almanaque do Dr Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas”, a qual continha um anexo designado “Compêndio Médico de Doenças Notáveis e Invulgares do Dr Anófeles Calamar Trindade”. Os contos desse compêndio foram objecto de concurso e de uma selecção por parte do editor, o João Seixas, tendo o meu conto “Síndroma de Super-Homem” sido escolhido para nele constar.

Deu-se o boom! A partir daí, para além dos concursos das autarquias, participei em inúmeras antologias no Brasil e numa antologia de autores portugueses, produzida por uma editora brasileira.

Em Portugal, a minha mais recente contribuição foi o conto “Uma conspiração perigosa” publicado na antologia “Winepunk – ano 1 - a guerra das pipas”. É o meu segundo trabalho publicado pela Editorial Divergência.

Quem foram os escritores que o influenciaram?
Entre outros, e sem ordem de importância: Conan Doyle; Agatha Christie; Jack London; Louis Stevenson; Emilio Salgari; Ray Bradbury; Eça de Queirós; Enid Blyton; AA Fair; Edgar Rice Burroughs; Roald Dahl; Edgar Allen Poe; Lewis Carroll.

Como surgiu a ideia para escrever o seu livro?
Até ao presente, os meus contos foram publicados em colectâneas e em fanzines. Não possuo nenhum livro a solo, pelo que vou responder em relação à escrita dos contos.

Começo por ver se o tema da colectânea me desperta algum “tlintar” mental. Depois, vou imaginando vários cenários / histórias à volta do tema proposto e deixo as ideias fluir. Estas vão amadurecendo, ou sendo eliminadas, até ficarem reduzidas a uma ou duas, dando origem a um conto, que será trabalhado a partir de então.

Quais foram as maiores dificuldades em transmitir as suas ideias para o papel? E o que foi mais fácil?
Depois de escrever um conto, deixo o mesmo a amadurecer “esquecido”, durante uma ou duas semanas. Depois, pego nele, e começo a rever todos os parágrafos. E, então, descubro inúmeros defeitos, que, no fulgor inicial, pareciam perfeitos. Assim, a maior dificuldade é saber qual o momento certo para parar de efectuar alterações, e enviar o texto para análise do editor.

Não há nenhuma situação que identifique como “a mais fácil”.

Qual/quais conselhos daria a um autor iniciante?
Ler, ler, ler, ler…

Escreva regularmente, a um ritmo em que se sinta bem consigo próprio.

Depois de um período de escrita intensivo, esqueça o manuscrito por uma ou duas semanas. E, depois, volte a lê-lo, e a proceder às inúmeras alterações que certamente terá de fazer.

Peça a um amigo, ou leitor beta, que seja verdadeiramente imparcial, para ler o seu texto e dar uma opinião sincera sobre o mesmo. Nada de pedir opinião aos pais (para eles, tudo o que escrevemos é uma maravilha, sempre!).

Tenha em atenção que, por muito bem que escreva, nem todos são obrigados a gostar.

Se o seu conto for publicado em algum fanzine, livro, blog, deve festejar e ficar radiante. Mas, não demore muito a vestir o exosqueleto mais resistente que possua, e prepare-se para ser apedrejado, esquartejado, vituperado com desagradáveis epítetos… por ter tido a ousadia de publicar! Mesmo que o texto seja uma maravilha… As vozes que o criticarão, para o deitar abaixo, farão muito ruido! Mas, como na aldeia do Astérix, há um grupo de irredutíveis gauleses que se agradarão da publicação e celebrarão com parcimónia a sua publicação.

Não ligue absolutamente nenhuma às críticas destrutivas e/ou maldosas que publiquem sobre o seu conto. Despreze-as, ignore-as, e coloque-as no seu devido lugar: o lixo!

Atenda e entenda as críticas construtivas que lhe serão feitas. Utilize-as para melhorar, cada vez mais. Considere-as como um guia construtivo na sua carreira de escritor.

Fuja a sete pés daqueles que se arrogam como especialistas sobre determinado assunto ou sobre determinada área temática do fandom, e que usam essa pseudo-autoridade para deitar abaixo o trabalho dos outros.

Ligue-se aqueles que, tendo um longo e profícuo trabalho como autores e/ou em projectos em prol da ficção e do fandom, são as verdadeiras autoridades no assunto, e não se arrogam de especialistas, nem o deitam abaixo como autor iniciante! Luís Filipe Silva; Artur Coelho; Rogério Ribeiro; João Seixas; João Barreiros; João Ventura; Cristina Alves; Pedro Cipriano, são alguns dos elementos que prestigiam o fandom e que fazem valer a pena continuar a escrever e publicar.

Assista e frequente eventos relacionados com a sua área de escrita. O “Fórum Fantástico” é um excelente exemplo.

Não embarque na conversa de pseudo-editoras (vanitys), que só publicam o seu livro, ou o seu conto, se pagar para esse efeito.

O teu FLAMES num ano 2019

Filmes: “Avengers, end game”
Livros: “Winepunk – A guerra das Pipas”
Animes: ---
Mangas: ---
Eventos: Fórum Fantástico 2019
Séries: “Bancroft”; “Jack Taylor”
 




segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

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134ª Entrevista do FLAMES + O teu FLAMES num ano: João Ventura



Em 2016/2017 criámos no FLAMES a rúbrica: O teu FLAMES num ano 2016

Este ano vamos recomeçar uma nova O teu FLAMES num ano 2019

Espero que gostem!

João Ventura


Bio do autor
João Ventura foi desde muito cedo um leitor omnívoro, percorrendo no Verão a Biblioteca Municipal de Elvas, de onde é natural, à razão de um livro por dia (incluindo tijolos com 500 páginas).
O primeiro choque com o formato conto aconteceu-lhe com “Fuga” de John Steinbeck. Ainda hoje se lembra do sentimento de descoberta!


O primeiro livro de ficção científica que leu foi “O Cérebro de Donovan” (Curt Siodmak, nº 13 da Colecção Argonauta). Um conto de FC que o marcou foi “Flores para Algernon” (Daniel Keyes), incluído no mítico nº 100 da mesma colecção.

Chegou ao fantástico pela “Auto-estrada do Sul”, de Júlio Cortázar e visitando “As ruínas circulares” de Jorge Luís Borges. Encontrou Ítalo Calvino na adolescência, no “Atalho dos ninhos de aranha”, perdeu-o depois e reencontrou-o muito mais tarde em “As cidades invisíveis” e noutros livros. Continua devoto desta Fantástica Trindade.

Atribui a responsabilidade pelo contágio do vírus da escrita à Dra. Odete Taborda, sua professora de português no secundário, cujos TPCs incluíam sempre uma composição (mínimo 8 linhas) sobre um assunto qualquer de que ela se lembrava ao tocar da campainha. Cinco por semana durante um ano lectivo! Cada cura tem sido (felizmente) sempre seguida de uma recaída.

Não acredita em horóscopos.

João Ventura gosta de escrever microcontos, mas às vezes saem-lhe estórias um pouco maiores… O que tem escrito está na Web, em algumas antologias e na colectânea “Tudo Isto Existe” (Editorial Divergência, 2018).

Como entrou para o mundo da escrita?
Enviando contos para concursos. Depois conheci o pessoal ligado à Ficção Científica e Fantástico, foi a fase dos fanzines, das revistas de vida efémera, das antologias…

Quem foram os escritores que o influenciaram?
Costumo citar muitas vezes a “Fantástica Trindade”: Jorge Luís Borges, Ítalo Calvino, Julio Cortázar. E o humor é um pouco na linha de Mário Henrique-Leiria.

Como surgiu a ideia para escrever o seu livro?
O livro (“Tudo isto existe”) é uma colectânea de contos, logo não houve uma “ideia” para o escrever. Cada um dos contos sim, nasce a partir de uma ideia, uma imagem, um fragmento de conversa…

Quais foram as maiores dificuldades em transmitir as suas ideias para o papel? E o que foi mais fácil?
Surgindo uma semente, que como disse acima pode ser uma palavra ou frase, uma fotografia, qualquer coisa, é deixar a semente germinar. O desenvolvimento de uma estória tem algo de orgânico, vai surgindo aos bocados, não é difícil, às vezes pode ser lento. A primeira versão, na maior parte dos casos, é escrita à mão, em papel. Em “modo escrita”, com o “modo revisão” desligado. Se não, não se consegue avançar, porque a cada palavra que se escreve surgem dúvidas sobre se será a mais adequada. Depois transcrevo para o computador. Se for um texto pequeno uso o Word, se for algo maior ou mais complexo uso o Scrivener. Ao transcrever já vou revendo. Depois imprimo, a dois espaços, e faço a revisão no papel. Risco, insiro texto, troco blocos de texto de posição… Quando a página começa a ficar demasiado riscada, passo as correcções para o computador. Nova impressão e nova leitura… O processo repete-se até ficar satisfeito com o resultado.

Qual/quais conselhos daria a um autor iniciante?
1. Ler
2. Ler muito
3. Ler de tudo
4. Escrever (começar com contos).
5. Corrigir
6. Reescrever
7. Já disse ler muito?
8. Participar em oficinas de escrita
9. Enviar contos para concursos e antologias que abram submissões

O teu FLAMES num ano 2019

Filmes
A Herdade – Tiago Guedes
Dor e glória - Almodovar
Parasitas - Bong Joon-ho
Um Dia de Chuva em Nova Iorque – Woody Allen

Livros
Catch-22 (Joseph Heller)
A Estalagem Volante (G. K. Chesterton)
La Belle Sauvage (The Book of Dust, vol 1, Philip Pulman)
A Steampunk Christmas Carol (Stephen Hunt/Charles Dickens)
Moving Mars (Greg Bear)
Babel-17 (Samuel R. Delany)
Fifty-One Tales (Lord Dunsany)
Unpublished Stories (Frank Herbert)

Animes
Mangas

Eventos
Festival de Teatro de Almada (Julho, Almada)
Festival Vapor (Setembro, Entroncamento)
Fórum Fantástico (Outubro, Lisboa)

Séries
A Guerra dos Tronos
Chernobyl
Watchmen
Mundos Paralelos
The Witcher (a ver)

Post elaborado em colaboração com: 

domingo, 19 de janeiro de 2020

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133ª Entrevista do FLAMES + O teu FLAMES num ano: Carlos Silva


Em 2016/2017 criámos no FLAMES a rúbrica: O teu FLAMES num ano 2016

Este ano vamos recomeçar uma nova O teu FLAMES num ano 2019

Espero que gostem!

Carlos Silva


Bio do autor

Carlos Eduardo Silva gosta de contar histórias. Já publicou contos em Portugal e no Brasil e participou/organizou mais de muitos projectos ligados à ficção especulativa, sendo um dos que mais se orgulha a Imaginauta, do qual é co-fundador.

Como entrou para o mundo da escrita?
Escrevo histórias desde que sei escrever e nunca mais parei desde aí. A primeira vez que escrevi para um público de "desconhecidos" foi nos Jogos Florais na minha escola, no 9° ano. Fiquei-me por uma menção honrosa.

Mais tarde comecei a participar com contos em revistas e jornais, aprendendo imenso com as críticas em cada nega de publicação que levei. O meu primeiro conto numa editora foi na antologia Lisboa no Ano 2000, da Saída de Emergência.

O meu primeiro romance publicado (outros estão na gaveta ou não finalizados) é o Anjos, pela editorial Divergência. Pelo meio, tive a felicidade de experimentar outros meios como o guião para um spot publicitário do MotelX e a Banda-desenhada com a biografia "Rafael Bordalo Pinheiro - Uma vida em desenhos"

Entretanto, animado pela necessidade de mais editoras de ficção especulativa fundei a Editora Imaginauta e agora, não só continuo a escrever, como promovo a literatura e publico obras de outros.

Quem foram os escritores que o influenciaram?
Não querendo fugir à pergunta, todos os escritores que li me influenciaram. Sim, até os maus escritores, ao ensinar-me o que não fazer. Há livros que guardo no coração. Por exemplo, quando era adolescente a leitura do Um Homem com um Garfo numa Terra de Sopas foi surpreende. O Lunário, de Al Berto, o Mr. Norrel & Johnathan Strange da Susanna Clarke, o City of Saints and Madmen e a trilogia da Área X do Jeff Vandermeer...e outros tantos e tantos que sei que me estou a esquecer. Olha, por exemplo o Neil Gaiman! Ou o Grant Morrison, como me pude esquecer dele! Bem, é melhor passar à pergunta seguinte.

Como surgiu a ideia para escrever o seu livro?
A minha cabeça está sempre cheia de ideias. Um turbilhão constante que traga as experiências do dia a dia, os livros que leio, as conversas que tenho e as mescla numa massa amorfa fértil de sede de sentido. E quando chega a altura, começam a aparecer fragmentos de ideias. Normalmente, escrevo numa lista que guardo no telemóvel, mas é uma preocupação fútil, porque quando invento uma história, ela normalmente só se vai embora quando a escrevo.

Quais foram as maiores dificuldades em transmitir as suas ideias para o papel? E o que foi mais fácil?
O mais difícil é fazê-lo bem. Porque escrever é comprometermo-nos. Deixa de ser a ideia perfeita e passa a ser a realidade, que tem sempre arestas por limar. É superar o crítico interior e manter a motivação, dia após dia. Por vezes, o melhor mesmo é desistir, deixar de lado e ir escrever outra coisa e voltar mais tarde. 

Ter pessoas que gostaram do que escrevi, ler um bom livro, ir a um evento interessante, estar com outros escritores, tudo isto torna a escrita mais fácil, tanto pelo lado da motivação, como pelo lado de formar ideias novas, que empurram as "velhas" para fora.

Qual/quais conselhos daria a um autor iniciante?
Lê. Lê muito. Depois disso, lê mais. 
O outro conselho seria: aceita as críticas. Todas as negas são convites a melhorar. Um escritor está sempre demasiado próximo da sua obra para ter uma opinião isenta sobre a mesma.
Por fim, coisas acabadas são sempre melhores do que ideias por escrever.

O teu FLAMES num ano 2019


Filmes: Mother
Livros: The City and the City
Animes: Yakitate!! Japan (por vezes uma pessoa só quer é mesmo rir um bocado)
Mangas: este ano não li nenhum Manga
Eventos: Festival Contacto 2019
Séries: Expanse

Onde encontrar o trabalho do autor? Aqui: 





Post feito em colaboração com: 


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

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132ª Entrevista do FLAMES + O teu FLAMES num ano: Joel Puga



Em 2016/2017 criámos no FLAMES a rúbrica: O teu FLAMES num ano 2016

Este ano vamos recomeçar uma nova O teu FLAMES num ano 2019

Espero que gostem!


Joel Puga



Bio do autor:
Licenciado em Engenharia de Sistemas e Informática pela Universidade do Minho, traduzido em espanhol, tem vários contos publicados em antologias e revistas da área da ficção especulativa.

Como entrou para o mundo da escrita?
Por influência dos meus pais, comecei a ler livros muito novo, sobretudo livros de ficção cientifica e aventura, embora também alguns de não ficção. O desejo de escrever histórias surgiu pouco depois, e logo comecei a escrever contos (originais e fanfic, embora, na altura, não soubesse que estes últimos se chamavam assim) que lia, oferecia e até vendia a familiares, amigos e professores.

Quem foram os escritores que o influenciaram?
Penso que autor que mais me influenciou terá sido Jules Verne. O meu pai era um grande fã das suas obras e entusiasmou-me a lê-lo quando eu era ainda muito novo. Penso que a minha paixão pela literatura de aventura e de FC (e, de certa forma, pela ficção especulativa em geral) começou aí.

De resto, posso nomear os que serão, decerto, os suspeitos do costume para quem escreve nos géneros que eu escrevo: J.R.R. Tolkien, Isaac Azimov, Chris Claremont, Glen Cook, George R.R. Martin, Arthur Conan Doyle, H. P. Lovecraft, Dan Abnett, entre muitos outros.

Como surgiu a ideia para escrever o seu livro?
Eu tenho vários contos espalhados por diversas antologias e zines. O único romance que escrevi foi uma obra auto publicada. Porém, hoje em dia tenho-me concentrado numa revista auto publicada intitulada "As Viagens do Feiticeiro", cujos números 0 e 1 já se encontram disponíveis. A ideia surgiu da minha "necessidade" de escrever contos, mas, também, romances e de explorar vários géneros diferentes ao mesmo tempo.

Escrever um romance e trabalhá-lo até eu ficar satisfeito com ele é um processo demorado (mais ainda porque eu traduzo tudo o que escrevo para inglês e espanhol) e dava por mim muitas vezes a querer escrever algo mais curto ou explorar outro género. Por outro lado, quando escrevia contos, sentia por vezes a falta das possibilidades de uma obra maior, assim como uma voz interior que me dizia que devia estar a trabalhar em romances, pois isso é o que o público quer.

O formato revista permite-me resolver todas esta questões. Posso escrever desde contos isolados e contos soltos num universo partilhado, a noveletas divididas por dois ou três números e romances serializados em nove ou dez. Posso escrever em qualquer um dos géneros que me apaixona. E tudo sob um mesmo título.

Quais foram as maiores dificuldades em transmitir as suas ideias para o papel? E o que foi mais fácil?
Para ser honesto, nunca senti especial dificuldade. É preciso ter consciência que a escrita é algo que requer tempo e dedicação. Assim que aceitamos isso, começamos a criar um rotina em volta da escrita e, mais cedo ao mais tarde, temos uma obra terminada.

Qual/quais conselhos daria a um autor iniciante?
Para ser honesto, ainda me vejo como um iniciante. Acho que o melhor conselho que posso dar é que escrevam e publiquem e/ou enviem para editoras. Nunca antes foi tão fácil auto publicar e chegar a uma audiência. Também acho que nunca antes houve tantas editoras, de todos os tamanhos, em busca de material para publicar. Tentem, sem medo.

O teu FLAMES num ano 2019

No geral, não sou das pessoas que se mantém mais atualizado, porém, aqui vai a lista do que mais gostei este ano.

Filmes: 2019 não foi um dos anos em que mais visitei uma sala de cinema. Ainda assim, tive a oportunidade de ver filmes como Avengers: End Game e Joker. E, claro, Star Wars: Rise of Skywalker.

Livros: Eu tenho tendência de ler (ou reler) várias coisas ao mesmo tempo. Como tal, este ano (re)li desde romances de Glen Cook e R.A. Salvatore, a livros de história, ciência política e engenharia, passando por contos de Lovecraft e de Isaac Asimov.

Animes: Este ano tive a oportunidade de ver o já clássico Full Metal Alchmist: Brotherhood e devo dizer que o hype é mais do que merecido.

Mangas: Tenho colecionado os vários números de Berserk, infelizmente, ainda não consegui começar a ler a saga.

Eventos: Este ano só tive a oportunidade de ir a dois eventos, a Invicta Con (convenção de jogos de tabuleiro do Porto) e ao Aonime (pequena convenção sobre a cultura pop, especialmente cultura oriental, em Braga)

Séries: Este foi dos anos em que vi mais séries. Não me consigo lembrar de todas, mas as que mais se destacaram foram, sem dúvida, Stranger Things e Star Trek: Discovery

Onde encontrar o trabalho do autor? Aqui: 


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

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132ª Entrevista do FLAMES + O teu FLAMES num ano: João Barreiros


Em 2016/2017 criámos no FLAMES a rúbrica: O teu FLAMES num ano 2016

Este ano vamos recomeçar uma nova O teu FLAMES num ano 2019

Espero que gostem!

João Barreiros



Bio do autor:
Licenciado em Filosofia e docente durante muitos anos, é geralmente considerado o melhor escritor de Ficção cientifica Portuguesa, estando traduzido em várias línguas. Acumula e acumulou a escrita com actividades várias, como a direcção de colecções de ficção especulativa (na Gradiva e Clássica) ou a participação no Grande Ciclo do Filme de FC de 1984 patrocinado pela Cinemateca Portuguesa e Fundação Gulbenkian.

Como entrou para o mundo da escrita?
Sempre escrevi. Desde miúdo. Escrevi aquele tipo de coisas que, hoje em dia, mais vale esquecer e que nunca serão reveladas. Ganhei, durante os anos da bota, uns dois ou três prémios que me convenceram, na minha juvenil inocência, que afinal até conseguia escrever qualquer coisa.
Por fim consegui publicar um conto meu, “O caçador de Brinquedos”, na extinta OMNIA. E participar na elaboração do Grande Festival do Filme de Fc na Cinemateca Portuguesa. Daí passei a fazer crítica literária no jornal Público. Sempre a arrasar, discretamente, todos os horrores que por cá se publicavam. Talvez para me calar, a Caminho resolveu publicar a minha primeira colectânea de contos, O CAÇADOR DE BRINQUEDOS E OUTRAS HISTÓRIAS. E, dois ou três anos mais tarde, o gigantesco TERRARIUM em colaboração com o Luís Filipe Silva.
E o resto é história...

Quem foram os escritores que o influenciaram?
Depende da era geológica em que os li.
Quanto tinha oito, nove anos, foi com certeza o H G Wells, com a MÁQUINA DO TEMPO.
Depois disso descobri o Salgari (AS MARAVILHAS DO ANO 2000)e o Burroughs ( Tarzan, of course).
Aí pelos 11 anos, apanhei os primeiros e únicos exemplares que havia lá em casa da colecção Argonauta e, não fossem os censores familiares começarem na habitual senda de protestos, li-os noite alta, em segredo:
ESTAÇÃO DE TRÂNSITO do Simak
O HOMEM DEMOLIDO do Bester
MISSÃO INTERPLANETÁRIA do Van Vogt
Todos os livros do Stefan Wul, claro.
E, ainda mais às escondidas do que qualquer outro, o AMIRÁVEL MUNDO NOVO, 1984, JUSTIÇA FACIAL
Aos 14 li de uma ponta à outra o DESPERTAR DOS MÁGICOS do Pauwels e do Bergier. A leitura do livro e das suas múltiplas referências levou-me a procurar o Lovecraft e outros autores malditos.

Como surgiu a ideia para escrever o seu livro?
Em todos os casos desde o Caçador ao Terrarium quis tentar fazer qualquer coisa que nunca antes tivesse sido feita por cá. Não procurar imitar os autores lidos, mas sim tentar subverter o género. Criar voz própria.

Quais foram as maiores dificuldades em transmitir as suas ideias para o papel? E o que foi mais fácil?
No momento em que somos possuídos pelas musas, as dificuldades desaparecem. Basta começar a enegrecer a página. Maior problema? A primeira linha. Preencher o vazio.

Qual/quais conselhos daria a um autor iniciante?
Tentar, deitar fora, tentar de novo até que dê certo.


O teu FLAMES num ano 2019

Filmes: Dr. Strangelove, Forbidden Planet
Livros: Alastair Reynolds, Peter F. Hamilton, Ian M. Banks, Paul McAuley, Dan Simmons, James Tiptree, etc, etc
Animes: Akira, Ghost in the Shell
Mangas: Nausicaa, tudo o que venha do Otomo.
Eventos: Fórum Fantástico
Séries: The Expanse, Years and Years, the Boys

Algumas obras do autor:






segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

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131ª Entrevista do FLAMES + O teu FLAMES num ano: Bruno Martins Soares


Em 2016/2017 criámos no FLAMES a rúbrica: O teu FLAMES num ano 2016

Este ano vamos recomeçar uma nova O teu FLAMES num ano 2019

Espero que gostem!


Bruno Martins Soares


Bio do autor

Escritor, argumentista, dramaturgo e publicitário, Bruno Martins Soares ganhou o Prémio Nacional de Jovens Criadores na vertente de Literatura, tendo representado Portugal na Feira de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo em Turim em 1997, onde o seu conto “Mindsweeper” foi publicado em italiano. Após vários contos e textos publicados em várias colectâneas e publicações de referência, a trilogia de FC/Fantasia “A Saga de Alex 9” foi lançada pelas mãos da editora Saída de Emergência a partir de 2009. Entretanto, já publicou vários outros livros e contos, tanto em Português como em Inglês, incluindo os romances de FC “The Dark Sea War Chronicles” (agora adaptados para Português) e “Laura and the Shadow King”, cuja versão portuguesa será editada em 2020.

Em 2013, co-escreveu e co-produziu a longa-metragem “Regret”, da produtora Castaway Entertainment com distribuição nos EUA e Canadá. Entre 2015 e 2017, escreveu e co-produziu a curta-metragem “Desvio”, Award of Merit da Best Shorts Competition, para além de três outras curtas-metragens e dois pilotos para televisão. A sua peça “O Papel” foi também encenada pela produtora This Is That.

Como jornalista, escreveu para o Diário de Notícias e para a Ideias & Negócios e foi correspondente em Portugal da Jane’s Defence Weekly, a maior revista do mundo de defesa militar. Também colaborou com The Washington Post.

Como entrou para o mundo da escrita? 

Escrevo ficção desde os meus 12 anos. Vagueei sem nexo em romances inacabados até ter chegado à praia paradisíaca dos contos, hehe. Nunca mais parei de escrever. Em 1994 concorri ao Concurso Nacional Jovens Criadores e ganhei uma menção honrosa. Em 1996 voltei a concorrer e ganhei – fui representar Portugal na Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo em Turim 1997. Depois tive um período de transição difícil de volta aos romances. Foi em 2008 que publiquei finalmente o primeiro volume de A SAGA DE ALEX 9 pelas mãos da Saída de Emergência, uma trilogia que teve bastante sucesso. Entretanto já publiquei A BATALHA DA ESCURIDÃO, outra trilogia de Ficção Científica, desta vez pelas mãos da Editorial Divergência, e estou a escrever mais uma saga neste momento, LAURA E O REI DAS SOMBRAS, que vai sair para o ano. 

Quem foram os escritores que o influenciaram? 

Sofri muitas influências, tanto a nível de estrutura narrativa como de estilo. Virginia Woolf, Boris Vian, Marguerite Duras são referências. Mas também fui muito influenciado por Frank Herbert, por exemplo, e outro tipo de autores como Louis L’Amour, Mickey Spillane, Robert Ludlum e Alistair McLean. Noutra lógica, falaria de Frank Miller e Kazuo Koike, mas esta é uma conversa muito longa. 

Como surgiu a ideia para escrever o seu livro? 

É relativamente difícil de identificar exactamente de onde vêm as minhas ideias. Elas demoram a aparecer e desenvolvem-se ao longo de anos. O meu último romance, A BATALHA DA ESCURIDÃO, é uma espécie de Batalha do Atlântico da Segunda Guerra Mundial mas no Espaço e noutro sistema solar. Também tem referências às guerras napoleónicas, por exemplo, e a romances de espionagem. 

Quais foram as maiores dificuldades em transmitir as suas ideias para o papel? E o que foi mais fácil? 

Ui! Esta é outra longa conversa. Não te esqueças de que escrevo ficção há 35 anos! Quando comecei, a dificuldade era o estilo, a escrita das cenas, a capacidade de imprimir as emoções certas e os argumentos certos em cada cena. Hoje, isso já me surge como uma segunda natureza. Com a experiência que tenho, sinto que neste momento a dificuldade principal é a estrutura narrativa e a construção da cena: determinar que acções vão ocorrer em que cena. 

Qual/quais conselhos daria a um autor iniciante? 

Falhar. Falhar muito. Falhar muitas vezes. Só raros iluminados começam por escrever uma obra-prima. A grande maioria dos escritores escreve muita porcaria antes de conseguir escrever algo de jeito. Assim, eis um conselho: não tenham medo de falhar. Escrevam e escrevam e escrevam. 


O teu FLAMES num ano 2019


Filmes: Joker
Livros: The Blood of Elves
Animes: Inuyashiki
Mangas: (Não li mangas este ano, mas assinalo a morte de Kazuo Koike) Samurai Executioner
Eventos: Fórum Fantástico 2019
Séries: Chernobyl

Algumas obras do autor: 


segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

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130ª Entrevista do FLAMES + O teu FLAMES num ano: Michel Alex


Em 2016/2017 criámos no FLAMES a rúbrica: O teu FLAMES num ano 2016

Este ano vamos recomeçar uma nova O teu FLAMES num ano 2019

Espero que gostem! 

Michel Alex



Bio do autor

No underground boémio de Paris e com a vida dividida entre grupos Bikers, o Nouveau Cirque e o Cabaret, Michel Alex começou a escrever esta colecção em 1988 atormentado pela terrível febre Post Punk Industrial. O que ele não podia saber é que as suas personagens iriam passar da ficção para a realidade, como foi o caso dos Custom Circus que nasceram nesta saga e foram sugados cá para fora por este portal que tem sido para eles uma fonte inesgotável de inspiração e de revelações.

Mais informações sobre o autor podem ser consultadas neste link: https://www.customcircus.com/biomichel e para mais informações sobre o projecto Custom Circus: https://www.customcircus.com/

Entrevista

Como entrou para o mundo da escrita?

Desde muito cedo e por influencia musical. Os meus pais mergulharam-me em Rock’a’Billy e Cabaret, e a minha grande irmã em bandas Hippies, Folk, Psicadélicas ou Existencialistas. Mas a forma como se encaixavam as letras nas músicas fascinava-me e comecei a transcreve-las e inclusive comecei a fazer adaptações para músicas “naïves” que ia compondo. Por volta dos 16 anos abracei a causa Post Punk alternativa mas não renunciei ao DIY proto Punk; e nessa altura em Paris, o underground estava ao rubro e como também já tinha uma banda e outros projectos artísticos, comecei a escrever fanzines com conteúdos contra cultura bastante provocantes. Depois aderi ao Gótico e à sua negra poesia, de tal maneira que ia fazer declamações em live act com chapéu no chão à caça de moedas para o cemitério Pére Lachaise! Ah! Ah! Ah! Lembro-me desses tempos; o meu primeiro poema chamava-se “A Criança Beijando o Cadáver”… Bom, depois foi tudo muito rápido, e entrei mesmo de cabeça no submundo, também muito graças aos meus tios membros dos Hell’s Angels, e alguns artistas de rua e teatro de intervenção que eu acompanhava nessa altura; e quando dei por ela, em 1988 já tinha escrito “A Saga da Roda”, e a partir dai dezenas de músicas, peças para teatro, manifestos, etc.

Quem foram os escritores que o influenciaram?


Fui naturalmente muito influenciado pela BD Franco-Belga, mas no plano puramente literário “droguei-me” a fundo com Wells, Poe, Verne, Rielche, Wilde, Nietsche, Stanislavsky, Shaw, Brecht, Lorca, Bernanos, e tantos, tantos outros… cujos nomes já nem me lembro, mas os escritos sim.

Como surgiu a ideia para escrever o seu livro?

Fui “literalmente” obrigado pela minha consciência. Pois tinha mesmo esse chamamento; uma consciência de que estava a viver fortes momentos decisivos que iriam moldar a minha vida futura. Naqueles anos era tudo muito intenso e tinha plena noção que vivíamos histórias inacreditáveis a cada dia; e os desfechos de cada aventura real eram tão retorcidos, por vezes surreais ou perigosos, que era uma pena que não fossem registados para a posteridade em algum lado. Havia muita estrada, muito Rock, violência física e psicológica, drogas à mão de semear, álcool obrigatório, decadência generalizada, armas… e ainda por cima em pleno início do movimento Industrial e das raves que nessa altura só pertenciam aos domínios dos dark circuits muito ligados ao teatro de vanguarda. Adorávamos tudo o que fosse maquinaria vintage; construíamos as nossas choppers, os carros Custom e passávamos a vida ou agarrados a uma guitarra ou a uma máquina de soldar; e o resto era trabalhar em tudo o que aparecesse para pagar o nosso estilo de vida: Viagens, Aventura, Risco, Arte, Máquinas, Parties, Liberdade, Shows, Tattoos, e Carpe Diem. Foi um pouco de tudo isto que tentei salvaguardar no meu primeiro livro; e essa revolta constante do eterno nómada mantém-se fiel a ela própria nos livros seguintes, mesmo apesar de toda a filosofia Pós Apocalíptica e das suas grandes mensagens universais. 

Quais foram as maiores dificuldades em transmitir as suas ideias para o papel? E o que foi mais fácil?

Não tive dificuldades nesse sentido. Sempre me limitei a deixar escorrer a tinta para pequenos cadernos ou pedaços de papel que ia encontrando, e só depois para um teclado; escrever sai-me naturalmente da alma, do coração e das memórias; a parte mais difícil é depois arranjar tempo para juntar todas as passagens e passa-las a limpo num ficheiro.

Qual/quais conselhos daria a um autor iniciante?

Sacralizar acima de tudo uma mensagem central até ao ponto da explosão do “Já não aguento mais guardar isto cá dentro! Tenho de escrever! Partilhar! Que se lixe!”. E claro, viver o mais possível fora da nossa zona de conforto! Porque é ai que a verdadeira vida começa! Ou em alternativa, conviver muito com pessoas que o façam e garantir que seja gente genuina com experiências genuínas e não apenas indivíduos com nada mais do que cenário e teorias blá blá blá; pois um espécime autêntico de “vida” vem sempre acompanhado por um passado provado e resultados visíveis.

O teu FLAMES num ano 2019


Filmes: Só fui à première do “Mortal Engines”
Livros: Como estou a escrever um livro sobre teatro e espectáculo, baseado nos 30 anos que passei com vários projectos e artistas; para consolidar bem os conteúdos só tenho lido dramaturgias e bios. Ou seja tudo muito especializado na temática dos palcos, do showbiz e dos seus periféricos.
Animes: Zero
Mangas: Zero
Eventos: Imensos, mas sempre em trabalho!
Séries: Zero


Nota do autor: Oh!? Aqui nesta parte sou uma autêntica lástima, pois vejo zero Tv e niente de redes sociais. Como artista multidisciplinar profissional há imensos anos, o meu tempo como espectador ou leitor é do mais escasso que há. Imaginem um atleta de Decatlon… é mais ou menos assim; quando não estou a actuar para os Custom Circus (cerca de 60 espectáculos/ano), estou a compor e gravar os originais em estúdio, ou no sector das artes plásticas, a pintar, esculpir, preparar as instalações, as exposições e os tours; o resto que sobra é para ensaiar os números novos, treinar diariamente, encenar, viagens de repérage ou contratuais, manter a curadoria dos Nirvana Studios, e claro, escrever entre todos estes pequenos intervalos, sempre que o dia a dia com a minha linda família me permita.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

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129ª Entrevista do FLAMES: Moonspell (respostas por Fernando Ribeiro)


Moonspell 
(respostas por Fernando Ribeiro) 


Que artistas mais vos inspiram? 
Acho que são muitos para nomear todos mas eu consigo dar só uma mão cheia deles que fizeram mesmo a diferença para nós: BATHORY, CELTIC FROST, TYPE O NEGATIVE, ROOT, FIELDS OF THE NEPHILIM 

Há algum local onde gostariam muito de ainda vir a tocar? 
Temos algumas lacunas especialmente muita da Ásia e a Austrália mas, na verdade, acho que já tocámos em mais sítios do que alguma vez esperaríamos. Pessoalmente, gostaria de tocar no Irão com a Orquestra Nacional de Teerão, não sei porquê, tem-me passado isso pela cabeça. 

Lembram-se de alguma situação caricata que tenha ocorrido num concerto e que gostariam de partilhar? 
Tocar é estar sempre num arame, as coisas não são assim tão previsíveis ou nem tudo está sobre controlo. Tivemos cenas altamente caricatas, claro, quedas, desmaios, pregos e das melhores que me lembro ultimamente foi ver o Pedro Paixão fora dos teclados a ver a Alma Mater da plateia em S. Paulo e depois regressar ao palco mesmo a tempo da entrada de teclas. Foi esquisito. 

Já está em pré-venda uma edição muito especial e limitada do vosso concerto do Campo Pequeno em Lisboa. Depois de tantos anos enquanto banda, como vivem o lançamento de um novo trabalho? 
É um documento importante e todos estes lançamentos tem esse condão de resumir um pouco a nossa história, desta vez ao vivo, e fazer-nos pensar e ver como estamos ao vivo, o que podemos mudar, melhorar, pôr, tirar. Depois existem as recordações do dia de gravação que são imensas. Mas, na verdade, o momento vai ser receber a edição física já que muita gente trabalhou para aquele “objecto” ser fantástico, mas eu fico muito mais excitado com o processo de um novo disco para ser honesto. 

Depois de um Verão preenchido em Portugal, vão estar durante cerca de 2 meses em digressão internacional. Encontram diferenças entre atuar aqui e lá fora? 
Acho que a recepção aos Moonspell em Portugal está cada vez melhor e felizmente conseguimos sair, com bons resultados, do eixo Lisboa-Porto. Temos tocado noutras cidades e vilas e tenho gostado muito, e no processo muita gente tem também ficado mais interessada no Metal e na nossa banda. As tours lá fora são diferentes, muito diferentes, cada noite é um sítio. A próxima é nos EUA e é sempre uma incógnita, mas é para fazer com dedicação e divertirmo-nos um pouco também, já que não há outra hipótese na América senão rir e tentar a nossas sorte pela décima quinta vez ;) 

Ao longo da vossa carreira tiveram a oportunidade de pisar palcos com outras grandes bandas, como os Kiss. Existe alguma banda ou artista com a qual gostariam muito de poder vir a colaborar? 
Tantos. Uns serão mais prováveis, outros nem tanto, alguns já contámos com a sua colaboração. Pensámos no Peter Murphy para o Extinct mas o manager nunca nos respondeu, por exemplo. Assim de repente, talvez o Messiah Marcolin num tema. 

No livro do Ricardo S. Amorim, José Luís Peixoto conta como os Moonspell tiveram um papel importante na escrita dos seus livros. De que forma a literatura tem impacto no vosso processo de criação musical? 
É central à nossa criação todo esse aspecto literário. O José Luis foi o melhor exemplo, mas muita da nossa criação literária, que molda a nossa música, bebe muito de livros, poesia, ficção, não ficção. Continuo a ler muito e a ter sempre ideias por causa disso. 

Os Moonspell são uma banda incontornável no panorama nacional independentemente do género que se gostem. Sentem o peso dessa responsabilidade? 
Não. Pelo contrário, achamos que não temos o respeito da cena tanto quanto se calhar merecíamos. Não por questões musicais mas por outras, assim parece. O que é facto é que quase ninguém aprendeu nada com a nossa luta e conquistas. Por isso, não somos responsáveis por esta cena, apenas calhou estarmos nela mas nem ela se identifica connosco nem nós com ela, aliás como está no livro. 

O livro fez-vos reflectir sobre o passado e, tal como faz parte da banda, planear de alguma forma acções futuras? 
Sim. Penso que uma das maiores conquistas do Ricardo for ter a banda a ler e a sentir este livro, talvez como ninguém. Permite-nos ver a nossa própria história em zoom out, ver a grande fotografia e isso será sempre muito importante e estamos gratos por isso. É um manual para estar numa banda. 

Muito obrigada ao Fernando Ribeiro por esta extraordinária oportunidade. 



sábado, 28 de julho de 2018

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128ª Entrevista do FLAMES: Ricardo S. Amorim (autor português)


Ricardo S. Amorim
Foto de Joana Marçal Carriço, SFTD Radio

Os Moonspell dispensam qualquer tipo de apresentações sendo uma banda incontornável no panorama nacional. No entanto, existem tantas histórias interessantes que rodeiam a banda, e tanta coisa por descobrir… 
Para nos desvendar algumas delas, Ricardo S. Amorim escreveu “Lobos que foram homens” (opinião que podem espreitar aqui). 

A escrita deste livro foi assim a desculpa perfeita para falar quer com o autor quer com a banda. Nesta primeira parte mostramo-vos a entrevista com o autor. Ora espreitem.

No livro o Ricardo fala sobre o processo de criação do mesmo, ou seja, sobre como surgiu a ideia etc. Pode partilhar isso com os nossos seguidores? 
A ideia surgiu de uma forma bastante espontânea, conforme relato no próprio livro. Surgiu durante uma viagem de carrinha do Porto para Lisboa, em que vim de boleia com a banda, que já conheço pessoalmente há alguns anos e com a qual já tinha tido algumas interacções profissionais. Adicionalmente, partilho o nome e apelido com o guitarrista, e era algo frequente receber acidentalmente e-mails que lhe eram destinados, com informação confidencial. A reserva com que sempre os tratei, avisando os remetentes e eliminando os mesmos, levou a que também se criasse uma relação de confiança. 

Apresentado o convite pelo Fernando durante essa viagem, naturalmente que sustentado no apoio do resto da banda, aceitei de imediato e num muito curto espaço de tempo estávamos reunidos para discutir o projecto. Apresentámos a ideia à editora, a Saída de Emergência, que já antes tinha manifestado interesse (foram, até, os primeiros a ter esta ideia), que acolheu o projecto com muito entusiasmo, e comecei logo o processo de pesquisa e escrita do livro, que durou cerca de um ano. 

O Ricardo teve o cuidado de entrevistar membros mais antigos da banda. Estava à espera da abertura por parte de todos para contarem algumas das histórias? 
Confesso que não sabia bem o que esperar. Calculei que aceitassem conversar comigo, mas não sabia com que atitude ou abertura o fariam. Era essencial ao livro que a história deles, a sua visão sobre os acontecimentos, fosse contada. Caso contrário, o leitor teria apenas uma visão sobre os acontecimentos e não ficaria a conhecer os dois lados da história. Felizmente, todos aceitaram participar e com uma abertura que me surpreendeu muito positivamente. Houve problemas entre eles (por isso saíram da banda), e até acções judiciais, mas o tempo permitiu-lhes ter uma leitura mais distanciada e objectiva sobre o que se passou. Nunca houve apontar de dedos ou lavagem de roupa suja, houve, isso sim, uma reflexão de homens de 40 anos sobre acontecimentos de há 20 anos atrás, de uma banda que cresceu muito rapidamente e que se deparou com circunstâncias para as quais se calhar não estava preparada. Foi nesta banda que os miúdos se tornaram homens, e na estrada que se fizeram lobos. 

Tem imensa experiência em entrevistar músicos, havia um outro livro deste género que gostaria de escrever com outra banda? 
Tenho muitos projectos que gostaria de concretizar, uns que estarão ao meu alcance, outros obviamente que não. Gostaria de responder que agora ia para a estrada com o Nick Cave ou com os Nine Inch Nails para contar a história de vida do Trent Reznor, que é fascinante, mas isso não vai acontecer. Tenho planos para continuar a escrever, e acho que há histórias interessantes por contar no universo musical português, mas também não me quero cingir a isso. Logo veremos o que o futuro próximo reserva. 

E lembra-se de alguma história engraçada que tenha ocorrido durante uma entrevista a um músico/banda? 
Tenho algumas histórias rocambolescas, nem todas positivas, mas prefiro destacar as que mais me dizem, e as entrevistas ao Jaz Coleman, dos Killing Joke, são sempre especiais. Em primeiro lugar, porque sou um grande fã e é uma figura particularmente carismática, daquelas que já não existem. Senti logo uma empatia muito grande na primeira vez que o entrevistei, em 2006. Estava com algum receio, pois ele já teve fama de ser hostil para a imprensa, mas a conversa correu bastante bem. Mas a melhor parte foi quando acabou a entrevista e desliguei o gravador e ficámos a conversar. Contou-me que, em criança, vinha com os pais passar férias à Nazaré e que tinha muitas saudades de Portugal. Apesar da última vez que os Killing Joke cá tocaram tenha sido em 1991, na primeira parte dos Pixies no Coliseu (entretanto, já cancelaram duas vindas), ele disse-me ter uma relação especial com o nosso país. A sua agente ficou com o meu contacto e estive para ir ter com eles a Barcelona na semana seguinte, o que depois não pude concretizar por motivos profissionais. Mais tarde, soube da morte do Paul Raven (que foi baixista de Killing Joke) precisamente durante uma viagem que fiz a Barcelona. Quando contei isto ao Jaz Coleman numa entrevista seguinte, emocionou-se e dissertou sobre o significado cosmológico do que lhe estava a dizer. Para quem conhece e admira o Jaz Coleman, essa não é uma conversa que se esqueça. 

Os Moonspell foram sofrendo várias metamorfoses ao longo dos anos. Qual foi a maior dificuldade que encontrou na escrita deste livro? 
A maior dificuldade foi, sem dúvida, o tempo. Em primeiro lugar o meu, mas também não foi fácil conseguir conjugar as disponibilidades dos diferentes intervenientes com um método de pesquisa que tive de fazer. Para melhor me organizar, tive de seguir uma linha cronológica e por isso tinha de falar com as pessoas que estiveram presentes naqueles períodos. Cedo percebi que a pesquisa tem de ser balizada com grande disciplina, caso contrário não acaba. Cavamos um poço tão fundo que às tantas não sabemos como sair dele. Embora o livro tenha episódios, foi importante distinguir aquilo que é acessório do que é a história da banda, e ao mesmo tempo permitir que o lado humano venha ao de cima. Enquanto leitor, não gosto que um livro do género seja apenas um relato de factos, mas que os intervenientes sejam pessoas reais, que consigamos perceber o processo criativo nos diferentes momentos, o espírito e as circunstâncias que levaram à tomada de decisões, sejam elas certas ou erradas, pois a falha faz parte do processo. 

Cada capítulo tem, para além de um título, uma frase emblemática. Como foi a selecção das frases para cada secção? 
Quando o Pedro Paixão me falou do projecto Orfeu Rebelde, e do prazer que teve em trabalhar sobre os poemas do Miguel Torga, reforçou a frase do poeta: “o destino destina, mas o resto é comigo”, e de como isso foi impactante para ele enquanto criador. De tal forma me transmitiu esse entusiasmo que logo decidi que tinha de usar aquela frase do Torga, e não poderia ficar simplesmente “perdida” pelas páginas, de modo a que pudesse passar despercebida. Ia começar o livro com essa frase, mas depois foram surgindo outras ideias e decidi usar uma citação em cada capítulo. Os Moonspell sempre foram muito vocais sobre as suas influências, musicais ou literárias, e achei que isso faria sentido no contexto da banda que são. A escolha das frases foi bastante óbvia para mim em alguns dos capítulos, para outros nem tanto mas surgiram de uma forma muito espontânea também. Por exemplo, a ouvir Monster Magnet no carro, fiquei com a frase na cabeça como muito adequada ao capítulo que estava a escrever naquele momento. Ou seja, há frases que dizem respeito directamente à história e aos Moonspell, mas outras são referências minhas, de músicas que ouvia ou livros que lia, que definiram um mapa mental que fui criando para estruturar o livro e que podem parecer muito pouco óbvias às pessoas, quiçá à própria banda. 

O livro tem uma componente gráfica muito forte, desde as fotos, à capa, a alguns pormenores do interior. O Ricardo teve um papel activo nessa parte também? 
Sim, tive esse papel activo na escolha das fotos e da sua localização no texto. Tive uma grande ajuda na recolha e tratamento das fotos por parte do Paulo Mendes, que é também o autor de muitas das fotos, e depois o Luís Morcela, designer da Saída de Emergência, teve todo o mérito no trabalho gráfico feito, que acho que valoriza bastante o livro. 

O Ricardo teve a oportunidade de estar com a banda nos “bastidores” do Alcatraz Hard Rock & Metal Festival, mas foi acompanhando a banda em vários concertos, alguns até bem longe. Como se sentiu ao experienciar tudo na primeira pessoa? 
De início senti-me um pouco como um intruso, mas creio que isso terminou logo na primeira viagem que fiz com eles. Fizeram-me sempre sentir bem-vindo e rapidamente se desenvolveu uma relação de amizade entre nós. Não se tratou apenas de uma colaboração tendo em vista o livro, mas de laços criados e que se irão manter. Isso foi essencial para o livro e levou a que também me tenha colocado nele. Ou seja, o meu instinto é nunca escrever na primeira pessoa mas fiz isso várias vezes ao longo do livro. Pela confiança que senti deles, todo o processo foi como um enorme diálogo e foi através da escrita que dei a minha resposta. Se não tivesse tido essa vivência com eles, de ir para a estrada também, o livro não teria a vida que acredito que tem. Foi sentado, a conversar calmamente com cada um deles, que conheci a história da banda e o seu passado. Mas foi junto deles que conheci verdadeiramente os lobos que continuam a ser homens, apesar do título. 

Tal como refere no livro, os Moonspell são uma banda de reconhecimento nacional com uma história enorme e inúmero prestígio a nível mundial. Apesar de as coisas se terem alterado nos últimos anos em Portugal, parece ainda haver algum preconceito para com o metal em geral, e é dado maior destaque a músicos que por vezes têm uma projecção mais mediática, mas também mais fugaz. O que acha que se pode fazer no sentido de inverter essa tendência?
Essa é a pergunta do milhão de dólares. Gostaria de ter uma resposta objectiva para a mesma, mas não é simples indicar uma ou várias medidas para que essa tendência se inverta. Todas as semanas se declara a morte do rock, que nada diz às novas gerações e que é noutros géneros que encontram as suas referências. Talvez seja ingenuidade minha pensar que uma canção como «Smells Like Teen Spirit» ecoa da mesma forma num miúdo de hoje como na minha geração, mas vou continuar a acreditar que sim. Acho que há espaço para tudo, do metal, ao pop, passando pelo hip hop e a todos os outros géneros. Contudo, a igualdade de exposição não se verifica, e há oportunidades que estão a ser vedadas baseadas no género. Num contexto mainstream, temos um festival como o NOS Alive completamente esgotado e com um cartaz, ainda que variado, baseado no rock, com bandas como Pearl Jam, The National, Queens Of The Stone Age, Nine Inch Nails ou Artic Monkeys, por isso as notícias sobre a sua morte são largamente exageradas. Poderá argumentar-se que são bandas com décadas de carreira, e que não tem surgido renovação e que se está a viver da nostalgia, mas aí é porque acredito que haja portas fechadas logo à partida. 

Voltando ao metal, existe o chavão de que se trata de um nicho de mercado. Mas quando vemos festivais, Europa fora, com 70 ou 80 mil pessoas, fico com muitas reservas quanto a essa resposta. Em Portugal, tivemos recentemente os Iron Maiden a esgotar a Altice Arena, o Ozzy Osborne perto disso, e ainda os Kiss e os Scorpions com muito boas plateias. Milhares de pessoas foram a esses concertos, que depois não vão a outros de menor dimensão porque simplesmente não conhecem ou não sabem. Se foram 18 mil pessoas a Maiden, não há 5% ou 10% dessas pessoas que estariam num concerto de uma boa banda portuguesa de metal, ou de uma jovem promessa do estrangeiro? Acredito que com as ferramentas certas, e sem que as portas se tranquem logo à partida, isso possa ser possível. 

Muito mais teria a dizer, e nem sei se respondi à pergunta, mas aqui fica uma visão do tema. 

Obrigada ao Ricardo pela disponibilidade! 

Fiquem atentos.. em breve teremos a entrevista aos Moonspell respondida por Fernando Ribeiro.

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