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quinta-feira, 6 de julho de 2017

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Livro: O Universo nos teus olhos



Título Original: Holding Up The Universe
Ano de Edição: 2017
Género: Romance
Autor: Jennifer Niven
Editora: Nuvem de Tinta


* Por Mariana Oliveira *


Fiquei a conhecer a autora Jennifer Niven com a obra que a celebrizou, “Fala-me de um dia Perfeito”, e devo dizer que foi um primeiro contacto bastante interessante. Por isso mesmo, ao avançar para a leitura de “O Universo nos Teus Olhos” as expectativas estavam algo elevadas pois parecia que todos, menos eu, já o tinham lido e tinham gostado.


Sinopse:
“O amor verdadeiro é como o universo: não tem fim. Libby Strout, outrora a adolescente mais gorda da América, conseguiu finalmente ultrapassar o desgosto causado pela morte da mãe e está pronta para voltar a viver. Jack Masselin é o típico rapaz popular do liceu. Contudo, Jack sofre de prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer caras. Quando o destino junta Libby e Jack, a solidão que cada um sente dá lugar a sentimentos muito diferentes… Uma história de superação de um amor verdadeiro e invulgar que nos devolve a esperança no mundo, em nós e no outro.”


Opinião:
A principal motivação que me leva a ler assenta na oportunidade que os livros me proporcionam de viver outras vidas e viajar para outras realidades. Então quando para além disso um livro nos ensina algo em concreto a experiência torna-se mais rica. Foi precisamente isso que me aconteceu com esta obra.
Se já tinha ouvido falar em obesidade? Claro que sim! Contudo nunca tinha tido a oportunidade de ver através dos olhos de uma adolescente o que significa crescer com essa dificuldade.
Já a prosopagnosia, foi a grande novidade para mim. Nunca tinha ouvido falar nessa doença e foi com surpresa que descobri que afecta uma percentagem da população bastante superior àquilo que eu poderia imaginar. Não pude deixar de questionar-me vezes sem conta como será viver sem conseguir reconhecer a nossa família e amigos. O esforço hercúleo que deve ser ter de estar constantemente a “começar de novo”. Quando olhamos para alguém, temos de procurar indicadores que nos possam dizer com quem estamos a falar. Deve ser uma doença horrível mas que no caso do nosso protagonista, o Jack, o torna num jovem especial com uma força de vontade acima da média.

Mais uma vez a autora Jennifer Niven pega em dois adolescentes que lutam contra as suas dificuldades e que se sentem incompreendidos e dá-nos uma história de superação que nos mostra que o amor e a compreensão podem fazer milagres na vida de qualquer pessoa, principalmente na vida de quem desde muito cedo teve que lidar com bastantes adversidades.
Enquanto no livro “Fala-me de um dia perfeito” o tom da história varia entre a esperança e o desespero, em “O Universo nos teus olhos” senti que a trama era mais leve mesmo com todas as dificuldades por que Libby e Jack passam.

A única coisa que me fez torcer o nariz, mas a que ainda me vou dedicar a pesquisar para perceber se é ou não possível, é o facto de Jack sofrer de prosopagnosia desde que tem memória de existir e mais ninguém saber desse facto. Nem sequer os pais e irmãos dele sabiam! Será que é possível a uma criança esconder 24h por dia, 7 dias por semana uma doença dessas durante anos? Tendo em conta a pesquisa feita pela autora sobre a doença sim, mas mesmo assim acho que me vou debruçar mais sobre o assunto para ficar realmente esclarecida.


Se procuram um livro jovem adulto contemporâneo, “O Universo nos teus olhos” pode ser a escolha ideal visto que nos leva através de uma história enternecedora, que nos mostra que não importa o que de mal pode acontecer nas nossas vidas pois enquanto aqui estivermos a felicidade poderá estar ao nosso alcance. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

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Livro: Fala-me de um dia perfeito (Opinião dupla)




Título: Fala-me de Um Dia Perfeito
Autor: Jennifer Niven
Género: Romance
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 384
Editor: Nuvem de Tinta
ISBN: 9789898775788

Sinopse
"Violet Markey vive para o futuro e conta os dias que faltam para acabar a escola e poder fugir da cidade onde mora e da dor que a consome pela morte da irmã. Theodore Finch é o rapaz estranho da escola, obcecado com a própria morte, em sofrimento com uma depressão profunda. Uma lição de vida comovente sobre uma rapariga que aprende a viver graças a um rapaz que quer morrer. Uma história de amor redentora."


Opinião da Mariana
Gosto quando os autores decidem sair da sua área de conforto e abordar temas que são tudo menos fáceis. Foi isso mesmo que Jennifer Niven conseguiu fazer com a obra "Fala-me de um dia perfeito". Apesar de se tratar de um livro para jovens adultos, a escritora não se coibiu de abordar um tema que, quer queiramos quer não, só pronunciar o seu nome incomoda: o suicídio.

A história é simultaneamente divertida e triste. Aliás, foi este um dos aspectos que mais me surpreendeu no livro: o equilíbrio que Niven conseguiu trazer para a história evitando, assim, contar uma história depressiva e opressiva.
Ao longo das páginas, temos o prazer de acompanhar dois adolescentes quebrados por diferentes motivos: a Violet, que sofre por causa da morte prematura da irmã e o Finch, que desde que se lembra de existir sempre soube que era diferente e que, inevitavelmente, tem momentos na sua vida em que se fecha para o mundo.

Confesso que tive alguma dificuldade em "entrar" nesta história numa fase inicial pois achava que seria mais um desses livros sobre um qualquer romance adolescente sem nada de verdadeiramente novo para contar. Contudo, à medida que fui progredindo na minha leitura, percebi que "Fala-me de um dia perfeito" tinha uma uma abordagem diferente dos vários livros para jovens adultos que tive a oportunidade de ler até à data.

O meu olhar de psicóloga permitiu-me entender aquilo pelo que as personagens passam ao longo do livro. De facto, a depressão é uma doença terrível que, segundo indicam os estudos, afecta uma percentagem significativa da população a nível mundial. Deu para perceber que Jennifer Niven fez o seu trabalho de casa e se informou sobre esta doença para, assim, poder retratá-la de uma forma fiel no livro.

No entanto, foi o meu olhar como Mariana que me permitiu sentir aquilo que as personagens viveram. Tendo eu mesma sentido na pele o que é sofrer uma depressão na adolescência, uma fase tão importante do nosso desenvolvimento mental e emocional, não pude deixar de me comover com as dificuldades sentidas pelos protagonistas, principalmente pelo jovem Finch. Sei perfeitamente o que é passar anos da nossa vida a sofrer com uma doença que nenhum raio-x ou qualquer outro instrumento consegue detectar. Uma doença que não se vê, que apenas se sente.
Vivendo nós numa sociedade que, quer o perceba quer não, ainda faz com que as pessoas com doenças mentais se sintam, de certa forma, rotuladas, considero que esta é uma leitura que nos deve chamar a atenção para um facto incontornável: as pessoas ditas saudáveis, não podem ignorar os pedidos de ajuda por parte de quem sofre com alguma doença mental, mesmo quando esses pedidos são tão silenciosos. Passa por nós estarmos mais atentos e percebermos quando alguém necessita que lhe estendamos a nossa mão.
Quanto às pessoas do outro lado da questão, é importante que percebam que não é mau, de maneira nenhuma, pedirem ajuda pois encontrarão sempre alguém disposto a ouvir-vos. Penso que este último pensamento foi o que motivou a autora a escrever este livro e tenho esperança de que esta história possa servir de alerta a muitos jovens, e não só, por esse mundo fora para que possam perceber que não estão sozinhos e que há sempre uma solução para os seus problemas, por mais remota que possa parecer em determinada altura das suas vidas.

Parabéns Jennifer Niven pela ousadia!    


Opinião da Roberta
Desde que vi o vídeo da Silvéria do canal The fond reader, que decidi que queria ler este livro, por isso foi com enorme surpresa e felicidade que abri a encomenda onde ele estava. 
Não sou fã de YA, mas este chamou-me à atenção pela temática que abordava: o suicídio. 

No entanto, para começar a minha opinião, gostaria de vos falar no aspecto "físico" do livro. Adorei a capa, para mim está perfeita. Adoro os post-its que, de certos ângulos, parecem mesmo colados à capa. Adorei também a conjugação de cores. Por fim adorei a contracapa onde a história/sinopse está espalhada pelos vários post-its, e depois de ter lido o livro, a capa fez-me ainda mais sentido. A forma como está escrita é muito frenética e ajuda também a que seja impossível pousar o livro. Queremos sempre ler só mais um capítulo que, já agora, é tão curtinho... é só mais um... e assim a obra é devorada. 

Vamos então à história. Como leram na sinopse, esta é a história de 2 jovens, Violet e Finch. Gostei imenso da construção de ambas as personagens e da evolução que vão tendo. Finch não é a típica personagem principal perfeita, mas é antes bastante realista. Esse papel de "perfeição" foi relegado para Violet, que no entanto se enquadra bastante bem no protótipo da rapariga ocidental adolescente. A evolução das personagens é incrível, sendo que a de Finch está muito real e bem construída. Sem entrar em spoilers, posso dizer que o que Finch vai descrevendo ao longo do livro é muito comum de se encontrar em pessoas como ele (peço desculpa por não poder entrar mais em pormenores, mas como sempre, podem contactar-me em privado para discutirmos melhor o assunto). 
O livro é narrado pela perspectiva de ambos, o que o torna ainda mais interessante, mas não monótono uma vez que a autora não se repete. 
Assim, facilmente conseguimos entrar na pele de cada personagem e compreender o porquê de todos os seus actos (mas será que vamos mesmo compreender?). 

Para um jovem adolescente, este livro pode sem dúvida ser revelador. Gosto quando os livros para além de entreterem podem ajudar a educar/ensinar. O final não me surpreendeu. Achei-o previsível, e gostava que a autora me tivesse arrebatado, no entanto, não deixa de ser um final fora do comum. 

Este é sem dúvida um livro mais para jovens. Quero voltar a ter 15 anos e ler este livro! Já!

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