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quinta-feira, 2 de maio de 2013

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Livro: A cura de Schopenhauer



Chancela: Saida de Emergência 
Autor: Irvin D. Yalom
Data 1ª Edição: 19/03/2007
ISBN: 9789728839673
Nº de Páginas: 320

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     A Cura de Schopenhauer foi uma agradável surpresa. Tive filosofia no secundário e foi, sem dúvida alguma, uma disciplina que me marcou. Alguns de vós sabem, no entanto, que a minha área de actuação é a Psicologia.
     Irvin D. Yalom é um escritor americano e, tal como eu, combinou desde cedo a leitura/escrita com a sua área profissional, neste caso, a Psiquiatria. Os livros de Yalom são muito conhecidos, mas apenas recentemente travei conhecimento com eles (podem ver a minha opinião de "Quando Nietzsche Chorou" aqui). Assim que contactei com as obras fiquei deslumbrada. Para além de nos apresentarem questões que estudei e que guiam a minha conduta enquanto profissional, permitiram-me aprender ainda mais sobre técnicas importantes. Quem segue o nosso blogue sabe que gostamos de vários estilos de livros, mas sempre que posso, gosto que o que leio se ligue, de alguma forma, com a minha área. Mas, para ler este livro, preciso de ter noções de Filosofia, Psicologia ou Psiquiatra? NÃO. Mas fica aqui o aviso: Assim que terminarem de o ler... vão ficar a saber MUITO mais sobre estas áreas. Ambos os livros são muito bons, complementam-se (apesar de serem histórias totalmente independentes) e devem, a meu ver, fazer parte da lista de livros indispensáveis.

     Esta obra (tal como a que enunciei anteriormente) requereu muito trabalho por parte do autor e muito tempo de pesquisa (teve mesmo de fazer traduções do alemão original). Mas só isso permitiu que se tornasse numa obra literária e educativa ao mesmo tempo.
     Quando comecei os meus estudos, não era grandes adepta das terapias de grupo até ao dia em que, no meu estágio, para conseguir "chegar" a um doente, decidi (com a devida orientação) aventurar-me a dirigir uma secção de grupo. Foi fantástico! A partilha de experiências entre os doentes surtiu um efeito fenomenal. Foi uma pena não ter lido este livro antes (e já vão entender o porquê).

     Este livro passa-se num local totalmente diferente do anterior. Ambientado na América, começa com a história de Julius, um terapeuta que recebe o diagnóstico de um cancro maligno que o poderá conduzir à morte passados cerca de 12 meses. Totalmente desesperado, começa a vasculhar no seu passado, e relembra Philip, um caso que teve há muitos anos e que não conseguiu ajudar. Como estará ele? Apesar de a terapia não ter funcionado, será que houve alguma alteração futura? Para além destas duas personagens, conhecemos profundamente a história dos doentes de Julius que todas as semanas se encontram em sessões de grupo. Yalom faz um trabalho fenomenal em nos mostrar o percurso das personagens (não fosse ele psicoterapeuta). Mas este livro conta ainda com a "participação" de outras personagens muito interessantes (e reais) - a Família Schopenhauer. Se nunca leu nada do filosofo Arthur Schopenhauer, este livro é um bom começo, pois permite entender do que tratam as suas obras (e depois poderá decidir aventurar-se ou não). Se já conhece as obras, ficará a entender o porquê de as ter escrito. Esta questão foi, para mim, muito interessante.

     Mais interessante, ainda, é o facto de uma das personagens ser terapeuta e de termos acesso directo aos seus pensamentos, dilemas e tomadas de decisão aquando das sessões terapêuticas. Essa foi a parte que mais gostei e com a qual mais aprendi.
     Graças a esta obra, conhecemos imensos factos históricos dos inícios de 1800. O autor fá-lo de forma brilhante pois não é nada maçador e através dos olhos do pequeno Schopenhauer conseguimos olhar para a época e para a Europa da altura. O autor, coloca, em paralelo, factos biográficos do filósofo, e escritos do mesmo. 

     Através deste livro podemos, ainda, viajar. Falei-vos da Europa dos anos de 1800, mas também chegamos aos EUA contemporâneos e... à Índia dos nossos dias. Temos um retrato das questões culturais das diferentes zonas e épocas que o autor consegue interligar com a própria Psicologia (ligações afectivas, apego e vinculação). Liga questões relacionadas ao budismo e chega mesmo aos princípios das terapias de 3ª Geração como o Mindfullness. Torna-se assim uma obra intemporal e faz-nos entender o presente... porquê? Porque é o entendimento do passado que nos permite compreender o presente e a direcção do futuro. Uma questão premente em toda a obra prende-se com a questão de se viver no presente pois relembrar o passado e antecipar o futuro apenas causa a inquietação. O livro remete ainda para a Gestalt terapia, o que me fez relembrar mais uma vez os tempos da faculdade.

     Os últimos capítulos são, absolutamente, VICIANTES, e é impossível pousar o livro. Queremos saber mais, queremos entender mais, queremos conhecer os "porquês"... queremos terminar e parar para reflectir. Um excelente livro que recomendo a todos!

Por: Roberta Frontini 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

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Livro: Quando Nietzsche chorou



Editora: Saída de Emergência
Nº total de páginas: 319
Data 1ª Edição: 22/04/2009

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Como estudante de psicologia, muitas vezes ouvi falar nos livros de Yalom. Apesar de ter logo ido comprar este livro quando me falaram nele na faculdade, tinha-o deixado na prateleira... No entanto, a capa super apelativa e o desejo de o ler falou mais alto, e um dia, lá comecei.

Na altura em que iniciei a leitura, estava cheia de trabalho, o que dificultou a leitura do mesmo. Era-me muito doloroso terminar um capítulo e ter de pousar o livro por ter de ir trabalhar, mas aos poucos, lá o terminei.

O livro é absolutamente delicioso.  

Neste fantástico livro, encontramos personagens reais que se misturam com histórias imaginárias: Nietzsche, Breur, Freud, Ana O., Lou Salomé, etc. Nietzsche, um grande filósofo (que sabe que o é mas que espera reconhecimento futuro) encontra-se desesperado e com ideias suicidas. Lou Salomé pede, então, ao iminente médico vienense Josef Breur para o persuadir a ser curado por ele. Mas para isso, Breur terá de o convencer, primeiro, a frequentar as suas consultas. Assim, vamos conhecendo estas duas personagens e, através da leitura, de certo que se irão conhecer a vós próprios. Pelo menos foi este, para mim, um dos pontos fortes do livro. Não só conheci melhor os recônditos da mente das personagens, como me consegui conhecer a mim mesma e compreender, melhor, a mente humana. É um livro MUITO bom e obrigatório para qualquer pessoa que se preocupa e se interessa pelo conhecimento da mente humana...

No final, o autor ainda nos dá um presente: fala-nos da realidade por detrás do seu livro, do que aconteceu realmente, do que ele inventou. Enfim...

É interessante termos em conta alguns aspectos mais ligados à nossa própria área. O livro envereda mais pelo campo da psicanálise o que, à partida, me poderia "afastar" um pouco da sua leitura (a psicanálise não é a minha área de formação), no entanto foi engraçado ver algumas técnicas cognitivas a serem utilizadas e descritas ao longo do livro (técnicas que também eu uso, especialmente para pessoas que se "queixam" de serem invadidas por "pensamentos estranhos"). Não nos podemos esquecer que Beck (o pai da terapia cognitivo-comportamental) teve como formação inicial, a perspectiva psicanalítica. Para as pessoas que gostam de psicanálise e se identificam com  ela, o livro terá, certamente, um impacto maior. Mas para mim, que sigo uma abordagem diferente, fez-me ficar encantada com o mesmo... e, para além do mais e cada vez mais, apregor a importância da multidisciplinaridade!

Estava à espera de gostar, mas nunca imaginei que seria capaz de me prender tanto... estava viciada :) Viciem-se também :)

Por: Roberta Frontini

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