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terça-feira, 26 de abril de 2016

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119ª Entrevista do FLAMES: Rui Massena (Maestro português)


Rui Massena

(Foto por Rita Carmo)

É o Maestro português mais conhecido e mais querido do público português, e acaba de lançar o seu segundo disco, Ensemble. É já no próximo fim de semana que apresentará o seu novo trabalho. Duas datas a reter: 30 de Abril - Centro Cultural de Belém (bilhetes aqui) e 2 de Maio - Casa da Música (bilhetes aqui). Não faltem. No "entretanto" aqui fica a conversa que tive com o Maestro onde partilhei algumas das coisas que me foram surgindo à medida que ouvia o disco. 

Entrevista anterior ao FLAMES aqui - http://flamesmr.blogspot.pt/2015/02/93-entrevista-do-flames-rui-massena.html

Contrariamente ao disco “Solo” em que o piano era o instrumento principal acompanhado pelo violino apenas numa música, aqui o piano continua a ser o personagem principal mas está mais acompanhado. Esta escolha foi propositada ou surgiu naturalmente? 
É exactamente isso! A ideia do "Solo" era o de criar um disco intimista. Aqui acrescenta-se o que, em música, se chama de contraponto. No fundo introduzi aqui outras vozes e criei um diálogo entre várias vozes que se abraçam. Neste trabalho senti esta necessidade de juntar essas vozes à tranquilidade, em envolvência, numa luz diferente. Isto tem muito a ver com Sintra. Sintra durante o dia é iluminada de maneiras diferentes, e viver lá fez-me reparar nisso. Foi esta luz, este brilho que quis trazer para este álbum com uma nova envolvência graças à orquestra de cordas. Eu tive, com este álbum, a preocupação de fazer com que as pessoas não quisessem mudar de faixa. Queria que este album fosse uma boa companhia para quem o está a ouvir. 

Ontem foi dia 25 de Abril e no álbum há uma música chamada Liberdade. Em 2016 ainda precisamos de relembrar às pessoas, através da arte e da música, a importância da Liberdade? 
Essa é uma pergunta bem gira, porque a verdade é que eu acho que sim. A Liberdade (individual e colectiva) é um exercício contínuo que temos de exercer. É fundamental que o façamos. A música Liberdade expressa bem isso... o início é difícil e muito tranquilo até que de repente é como se a música se soltasse. E a liberdade é isso, um exercício que por vezes é difícil de se conseguir.

Uma coisa que reparei que liga os dois álbuns é a sensação de calma e paz que ambos transmitem. Foi algo propositado? 
Sim, exactamente. Ainda sinto que o mundo anda muito caótico e por isso quando componho gosto de paz. E gosto de transmitir essa paz. Acho que é precisa. Pelo menos, até agora e nestes dois trabalhos, senti essa necessidade. Não quer dizer que num próximo trabalho não faça algo de totalmente diferente. 

(Foto por Rita Carmo)
Fiquei bastante intrigada com a música “Lembro-me”… dura apenas 37 segundos e aparece inesperadamente. Porque tomou esta opção?
(Risos) Porque essa música é uma lembrança. No meio de tantas coisas de repente surge essa memória fugaz. Uma pequena lembrança, como às vezes temos ao longo do dia. 

De todo o álbum a minha música favorita é a Liberdade, porque quando a estava a ouvir soltou totalmente a minha imaginação. Quando compõe as suas músicas, acontece-lhe por vezes perder-se em divagações... em imagens de lugares ou cenas? Isso aconteceu-me a ouvir o disco e tenho alguma curiosidade em saber se lhe acontece a si também. 
Isso é muito bom! Para mim é um pouco diferente porque eu não vejo imagens ou cenas. Eu centro-me nas sensações. Tenho mais sensações do que propriamente imagens ao vivo. Isso tem a ver com o facto de eu viver o mundo desta forma, através de sensações. Como na música liberdade, eu estava a ter aquela sensação inicial do "vai vai vai e depois.... a libertação". É assim que vivo a música, através de sensações que são mesmo corporais. 

Actualmente é o rosto mais conhecido da música clássica em Portugal. Sente, de algum modo, uma responsabilidade acrescida por levar esse género musical até ao público português?
Não. Eu gosto simplesmente de partilhar aquilo que gosto com os outros, e faço-o apaixonadamente. Gosto de comunicar com os outros e de lhes dizer o que gosto, não tem a ver com um sentimento de missão nem nada disso. Apenas gosto de partilhar e tem sido muito bom poder fazê-lo.

A maior parte dos artistas do mundo da música utiliza as letras nas suas canções para transmitir as suas mensagens a quem os ouve. No seu caso, não recorre às palavras. Acha que a sua mensagem chega de uma forma igualmente clara até quem o ouve?
Talvez não igualmente. Mas isso tem a ver com o meu estilo musical, porque as imagens que cada um tem e que são proporcionadas pela música têm a ver com a individualidade de cada um. Eu abro um pouco o universo que acho que estou a retratar e cada qual depois interpreta à sua maneira. Penso que é precisamente essa a beleza da música instrumental: é uma coisa sem palavras! Que se gosta e se sente! E depois cada qual tem a liberdade para ver e sentir o que quer. 

Para este álbum contou com a participação da Orquestra Sinfónica Nacional Checa com a qual já tinha trabalhado anteriormente. Sentiu que agora houve alguma diferença uma vez que agora foi o compositor deste trabalho?
Sim, muito diferente! Porque estas eram as minhas "palavras" e quando somos nós a escrever não temos de nos explicar tanto. Gostei muito de dirigir a minha própria música. Quando estou a dirigir um Mozart, eu não posso mexer em nada, não posso reescrever o seu trabalho.. mas aqui sou eu! É  a minha música! Foi muito bom poder fazer isto e foi uma experiência diferente. 

Os prémios que tem ganho e o reconhecimento que tem tido tem sido incrível. Trabalhou na televisão, na área da cultura, colaborou juntamente com outros artistas, alguns com estilos totalmente diferentes como os Da Weasel… Enfim o seu percurso é mesmo notável e distingue-se claramente de muitos Maestros… O que é que ainda não fez e gostaria de conquistar no futuro?
Acho que ainda há muita coisa. Eu vou descobrindo a vida e tento estar feliz comigo mesmo e com o meu percurso. Tenho dar voz ao que sinto, e depois tento estar disponível para aceitar o que a vida me traz. Consigo isso gostando do meu próprio mundo e da minha música, mas tendo sempre em atenção os outros. Ter gente que goste da minha música é muito bom, e este disco só aconteceu porque o "Solo" teve uma excelente aceitação por parte do público. Saber que as pessoas vão ouvir a minha música e gostar dela é aquilo que faz valer a pena.


Obrigada ao Maestro Rui Massena por, mais uma vez, se disponibilizar a conversar connosco.
Se quiserem ver a entrevista que lhe fizemos aquando da saída de "Solo" cliquem aqui - http://flamesmr.blogspot.pt/2015/02/93-entrevista-do-flames-rui-massena.html

Acompanhem o trabalho o Maestro através do Facebook e do seu site

Não se esqueçam das datas dos concertos: 30 de Abril - Centro Cultural de Belém (bilhetes aqui) e 2 de Maio - Casa da Música (bilhetes aqui).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

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Entretenimento: Considerações sobre o disco do maestro Rui Massena - SOLO



Tranquilidade.. era isto que Rui Massena pretendia com o seu primeiro CD de composições originais. E conseguiu-o.

Quando o CD chegou cá a casa estava, como sempre, a trabalhar e a ouvir música clássica ao mesmo tempo. Sempre estudei e trabalhei ao som de grandes compositores (a música clássica está-me do sangue, já vem do tempo dos meu tetra-avô e bisavô, ambos compositores de música clássica). 

Assim, e sabendo eu que este era um CD de música instrumental, coloquei-o no PC e continuei a trabalhar... mas não o consegui fazer por muito tempo. De facto a primeira música "Fé" convida-nos a parar tudo, a fechar os olhos e a suspirar tal é o sentimento de paz que nos transmite, e esta parece-me ser a maior dádiva deste disco. 


Gostaria de tecer algumas considerações sobre algumas das músicas que mais me marcaram.
A música "D-Day", a segunda, foi inspirada no desembarque da Normandia sendo que Rui Massena referiu que esta é quase uma metáfora para o seu próprio desembarque enquanto compositor. Esta música parece-me que quase nos convida a abandonar um pouco da tranquilidade que depois é retomada com a terceira composição. Já se passaram 70 anos desde este dia tão importante para a História da Humanidade, e o maestro decidiu homenagear esta data com a criação desta fantástica composição. Podem ouvir a música e ver o respectivo vídeo em baixo. 


A quinta música "Flocos" é sem dúvida daquelas músicas que nos fazem sentir bem. Convidam-nos a deitar, a relaxar, a deixar partir a imaginação para locais dentro de nós que talvez ainda nem conheçamos. Uma música de uma subtileza arrepiante. 

A sexta música "Para Ti" quase que nos apanha desprevenidos e constitui um momento de quebra de todo o CD. De facto, depois de uma série de músicas apenas tocadas com o piano, entra o meu instrumento predilecto: o violino, tocado por Gaspar Santos e que nos apresenta uma música que, a meu ver, é mais melancólica do que tranquilizadora.


Em "Dias Assim" o início é calmo e tranquilizador, mas é apenas um início... com o tempo a música toma um rumo inesperado e próprio. É uma música inicialmente calma mas que consegue acabar por nos transmitir energia.

E depois vem a música "13" feita aquando dos 120 anos de um dos maiores clubes portugueses, o Futebol Clube do Porto. Uma música que relembra um dia negro e triste para os adeptos do FCP, mas que mesmo assim tem a capacidade para nos colocar a "viajar"...

Por fim, a família é um conceito que está bastante patente em todo o disco, primeiro na quarta música intitulada precisamente "Família", depois na própria concepção da capa que esteve a cargo de Cristina Massena.
Um disco fantástico, o Maestro está, mais uma vez, de parabéns com este fantástico trabalho!


Roberta Frontini
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93ª Entrevista do FLAMES: Rui Massena (Maestro português)


Rui Massena


Rui Massena é uma conhecida figura do panorama cultural nacional. Foi jurado na Operação Triunfo e agora no Got Talent, mas o seu currículo é muito mais vasto do que isso. É maestro e esteve à frente de importantes Projectos como Guimarães 2012. Foi ainda o primeiro maestro português a dirigir no histórico Carnegie Hall, em Nova Iorque, onde conduziu o New England Symphonie Ensemble, facto que o marcou e que relembrou neste seu mais recente trabalho com a composição "Carnegie Hall". O seu talento levou-o a trabalhar em várias partes do globo e chegou a protagonizar ao longo de 2013 uma série de treze episódios para a RTP 1: “ Música, Maestro!”. Para além disso tudo é detentor de uma das melhores qualidade do Ser Humano: a simpatia; e tem muito bom gosto ou não fosse ele um adepto do Futebol Clube do Porto! Numa altura em que tanto se tem falado sobre a importância da “liberdade de expressão” aparece este álbum “Solo” que mais uma vez demonstra a sua ousadia, numa clara saída de uma zona de conforto. Vamos conhecer melhor o artista e este seu trabalho. 

A todos os músicos o FLAMES pergunta... 

Quais são os artistas que mais o inspiram? 
Nesta fase de composição e do ponto de vista dos portugueses destaco Mário Laginha. A nível internacional gosto imenso do trabalho de Chilly Gonzales ou Hiromi Uehara. 

Tem algum local onde gostaria particularmente de tocar as músicas deste seu disco?
Sim, eu gostava muito de um dia conseguir tocar por exemplo no Carnegie Hall, tocar as minhas próprias composições em vez de dirigir? Já estive em salas interessantes pelo mundo fora mas foi precisamente a dirigir, de maneira que gostava muito de levar a minha música assim a grandes salas.

Já trabalhou com imensos artistas nacionais como os Da Weasel ou Expensive Soul e esteve mesmo em Orquestras lá fora: Roma, Zurique, etc. Lembra-se de alguma situação caricata que já lhe tenha ocorrido?
Uma situação caricata? Não sei, de momento não me estou a lembrar.. 

Ao Rui Massena o FLAMES pergunta... 


Afirmou que gostaria que este seu disco transmitisse tranquilidade a quem o ouve, e por acaso foi também o que senti quando o ouvi…

A Roberta já ouviu? 


Já, já ouvi. 
Ai já? E gostou? 

Sim, gostei, eu gosto muito de música clássica e música instrumental...
Já agora, o que é que achou? Isso é que é importante para mim... 

Eu ouvi o disco muito antes de ler o que quer que fosse sobre ele. Antes de saber o que pretendia com ele... ouvi-o e depois achei piada quando li que pretendia transmitir tranquilidade com ele, porque foi precisamente aquilo que eu senti. Eu comecei a ouvir o disco, estava a trabalhar ao mesmo tempo e lembro-me de parar, fechar os olhos e (suspiro)… ai, tão bom! 
Ó Roberta, isso é a melhor coisa que me pode dizer porque é exactamente isso que eu sinto sobre ele… É como se eu tivesse precisado de encontrar essa parte para mim próprio, está a ver? Independentemente de algumas canções até serem mais melancólicas, algumas mais tristes, outras mais intensas, eu acho que no geral ficou essa tranquilidade que transmite uma sensação de paz. Eu gostaria que as pessoas de alguma forma conseguissem chegar a casa depois de um dia cansativo de trabalho, ou ao fim de uma longa viagem, e que à noite pudessem ouvir música e ficar em paz. 

Sim, e isso foi muito bem conseguido. Depois também foi interessante outro aspecto. O CD é basicamente com piano não é? E depois a uma certa altura aparece uma música com um violino, e é engraçado aquele corte, aquela quebra que faz a diferença. 
É, é uma esquina. Aquilo acaba por ser uma personagem. Portanto, ali o violino é uma personagem de alguém que me faz falta. É um som diferente e uma voz diferente.

Ainda por cima são dois instrumentos muito bonitos. Bom, acabou um pouco por me responder a uma outra pergunta. porque eu tinha curiosidade em saber se esta vontade de tranquilidade, foi inspirada pela conjectura que estamos a viver hoje em dia, ou se não teve nada a ver com isso…
Não não, este disco é um acto pessoal. Há muitos anos que eu tinha este desejo de compor e finalmente encontrei essa paz. Acho que aqui, neste momento, não tem a ver com nada. Este disco é um acto endógeno, eu queria que aquilo que a Roberta sentiu as pessoas também sentissem. No fundo, quero que as pessoas o ouçam e relaxem. Eu mesmo depois do ter gravado o pus a tocar e senti isso. Bem, no fundo o que eu gostava era de partilhar essa identidade, essa tranquilidade com as pessoas. 

Acho que isso se sente bastante
Que bom, que bom (riso).

Também vi o vídeo da música D-Day. Está fantástico e fiquei com uma curiosidade: teve assim um papel mais activo na construção do vídeo ou deixou isso ao critério do realizador?
Bom, a ideia partiu de mim. A parte do desembarque e isso, a ideia de trabalhar com o processo numa espécie de guerra interior, um confronto interior entre querer fazer as canções e sentar-me ao piano e ter tempo para o fazer, porque é preciso tirar muito tempo para o fazer. Toda a vida que eu levei até aqui sempre cheio de pessoas e coisas… portanto, no fundo esta música surgiu numa altura em que se comemoravam os 70 anos do desembarque na Normandia, mas música foi mais além. Foi um desembarque como compositor depois de uma batalha interior. Quanto ao vídeo propriamente, bom, essa parte deixei-o totalmente nas mãos do Jorge Leal o realizador. Mas é claro que supervisionei toda a construção do vídeo para que eu me identificasse completamente. 

Este álbum chama-se então Solo! As músicas centram-se sobretudo no piano, mas eu sei que gosta imenso de comunicar e de estar com pessoas. Este processo de construção do disco foi assim um processo mais solitário comparativamente aos outros? Sentiu-se assim ou nem por isso… 
Sim, isso acontece um pouco sempre que se escreve música. Mesmo quando fiz orquestrações para grupos e para orquestras os processos são sempre solitários e este foi mais que um processo solitário, porque este foi um projecto de construção de identidade. Foi a ideia de perceber o que é que eu queria, que música é que eu queria, o que é que me vai na alma e de que forma. Sim, foi basicamente um ano para escolher essas 15 músicas. Um ano quase em que eu fiz reclusão e portanto… foi, foi muito solitário sim, mas eu também o desejei. Este foi um projecto que me ligou a mim com o piano, e que se é uma relação. Foi uma relação comigo e com o piano, enquanto que numa orquestra eu tenho que comunicar com 50, 60, 70 músicos, onde nunca posso fazer nada sozinho. Foi um processo de criação sozinho numa relação com o piano, no meu tempo, mas foi mais do que isso... foi também um verdadeiro projecto de identidade e de construção de identidade na criação. 

Tem trabalhado imenso em prol da expansão da música clássica em Portugal, até teve o seu próprio programa na RTP1 “Música Maestro”, como é que tem sentido a evolução da música clássica em Portugal, acha que os jovens estão cada vez mais afastados da música clássica ou não? 
Sim, acho que os públicos estão a envelhecer e é preciso criar sistemas de aproximação, de gosto pelos sons mais clássicos. Acredito que este meu disco também tenha esse lado… o facto de serem canções, apesar de ser só instrumental, acredito que este clássico contemporâneo, de canções ao piano, possa aproximar também as pessoas da música. Mas claro, é preciso que nós, os agentes culturais, todos tenhamos essa cuidado, e todos temos a noção de que é preciso aproximar as pessoas da música clássica. É a mesma coisa para a literatura não é? Os grandes autores da literatura têm que ser lidos, portanto é preciso aproximá-los de alguma forma. 

Acabou por responder à minha pergunta seguinte, que é exactamente isso, de que forma é que achava que este disco também ia ajudar a isso, à promoção pelo gosto da música mais instrumental. 
Isto é um disco meu, portanto eu não tenho pretensões… Quando eu sou Maestro duma instituição, ou programador artístico, eu tenho a preocupação de me aproximar da minha comunidade, ou seja, de programar para as pessoas. Aqui não, eu aqui fiz! Claro que é um acto onde tenho alguma preocupação de que as pessoas gostem porque eu quero tocar para as pessoas.. mas parte da minha escolha como músico. É exactamente essa necessidade que eu tenho, de chegar às pessoas. Mas este disco eu fi-lo para mim, portanto não o fiz com a ideia de aproximar o público à música clássica, não. Tenho o disco feito, porque gosto, porque sim, porque queria para mim, está a ver? Não tinha a ideia de “agora com este disco vou aproximar toda a gente…”, não não. Este é o meu processo, aliás isto tem sido assim um bocadinho comigo, e às experiências que eu sinto. Quando eu sinto as experiências vou ao encontro delas. Às vezes é assim que acontece, eu vou à procura de algo para mim e depois dá-se a volta. Eu vou porque me apetece a mim, depois se calhar isso aproxima os outros disso, mas vou mais por mim do que propriamente pela comunidade. Portanto este disco, acredito que possa chegar a algumas pessoas, gostava muito que chegasse, sei lá... É mais um pequeno prazer para alguém, espero que sim, acho que seja, mas é sobretudo um disco muito feito para mim. 

Então e o que é que podemos esperar do seu concerto no dia 31 de Janeiro? 
No concerto do dia 31, acho que podemos esperar que o disco apareça, tocado ao vivo e com boa energia. Eu vou a Alfândega da Fé retribuir o gesto, a generosidade daquele povo, daquela terra, que de facto foi inspirador à residência artística que eu lá fiz. 

E depois está a pensar fazer outros concertos, levar o disco a outros lugares? Há coisas programadas?
Sim, haverá com certeza uma tournée nacional. Os primeiros concertos marcados são a 16 de Abril no CCB, no grande auditório e dia 19 de Abril na Casa da Música.

Muito obrigada ao maestro Rui Massena pela sua simpatia e disponibilidade! 


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