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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

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Livro: O ano da dançarina (Carla M. Soares)



Ficha Técnica

Título: O Ano da Dançarina
Autor: Carla M. Soares
ISBN: 9789897543029
Edição ou reimpressão: 04-2017
Editor: Marcador
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 232 x 25 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 392

Sinopse

No ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política.

No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amante de senhores endinheirados, e com as peculiaridades de uma família progressista.

Enquanto a Guerra se precipita para o fim e, em Lisboa, se vive a aflição da epidemia e da difícil situação política, a família experimenta o medo e perda, e Nicolau conhece um amor inesperado enquanto trava as suas próprias batalhas contra a doença e os próprios fantasmas. Este é um romance de grande fôlego, histórico, empolgante e profundo, sobre a superação pessoal e uma saga familiar num tempo de grande mudança e turbulência em Portugal.

Opinião
(Roberta Frontini)

Carla M. Soares é uma autora portuguesa de que gosto particularmente. Já vos tenho vindo a falar nas obras dela (podem ver aqui a opinião às obras anteriores). Por isso mesmo eu estava muito curiosa e empolgada para esta leitura. 

Começo por vos querer falar na capa. Acho-a formidável e muito bem escolhida: a escolha de cores está fantástica, e a imagem ajuda-nos a "entrar" no Portugal de 1918.
Não me parece que se trate de um romance histórico, mas de um romance de época. No entanto, nota-se muito bem que a autora estudou duas coisas de forma muito aprofundada: 1º a história nacional (mas também mundial) desta época; 2º as questões de stress pós traumático (PTSD). Uma das personagens principais, Nicolau, é ferido em guerra e volta para Portugal com PTSD. A caracterização do sofrimento de Nico está muito bem feita e a Carla está, sem dúvida de parabéns neste ponto. Também se nota bem a pesquisa exaustiva que a autora deve ter feito para nos conseguir apresentar uma época conturbada da História da Humanidade. Apesar de tudo, a Carla consegue entranhar os factos históricos na narrativa que conta, sem parecer que nos está a dar uma aula de História. Assim, gostei particularmente do enquadramento histórico, social e político da época. 

Mais uma vez a autora apresenta-nos personagens fortes e destemidas, prontas a fazer o que for preciso pelos valores mais importantes da vida: liberdade, amor e amizade. E são várias as personagens que nos são apresentadas. A história não se centra nas personagens principais, mas são-nos apresentadas histórias paralelas igualmente interessantes. Esta é uma das características também desta autora que tinha seguido mais ou menos a mesma estrutura no romance anterior "O Cavalheiro Inglês". Assim posso afirmar que a construção das personagens foi adequada e interessante, aumentando assim o valor de toda a narrativa-

Denota-se uma evolução da escrita da Carla, que está ainda mais cuidada mas fluída ao mesmo tempo e, por vezes, a roçar o lírico. O meu pormenor favorito foi.. o título. É verdade. Adoro quando, a certa altura da leitura, uma pessoa tem um momento "revelação", onde o título faz todo o sentido...! Um pormenor muito interessante da obra. 

Podem ler este livro com o aviso de que, provavelmente, irão rir, apaixonar-se por algumas causas, chorar com momentos mais dramáticos e sentir-se impotentes por não conseguir ajudar algumas das personagens..

Por fim, deixo-vos um vídeo onde falo um pouco sobre os livros anteriores da autora. Espero que gostem. Boas leituras.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

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Livros: Vamos falar sobre a Carla M. Soares? (Vídeo)




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

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Livro: O Cavalheiro Inglês (Carla M. Soares)





Ficha Técnica
Título: O Cavalheiro Inglês
Autora: Carla M. Soares
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 400
Editor: Marcador
ISBN: 9789897541254



Sinopse

PORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia.
Os ingleses que permanecem em Portugal não são amados.
O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.
Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa descrição recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família orgulhosamente portuguesa.



Opinião

Um dos livros que mais gostei de ler o ano passado foi escrito pela Carla M. Soares. Trata-se de "A chama ao vento" editado pela Coolbooks (infelizmente não em papel) mas que me fez pensar que estava a olhar para uma obra de uma autora portuguesa com imenso talento. Adquiri logo o "Alma Rebelde" que ainda não li, e quando soube que ia sair "O cavalheiro Inglês", desta vez editado pela Marcador, pensei: TENHO de o ter. E foi assim, com as expectativas ao rubro, que comecei a ler este romance. Começo por dizer que a capa é absolutamente maravilhosa! Adoro-a! 

De cada vez que leio um livro da Carla sinto que quero ler todas as suas obras. É uma escritora muito versátil e completa. Neste livro surpreendeu-me ao apresentar uma protagonista totalmente diferente do esperado. A Sofia, personagem principal, mexeu muito comigo, o que considero um aspecto bastante positivo. Não é a típica personagem principal perfeitinha que estou tão cansada de ver em alguns livros. A Sofia a meu ver está carregada de defeitos: é impulsiva, mimada e eu diria até violenta e ligeiramente melodramática. Está constantemente a "elevar o queixo" e a tentar demonstrar que é superior (apesar de apregoar a importância da igualdade entre as camadas sociais e os géneros. Eu que não sou uma pessoa violenta tive muitas vezes vontade de a abanar (ou mesmo esbofetear). Apesar de morar numa determinada época e de ser rica, tem ideais de louvar, mas a meu ver não passam disso. Por muita vontade que ela tenha de mudar as coisas, senti que faltou dar-lhe "o passo seguinte" e concretizar o que desejava. Foram todas estas coisas que me irritaram nela, especialmente esta vontade de fazer algo para mudar a sociedade, mas sem fazer nada em concreto. 

Várias são as personagens que acabam por ter destaque nesta obra. É o caso do duque de Almoster, Robert Clarke (o cavalheiro inglês) e o irmão de Sofia, Sebastião que, apesar de partilhar com ela a teimosia e rebeldia, foi uma personagem com a qual me consegui ligar mais. De facto, os seus ideais acabaram por o levar a tomar, apesar da sua posição social, algumas acções. Mesmo algumas delas sendo condenáveis, achei a personagem mais coesa e gostei da sua evolução. Gostaria de ter sabido também mais sobre algumas personagens que apareceram e das quais depois não sabemos bem qual o seu destino. 

Mas para além da trama e das personagens na história, nota-se um excelente trabalho por parte da autora em nos desenhar um retrato fiel da época. Dos pormenores das roupas aos detalhes ruas de Lisboa (e Porto), Carla M. Soares possibilita-nos uma verdadeira viagem ao passado, e este é para mim mais um dos pontos fortes deste livro. Outro ponto forte foram as referêcias literárias que a autora vai colocando ao longo do texto, chamando assim à atenção dos leitores para autores interessantes como Edgar Alan Poe, Camilo Castelo Branco, entre outros. Para além do mais, outra coisa de que gostei particularmente foi o facto de o livro retratar o ano de 1892, e no entanto, em algumas coisas, ser tão actual. Sem dúvida que para compreendermos o nosso presente e antevermos o futuro é imprescindível conhecer bem o nosso passado, e nesse aspecto o livro faz-nos compreender o que a conjectura da altura fez para com a conjectura actual. 

O início da leitura custou um pouco, talvez pela forma como Sofia e algumas das outras personagens nos tentam enquadrar historicamente, mas a meio a leitura torna-se mais fluída e mais rápida, mais centrada no enredo entre as personagens do que no contexto histórico cultural e social que têm maior destaque nas primeiras páginas. É um excelente livro para quem gosta de um romance de época, centrado no nosso país (com um claro destaque para Lisboa), e para quem gosta de uma bela história de amor. 


Roberta Frontini

domingo, 20 de julho de 2014

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59ª Entrevista: Carla M. Soares (escritora portuguesa)


Carla M. Soares 


Estreou-se no mundo dos livros com “Alma Rebelde”, e no mundo dos e-books com “A chama ao vento”, livro que gostaríamos de ver em papel por ter sido das melhores obras que lemos nos últimos tempos. Ambientado em Portugal (vejam a nossa opinião aqui), maioritariamente em Lisboa, Carla M. Soares traz-nos uma trama empolgante e um livro viciante. Mas quem é esta autora? Vamos tentar saber? 

Carla M. Soares: Antes de mais, apresento um protesto formal contra os “favoritos”! Fico logo em branco! Vamos lá tentar.

Filme favorito: Adoro cinema mas não tenho favoritos. Vou ao contrário – detesto a maioria das comédias“americanadas” e / ou de adolescentes. Abomino actores como Will Ferrel, por exemplo, e não consigo ver Jim Carey a fazer caretas. 
Livro favorito: Ai estas perguntas! Tiro tanto prazer de livros tão diferentes, em momentos diferentes, que não consigo apontar um favorito. Até tenho muitos guilty pleasures! Mas vamos lá a alguns dos que me deram mais prazer: de língua inglesa, East of Eden (Steinbeck), Heart of Darkness (Conrad), Wuthering Heights (Bronte), Hamlet (Shakespeare), Brave New World (Huxley), Lord of the Rings (Tolkien), The Earthsea Trilogy (LeGuin), todo o Sherlock Holmes, Manhattan Transfer (John dos Passos)…chega? Faltam muitos e falta-me a memória… Outros: Gabriel Garcia Marquez, Carlos Ruiz Zafon, Jules Verne. Em português, Eça de Queiroz, Jorge Amado, algum Saramago, algum Lobo Antunes, algum de Rosa de Lobato Faria, estou a descobrir e adorar Afonso Cruz, adorei A Mulher-Casa, de Tânia Ganho… E, com excepção de Whitman, nem falo de poesia! 
Anime favorito: Ghost in the Machine ou Final Fantasy são anime? Se não, não tenho – na verdade, não conheço. 
Manga favorito: Não tenho, conheço mal. O meu filho de 12 anos lê Attack on Titan. Nem isso sei se é manga, embora julgue que sim. Confesso a minha ignorância. Se me perguntarem da BD em geral, refiro sem dúvida os Xmen (não falo dos filmes, mas dos comics), que li pela primeira vez em miúda, nas BDs velhas da minha mãe. 
Evento/entretenimento/espectáculo favorito: Não, lamento. Detesto circo. Gosto de Teatro.
Série favorita: Neste momento, será provavelmente Game of Thrones. Também vejo The Bridge com um fascínio macabro… 

Sabemos que os teus dois livros são bastante diferentes. Quais as principais diferenças? 
São tão diferentes que acho que só têm em comum duas coisas: a mesma escritora, e portanto a mesma “voz”, e um pouquinho de História. De resto, é tudo diferente, começando pela estrutura, que no Alma Rebelde é mais linear, embora com a introdução de elementos diarísticos e epistolares, enquanto o Chama está dividido em duas partes, ambas com bastantes oscilações no tempo. A personagem principal também é muito diferente, no Alma é uma rapariga nova, contrariada, um pouco lamentosa, no segundo um homem perto dos 40, insatisfeito e solitário... e depois tenho mais personagens importantes, sobretudo na segunda parte. O tom é diferente, o primeiro é muito mais romântico, sem dúvida. Até a época é diferente, o Alma passa-se a meio do século XIX, o Chama em três momentos do século XX, o actual, o princípio dos anos 40 e, um pouco, o ano de 1973... 

Como surgiu a ideia de escrever “A Chama ao Vento”? 
A partir da canção A Candle in the Wind, do Elton John. Dei por mim a pensar em que outro tipo de mulher para além de Marilyn esta canção podia homenagear e a considerar que tipo de acontecimentos poderiam levar a chama a apagar-se dentro de uma pessoa. E depois comecei por outro lado, muitos anos mais tarde, com outra personagem e com as consequências da extinção da chama... 

Este teu último livro, editado apenas em e-book, “A Chama ao vento” é absolutamente viciante. Como conseguiste fazer com que o leitor se mantenha preso à trama tanto tempo? 
Ser ou não viciante é um julgamento do leitor, embora todos os autores o desejem e, creio, se esforcem para tornar os seus livros viciantes. Gostaria muito de pensar que sim, que este livro é de facto interessante. Neste caso, os leitores talvez apreciem as personagens e os avanços e recuos no tempo que vão dando vislumbres sobre elas. E claro, a partir de certa altura entramos numa época fascinante, a da Segunda Grande Guerra em Lisboa (espero não ter destruído nas páginas o faascínio da época), há coisas para descobrir, um romance, um pouquinho de mistério, vários acontecimentos... devidamente narrados e comentados por essa personagem maravilhosa que liga presente e passado, João Lopes. Ele é um favorito meu. 

Há autores que dizem que é impossível escrever-se sem usar algo que seja autobiográfico, mesmo que não seja propositado. Aconteceu em algum dos teus livros? 
Não creio que isso seja verdade para todos os autores, a não ser, talvez, no que diz respeito a uma certa visão do mundo. Não tenho elementos autobiográficos particulares nos livros escritos até aqui. Um pouco da minha personalidade, sim, uma certa valorização da mulher, da independência ou desejo de independência da mulher, a importância das relações humanas, da família (para o bem e para o mal), algum interesse pela História, uma forma de escrever que nunca é inteiramente crua, o que pode, no contexto actual, ser um defeito, não sei. Estou, porém, agora a começar um novo livro um pouco diferente, com uma vertente autobiográfica em elementos que pertencem ao espólio de memórias de Angola da família... 

Podes levantar o véu sobre os teus próximos projectos? 
Estou sempre a escrever. Tenho um outro romance de época pronto, à espera de revisão e de decisões. Passa-se em 1893, no pós-Ultimato, e, sendo mais leve do que o Chama e um nadinha romântico, envolve republicanos e anarquistas... Chama-se, para já, O Cavalheiro Inglês. Estou também, como disse, a escrever um que me cai mais perto, por se localizar parcialmente em Moçâmedes (agora Cidade do Namibe), onde nasci. Passa-se parcialmente durante a guerra colonial, embora também na actualidade, e envolve recordações e histórias que ouvi muitas vezes na minha família. 

Como surgiu a ideia do teu blogue “Monster Blues”?
O blogue já surgiu há uns dois, apenas como experiência. Só ganhou mais ou menos o objectivo que agora tem meses depois, em Agosto de 2012, quando publiquei a minha primeira opinião. Portanto, considero que faz dois anos a 28 de Agosto. Recentemente, mudei-lhe o rosto, ficou com uma aparência mais clean e passei a publicar mais textos de autora, sobretudo poemas mas também excertos de livros e o que mais me apetece. Continua a ter algumas opiniões sobre livros e filmes, claro. 

Como têm sido as criticas aos teus livros? 
Um autor tem que estar preparado para não agradar a toda a gente. Mesmo os melhores autores e os autores consagrados têm leitores que não apreciam o seu estilo, as suas histórias, o tom… Há um público para o nosso estilo, temas, etc. Ainda assim, as opiniões têm sido positivas. Este último livro, sendo recente e um e book (não há como escapar ao facto de que, mesmo que seja um bom livro, chegará sempre a menos gente por esse motivo) tem ainda poucas opiniões, mas têm sido muito boas. O Alma, que saiu em papel e tem mais tempo, já teve uma recepção mais variada, com leitores que gostam mais e outros que gostam menos, é um tipo de livro muito específico. Mesmo esse tem recebido muito mais opiniões positivas do que negativas. Estou bastante satisfeita. Agora só gostaria que aumentassem os leitores do Chama, que apesar de tudo, no ranking dos e-books mais vendidos na wook, está em segundo lugar! E com os leitores, claro, as opiniões. 

O meu agradecimento ao Flames, não só pela maravilhosa opinião acerca do A Chama ao Vento, mas por toda a simpatia e pela entrevista. Muito boa sorte!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

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Livro: A Chama ao Vento (Carla M. Soares)



Título: A chama ao vento (eBook)
Autora: Carla M. Soares
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 430 (aproximadamente)
Editor: Coolbooks
ISBN: 978-989-766-004-7
Idioma: Português

Se está à procura de um livro que o deixe intrigado desde a primeira página, e que o faça lutar contra o sono, fome e outras coisas, para continuar a ler... PARABÉNS! Não precisa de procurar mais, porque acabou de o encontrar. As duas palavras de ordem aqui neste livros são, sem dúvida: INTRIGANTE e VICIANTE.

Tinha imensa curiosidade em ler um livro da autora pelas escolhas, críticas e comentários que a mesma tece no Goodreads. Assim, quando a Coolbooks lançou este e-book, tive logo vontade de o ter, especialmente porque estava a ter umas críticas bastante interessantes.

A história, como já disse, é intrigante e surpreendente desde início. E se pensa que se ficará por aí, engana-se. Tal como a própria autora me tinha avisado, quanto mais avançamos, mais misterioso se torna.
Nela encontramos Francisco, um jornalista frio e atormentado com um passado que ele próprio desconhece. Conhecer as nossas raízes é muito importante para a nossa construção pessoal. Francisco, tem vagas recordações da mãe, do pai e de Nathalie. Morou com os avós em pequeno, uma avó que o amava apesar de não o saber bem demonstrar, e um avô que não o queria.
No dia em que tem uma desavença com Teresa (sua namorada), recebe um telefonema de um homem que não conhece que lhe promete respostas, e uma mala com documento e fotografias.
Quem será? Quem serão os seus familiares e porque o abandonaram? E de quem será o corpo que é atirado ao mar logo no início do livro?
Ambientado em Portugal, em Lisboa, e viajando entre os dias de hoje, a altura da 2ª Guerra Mundial e o 25 de Abril., Carla M. Soares traça um retrato fiel do Portugal dessa altura, sem o fazer de forma maçadora. Apesar de eu ler imensos livros sobre a 2ª Guerra Mundial, li poucos sobre a forma como se vivia em Portugal nesta época e, por isso para mim, esta foi uma leitura ainda mais instrutiva. Não vos coloquei a sinopse do e-book aqui propositadamente porque a história, mais ou menos a 30%, muda de forma quase radical e surpreende imenso. Se eu tivesse lido a sinopse antes penso que tinha perdido o efeito surpresa.

Em 430 páginas, Carla faz-nos vestir a pele de várias personagens. Ora temos acesso aos pensamentos recônditos de Francisco, ora estamos a sentir as emoções de Carmo, ora caminhamos ao lado de João Lopes. Ah... João Lopes... a personagem com quem mais empatizei ao longo de todo o livro.

Uma outra coisa que adorei e de que gosto sempre em todos os livros que leio, é quando a autora escolhe um título que depois, a certeza altura, faz todo o sentido. Adoro chegar àquele momento em que lemos algo e tudo se percebe. Aquele momento em que revisitamos o título e pensamos: Sim! Perfeito...

Espero com todas as forças que as pessoas não se sintam impedidas a ler esta obra em e-book. A meu ver deveria ser publicado em papel, pois ainda há muita gente que não lê em plataformas digitais e que está a perder um dos melhores livros que li nos últimos tempos! Como se agradece a um autor o rol de emoções que este nos proporciona? Aquela sensação de felicidade e de prazer único pela leitura? Não sei.. esta foi uma pequenina forma que arranjei para o fazer... Parece-me insuficiente, mas espero conseguir transmitir à autora o que me fez sentir a mim quando li a sua OBRA!

Ponto negativo do livro: a autora fala tantas vezes de lanches, pastelarias e pasteis de nata, que por vezes me deixou completamente aguada eheheh.

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