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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

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Livro: Uma dor tão desigual





Editor: Editorial Teorema
Edição ou reimpressão: 2016
ISBN: 9789724751139

SINOPSE

«Este livro resulta de um desafio feito a oito autores portugueses para que explorassem as fronteiras múltiplas e ténues que definem a saúde psicológica e o que dela nos afasta. Em estilos muito diferentes, um leque extraordinário de escritores brinda-nos com textos que mostram como qualquer um de nós pode viver momentos difíceis e precisar de ajuda.
Estas são histórias de perda, solidão, fraqueza e delírio, mas também de esperança e humanidade. São relatos de gente que podíamos conhecer e talvez conheçamos, histórias íntimas e ricas de homens e mulheres como nós.
A área da saúde psicológica está ainda sujeita a muitos preconceitos, que dificultam a procura de ajuda profissional e estigmatizam quem sofre. Pretende-se com este livro combater esses preconceitos, despertar consciências e ajudar a encontrar uma saída.»

OPINIÃO

(Roberta Frontini)

Este livro chamou-me à atenção por vários motivos: 
1) pela temática que aborda;
2) por ter o "selo" da Ordem dos Psicólogos Portugueses (e para quem não sabe, tanto eu como a Mariana somos psicólogas);
3) pelos autores que escreveram os contos (este livro contem pelo menos 3 autores que eu admiro imenso: Afonso Cruz, Joel Neto e Richard Zimler);
4) por serem contos.. e eu adoro contos. 

Inicialmente a minha ideia era ler os contos e fazer uma análise de cada um tendo em conta as patologias que apresentavam.. mas assim que li o primeiro conto percebi que isso não ía ser possível... algumas patologias não são bem delineadas e isso é das coisas mais interessantes do livro porque, na vida real, as coisas são de facto assim. Outras vezes nem se pode falar numa patologia no sentido de se enquadrar numa nomenclatura específica. É apenas a história de vida de uma pessoa...
Vejamos alguns dos contos com mais algum detalhe: 

Afonso Cruz 

Afonso Cruz apresenta, através de uma história muito bem escrita, um acumulador compulsivo, mas da-lhe um novo olhar. Usa palavras diferentes que raramente são usadas e foca-se num museu de objectos inúteis. Quem toma conta do museu é um senhor que os recolhe e que inventa uma história para cada objecto. Um conto ao estilo de Afonso Cruz onde, quem sabe, o leitor mais experiente encontrará personagens (ou histórias) presentes noutros livros dele...

Dulce Maria Cardoso 

O conto parece estar dividido em duas partes que se interligam.. mas essa interligação é um pouco deixada ao leitor e não foi de todo clara. Fala sobre um homem que inventa o seu passado. Está muito bem escrito, mas faltou-me qualquer coisa... talvez o resto devesse ser deixado à imaginação do leitor...

Gonçalo M. Tavares

Gostei imenso deste conto. É um relato totalmente desigual e insano sobre os pensamentos de um esquizofrénico. Apesar de "louco", lê-se muito bem e é interessante. E parece, de facto, tratar-se de um discurso que frequentemente é ouvido por parte de uma pessoa que sofre desta patologia. 

Joel Neto 

Só o Joel Neto consegue pegar numa história real e conta-la desta forma agradável. Neste conto, inicialmente sente-se alguma crítica por parte do autor relativamente ao excesso de diagnóstico que existe, no entanto, terminei o conto a achar que o Joel Neto nos quis demonstrar que cada um de nós tem algo.. que afinal a loucura está um pouco dentro de cada um. Achei o conto muito bonito, a escrita muito boa e uma linda homenagem. Bem escrito, fácil de se ler... como Joel Neto já nos habituou.

Maria Teresa Horta 

Gostei imenso da ideia deste conto, mas a certa altura torna-se confuso e um pouco cansativo. Trata-se da história de uma mulher que confunde realidade com ficção (o próprio leitor começa a confundir). É a história da sua gravidez e do pós-parto. Repito: a ideia é fabulosa, mas a escrita é cansativa... 

Nuno Camarneiro 

Foi a primeira vez que li algo do Nuno, e posso dizer que o autor me conquistou completamente. A escrita é simples e fluída (e depois fala no Etna, por isso já tem muitos pontos para me conquistar :p ). Trata da história de um homem que é deixado pela mulher e que tem de aprender a se re-organizar (nomeadamente na relação com a filha). Uma escrita mesmo cativante e interessante. 

Patrícia Reis 

Foi a primeira vez que li algo desta autora. Adorei a história mas o que mais gostei foi a escrita. A história, na verdade, é banal (mulher que é deixada pelo marido e que começa a ir a um psicólogo). Vamos acompanhando esta senhora ao longo de 4 consultas. O discurso é que é muito real e é um discurso muito típico destas pessoas. Está muito bem pensado. Gostei bastante.

Richard Zimler 

Foi o meu conto preferido mas que beneficiou pelo facto de ser mais comprido. A história é interessante e o autor consegue abordar vários assuntos diferentes. A ligação com as questões da saúde mental pode não ser tão evidente como nos outros casos, mas este é um dos pontos fortes do conto. Gostei bastante!

No final, o saldo é mais do que positivo. É um livro que vale mesmo a pena e que de certeza irei reler. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

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Livro: O Prazer da Leitura




Os livros de contos nunca foram os meus favoritos, mas este atraiu-me por, na capa, estarem dois nomes de peso. Primeiro Ondjaki que recentemente foi premiado. Outro, o grande e fabuloso Afonso Cruz de que sou fã incondicional.
Este pequeno livro acabou por se tornar grande à medida que o fui lendo, pois a qualidade dos contos é incontestável. Para além de o recomendar vivamente, quero-vos deixar uma pequena descrição (SEM SPOILERS) de cada conto, e a minha opinião sobre cada um.


A mulata, o mosquito e Chet Baker
Ondjaki
A história: O que fará Chet Baker num pub/bar e que relação terá ele com uma mulata e um mosquito?

A opinião: Foi a primeira coisa que li de Ondjaki, e não foi capaz de me encher as medidas. Foi, de todos os contos, o que menos gostei, e só a meio me identifiquei com a escrita. Não consegui criar grande empatia com as personagens.

O cavaleiro ainda persegue/a mesma donzela
Afonso Cruz

A história: O narrador da história parte à procura de uns possíveis escritos perdidos do seu autor favorito, autor esse que apenas escreveu um livro.

A opinião: Ainda deve estar para vir o dia em que Afonso Cruz me desiluda. Aliando uma história fabulosa com uma escrita mágica, este conto só podia dar uma explosão de emoções.

Por ares nunca dantes
Onésimo Teotónio Almeida 

A história: Comovido com a doença de um amigo, o narrador deste conto empresta uma grande quantia de dinheiro a Vanda, para que esta leve o marido a Portugal por forma a que morra na sua terra Natal.. e é aí que a desconfiança se instala..

A opinião: Como conhecia Afonso Cruz, não fiquei surpreendida com o seu conto. Onésimo foi, assim, a minha primeira grande surpresa neste livro. Uma escrita fluída e interessante, com um final que considerei o mais adequado, mas que sei que poderá desiludir a alguns..

A mulher com Mê grande
Ricardo Adolfo 

A história: Víctor encontra um envelope em cima da mesa da sala. A sua leitura não o permite combater o seu grande inimigo: a insónia. E assim, começam um conjunto de peripécias despoletadas pela leitura...

A opinião: Este foi O MELHOR CONTO QUE JÁ LI EM TODA A MINHA VIDA e já perdi a conta ás rezes que o reli. FABULOSO, de morrer a rir. Li-o em casa, em silêncio, em voz alta, no jardim, no autocarro, outra vez em casa, li-o a mim própria, li-o aos outros... AMEI e quero ler muitas obras de Ricardo Adolfo depois disto.

A biblioteca
Dulce Maria Cardoso

A história: Um homem conta a sua história e como é que os livros lhe salvaram a vida...

A opinião: Mais uma história interessante.. mais uma escritora que desconhecia... mais uma escrita que me cativou 

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