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domingo, 3 de junho de 2018

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Novidades Musicais


Carolina Deslandes tornou-se numa cantora muito querida para mim. A sua música "A vida Toda" é um hino ao amor e não me canso de a cantar. Espero conseguir estar presente num dos seus concertos. 

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Casaestá a ser apresentado em todo o País. Todas as datas da digressão em baixo:

02 JUN: Évora, Queima das Fitas
03 JUN: Marinha Grande, Festas da Cidade
08 JUN: Leiria, Teatro José Lúcio da Silva
23 JUN: Rock in Rio Lisboa
30 JUN: Lousada, Festival Vila
07 JUL: Ponte de Sôr, Festas da Cidade
20 JUL: Condeixa, Festas de Condeixa
21 JUL: Trofa, BeLive
21 JUL: Vila Nova de Gaia, MEO Marés Vivas
04 AGO: Vila de Rei, Feira dos Enchidos, Queijo e Mel


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“Mamma Mia! Here We Go Again”
Banda Sonora da sequela do filme editada a 13 de julho
Álbum já está disponível em pré-venda

A banda sonora do filme “Mamma Mia! Here We Go Again” está prevista ser editada a 13 de julho, uma semana antes da tão aguardada estreia de “Mamma Mia! Here We Go Again”. Este será o Verão dos ABBA e da banda sonora produzida por Benny Andersson. O álbum já está disponível em regime de pré-venda e no ato da compra, os fãs recebem o tema “When I Kissed the Teacher”, interpretado por Lily James e a girl band The Dynamos.

A muito aguardada sequela do sucesso “Mamma Mia! The Movie” estreia a 19 de Julho. Em “Mamma Mia! Here We Go Again”, Meryl Streep, AmandaSeyfried, Pierce Brosnan, Colin Firth,StellanSkarsgård, Julie Walters, Dominic Cooper e Christine Baranski regressam aos papéis de“Mamma Mia!The Movie”, com Lily James e Cher, que agora se juntaram ao elenco. Alexa Davies, Josh Dylan, Andy Garcia,Jeremy Irvine, Hugh Skinner e Jessica Keenan Wynncompletam a equipa.

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Snow Patrol
Primeiro álbum em sete anos, “Wildness”, já nas lojas
Grupo apresenta novo disco a 12 de julho no festival NOS Alive

“Wildness”, o primeiro álbum em sete anos dos Snow Patrol, já está nas lojas. “Wildness” relaciona-se com algo bastante cru e primitivo, sendo que o líder e compositor Gary Lightbody diz sobre o álbum: “Existem várias formas de se ser selvagem, mas acho que o podemos dividir em duas: o lado selvagem da era moderna, com toda a sua confusão, ilógica e alienação e o lado selvagem mais antigo. Algo primitivo, vivo e belo que se relaciona com a nossa criatividade mais verdadeira, com as nossas paixões, os nossos amores, a nossa comunhão com a natureza e com o outro. Este álbum é sobre este lado selvagem. A sua perda. A tentativa de o recuperarmos e de nos lembrarmos dele.”

Para assinalar o lançamento de “Wildness”, os Snow Patrol estrearam vídeos de vários temas, nomeadamente de “A Youth Written In Fire”, “Life and Death”, “Wild Horses” e “A Dark Switch”. Estes sucedem-se aos vídeos já revelados de “Empress”, “What If This is All The Love You Ever Get?”, “Life on Earth” e “Don’t Give In”.

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Shawn Mendes acaba de lançar o muito aguardado álbum homónimo
Músico atua a 11 de agosto no MEO Sudoeste e regressa a 28 de março de 2019 à Altice Arena

O multiplatinado cantautor Shawn Mendes acaba de lançar o seu muito aguardado terceiro álbum, homónimo. O álbum sucede-se ao duplamente platinado “Illuminate”, de 2016, do qual saiu o êxito “There’s Nothing Holdin’ Me Back”, e “Handwritten”, de 2014, que inclui o single “Stitches”, que conquistou 7 Platinas. Ambos os álbuns entraram diretamente em 1.º lugar na tabela Billboard Top 200. A NME refere que o álbum “Shawn Mendes” mostra “um novo caminho luminoso e desafiante”, enquanto a Billboard refere que o álbum transita “para um mundo mais maduro ao nível da produção e da composição acutilante.”

Em antecipação do álbum, Shawn Mendes lançou o hino de verão “Nervous”, composto com Julia Michaels e que se sucede às canções “In My Blood”, “Lost In Japan”, “Youth feat. Khalid” e “Where Were You In the Morning?”.

O álbum inclui sucessos como “In My Blood” e “Lost In Japan”, que entraram nos 1.º e 2.º lugares do top do iTunes nos EUA, no top 5 do iTunes em 50 países, e em 1.º e 2.º lugar da playlist New Music Friday do Spotify. O álbum conta ainda com canções como a recente “Nervous”, “Youth feat. Khalid”, “Fallin’ All In You” (composta com Ed Sheeran), “Particular Taste” (composta com Ryan Tedder” e “Like to Be You” com Julia Michaels, que coescreveu a canção, que é produzida por John Mayer, que também serve de produtor.

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Diogo Piçarra
EP Abrigo estreou hoje de surpresa no canal Vevo


São três as músicas novas que Diogo Piçarra estreou hoje, de uma só vez, apanhando os fãs de surpresa. O EP Abrigo foi dado hoje a conhecer, quando no seu canal VEVO, ficaram disponíveis três videoclipes que funcionam como uma trilogia, inteiramente concebidos, realizados e editados pelo próprio Diogo Piçarra em parceria com o irmão André Piçarra. Com Diogo Piçarra, contracena a jovem atriz Paula Magalhães.

Esta é a primeira vez que Diogo Piçarra é inteiramente responsável por uma edição, tendo produzido na integra todos os temas que compõem este EP, “Abrigo”. As três músicas, “Era Uma Vez”, “Abrigo” e “Paraíso”, foram também escritas, compostas e tocadas pelo próprio.

As misturas e masterização ficaram a cargo de CharlieBeats.

“Abrigo” sucede ao galardoado segundo álbum “do=s”, no qual estão incluídos os singles de sucesso Dialeto, História, Já Não Falamos e Só Existo Contigo, os quais, juntos, somam mais de 35 milhões de visualizações.

Paraíso” é o single escolhido, entre as três novas canções.

Diogo Piçarra continua a muito bem sucedida digressão de “do=s”, a qual entre as datas passadas e as que estão agendados este ano soma mais de 140 concertos. Esta foi a tour que o levou a pisar pela primeira vez os palcos dos Coliseus do porto e Lisboa, em dois concertos esgotados e é a mesma digressão que o levará ao Palco Mundo do Rock in Rio, já a 23 de junho e ao palco principal do Meo Sudoeste, a 11 de agosto.

terça-feira, 15 de maio de 2018

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Novidades musicais

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Açoreana Tour António Zambujo 2018 anuncia concertos extra e já soma 13 espectáculos

Boss AC revela vídeo do novo single: “Queque Foi”

Canção faz parte do novo EP do rapper, “Patrão”, já disponível nas lojas digitais



Este novo conta com participações dos Black Company e DJ Ride. 

Apesar de afastado das edições durante algum tempo, Boss AC nunca parou de compor e escrever novas músicas, até perceber qual a altura certa de as lançar e mostrar ao mundo. Agora é o momento.

Shawn Mendes está de volta com um novo álbum, homónimo, a 25 de maio
Disco já está disponível em regime de pré-venda

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Banda Sonora de “Vingadores: Guerra do Infinito” foi composta por Alan Silvestri e será editada em CD a 25 de maio

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Vingadores: Guerra do Infinito” é um dos mais aguardados filmes dos super-heróis da Marvel do momento e depois da estreia nas salas portuguesas, chega às lojas digitais a banda sonora do filme, composta por Alan Silvestri. Alan já foi nomeado por duas vezes para os Óscares (pela música composta para “Forrest Gump” e “The Polar Express”) e é autor da banda sonora de filmes icónicos como “Regresso Ao Futuro”, “Quem Tramou Roger Rabbit?”, “A Morte Fica-vos Tão Bem” ou “Capitão América: O Primeiro Vingador”.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

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Novidades musicais


Olá!
Passo por aqui para vos deixar algumas das últimas novidades no mundo da música :) 
Espero que gostem!
Roberta 


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The Cure reeditam “Mixed Up” a 15 de junho com versão remasterizada
Conta com 16 novas misturas por Robert Smith e 11 misturas raras
Mixed Up

Com o lançamento do álbum “Disintegration” e a digressão mundial que se seguiu, “Prayer Tour”, os The Cure terminavam triunfantes a década de 1980, mas no primeiro ano dos anos 1990 o grupo encontrava-se, inesperadamente, instável.

Determinado a manter o sucesso da banda, mas sabendo que não existiam tensões internas para abordar antes de voltarem ao estúdio, Robert Smith decidiu fazer algo de diferente: selecionar as remisturas mais raras de temas da banda. À medida que o trabalho em “Mixed Up” progredia, Smith apercebeu-se que algumas das primeiras remisturas dos The Cure não estavam ao mesmo nível das mais recentes.

Dois temas no álbum, “A Forest” e “The Walk”, não foram somente remisturados, mas inteiramente regravados. As canções foram reconstruídas em estúdio com o produtor Mark Saunders, usando muito do material original.

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Banda Sonora do documentário “Beside Bowie: The Mick Ronson Story” nas lojas a 8 de Junho

Disco será lançado em CD, vinil e digital


A Universal Music orgulha-se de anunciar o lançamento da banda sonora de “Beside Bowie: The Mick Ronson Story” para o dia 8 de Junho. A banda sonora acompanha o lançamento em DVD e Blu-ray do documentário “Beside Bowie: The Mick Ronson Story”, que serão editados no mesmo dia.
A banda sonora será a primeira retrospectiva de carreira oficial desta virtuoso da guitarra. Além de temas marcantes dos discos a solo de Mick Ronson, a compilação inclui colaborações com David Bowie, Elton John, Ian Hunter, Queen e Michael Chapman. O álbum inclui ainda uma versão inédita de “This Is For You”, de Joe Elliott dos Def Leppard e uma homenagem a Mick Ronson do pianista Mike Garson (David Bowie, Nine Inch Nails, Smashing Pumpkins). A banda sonora estará dispon ivel em CD e formato digital, bem como em vinil de 180 gramas e numa edição limitada em vinil colorido que inclui um extenso ensaio sobre o músico.

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Nicki Minaj está de volta com duas novas canções: “Barbie Tingz” e “Chun-Li”
Rapper lançou o seu último álbum em 2014, “The Pinkprint”


Nicki Minaj surpreendeu tudo e todos e deixou os seus fãs em êxtase com o anúncio de duas novas canções: “Barbie Tingz” e “Chun-Li”.

Apesar de ter editado o seu último álbum, “The Pinkprint”, em 2014, a rapper tem mantido constantes colaborações com outros grandes nomes do hip hop. No início deste ano, Nicki Minaj e Quavo (dos Migos) partilharam o vídeo do tema “She For Keeps”, colaboração que faz parte da mixtape “Control the Streets Volume 1”.
No último ano Minaj colaborou com nomes como Yo Gotti (em “Rake It Up”), Lil Uzi Vert (em
“The Way Life Goes”), Travis Scott (em “Krippy Kush (Remix)”), com os Migos e Cardi B (em
MotorSport”), entre outros.

Agora Nicki Minaj está de volta. Preparem-se.

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Florence The Machine - O regresso com “Sky Full Of Song”
Single será editado em vinil de 7” no Record Store Day


Os Florence The Machine acabam de desvendar o seu belíssimo novo tema, “Sky Full Of Song”. Lançado de surpresa em parceria com o Record Store Day, o single terá ainda uma edição limitada em vinil de 7” no dia 21 de abril. Já está também disponível o vídeo da canção, realizado por A.G Rojas.

Relativamente a “Sky Full Of Song”, a própria Florence escreveu: “Esta é uma canção que caiu do céu já completamente feita. Por vezes quando estás a atuar sentes-te de tal forma nos píncaros que é muito difícil descer [à terra]. É aquela sensação de te sentires quebrada, correndo incessantemente de um lado para o outro, de querer que alguém te abrace e te faça voltar a ti mesma. É um sentimento incrível, celestial, mas, por vezes, um pouco solitário.”

Esta edição de “Sky Full Of Song” para o Record Store Day será acompanhada de uma gravação de “New York poem (for Polly)”, retirada de “Useless Magic”: uma coleção de letras, artwork e poesia que irão formar o primeiro livro de Florence, que oferece um olhar único e pessoal sobre o seu processo criativo. “Useless Magic” será editado a 5 de julho.

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Snow Patrol estreiam nova canção e vídeo: “Life On Earth”
Single faz parte de “Wildness”, o primeiro álbum dos Snow Patrol em sete anos, que será apresentado dia 12 de julho, no NOS Alive

Os Snow Patrol acabam de estrear o vídeo para “Life On Earth”, a nova canção retirada de “Wildness”, o primeiro álbum da banda em sete anos. O vídeo foi rodado na Agência Espacial Europeia na Holanda e foi estreado pelo astronauta britânico Tim Peake.

A banda vai apresentar as novas canções de “Wildness” em Portugal no próximo dia 12 de julho, no âmbito do festival NOS Alive, no Passeio Marítimo de Algés.

Este ano, o grupo vai lançar uma edição limitada do single “Don’t Give In” em vinil de 10”, acompanhado do tema “Life on Earth”, a propósito do Record Store Day, a 21 de abril.

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Reedição de “Cairo” dos Táxi mantém-se desde Março no top de vendas nacional
Álbum inclui temas emblemáticos como “Cairo”, “O Fio da Navalha” e “Hipertensão”


Formaram-se há quase 40 anos no Porto e ainda hoje os Táxi são recordados como um dos mais lendários e marcantes grupos da pop nacional que quebrou barreiras na década de 80. 36 anos depois da mítica edição do vinil em caixa metalizada, a editora Universal Music, juntamente com os Taxi, reeditaram o vinil de “Cairo”, que tem sido considerado um dos melhores discos de sempre do rock português e foi o segundo disco de ouro da banda.

Esta reedição tem sido um grande sucesso de vendas, mantendo-se desde Março no top 50 de vendas nacional e encontrando-se em 2.º lugar do top de vinil das lojas FNAC.

Lançado originalmente em 1982, “Cairo” foi um disco marcante na pop nacional de então. Sucessor do muito bem-sucedido álbum de estreia homónimo, “Cairo” surpreendeu não só pela inovadora capa metalizada, mas acima de tudo por canções que ficaram para a história como o tema que dá título ao disco, “Cairo”, “O Fio da Navalha” ou “Hipertensão”.

Na altura, “Cairo” vendeu cerca de 15 mil cópias apenas três dias depois de ter chegado às lojas.

Agora está de volta e novamente em vinil. Uma reedição a não perder de um dos maiores clássicos da pop nacional.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

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Entretenimento: Álbum "Nome Próprio" de Ana Bacalhau





* Por Mariana Oliveira *

A primeira vez que me cruzei com a Ana Bacalhau foi em 2011 quando os Deolinda deram um excelente concerto na Queima das Fitas de Coimbra. Lembro-me de na altura ter pensado como esta banda era tão portuguesa: a sua sonoridade, as suas letras e roupas... tudo neles respirava Portugal!

Contudo, com o passar dos anos fui notando uma pequena alteração na vocalista da banda, a Ana Bacalhau. Para além de se ter tornado numa mulher mais madura, foi ganhando um grande destaque e cada vez mais deixou de ser apenas a vocalista de uma banda para se tornar numa artista em nome próprio. Por isso mesmo, quando soube que a Ana iria editar um álbum a solo, intitulado precisamente de “Nome Próprio”, não fiquei surpresa porque os últimos anos já faziam adivinhar que a cantora iria tomar um passo destes mais cedo ou mais tarde.



Neste álbum, para mim, a cantora faz questão de destacar o quanto mudou com o tempo. Assim, o pontapé de saída é dado com o tema “Leve como uma pena” no qual Ana Bacalhau mostra como se sente livre para seguir o seu percurso como artista a solo e para abraçar este novo desafio na sua vida. Podem criticá-la, dizer o que quiserem mas ela sente-se leve e capaz de fazer tudo aquilo a que se propõe.
Também com o tema “Vida Nova” a cantora mostra a sua vontade de seguir um novo rumo da sua vida. Ana mostra que está farta dos adereços e quer uma vida mais simples, com destaque para aquilo que realmente é importante.
Foi nesta altura que comecei a pensar que a mudança na vida da artista era maior do que aquilo que eu tinha previsto inicialmente. Uma rápida pesquisa pelos meandros da internet rapidamente me elucidou: a Ana foi mãe pela primeira vez em 2017 e este evento tirou-me quaisquer dúvidas que ainda pudessem persistir relativamente às mudanças ocorridas na vida da cantora.

Um tema que me lembrou bastante os Deolinda foi a canção intitulada “A Bacalhau” que é muito castiça, tal como sempre achei que a banda é. A letra é sobre o inusitado apelido da cantora que, pelos vistos, desde a sua infância que é tema de conversa. Confesso que a primeira vez que soube qual era o seu nome pensei que Bacalhau seria um nome artístico, por isso achei uma certa graça perceber que não fui a única a pensar isso! A cantora tem muito orgulho no seu nome e faz questão de o mostrar nesta música que, para mim, é das melhores do álbum.

O resto do disco é composto por vários temas que comprovam não só o poder vocal de Ana como também a sua predilecção por letras inteligentes e trocadilhos engraçados.   



Este álbum de estreia a solo de Ana Bacalhau só confirmou aquilo que eu desconfiava deste aquele grande concerto em 2011: a cantora tem uma voz inconfundível, cheia de carisma e personalidade, e escolhe as letras das suas canções a dedo fazendo de cada tema uma história marcante.

Se tivesse de definir este álbum em 3 palavras estas seriam:

- Castiço
- Lusitano
- Sincero

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

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126ª Entrevista do FLAMES: Marco Rodrigues (fadista português)


Marco Rodrigues


Foi com apenas 15 anos de idade que Marco Rodrigues começou a cantar fado, mas pode dizer-se que o mesmo já lhe corria nas veias desde que nasceu.

Estreou-se na gravação de álbuns com o disco "Fados da Tristeza Alegre" (2006), ao qual se seguiram "Tantas Lisboas" (2010), "Entretanto" (2013) e "Fados do Fado" (2015). Este ano, o Marco brindou-nos com o seu quinto álbum de estúdio intitulado "Fado do Cobarde". O FLAMES esteve à conversa com artista para saber em pormenor no que é que consiste o seu mais recente disco.

Entrevista anterior feita pelo FLAMES ao artista: http://flamesmr.blogspot.pt/2015/07/102-entrevista-do-flames-marco.html


Alguns dos temas presentes neste álbum não são fado, mas o fado estará sempre presente pelo menos através da tua interpretação. Porquê esta decisão para este disco? 
Antes mais deixa-me dizer-te que o disco é composto por 3 fados tradicionais que são tocados pelos instrumentos tradicionais: o trio de viola, guitarra portuguesa e baixo, sem qualquer tipo de outro instrumento. A diferença é que escolhi 3 letristas que nada têm a ver com a linguagem fadista para stes 3 temas específicos e mais tradicionais. Decidi então convidar o Carlão, a Capicua (entrevista feita pelo FLAMES à artista aqui) e a Luísa Sobral (entrevistas feitas pelo FLAMES à artista aqui e aqui) sendo que eu já tinha feito uma música com a Luísa. Não era um fado, mas uma música minha. Desta vez decidi desafiar estes artistas para escreverem letras para 3 fados tradicionais, que exigem algumas regras, a nível de métrica, rima, etc. Foi um desafio fantástico. Para além disso, todo o resto do disco será composto por canções de compositores e letristas que não têm a ver com este ambiente do fado mas que ao pensarem em mim, enquanto intérprete, fizeram temas exactamente a pensar num fadista, num ambiente mais intimista que é como a música que eu canto. 

Também convidaste pessoas dos ÁTOA... 
Sim, os ÁTOA (entrevista feita pelo FLAMES à banda aqui), o Diogo Piçarra (entrevistas feitas pelo FLAMES ao artista aqui e aqui)... convidei uma série de pessoas que eu considero muito enquanto artistas e intérpretes. Eu gosto muito do Diogo por exemplo, e o desafio deste disco foi sem dúvida esse, convidar essas pessoas para os aproximar a este ambiente fadista que é um ambiente que não está presente na música que eles fazem. 

Como foi o processo de selecção destes artistas? Como é que decidiste quem iria participar neste álbum?
Os meus 4 discos anteriores eram voltados para o fado. A base era essa. Este é o contrário. Neste disco eu quis 3 fados tradicionais que fizessem com que as pessoas me reconhecessem enquanto artista, mas depois quis abrir um pouquinho os meus horizontes musicais até porque eu ouço muitos tipos de música. Por isso, decidi arriscar com um disco menos tradicional mas que me fizesse sentido. Foi essa a base da selecção. 

E estiveste envolvido directamente no processo criativo de cada tema, ou deixaste os artistas livres para se expressarem à vontade? 
Grande parte dos temas foi criada de forma livre. Disse que gostava de ter um tema de cada um dos compositores, embora haja um ou outro tema em que eu pedi para que escrevessem especificamente dentro daquele ambiente. Estou a lembrar-me do Pedro Silva Martins que fez um tema incrível e que eu achei muito interessante. Eu fui pai há uns meses, então pedi-lhe para ele escrever um tema não como todos os temas que se escrevem neste contexto que é um amor incondicional entre um pai e um filho, e aquela paixão enorme que acontece quando somos pais, mas eu queria que ele  escrevesse um tema sobre as coisas mais corriqueiras e caricatas que ocorrem quando te deparas com a paternidade. Por exemplo, as noites que não dormes.. o tema chama-se "Mal dormido", o levantar durante a noite e pisares um brinquedo fora do sítio, as fraldas, o ranho, enfim, as coisas que são caricatas quando passamos a ser pais. À excepção desse tema onde eu dei o mote, todos os outros artistas estavam completamente livres para poderem escrever.. sempre, claro, a pensar num ambiente mais intimista e num intérprete fadista.  

Relativamente ao videoclip do single "Fado do Cobarde", participaste em todo o processo criativo ou confiaste a tarefa aos profissionais que nele trabalharam?
Nós apresentámos a ideia à Joana Areal (que é uma realizadora fantástica). O vídeo do "Dia de Folga" da Ana Moura (entrevista feita pelo FLAMES à artista aqui) foi ela que produziu. Quando pensámos na Joana, pensámos num vídeo para uma música que, não sendo um fado tradicional, eu gostava que fosse um vídeo fresco e novo, diferente.. com um ar de Verão. Foi a única coisa que eu disse. Eu disse apenas que queria um vídeo que ilustrasse esta história de estarmos numa relação que não vai para a frente e não funciona e que não conseguimos sair dali. Quase uma ironia. A Joana fez um trabalho fantástico ao convidar esta bailarina (Filipa Peraltinha) e coreógrafa que fez um trabalho incrível. Nota-se que ela está-se a ir embora.. mas todo o contexto, toda a imagem... isto foi gravado num armazém de pescadores, em Setúbal. Nota-se perfeitamente que ela está a querer sair e ir embora da relação, mas está com dificuldade. E esta forma de dança contemporânea consegue transmitir bem esta ideia. A juntar a isto, o facto de estarmos em Setúbal, com uma vista daquelas, no Verão, temos praia, temos sol, temos uma relação que é cantada e interpretada de uma forma quase caricata. Nós sabemos que isto não vai dar em nada, mas não conseguimos mesmo sair daqui. Não dei muitas dicas, deixei à criatividade da Joana e não me arrependo nada. 


Em relação ao álbum, o que é que podemos esperar deste novo trabalho? 
É um álbum com canções que, da minha parte, terão uma ligação ao fado.. é a música que eu faço e é quase impossível eu interpretar os temas de outra forma. Mas as pessoas podem esperar 3 fados tradicionais e outras músicas de pessoas que nada têm a ver com este meio musical. Mas este meio desperta-os, todo este misticismo e características específicas que este género tem, que gostam muito do meu trabalho felizmente e que quiseram alinhar neste desafio. Acho que está muito interessante exactamente por esta ideia de pessoas que não estão neste meio nem estão habituadas a fazer musicas. 

Notaste diferenças entre a forma como os artistas mais novos e mais velhos se relacionavam com este estilo musical? 
Devo-te dizer que sim, mas o feedback foi muito positivo. Ficaram contentes com o convite e com a ideia de participar neste desafio, mas não senti diferenças a nível musical... para mim, a grande surpresa foi este "Fado cobarde" que foi um dos primeiros temas que apareceu e sem dúvida que, pela idade dos compositores, do João e do Gui (ÁTOA), surpreendeu-me bastante a maturidade com que foi escrito e a ideia musical que me quiseram transmitir. Claro que a produção do Tiago Machado e a minha deram uma nova viragem ao tema, mas fiquei agradavelmente surpreendido com a maturidade a nível musical e a prontidão com que trabalharam no tema e mo mandaram logo. Os Amor Electro também fizeram um tema incrível, com muito charme e de que também gosto. Por isso também eu escolhi logo este tema, porque acho que faz muito bem a ponte entre o meu último disco que é de fado tradicional, e que são clássicos do fado, para este novo disco.

Quando estás a promover um novo trabalho pensas apenas nesse álbum ou começas imediatamente a projectar o trabalho seguinte?
Por acaso a minha matriz de álbum para álbum tem sido esta: foco-me no trabalho presente e nem penso sequer se vou fazer outros álbuns. Neste momento estou focado na tournée e nem sequer penso em vir a gravar mais alguma coisa. Estou focado em trabalhar nestas músicas e com os músicos para podermos apresentar estes trabalhos ao vivo. No próximo ano está fora de questão pensar num próximo álbum. Se bem que o processo criativo de um artista é um processo contínuo, não é sazonal. Claro que se de hoje para amanhã surgir um tema qualquer que eu ache fantástico provavelmente pensarei em guardá-lo para um próximo álbum. 

O fado vai sobreviver sem dificuldades ao teste do tempo?
Eu não acho, eu tenho a certeza absoluta, até porque se o fado sobreviveu até agora.. quando cheguei a Lisboa no final dos anos 90, o fado estava completamente abandonado, pouca gente ia a concertos de fado e os artistas tinham pouca visibilidade. Foram os bairros típicos e as casas de fado que conseguiram manter isto. Se o fado sobreviveu a esta altura...
Lembro-me que no Bairro Alto a geração de fadistas era toda muito antiga. Havia muita pouca juventude a querer cantar fado e a apaixonar-se com esta música. Se o fado sobreviveu a isto, seguramente irá sobreviver, especialmente agora que temos uma geração novíssima de miúdos com 14, 15, anos que eu já convido para cantar comigo e que são super apaixonados por esta música. Vou mais longe, o fado está para durar e com muita força. 

Nos últimos anos houve um aumento exponencial do número de turistas que nos visitam. Consideras que o fado poderá utilizar esta nova realidade a seu favor? 
O fado não vai utilizar os turistas, os turistas é que têm alimentado o fado. As casas de fado hoje em dia felizmente já  recebem famílias que vão ouvir a música, e que saem de lá fascinados, mas continua a ser maioritariamente um dos grande motivos de interesse dos turistas. Isso é uma das grandes riquezas culturais que temos em Portugal. 

Se pudesses convidar um outro artista internacional quem convidarias? 
Bela pergunta.. tenho tantos artistas.. infelizmente o Frank Sinatra já não posso convidar senão convidava-o a ele. Talvez a Hiromi Uehara que é uma pianista japonesa de quem sou fã.. sou apaixonado pela música dela, para eu cantar um tema enquanto ela toca piano. 

Há géneros musicais e artistas que te inspiram para além do fado?
Eu acho que um músico ou um interprete é uma pessoa que nasce com uma capacidade para reproduzir muito daquilo que ouve. Por isso eu digo que o fado é contemporâneo, porque vive daquilo que vive. A música composta agora é diferente da que foi composta há 50 anos atrás. Infelizmente escrever não é das partes em que sou mais dotado, mas os letristas não escrevem como escreviam há 50 anos atrás. A musica que ouvimos, as pessoas que nos rodeiam e os ambientes em que vivemos influenciam a forma como fazemos música, sem dúvida alguma. 

Ainda existe alguma disparidade entre homens e mulheres no fado… O que é que se pode fazer para tentar esbater esta questão? 
Em primeiro lugar, não se pode fazer nada em concreto. Se formos ver, o fado tem um ícone máximo que é a Amália Rodrigues. Para o público estrangeiro ainda hoje é um pouco dificíl perceber que o fado não é cantado apenas por mulheres. Porque logo a seguir quando começou a aparecer um "boom" do fado, voltam a aparecer nas grandes salas a Mariza, a Ana Moura e mais uma vez o fado é falado lá fora por causa de algumas mulheres. Sendo que naturalmente se vai contrariando um pouco esta tendência. Felizmente eu já fiz grandes salas em todo o mundo, as pessoas já começam a estar mais despertas. No entanto ainda há um caminho muito longo a percorrer até que a imagem do fado, particularmente no estrangeiro, seja repartida em fadistas homens e fadistas mulheres. Os homens têm de continuar o seu trabalho para fazer ver que afinal, o fado, não é apenas feito por mulheres. Não acho que se deva fazer algo de especial, acho sim que os homens apaixonados pelo fado devem continuar a trabalhar para mostrar que estão aqui. 

Qual consideras ser a palavra chave no meio artístico português: competição, colaboração ou nenhuma destas?
Se calhar estou um pouco condicionado pelo contexto actual, mas eu acho que, de uma forma geral a música em Portugal ou os artistas em Portugal são muito solidários e a solidariedade perante coisas muito más que às vezes possam acontecer tanto no meio artístico como nos outros meios. Esta capacidade que nós portugueses temos de sermos solidários e de nos juntarmos e de um momento para o outro fazermos acontecer as coisas e fazermos com que as pessoas tenham a ajuda necessária. Acho que a solidariedade é sem dúvida uma das características do meio artístico português.

Um agradecimento especial ao Marco pela simpatia a que já nos habituou!

Para a concretização desta entrevista foi imprescindível a colaboração do José Dias a quem a equipa do FLAMES quer agradecer a ajuda. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

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126º Entrevista do FLAMES: Frankie Chavez


Frankie Chavez


Frankie Chavez está de volta com um novo trabalho. Este foi o motivo que nos levou a mais uma conversa com um dos guitarristas mais talentosos do país. Fiquem com a nossa conversa, e aproveitem para conhecer o trabalho do músico. 




O álbum “Family Tree” é mais ligado à família e à tua recente experiência enquanto pai na altura... entretanto sai o “Heart and Spine” onde se falava na importância de se lutar pelos nossos objectivos e sonhos.. o que nos conta este “Double or Nothing”?
Este álbum também é o resultado de eu ter tido duas filhas gémeas.. entretanto surgiu uma música chamada “Double or Nothing”, porque eu estou sempre a brincar com essa expressão. Este álbum relaciona-se com isso, mas também com o “ir ao jogo”, ou seja, neste caso, eu sou pai de quatro filhos e deparei-me com uma situação meio crítica (mas crítica no bom sentido), que levou a que eu pensasse se continuaria a conseguir fazer música da forma como tinha feito até ali. No entanto eu não queria levar o disco só para assuntos familiares... Em termos de conteúdo (e de letras) o disco fala nisto mas também fala do que aconteceu no Bataclan, fala de terrorismo e da privação de liberdade. Fala no facto de termos de acreditar que “para a frente é que é o caminho”. Este disco fala sobre termos de ir a jogo com o que temos e “logo se vê”.
Já se notava, no “Heart and Spine” a tua preocupação com a conjectura social actual.. Neste isto acontece ainda de forma mais vincada... o que se passa no mundo vai ter sempre influências na tua música? 
Desde que eu tenha alguma preocupação com o que se passa com o mundo, acho que sim, porque a minha música vai ser sempre o reflexo daquilo que eu vou vivendo. Se eu vivesse numa ilha deserta seria diferente do que se eu viver numa cidade como Lisboa, que é o caso, com acesso a notícias e à quantidade de informação que há disponível hoje em dia. Eu acho que nós, inevitavelmente, vamos sempre ser influenciados por aquilo que se passa à nossa volta. E agora o “à nossa volta” já não é só o nosso bairro, mas é o nosso mundo. Ou eu “fecho os olhos” ao mundo ou então acabo por ser influenciado pelas várias coisas que vão acontecendo... A minha música é uma coisa muito orgânica e é sempre o resultado daquilo que eu vou vivendo, e acho que vai ser sempre o resultado disso.  
A música “My Religion” conta com a colaboração de Poli Correia.. podes-nos contar um pouco como surgiu a ideia de o convidar para cantar? 
Sim, eu conheço-o à cerca de 3 anos. Conheci-o no Algarve e criámos logo ali uma empatia enorme. Ele é um músico de que gosto muito.. Conhecia o trabalho dele, mas não o conhecia pessoalmente. Quando isso aconteceu ficámos amigos. Quando escrevi aquela música senti que ele se ia identificar com ela e então convidei-o para participar. Gravámos aquilo tudo em Lisboa, depois combinamos, encontrar-nos em estúdio e ele gravou a parte da voz e acho que tem tudo a ver comigo e com ele.


Sim, e acho que as duas vozes combinam muito bem uma com a outra... Na “My Religion” a letra a certa altura diz: “I guess the world is getting smaller every day”. A que te referias neste caso concreto?
Às pessoas que partem mais cedo e não deviam partir, por variadíssimas razões! Na altura, quando escrevi a música, pensei nas pessoas que morreram devido a um atentado como aquele num concerto... 
Para além deste artista, arranjaste um grupo de músicos interessante que convidaste para participar contigo neste disco. Quem é que gostarias de convidar para trabalhar contigo no futuro? 
Sei lá.. há tanta gente com quem eu gostava de trabalhar! Sou péssimo para responder a estas perguntas do tipo “Olha, fala lá de uma música”.. Deixa-me pensar.. Beck por exemplo... mas era quase impossível tê-lo num disco rock. 
Sei que te inspiras em muitos guitarristas, mas quando pensas numa pessoa para colaborar contigo pensas em alguém que toca o teu mesmo instrumento, ou preferes alguém que toque um instrumento que te complemente?
Agora, lá está, até me lembrei que gostaria muito de colaborar com um guitarrista que admiro muito, o Jack White por exemplo.. como baterista gosto imenso do Steve Jordan é um baterista que eu gostava muito de ter comigo, só para dizer que toquei com ele (risos). Gostava de experimentar um concerto com ele, havia de ser engraçado. Mas o Jack White é o guitarrista/produtor de que mais gosto na actualidade...
Na “My Religion” a certa altura diz-se: “My religion is Rock n' Roll…” contrariamente às religiões que por vezes tendem a afastar as pessoas, a música ajuda a aproximar-nos? Ou também tem este efeito perverso de nos afastar? 
Não, a música é uma celebração, e o que faz é unir as pessoas. E eu digo isso mesmo por isso mesmo. O pessoal mais extremista está completamente enganado e acha que vai fazer com que os concertos acabem e as celebrações da vida acabem! A música é uma celebração da vida e é assim que deve continuar. 
Em geral, gostas de falar sobre as tuas músicas ou preferes que sejam os outros a falar delas? Ou ouvir os outros a falar nas tuas músicas gera-te algum embaraço?
Não me gera embaraço. Prefiro que os outros falem nelas para conseguir perceber o que a minha musica transmite. 
Foste pai de gémeos e houve uma altura em que pensaste se deverias continuar no mundo da música ou não.. Quais são os aspectos negativos de se ter uma carreira nesta área?
Hoje em dia a música é vista quase como um complemento de outras coisas. Para tentar exemplificar: as pessoas quando vão a um restaurante não dizem “epá, posso comer sem pagar?”. Nos concertos, há muita gente a querer entrar e não pagar. Isto é um exemplo diário. Ouço imenso “Não arranjas lá um bilhete?”, “Não arranjas aí um CD?”, “Olha, dá aí uma música para fazer aí um filme”. A música é uma arte como as outras, e uma vez que é arte, há processo criativo que muitas vezes não é pago. Durante o processo criativo eu estou a tocar e não estou a receber ao final do mês. Portanto, é cada vez mais complicado fazer arte num país e numa altura em que a música não é valorizada. É valorizada enquanto complemento, por exemplo, de um spot publicitário. Às vezes gastam-se milhões a fazer uma campanha e a música é aquela coisa que, se puder vir à borla, melhor. Este é um aspecto que tem de ser mudado. Mas é muito complicado de se mudar porque hoje em dia a música é disponibilizada de forma quase gratuita... Mas as pessoas têm de perceber que por detrás de um disco há um processo de gravação, um processo criativo, contratação de músicos, produção física de discos... é complicado. É nesse sentido que eu digo que às vezes me questiono. Eu sei que não vou deixar de fazer música, mas poderia ter de fazer outras coisas. Há poucos músicos em Portugal que conseguem fazer apenas música em Portugal. 
Tivemos a oportunidade de te entrevistar quando saiu o “Heart and Spine”. O que é que o Frankie Chavez de agora diria ao Frankie Chavez daquela altura?
Diria: “Continua que é para fazeres o Double or Nothing” (risos). Dava-lhe incentivo! Ainda há bocado me perguntavam se eu alteraria alguma coisa. Eu já tive esse sentimento nos outros discos. Acho que é normal nós pensarmos que agora faríamos de forma diferente. Mas eu acho que o interessante é isso. O disco torna-se numa fotografia daquele momento. O interessante dos discos e da arte de uma forma geral é o facto de poder ser representativo de uma determinada altura. Isto é o mais importante da arte e as pessoas têm de saber viver bem com isso. Se eu agora fosse refazer o EP da Optimus, o Frankie Chavez, ele ía soar a outra coisa. Tenho outra bagagem, já dei alguns concertos... a musica iria soar de forma diferente. E aquela musica tinha de sair assim naquela altura para também, agora, haver uma margem de progressão. Tu não queres fazer dois discos iguais, e ainda bem que fiz aquele naquela altura, para hoje poder fazer este, e amanhã fazer uma coisa diferente. 
A recente vitória de Portugal na Eurovisão parece que reavivou a paixão dos portugueses pelos artistas lusitanos. Acreditas nesta mudança ou achas que "será sol de pouca dura"?
Acho que cada vez mais se tem dado valor à música portuguesa feita em Portugal, e à música cantada em português. O festival, da mesma forma que deu a conhecer Portugal e os músicos portugueses ao resto da Europa, também deu a conhecer alguns músicos portugueses a pessoas em Portugal que estão meio adormecidas ou que não conheciam, por alguma causalidade. Acho que é importante, e ainda bem que isso aconteceu, mas lembro-me de uma coisa que o Salvador Sobral disse “isto daqui a um tempo ninguém se vai lembrar”. Claro que isso pode acontecer. Eu espero que este festival da Eurovisão tenha estimulado a criação de mais música portuguesa. Já na altura do Heart and Spine eu disse isto: eu acho que a música portuguesa está a passar por um período muito bom porque acho que a qualidade da música que se faz em Portugal (quer seja cantada em português ou em inglês) tem sido muito boa. Aquilo que se faz hoje em dia não está nada atrás do que se tem feito noutros países. Hoje em dia a música feita em Portugal está ao nível da musica mundial. Este festival veio provar isso e espero que seja um estimulo para se continuar a fazer música em Portugal. 
E agora, por onde vais levar este teu novo álbum? Onde te podemos encontrar?
Vou ter algumas datas em Portugal, como o festival bons sons. Vou ter algumas datas em Itália, vamos voltar a Espanha e lá para Outubro há concertos agendados para Portugal. Ainda estou a marcar coisa. 
TOUR 2017

15 de Junho – GUITARRAS AO ALTO com Peixe (Avis,PT)
16 de Junho – GUITARRAS AO ALTO com Peixe (Estremoz, PT)
17 de Junho – GUITARRAS AO ALTO com Peixe (Beirã-Marvão, PT)
24 de Junho - Montemor-o-Novo
5 de Julho – VILLA ADA (Roma, IT)
6 de Julho – TBC (IT)
7 de Julho – BOTANIQUE (Bologna, IT) 8 de Julho – ROCKA IN MUSICA (Roccamandolfi, IT)
9 de Julho – A anunciar (IT)
10 Julho - A anunciar (IT)
14 Julho - A anunciar (IT)
20 de Julho – ORIENTOCCIDENTE (Terranuova Bracciolini, IT)
30 de Julho – ARRIFANA SUNSET FEST (Arrifana, PT)
12 de Agosto - A anunciar (PT)
14 de Agosto – FESTIVAL BONS SONS (Cem Soldos, PT)
19 de Outubro - A anunciar (PT)
20 de Outubro - A anunciar (PT)
21 de Outubro - HARD CLUB (Porto, PT)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

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122º Entrevista do FLAMES: MOMO


MOMO


A 10 de Fevereiro de 2017 o mundo ficou a conhecer o novo álbum de MOMO, artista internacionalmente reconhecido por artistas como Patti Smith. Foi neste contexto que surgiu a nossa conversa... e hoje partilhamos convosco o que Marcelo Frota (em arte MOMO) nos referiu... 

A todos os artistas o FLAMES pergunta...


Quais são os artistas que mais o inspiram? 
Quando comecei muito novo a tocar violão no Brasil, aos 3 anos de idade, eu gostava muitas das coisas de Bossa Nova, Tom Jobim, Vinicius Morais, Marcos Valem, comecei assim… tocando as músicas do Caetano, do Gilberto Gil. Mas na adolescência o meu irmão foi para os Estados Unidos e quando ele voltou de lá ele trouxe muitas coisas do rock metal e rock alternativo: Pixies, Pavement, The Breathers, algumas bandas de rock e obviamente do grunge como os Nirvana… mas eu não sei se posso dizer que isso são influências! Eu escutei um pouco de tudo mas se eu fosse falar de artistas que eu tenho como referências posso falar de Nick Drake ou Leonard Cohan de quem gosto muito! Um cantor de música pop americana que é um compositor maravilhoso é Berth Baker, que eu adoro.

Há algum local onde gostarias muito de poder actuar? 

Gostaria que a minha música chegasse cada vez a um maior número de ouvintes. Mas gostaria de tocar mais na América do Sul. Como músico acabo tendo muitos eventos para brasileiros que vão para os Estados Unidos ou que vão para a Europa. Fui muito aos Estados Unidos fazer shows e agora Portugal, Espanha.. mas eu acho que na Argentina talvez seria um local onde eu gostaria de tocar, mais pela questão da proximidade ali com o Brasil, da cultura deles… e de fugir um pouco ao habitual... Venezuela, Colômbia, Argentina, por aí. 

Lembra-se de alguma situação caricata que tenha ocorrido numa das suas actuações? 
Caricata não, mas uma coisa muito bonita que aconteceu foi quando eu estava tocando na Filadélfia em 2009… 
Eu comecei a tocar violão por causa de um amigo. Uma vez eu fui brincar na casa dele, eu tinha uns 13 anos, e eu vi o irmão dele tocando violão. Fiquei impressionado vendo ele tocar. Eu era muito novo e a partir dali eu juntei dinheiro e comecei fazendo aulas com o professor dele. Esse rapaz depois viajou, saiu do Brasil, foi estudar fora e eu sabia que ele estava nos Estados Unidos mas não sabia onde… aí eu estava tocando na Filadélfia e eu não via ele há mais de 10 anos e ele apareceu no show. Quando vi ele chegando comecei a ficar emocionado, comecei a chorar, agradeci a ele… porque eu já não via ele há anos e ele foi o motivo pelo qual eu entrei na música e comecei a tocar violão. Foi um momento muito bonito. 

Que mensagem gostaria de ver ser erguida num cartaz durante um concerto?
Essa é uma pergunta boa (risos)... mas é difícil. Algo tipo “Tente ficar mais no palco”, ou “Fica mais”, “Toca mais 10”, eu adoro ficar no palco. Fico chateado por ter de sair, aquele momento é único. No palco a vida ganha todo o sentido para mim. Ali eu sinto realmente o porquê de continuar, de fazer disso uma profissão. Ali tudo faz sentido, tudo se complementa, tudo se completa. Então talvez “Toca mais 10”, “Fica mais uma hora”, “Fica mais duas horas”. Não me interessa nada de “Ah que bonito”, “Você é lindo”, nada disso!

Qual o significado de MOMO? 
Quando eu comecei, assinava os meus discos como Marcelo Frota. Eu fazia uns discos e já tinha lançado algumas coisas e depois eu comecei a fazer o “A Estética do rabisco” que foi o primeiro disco com o nome de MOMO que é de 2006. Quando eu estava fazendo esse disco eu estava fazendo uma coisa muito diferente do que eu tinha feito anteriormente. Senti que não era a mesma pessoa que estava fazendo esse disco. Parecia que o disco vinha de um outro lugar. E aí eu pensei "o Marcelo Frota não faz muita coisa nesse disco, isto é uma outra coisa"... Assim, senti que precisava de um novo nome, que fosse de fácil entendimento e pronúncia em qualquer parte do mundo para marcar essa nova fase. Ainda para mais, na época tinha aquele livro “Momo e o Senhor do Tempo” do Michael Ende, que é um livro muito bonito. Era um livro que eu tinha lido e que tinha a figura do rei MOMO, que é uma figura do Carnaval. É uma figura engraçada e carnavalesca. E esse disco era muito pesado, eu achava que esse nome era um contraponto... não diria mais divertido, mas que tivesse uma certa leveza! 
E mais, Momo também é a deusa do sarcasmo na mitologia grega, e eu sou uma pessoa muito engraçada no meu dia a dia, uma pessoa divertida. Então este nome tem um pouco de mim também. Depois da criação daquele disco, assinar Marcelo Frota deixou de fazer sentido… Foi quase como a criação de um alter ego. Criando um outro nome você consegue de uma certa forma se proteger. Eu uso coisas muito pessoais nos discos e esse disco era muito auto referente e então eu criei uma forma de me distanciar um pouco e de me proteger.

Ao MOMO o FLAMES pergunta… 


Os seus últimos álbuns mereceram rasgados elogios um pouco por todo o mundo, incluindo Patti Smith. Sente o peso dessa responsabilidade neste novo álbum? 
Não, eu acho que não sinto muito. Estou indo no 5º disco, se for contando com os discos anteriores, de bandas antigas com quem trabalhei, eu tenho mais de 7 ou 8 discos, então acho que nisso eu estou ficando um pouco acostumado e eu acho que não existe um peso.
Eu acho que nesse disco o desejo maior é que ele chegue ao maior número de pessoas, independentemente de faixa etária, de idade, de língua...
Os meus discos sempre foram bem recebidos pelo público em geral, não só brasileiro como mundial. Sempre tiveram esse tipo de carinho. Eu acho que este disco tem uma vontade minha de ecoar num público maior. Então não sinto um peso ou uma responsabilidade…

Em que é que este álbum é diferente (ou semelhante) dos anteriores? 
Este disco é um disco mais solar, não é de introspecção. É um disco mais para fora, e ele tem muito balanço, muito ritmo, muito graças ao Marcelo. É a continuação de busca dele como produtor. Acho que o Marcelo trouxe toda a sua musicalidade. E as composições também foram escolhidas a dedo. Tínhamos muitas músicas e a gente escolheu 10 de cerca de 20. Foi um repertório difícil de ser escolhido, contrariamente a discos anteriores em que eu tinha um repertório mais fechado. 

Este novo álbum tem músicas em português e apenas uma (Song Of Hope) em inglês. Porquê esta escolha de uma música noutra língua? 
Há algo meio intrínseca entre a letra e uma música. Quando eu crio a melodia começo a cantar alguma coisa, e às vezes eu acho que essa letra não é em português, mas sinto que é em inglês. O que aconteceu é que quando essa melodia nasceu já estava na cara que a letra era em inglês. Era uma melodia que cabia em inglês só, não podia ser em português. Era uma melodia que tinha como característica principal algo da música americana, da língua inglesa mesmo. Como eu não falo francês ou espanhol… talvez se eu falasse também naturalmente fizesse música em francês e espanhol. Mas isso é uma coisa em que eu vou pela melodia, e essa sabia que aquela música era em inglês quando ela nasceu.

Para o aparecimento deste disco, houve imensas pessoas envolvidas, entre elas a Rita Redshoes... há mais algum artista português com quem gostasses de vir a trabalhar? 

Sim, o Camané claro, que na verdade faz parte do disco. Mas eu gostaria de ver um dia ele a cantar uma música minha. Ou pela Ana Moura também. Eu sou fã dela. Mas eu gosto da Rita, gosto da Márcia, do Tiago Bettencourt, são pessoas que eu gosto, que conheço pessoalmente e acho que num futuro breve pode ser que haja algum encontro musical.



Alguma destas músicas lhe é mais querida ou mais chegada por algum motivo?
Eu gosto de todas. Tenho um carinho especial e diferente por cada uma delas. Todas têm uma história e eu lembro de como cada uma delas nasceu todas. Não poderia eleger uma como sendo a mais especial. Todas têm o seu jeito.


Porque este nome para o álbum
Ele está dentro de uma letra, na música do “Pássaro Azul”. Só foi mudado o acento tónico na sílaba.
Na verdade a letra diz “voa voa pássaro azul” mas é “voa, voá”, como se usa na prosódia. Mas eu acho que em Cabo Verde se escreve assim, em vez de “voar” eles botam “voá”. Mas é a metáfora dessa minha vinda para cá, de ter atravessado esse oceano, vir para Lisboa, da mudança de vida…

Até onde é que ainda falta voar? Até onde almeja chegar? 
Eu quero viver no aqui e agora: o presente. Está tudo bom, está tudo certo. Viver o presente mesmo, com intensidade! E trabalhar cada vez mais, compor mais… o meu maior desafio, a minha grande alegria e prazer é compor mais, trabalhar mais. Acho que é isso: continuar fazendo os meus discos, trabalhando e claro, como eu te falei, tentar fazer chegar mais perto do coração das pessoas. Isso é o sonho de qualquer artista, quer dizer, eu acho que é. Qualquer um que lança um disco quer ser ouvido. Mas eu não digo que é isso que me falta. Este é só um desejo, que eu acho que quero que aconteça. 

Um artista faz um trabalho unicamente com base naquilo que sente ou de alguma forma tenta adaptar aquilo que sente ao que o público procura naquele momento?
Pois é... Eu acho que até agora fiz muito o que eu quis mesmo! Aquilo que sinto. Nunca trabalhei com uma pressão, uma linha editorial, uma deadline ou um prazo… é claro que a gente cria isso na gente, né? Eu crio a minha meta dentro da cabeça. Nesse disco o Marcelo ajudou a trazer essa luz, essa coisa um pouco mais solar, mas isso para mim é um movimento natural, que acontece. Acho que acontece naturalmente, eu acho que qualquer tentativa de fazer isso de uma forma não natural, forçada ou muito racional é perigosa. Acho que uma boa obra, um bom trabalho, um bom disco, ele tem dois lados: consegue satisfazer não só o artista como também o público. E acho que quando essas duas coisas acontecem, o objectivo é conquistado. Se é que existe objectivo! Eu acho que existe. Qualquer pessoa que lance um disco ela tem necessidade de comunicar, né? Senão, fica em casa, por conta própria, e não lança. Tem uns artistas, por vezes, que fazem isso e que eu admiro. Eu acho que a arte e o mercado é uma coisa que se complementa, uma obra que se concilia. Mas primeiro tem que gostar, senão como é que os outros vão entender? Acho que quando se gosta do que se faz, isso fica muito impresso e o público sente. É a tal questão da verdade, que é uma coisa que também já está démodé, né? É muito subjectivo, mas eu acho que é isso: fazendo aquilo que se gosta, o público sente.

Obrigada ao Marcelo (MOMO) pela entrevista e simpatia. Podem ouvir o disco aqui :) 

sábado, 19 de novembro de 2016

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121º Entrevista do FLAMES: Luísa Sobral


Luísa Sobral


Entrevista anterior da Luísa Sobral no FLAMES - aqui - http://flamesmr.blogspot.pt/2014/11/88-entrevista-do-flames-luisa-sobral.html

Depois de no último álbum teres cantado em português, eis que regressas aos discos. Este teu novo álbum tem músicas em português mas também em inglês. Porquê esta escolha? Sentes-te mais à vontade a cantar em que língua?
É indiferente. Eu na altura escrevo na língua em que me apetece. A canção na altura pede uma língua para mim. Neste álbum também tenho uma música em francês porque vivi um tempo em Paris e apeteceu-me escrever uma música também em francês. Claro que a minha primeira língua é o português e se calhar esta é a língua em que me é mais fácil de expressar até pode ser português… mas nas músicas nem sempre é assim. Como os meus ídolos são anglo-saxónicos até me sinto bastante à vontade com o inglês, mas não sei… eu por acaso até me sinto à vontade nas duas! Uso a língua que a canção pede.

Este álbum chama-se "simplesmente" Luísa. Porquê esta escolha?
Porque este é um disco muito autobiográfico. As canções são muito mais sobre mim, sobre esta fase da minha vida… ou melhor, sobre a fase da minha vida quando estava a escrever as canções. Este nome também se deve aio facto de eu sentir que é quase um recomeço. Sinto que estou diferente e que este é um novo início! Então para mim fez sentido ser um disco homónimo, porque é um remarcar… É quase um statement: é como se fosse um início.

Sobre este disco a Luísa referiu “um disco que mal posso esperar para tocar ao vivo”.  O que podemos esperar dos teus concertos ao vivo? Vais-te focar mais neste disco? Porquê esta vontade?
Estas canções têm imenso espaço para nós explorarmos ao vivo. Pelo menos eu acho. Nesse sentido, penso que este disco talvez seja um bocadinho diferente dos meus discos anteriores. Os outros eram muito orquestrados, e cada instrumento tinha o seu papel muito definido. Aqui eu acho que isso não acontece. Acho que é um disco muito mais aberto. Já toquei algumas vezes estes temas com a minha banda de cá e já senti isso: cada vez que tocamos os temas eles ganham um corpo diferente. Por isso, eu acho que isso vai acontecer ao longo desta tourné (a começar em Janeiro). Penso que vai ser muito divertido por isso mesmo, porque vamos poder sempre explorar coisas novas e tocar sempre de forma diferente… dependendo do nosso estado de espírito… Por isso apetece-me muito tocar ao vivo por... Apetece-me mesmo explorar estas novas canções com eles.


Se calhar, para ver o que é que vai sair dali... Para descobrir o que vai acontecer com determinada música…
Sim, sim, claro que sim! Por exemplo, acho que os concertos iniciais serão completamente diferentes dos últimos concertos da tourné. Acho que vamos ter muito tempo para ir brincado no palco com as canções, o que irá complementar o disco.

O facto de esta álbum ter sido criado num local por onde tantos artistas internacionalmente conhecidos passaram, aumenta a responsabilidade?
Eu não senti muito isso. Não sou assim muito de ficar fascinada com essas coisas. Achei giro, claro que achei giro tirar fotografias e fazer o videozinho do making-off… Esse vídeo fui eu que fiz… e claro que são artistas que são uma grande inspiração para mim. Mas eu não acredito muito nessas coisas do espaço. Aquele espaço foi simplesmente onde os músicos gravaram… mas eles é que são a coisa importante! Não é tanto o espaço! Obviamente que é interessante e é giro saber que estou ali… mas eu não deixo nunca que essas coisas sejam tão grandes, que tenham influência sobre mim. Agora sim é interessante… Até liguei ao meu pai: “Ei, que giro, tu sabias que gravou aqui o Frank Sinatra?”. É engraçado, mas para mim não tem muita influência sobre a minha música… O mais importante são os músicos que gravaram comigo… as coisas que fazem… isso sim foi importante. Podia ter sido noutro estúdio qualquer que com aqueles músicos teria sido igual.


Ao fim de anos na estrada e de alguns álbuns editados, onde consegue encontrar inspiração para mais um trabalho de estúdio?
Fazer música é uma coisa tão natural para mim… Nós tomamos banho todos os dias de manhã, não é? Quer dizer, às tantas não é importante termos tomado banho durante 10 ou 20 anos que agora deixamos de tomar, continua a ser parte da nossa rotina. Escrever é um bocadinho isso para mim, não é parte da minha rotina porque eu normalmente não tenho rotina, agora com um bebé é que tenho mais rotina (risos). Mas escrever é parte de mim. É como uma necessidade. Não é bem necessidade…. mas é uma coisa que me deixa feliz. Por isso eu componho e vou-me inspirando. Tem muito a ver com o facto de eu ouvir música e ouvir outras pessoas. Ouvir os meus colegas cá em Portugal por exemplo… ou ouvir discos internacionais. Tem muito a ver com isso! Eles são a inspiração para mim. Ainda hoje, por exemplo, vinha a ouvir o novo disco do Zambujo e vinha a pensar em compor… Há discos que me dão vontade de compor! Estava a ouvir esse e a pensar “agora apetece-me chegar a casa e escrever qualquer coisa”. Por isso, acho que são esses discos, discos que eu vou ouvindo, que me fazem ter vontade de continuar a compor.

Isso é giro, por acaso é uma coisa que muitos artistas nos reportam...  essa coisa de estar a ouvir um disco e dizer “ai, apetece-me fazer qualquer coisa assim”.
Sim, isso acontece quando nós ouvimos qualquer coisa de que gostamos e vemos naquilo alguma coisa em que podemos pegar e transformar em nosso. Eu acho que os músicos se apoderam das coisas uns dos outros, e é a parte mais bonita, em que nós ouvimos e dizemos “Ah, eu quero uma coisa daqui”. Então nós roubamo-nos uns aos outros… No fundo é uma inspiração para nós. E é isso, eu acho que sou inspirada por outros para continuar. Acho que se a música acabasse eu não sei se também eu continuaria, acho que era impossível talvez.

Este disco é fundamentalmente inspirado nos blues e folk, certo?
Sim, são muitas das minhas inspirações agora…

Pode dizer-se que de alguma forma se identifica mais com esse tipo de música (de inspiração americana)? Mais do que um género de música mais portuguesa?
Sim, bem, neste momento comecei a ouvir coisas mais simples, não necessariamente simples mas…
Mais orgânicas?
Sim! Por exemplo, Bob Dylan, ou Tom Waits são compositores em que a palavra é o mais importante! E eu acho que a música é o veículo da palavra. Só que é o veículo da palavra de uma forma super simples. Eu acho que eles usam poucos acordes e acho que isso faz com que a palavra seja ainda mais bonita, ainda mais especial. E eu comecei cada vez mais a ouvir esse tipo de artistas e a afastar-me um bocadinho talvez mais do jazz, no sentido da complexidade. Às vezes pôr demasiados acordes super estranhos pode ser pior. Comecei a apaixonar-me cada vez mais pela simplicidade e a querer “tirar cada vez mais” em vez de “pôr”. E no folk eu encontrei isso, encontrei a mensagem e a música que está a fazer a “caminha” da mensagem. E faz sentido para mim nesta fase! Comecei a querer retirar e a tentar encontrar ali o esqueleto das canções… e o folk está todo muito nú, está muito à mostra e eu adorei, adoro isso. Então, acho que acabei por começar naturalmente a compôr um bocadinho mais assim.

Há um grande acontecimento que teve lugar agora, que o distingue de todos os momentos que já ocorreram, que foi o nascimento…
Do meu filho (risos)

Sim... De que forma é que isso influenciou, ou acha que vai influenciar, as suas produções musicais futuras?
É assim… até aqui não influenciou tanto porque quando eu escrevi as canções ainda nem estava grávida! Depois gravei o disco grávida, praí com 3 meses, acho que isso talvez tenha influenciado porque acho que é possível quando uma pessoa está grávida estar mais emotiva e tudo… Talvez tenha influenciado aí. Mas claro que vai influenciar! Agora neste momento está a influenciar! Às vezes negativamente (risos), por falta de tempo… só por falta de tempo (risos). Às vezes estou dias para ouvir algumas canções e para dar o OK para alguma coisa, isso está a influenciar agora. Mas é uma adaptação dos dois a este novo mundo, não é? Mas eu acho que vai influenciar. Ser mãe já me melhorou muito como pessoa e eu espero que isso também se reveja na minha música. Mas eu sinto mesmo que todos os dias ele me torna uma pessoa melhor. Uma mulher antes de ser mãe, ou até de ser pai, a nossa prioridade somos nós mesmos, por mais que estejamos numa relação nós temos o nosso instinto de sobrevivência, que é maior do que tudo não é? E a nossa prioridade somos nós. E a partir do momento em que nasce um filho, a prioridade já não somos nós na nossa vida, e isso eu acho que nos melhora muito enquanto pessoa. Porque de facto já não somos tão auto-centrados e isso é uma coisa bastante positiva, porque faz com que uma pessoa relativize muito tudo o resto. Começamos a relativizar coisas que se calhar antes nos chateavam muito e tudo, por causa do nosso ego. Por isso, eu acho que me tem melhorado muito, estou muito mais calma também, mais serena, portanto se isso me melhorou mais como pessoa eu espero que isso se reflita no meu eu criativo.

Na outra feita há cerca de 1 ano e qualquer coisa, houve uma altura em que eu lhe perguntei quais é que eram as suas influências, e o nome Bob Dylan surgiu… 
(risos) Sim, surge sempre.

Como acolheu a notícia do Prémio Nobel deste ano? Tem sido um assunto polémico...
Eu achei super normal, ao contrário de algumas pessoas. No outro dia também me perguntaram sobre isso numa entrevista e a verdade é que eu acho que as pessoas hoje em dia têm demasiadas opiniões por coisas. Nós todos sentimos agora que por termos as redes sociais temos que dar a nossa opinião sobre imensas coisas, quando ninguém pergunta. Ninguém quer saber o que é que toda a gente acha sobre o Bob Dylan, mas toda a gente achou que podia dizer o que é que achava. Pessoas que se calhar nem conhecem bem a pessoa nem a discografia e de repente têm de dar uma opinião sobre alguma coisa. Por isso, para mim essas opiniões foram completamente irrelevantes, até porque para mim o Bob Dylan, acima de tudo, como eu disse há bocado, a palavra está acima das outras coisas e para mim. E o Bob Dylan, acima de tudo, é um poeta. Por isso, se um poeta não pode receber um Prémio Nobel da Literatura então não sei em que mundo é que vivemos, não faz sentido.

Sim, há pessoas que o associavam apenas à música e nem tinham ideia que ele criava aquilo que cria.
Claro! E a verdade é que eu acho que os poemas dele são estudados em aulas de literatura em inglês! Para além disso, ele é músico, ou seja, ele é poeta, músico e isso só tem ainda mais valor… e isso também é diminuir a literatura num ponto um bocado básico porque há pessoas que escrevem romances e assim e podem receber Prémios Nobel, depois também há dramaturgos… porque é que não hão-de ser todos escritores? Também acho que foi um passo um bocado audaz talvez mas acho que fez sentido e acho que para nós, comunidade de músicos e compositores, foi bastante importante e foi bonito de ver a acontecer ainda enquanto que eu estou nesta terra.

Eu só ainda ouvi o My Man, por isso, o que é que eu posso esperar do resto do disco?
Os meus discos anteriores tinham muito piano! Este disco já tem muito mais guitarra. Tem mais guitarra eléctrica também, o que é um bocado interessante porque eu não tinha nenhuma guitarra eléctrica no meu primeiro disco. Por isso é um disco assim um bocado engraçado. Talvez a instrumentação seja um pouco mais agressiva por causa da guitarra eléctrica mas isso também torna o disco um pouco mais melancólico… então tem assim uma mistura orgânica porque as coisas foram todas construídas ao mesmo tempo. Todos tocamos as músicas ao mesmo tempo e decidimos o que é que ia ser feito enquanto tocávamos e por isso teve este resultado orgânico.

Obrigada à Luísa pela disponibilidade em responder às nossas perguntas. Que o álbum seja um SUCESSO!

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