Sempre
que me cruzo com um blogue cujo autor deixou de publicar novos conteúdos sem
qualquer justificação fico sempre simultaneamente triste e curiosa pois começo
a imaginar mil e um motivos para tal ter acontecido.
Para
evitar que isso aconteça no meu caso, escreverei as próximas linhas para que
entendam aquilo que me vai na alma.
Quando
criei o FLAMES em 2010, juntamente com a Roberta, não imaginava aquilo que
estes 8 anos e 3 meses iriam trazer à minha vida. Aquilo que começou como uma
brincadeira entre duas amigas que se conheceram na faculdade ganhou proporções,
para mim, inimagináveis. Tive muito mais trabalho do que alguma vez tinha
previsto. Tive também muitas mais recompensas pois tive o privilégio de conhecer
tantas pessoas interessantes, de privar com escritores que admiro, de falar com
cantores e músicos portugueses que me acompanharam durante anos e de conhecer
profissionais da indústria literária e musical que me mostraram que se nos
esforçarmos o nosso trabalho será devidamente reconhecido.
Aquilo
que começaram como simples posts de opinião à quinta-feira tornou-se, com o
passar dos anos, para mim, uma janela para o mundo onde podia dar a minha
opinião sobre o que eu quisesse, usufruindo da liberdade que a internet nos
proporciona hoje em dia. Saber que durante mais de 8 anos tive pessoas desse lado
que concordaram comigo, discordaram e me questionaram tem um valor
incalculável. Não consigo expressar por palavras o quão agradecida vos estou
por me terem feito acreditar que as minhas palavras poderiam ter algum
significado.
Quando
vejo o que escrevia no longínquo ano de 2010 e o que escrevo agora percebo o
quanto cresci, o quanto mudei e evolui. Hoje não sou a mesma pessoa que era
então, por isso mesmo comovo-me ao perceber que o FLAMES me acompanhou ao longo
de quase uma década que foi fulcral para a minha evolução enquanto ser humano.
Embora
os últimos meses tenham sido mais solitários para mim aqui no blogue, não posso
deixar de estar feliz pelo que foi conquistado e sei que durante meses sempre
que chegar à quinta-feira, o dia que passei a ver como “o meu dia” para
escrever no FLAMES, vou sentir que me falta algo. Como seres de hábitos que
somos, esse hábito em particular entranhou-se-me na pele e levarei algum tempo
até que desapareça. Ao perceber isto sinto-me simultaneamente triste e feliz:
triste pois apesar de saber desde o início deste projecto que tudo tem um fim e
a minha participação no blogue não seria diferente, confesso que nunca previ
que tal fosse acontecer tão cedo; feliz pois levo comigo um sentimento de dever
cumprido e todos os ensinamentos que guardei ao longo destes anos.
Resta-me
agradecer à Roberta, aos nossos parceiros e a vocês, os nossos seguidores que fizeram
com que me mantivesse aqui durante quase uma década.
Em
relação ao bichinho que ficou pelas opiniões, vou agora dar largas à minha
imaginação na minha página do Goodreads no que a leituras diz respeito; em
relação às outras categorias, os meus familiares e amigos vão ter que ter ainda
mais paciência para me ouvir a tentar convencê-los a ver este e aquele filme,
série ou anime.
Foram
oito anos, foram algumas derrotas mas muitas, mesmo muitas vitórias. Foram
muitas horas de trabalho, de planeamento e discussão mas, acima de tudo, foram
8 anos e 3 meses de felicidade.
Obrigada a todos,
Mariana
Oliveira





















