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sábado, 4 de julho de 2020

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301º Passatempo do FLAMES (em parceria com a Penguin Random House)



Queres este livro? 
Preenche o formulário em baixo e BOA SORTE!

PARABÉNS CRISTINA GASPAR!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

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288º Passatempo do FLAMES (em parceria com a PRH)



Este primeiro passatempo de aniversário começa da melhor forma... com uma editora que nos apoia desde sempre, e que se disponibilizou para oferecer um livro que dispensa qualquer tipo de apresentações. 

Já sabem o que fazer para participar certo? 

Boa sorte! 


PARABÉNS!
Vencedor: Ana Branquinho

quarta-feira, 6 de junho de 2018

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[OPINIÃO] Livro: A Casa da Beleza (Melba Escobar)



Título: A Casa da Beleza
Autora: Melba Escobar
ISBN: 9789896655501
Edição ou reimpressão: 05-2018
Editor: Suma de Letras
Idioma: Português
Páginas: 248

SINOPSE

Karen, esteticista de profissão, muda-se de Cartagena para Bogotá em busca de uma vida melhor. Ao chegar, não só consegue trabalho como depiladora n'A Casa da beleza como ainda se transforma na chave para resolver o mistério da morte de uma das suas clientes - uma jovem, vestida com o uniforme da escola, que aparece morta no dia a seguir a ter visitado Karen no salão.
Com quem se ia encontrar a cliente de Karen?
Entre conversas íntimas e confissões, Karen acabará por ser a confidente de uma psicanalista, da mulher de um congressista, de uma famosa apresentadora de televisão e de uma mãe desolada que busca justiça num país onde a verdade só pertence àqueles que podem pagar por ela.
A Casa da Beleza é uma radiografia descarada de um país em que os ideais sucumbem facilmente perante a corrupção, a injustiça e a cultura do dinheiro fácil. No melhor estilo da novela negra, esta é um,a história que mostra o pior da América Latina de hoje. Tendo por cenário um afamado salão de beleza de Bogotá, o tema de fundo são as relações de poder, desenhadas a partir das vozes de três mulheres que vão tecendo uma trama de histórias para desmascarar uma sociedade construída sobre mentiras.


Opinião 
(Roberta)

Quando recebo um livro novo em casa que não estou à espera é sempre um momento excitante. E quando o livro tem uma capa apelativa, diferente, com um bom jogo de cores, ainda mais. 

Uma coisa que me chamou à atenção foi o facto de o livro se passar no Colômbia.  Este é um país que conheço pouco. Tirando os livros do Gabriel Garcia Marquez, poucos foram os livros que li que se passam em países sul americanos, especialmente policiais (um dos meus géneros preferidos). 

Assim, cheia de vontade, comecei a ler e posso dizer-vos que esta foi uma das melhores leituras que fiz este ano. Logo desde a primeira página a autora conseguiu manter-me atenta e com vontade de ler. A escrita de Escobar é fluída e a forma de narrar capta a atenção do leitor. 

As personagens também foram muito bem construídas, e uma das coisas mais interessantes foi o facto de a autora fazer um excelente balanço entre os temas abordados e a "leveza" que uma "casa da beleza" poderia antever. 

Uma coisa que me agradou imenso foi a forma como a autora conseguiu falar de questões como o consumo de cocaína, violações e sexo, sem precisar de ser explicita ou excessivamente chocante. Melba Escobar não fez como muitos autores que usam o sexo e as drogas para vender os seus livros. Assim, mesmo falando de questões como a violência contra as mulheres, as violações, os problemas de drogas e álcool, fê-lo de forma sublime, sem precisar de chocar, e por forma a mostrar a realidade de um país. 

Escobar apresenta-nos assim uma parte da vida de alguns colombianos, mostrando um país com um enorme fosso de desigualdades sociais. A análise societal que ela faz é pungente, interessante e, pelo que fui lendo, bastante fiel à realidade. 

Na minha opinião a história em si é mais um pretexto para tudo o resto. A autora não parece estar muito interessada em nos dar um thriller misterioso, mas mais em nos mostrar a Colômbia dos dias de hoje. 

O papel da mulher neste país vai sendo abordado e esta foi a razão que mo fez apresentar no clube de leitura passado (o tema prende-se com a questão do papel da mulher). As questões de género têm então aqui um papel central, sendo que foi interessante compreender algumas questões de desigualdades de género abordadas neste país. Como estão a compreender, e apesar de eu ter gostado da história, o ponto forte deste livro, para mim, prende-se com tudo o que aprendi com ele, sobre uma cultura que mal conheço e que, posso agora afirmar, que conheço melhor. 

Fico francamente curiosa para saber quais serão os próximos passos desta escritora. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

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Livro: Boneca de Trapos




Título Original: Ragdoll
Ano de edição: 2018
Género: Policial, Thriller
Autor: Daniel Cole
Editora: Suma de Letras


* Por Mariana Oliveira *


Este livro chegou-me às mãos depois de a editora ter feito uma campanha publicitária que me deixara repleta de curiosidade. Assim, quando recebi a “Boneca de Trapos” acompanhada por uma sugestiva agulha e seis bocados de pano que unidos formam um corpo não aguentei mais e comecei a ler o livro no próprio dia... mal imaginava eu que esta seria a minha leitura mais rápida do ano até agora!


Sinopse:
“William Fawkes, um controverso detective conhecido por “Wolf”, acabou de ser reintegrado no seu posto após ter sido suspenso por agressão a um suspeito.
Quando se junta à sua antiga colega e amiga, a inspectora Emily Baxter, num local de crime, tem a certeza de que está perante um grande caso: o corpo que encontram é formado pelos membros de seis vítimas, suturados de modo a formar uma marioneta que fica conhecida como “Boneca de Trapos”.
Fawkes é incumbido de identificar as seis vítimas, mas tudo se complica quando a sua ex-mulher, que é repórter, recebe uma carta anónima com fotografias do local do crime acompanhadas por uma lista na qual constam os nomes de seis pessoas e as datas em que o homicida tenciona matá-las. O último nome da lista é o de Fawkes...
A sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf. O detective teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com o seu passado – o que qualquer um possa imaginar.”


Opinião:
Um bom policial tem de começar com um mistério que nos deixe curiosos logo à partida. Neste livro isso acontece quando nos deparamos com a inusitada Boneca de Trapos sobre a qual nada sabemos: quem são as seis vítimas que compõem o macabro corpo? Porque é que foram escolhidas pelo maquiavélico assassino? E porque será que tudo aponta para que, de alguma forma, o detective Wolf possa estar relacionado com estas mortes?
São estas as questões que me assaltaram logo nas primeiras páginas desta história e me deixaram curiosa para desvendar o motivo destas mortes. Contudo, eis que tudo se torna ainda melhor quando surge uma lista com o nome de mais seis futuras vítimas! A partir daqui, entramos no tipo de leitura que gosto de apelidar de “corrida contra o tempo que me vai levar a devorar páginas atrás de páginas na expectativa de conhecer o desfecho da história”.

Como se tudo isto já não fosse suficientemente interessante, eis que sou apanhada completamente de surpresa por um detalhe que não estou acostumada a ver em policiais: um sentido de humor exímio. Daniel Cole tem um dom para escolher o momento exacto para nos surpreender com uma piada que nos faz rir mesmo perante um macabro caso de polícia e que, de certa forma, serviu para aligeirar o ambiente ao longo da investigação. Adorei as pérolas com que o autor nos presenteia ao longo da obra que surgem aqui na quantidade certa e nos momentos ideais.

Se o humor me surpreendeu houve outro detalhe que me deixou ainda mais estupefacta: a minha afeição para com certas personagens. Confusos? Passo a explicar:
Sempre que leio um policial estou exclusivamente interessada no mistério em si, nas suas várias camadas e na sua possível resolução. Nunca, e repito, nunca me interesso pelas personagens. Não estou preocupada se alguém vai levar um tiro, cair nas mãos do assassino ou ficar maldisposto com o jantar do dia anterior. Com um policial nunca crio qualquer laço com as suas personagens, foi por isso que me surpreendi a mim mesma quando percebi que estava genuinamente preocupada com o dedicado Edmunds, a obstinada Baxter e o quebrado Wolf. Estas três personagens conseguiram fazer com que eu me interessasse verdadeiramente com o seu bem-estar e temesse pelo seu futuro.
Creio que o carácter que o autor lhes conferiu, a vida que construiu para cada uma delas e as conturbadas relações que criou entre elas as tornou mais humanas e, apesar de repletas de defeitos, tal como nós, conseguiram cativar-me.

Assim, pelo mistério cativante e pelo ritmo acelerado da trama que não nos deixa largar esta leitura; pelo sentido de humor inteligente e pelas personagens tão reais  e interessantes recomendo a obra “Boneca de Trapos” a quem não consegue resistir a uma história cheia de suspense, emoção, drama e humor.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

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Livro: A Magia do Silêncio




Título Original: Ma Cure de Silence
Ano de Edição: 2018
Género: Auto-Ajuda
Autora: Kankyo Tannier
Editora: Arena



* Por Mariana Oliveira *


A capa deste livro é LINDA, não é?! Foi a primeira coisa que me chamou à atenção quando peguei nele, ainda antes de sequer saber em consistia o tema da obra! Bem, fica este aparte e agora concentremo-nos no conteúdo:

A minha batalha contra o stress tem-se intensificado ao longo dos últimos anos. Depois de ter tido durante 3 anos um emprego particularmente stressante, o meu corpo decidiu chamar-me à atenção e arranjou várias formas criativas de me levar por mais do que uma vez às urgências de um hospital em apenas meio ano. Fossem qual fossem os sintomas os médicos eram sempre peremptórios na causa: elevados níveis de stress durante um considerável período de tempo. Agora vocês estão a pensar: então se o problema é esse, basta praticar fazer umas caminhadas e ouvir música relaxante! Pois bem, foi isso mesmo que pensei até que no mês passado voltei a ter um novo problema de saúde que mais uma vez me obrigou a consultar um médico. E sim… já adivinharam o que o médico me disse: o maldito stress fazia das suas novamente!
Por isso mesmo, quando “A Magia do Silêncio” chegou às minhas mãos fiquei entusiasmadíssima pois toda a ajuda é bem-vinda para tornar a minha vida mais fácil e me devolver a saúde!

Sinopse:
“Um minuto de silêncio pode ser mágico.
Ultrapassados pela falta de tempo, pelo excesso de informação e por uma vida profissional e pessoal que muitas vezes exige mais do que podemos dar, às vezes explodimos e sentimo-nos perdidos, cansados e fartos de tudo. E se a solução fosse a magia do silêncio?
Kankyo Tannier, uma monja budista leiga, pratica o silêncio há vários anos. Assim, a autora parte dessa experiência para nos ensinar a integrar a magia do silêncio espiritual e físico no nosso dia-a-dia e ajudar-nos a melhorar o nosso estado interior sem necessariamente termos de mudar as nossas vidas. Através de exercícios simples e práticos este livro conduz-nos no caminho do silêncio e da felicidade: o silêncio das palavras a fim de compreender realmente o que está a acontecer à nossa volta; o silêncio visual para que o nosso olhar saiba como se desviar de informação visual inútil e o silêncio corporal para aprendermos a ouvir o que o nosso corpo nos diz.”


Opinião:
Quando percebi que a autora era uma monja budista imediatamente todos os estereótipos possíveis e imaginários me assaltaram a mente. Contudo, ao pouco vamos percebendo que Kankyo, apesar de passar grande parte do seu tempo isolada na floresta, também está em contacto com o nosso mundo agitado, não fosse ela a responsável pelas redes sociais do mosteiro que frequenta e não tivesse ela que viajar com frequência para a cidade!
Ultrapassada essa imagem inicialmente errada da autora, dediquei-me a tentar perceber tudo aquilo que ela nos pretende transmitir.

É através de uma linguagem muito descontraída, com direito a diversas piadas pelo meio, que Kankyo Tannier nos mostra como a vida em pleno século XXI contraria aquilo que o nosso corpo e a nossa mente necessitam para estar saudáveis. Falando através da sua longa experiência, a autora revela-nos como em tempos também ela foi vítima do stress causado pelo ritmo frenético com que vivemos a nossa vida. A partir daí, a autora Kankyo dá-nos pequenas dicas e exercícios práticos para tentarmos encontrar um saudável equilíbrio.

Não sou inocente ao ponto de achar que seguindo estes exercícios ao fim de poucos dias vou sentir uma reviravolta de 180 graus na minha vida pois a própria autora é honesta ao ponto de admitir que em alguns casos demorou anos (!) até conseguir usufruir na plenitude de alguns exercícios. Contudo, também sei que se não começarmos é que nada acontecerá por isso é que fiquei entusiasmada por experimentar cada um destes exercícios. O cariz prático destes exercícios foi o que mais me agradou, pois Kankyo sabe que 99% das pessoas que irão ler este livro nunca irão fazer um retiro num mosteiro budista, daí que precisem de conselhos para o dia-a-dia, de exercícios para fazer enquanto caminham na rua ou cortam os legumes para o jantar.
Ainda, o facto de ter começado a praticar Yoga nos últimos meses deixou-me mais receptiva a tudo aquilo que esteja relacionado com meditação e relaxamento, por isso acredito que essa prática pela qual me apaixonei juntamente com esta obra serão uma mais valia na minha vida!

A única coisa de que não gostei tanto no livro foi a forma como a autora fala dos retiros que são realizados no mosteiro que frequenta. A frequência com que aborda este tema faz-nos pensar que está a querer fazer demasiada publicidade aos retiros. Tirando este detalhe, gostei muito desta pequena lição dada por Kankyo Tannier que de uma forma descontraída, bem-humorada e honesta nos relembra de que não fomos feitos para viver vidas tão agitadas e de que devemos ouvir o nosso corpo quando este nos pede para abrandar.
Um livro que recomendo a todos os leitores, principalmente àqueles que, como eu, têm de conviver diariamente com elevados e desproporcionados níveis de stress.     

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

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Livro: Amor em 59 Poemas



Ano de Edição: 2018
Género: Poesia
Autores: Vários
Editora: Suma de Letras


* Por Mariana Oliveira *


Fonte de inspiração para canções, filmes, quadros e muitas outras coisas, o Amor é um sentimento que transcende gerações, comum a todas as culturas.
Mesmo sendo um sentimento comum a todos os seres humanos, o Amor é sentido por todos nós de uma maneira pessoal e distinta. Por isso mesmo, quando tive a oportunidade de ler esta obra fiquei tremendamente grata ao perceber que teria a o privilégio de ver sob o ponto de vista de 59 poetas e poetisas em que consiste esse sentimento misterioso que move montanhas.


Sinopse:
“Os melhores poemas de amor reunidos num único livro. Descubra o sentimento que faz girar o mundo, eternizado pelas palavras de poetas de diferentes tempos e lugares.”


Opinião:
Ao iniciar esta leitura estava convencida de que apenas consistiria em poemas do séc. XVIII até aos dias de hoje. Por isso mesmo, qual não foi o meu espanto quando percebi que viajamos no tempo não apenas ao longo dos mais recentes séculos mas também de milénios, visto que o poema mais antigo nesta obra foi escrito ainda antes do nascimento de Cristo!

Juntamente com cada poema temos uma breve biografia do seu autor o que não só considerei bastante educativo como também serviu para entender melhor alguns dos poemas pois as vidas apaixonadas e dramáticas de alguns dos poetas claramente influenciaram a sua escrita.

Com esta obra, percebemos que independentemente da época em que o poema foi escrito, quer tenha sido à luz da vela ou iluminado por uma lâmpada, o Amor continua a ser um sentimento arrebatador que nos eleva o espírito e faz acreditar que nada é impossível desde que nos deixemos guiar por ele.
Como seria de esperar numa obra deste género, finda a leitura o livro estava repleto de post-its que assinalavam os meus poemas preferidos que, entretanto, já reli várias vezes de tal forma que os achei belos. É disto que mais gosto num livro, quando nos faz voltar a ele vezes sem conta!

Ideal para o dia dos namorados que se avizinha, “Amor em 59 Poemas” é uma obra inspiradora, que ao mesmo tempo que nos apresenta novos poetas nos confirma o talento de outros que já conhecíamos.

Terminada esta leitura, não pude deixar de sentir uma tremenda empatia com estes 59 poetas que mesmo tendo vivido em épocas tão distintas da minha me deixaram com a sensação de que me conseguem ler a alma!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

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Livro: Reino de Feras




Título Original: Fierce Kingdom
Ano de Edição: 2018
Género: Thriller
Autora: Gin Phillips
Editora: Suma de Letras



* Por Mariana Oliveira *


O ano ainda agora começou mas já me arrisco a afirmar que “Reino de Feras” será com quase toda a certeza uma das leituras mais rápidas que terei em 2018. Para isso contribuiu em muito a forma como a história é contada pois do início ao fim decorrem apenas cerca de 4 horas.  De que se trata, então, a história?
  

Sinopse:
“Joan e o filho de quatro anos, Lincoln, estão quase a dar por terminado o seu passeio habitual no jardim zoológico da cidade. Quando se preparam para sair, Joan começa a ouvir aquilo que julga serem balões a rebentar ou fogo-de-artifício. É só quando se está a aproximar do portão do jardim que percebe a horrível verdade: vê primeiro os corpos pelo chão e depois um homem de costas para ela, de arma na mão. Joan pega no filho ao colo e corre como nunca correu, esperando que o homem não os tenha visto.
Esta é a história de uma luta desesperada de uma mãe para salvar o seu filho ao mesmo tempo que se debruça pelos meandros do forte e íntimo laço entre mãe e filho e explora os limites do feroz amor de uma mãe.”


Opinião:
Não é muito difícil imaginar que um dos sentimentos predominantes neste livro é um dos mais temidos por todos nós: pânico. A situação inesperada em que Joan se encontra é horrível para qualquer pessoa, mas quando ainda por cima se tem um filho de 4 anos connosco essa sensação de pânico escala para níveis muito mais elevados. E creio que a autora conseguiu transmitir-nos isso na perfeição pois ao apresentar-nos uma obra que começa e termina num espaço temporal tão curto temos a oportunidade de acompanhar quase minuto a minuto tudo aquilo que vai acontecendo.

No início desta leitura erradamente pensei que iria centrar-se unicamente na fuga desta mãe e do seu filho, contudo Gin Phillips decide mostrar-nos ocasionalmente o ponto de vista de um dos atiradores e de outras vítimas que, tal como Joan, se encontram a lutar pela sua vida no jardim zoológico. Essa variação foi bastante interessante para a obra, contudo senti que “Reino de Feras” teria sido ainda mais rico se a autora tivesse desenvolvido mais ainda os pensamentos do atirador. Queria ter tido a oportunidade de explorar essa mente e tentar perceber todos os motivos que o levaram a cometer um acto tão vil.
Para além disto, Gin Phillips decidiu explorar o laço que une uma mãe ao seu filho desde o dia em que ela o tem nos seus braços com referências recorrentes a acontecimentos passados que demonstram a profunda relação de Joan com Lincoln. Apesar de não ser mãe, foi difícil não me comover com esse amor tão profundo demonstrado continuamente ao longo das páginas deste livro, quer fosse nos momentos de maior intimidade entre mãe e filho quer fosse nas alturas em que Joan reúne toda a sua coragem e força para enfrentar qualquer inimigo que se atravesse no seu caminho!

Agora poderão estar a pensar: “não seria assim tão difícil esconder-me num enorme jardim zoológico e esperar até ser salvo pela polícia”. Não digo que não tenham razão, agora imaginem fazer isso com uma criança de 4 anos que a determinada altura se vai queixar de que quer fazer xixi, quer comer e nem sempre entenderá como é importante falar baixo para não chamar a atenção dos atiradores. Se pensarem nisso conseguirão perceber o difícil equilíbrio que Joan tem de encontrar entre salvar ambos e manter o seu filho minimamente calmo e confortável numa situação de vida ou morte.

Como seria de esperar num livro deste género, a tensão vai crescendo à medida que avançamos na trama, por isso devorei os últimos capítulos na ânsia de saber como iria terminar esta luta pela sobrevivência. A ajudar a isso está a escrita simples da autora que se concentrou mais no conteúdo do que na forma, como de resto costuma ser apanágio deste género de literatura.

Esta é uma leitura rápida, ideal para quem quer ler uma história sem momentos mortos e acompanhar uma série de peripécias repletas de pânico, medo e instinto de sobrevivência. Porque, afinal, o que é que uma mãe não seria capaz de fazer para salvar o seu filho? 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

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Livro: Uma Vida Alemã




Título Original: Ein Deutsches Leben
Ano de Edição: 2017
Género: Biográfico, Histórico
Autores: Brunhilde Pomsel e Thore D. Hansen
Editora: Objectiva


* Mariana Oliveira *




Há alguns anos tive a oportunidade de ler um livro que nos apresenta a perspectiva na primeira pessoa de alguém que seguiu de perto os passos de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Essa obra, com o título “Até ao Fim”, apresentou-me um ponto de vista completamente diferente de um dos momentos mais sombrios da História recente do nosso planeta através das palavras de Traudl Junge, uma das últimas secretárias pessoais de Hitler.
A experiência foi de tal forma interessante que assim que tive a oportunidade de voltar a viajar até essa época através do relato fiel de um dos intervenientes que trabalhava para o governo alemão não hesitei!


Sinopse:
"Neste livro ficamos a conhecer o relato de Brunhilde Pomsel, antiga secretária de Joseph Goebbels – o homem responsável pelo Ministério da Propaganda de Adolf Hitler. Ao longo destas páginas acompanhamos a falta de interesse de Brunhilde face à ascensão dos nacional-socialistas e das suas próprias aspirações em tempos de decadência social e moral – de que o aparelho nazi foi o expoente máximo. Thore D. Hansen organiza e regista, neste excepcional documento, as memórias desta alemã traçando um impressionante paralelo entre aquela época e os dias de hoje. Assim, este livro constitui sem qualquer margem para dúvidas uma chamada de atenção para a geração actual.”


Opinião:
Este livro despertou em mim alguns dos meus medos mais profundos. Enquanto a leitura de “Até ao Fim” se centrava fundamentalmente naquilo que aconteceu, “Uma Vida Alemã” faz um paralelo entre a década de 30 do anterior século e os dias de hoje. É assustadora a quantidade de semelhanças e não podemos ficar indiferentes à possibilidade de que algo semelhante àquilo que aconteceu na Segunda Guerra Mundial possa vir a acontecer na nossa geração ou nas gerações vindouras. Por vezes é muito fácil cairmos na tentação de achar que somos muito mais evoluídos e que nunca iríamos cometer tal erro mas se analisarmos os dias de Brunhilde Pomsel e os nossos dias vamos encontrar vários pontos em comum entre os jovens e adultos daquela época e nós próprios. Na última porção do livro Thore D. Hansen faz essa comparação e alerta-nos para que abramos os olhos e alteremos o rumo dos acontecimentos. Será que ainda vamos a tempo? É isso que o autor questiona e é precisamente isso que me assusta. Quero acreditar que sim e que o Ser Humano não voltará a repetir os mesmos erros.


Relativamente ao relato de Brunhilde propriamente dito, não consegui ter uma opinião consensual. Se por um lado gostei de ter ficado a saber mais sobre o famoso Ministério da Propaganda dos nazis, o seu propósito, a forma como funcionava e quem foram as principais figuras que estiveram na sua liderança, por outro lado não consegui sentir empatia com Brunhilde Pomsel.
Sei que é muito fácil criticarmos alguém quando estamos de fora e não fazemos a mínima ideia do que seria viver na pele tais acontecimentos, contudo a forma quase distante como ela falava dos factos surpreendeu-me. 


Desde o início percebemos que Brunhilde Pomsel era alguém bastante fútil nos seus anos de juventude, a própria faz questão de afirmá-lo várias vezes ao longo do livro, e tal fez com que procurasse um conforto financeiro e continuar com a sua vida o mais normalmente possível numa altura em que milhares de judeus eram levados para campos de concentração.
Sei que na altura a informação não chegava até às pessoas como chega hoje, mas ela trabalhou durante anos no Ministério da Propaganda e passaram pelas suas mãos documentos ultra secretos. Segundo a mesma, nunca leu nenhum deles, cumprindo simplesmente a sua função. Mas fez isto numa altura em que até conhecidos e amigos seus judeus tinham desaparecido?! A preocupação dela numa altura em que milhares de pessoas fugiam do país ou simplesmente eram levadas à força consistia em fazer convenientemente o seu trabalho e ganhar o seu salário ao fim do mês?!
Se isto não bastasse para me deixar estupefacta, a forma como Brunhilde muitos anos mais tarde, quando já era centenária, de certa forma “sacudiu a água do capote” como se não tivesse tido absolutamente nada a ver com o assunto deixou-me completamente, desculpem-me a expressão, aparvalhada. No caso de Traudl Junge, a mesma confessou que na altura não tinha noção da gravidade daquilo que estava a fazer mas tal não impediu que, anos mais tarde, quando ficou a par das atrocidades que tinham sido cometidas não sentisse uma terrível culpa. Afinal de contas, tinha contribuído, ainda que sem o saber na altura, para que um dos momentos mais negros da nossa História tivesse acontecido.
Confesso que fiquei sem perceber bem a atitude de Brunhilde Pomsel, não sei se será algum mecanismo de defesa a que a mesma recorreu para conseguir viver os seus 106 anos em relativa paz consigo mesma… talvez seja isso mesmo…


De qualquer forma, a oportunidade que esta obra nos dá para aprender ainda mais sobre essa terrível época e, acima de tudo, para evitar que algo de semelhante se venha a repetir torna-a numa leitura que recomendo a todos os leitores. Nunca é demais estarmos informados e evitar os erros do passado.

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