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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

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Livro: O Funeral da Nossa Mãe



 Ano de Edição: 2012
Género: Drama, Romance
Autora: Célia Correia Loureiro
Editora: Alfarroba


* Por Mariana Oliveira *

No início deste ano propus-me ler alguns livros que estavam há demasiado tempo na minha estante, num vídeo do Canal FLAMES que decidi designar de "Vergonhas Literárias". Nessa lista de obras que esperavam impacientemente que eu pegasse nelas estava um livro com um título que, logo desde o início, me chamou à atenção: "O Funeral da Nossa Mãe" de Célia Correia Loureiro.


Sinopse:
"Quando, aos 58 anos, Carolina Alves decide pôr termo à vida, deixa um pedido concreto às suas três filhas: que se reúnam na festa em honra da padroeira da vila e que recuperem os laços de sangue que as consagram irmãs. Luísa emigrou para Paris, decepcionada com a frieza da mãe; Cecília é pianista e vive num alheamento artístico constante e Inês refugiou-se na política para fugir à negligência da família. Com a ajuda da tia Elisa, vão regressar aos campos de alfazema da infância e desvendar ao longo de quatro dias o passado inesperado de Carolina. Os seus erros, as suas fraquezas e, numa reviravolta inesperada, o acto vil que lhe permitiu prender a si há trinta e oito anos aquele que viria a ser o pai das suas filhas…" 


Opinião:
Por causa da tenra idade que tinha Célia Correia Loureiro quando escreveu este livro, confesso que parti para esta leitura com as devidas precauções: não queria elevar muito as minhas expectativas e já me tinha mentalizado que iria encontrar uma história simples com uma escrita igualmente desprovida de qualquer profundidade. Contudo, volvidas as primeiras páginas, rapidamente me apercebi do meu erro!

A escrita nesta obra é absolutamente arrebatadora e a maturidade dos pensamentos que são passados para o papel assustou-me. Para mim, a autora é uma jovem com uma alma mais madura, mais vivida.
A forma como transmite os pensamentos e emoções das personagens é tão profunda que senti que eu era todas elas, que de alguma forma tinha conseguido entrar dentro delas e ver até ao seu âmago. 
E se a escrita é soberba, o que dizer da história? Aparentemente simples de início, cedo percebemos que algo se esconde por detrás da vida da amargurada Carolina e damos por nós curiosos em descobrir qual o funesto segredo que ela escondeu das suas filhas. Um segredo com consequências impensáveis para as várias "peças" deste malogrado "jogo", já que os destroços seus acabam por atingir a vida de todos aqueles que estavam próximos de Carolina. 
Contudo, mesmo tendo-me rendido à escrita e trama de "O Funeral da Nossa Mãe", aquilo que mais apreciei neste obra foi o facto de a autora não ter caído na tentação de apresentar personagens irreais. Neste livro, todos têm as suas virtudes e os seus defeitos. Não há heróis nem vilões. Todos cometem erros e sofrem com as suas escolhas e todos têm momentos nas suas vidas em que a felicidade lhes sorri. Foi este carácter tão real e humano das personagens que me realmente me comoveu e colocou esta leitura na lista das melhores que fiz este ano!

 Fiquem com a entrevista que fizemos à Célia no ano passado :)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

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95ª Entrevista do FLAMES: Célia Correia Loureiro (escritora portuguesa)


Célia Correia Loureiro


Célia Correia Loureiro nasceu em Almada, em 1989. Licenciou-se em Informação Turística pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, mas garante que a sua vocação é a escrita. Desde cedo começou a contar histórias através de ilustrações. Aos doze anos leu o seu primeiro romance e, desde aí, não parou de ler nem de escrever. Com algumas obras terminadas, apresenta-se aos leitores através da Alfarroba com "Demência" em Nov. de 2011 e, em Out. de 2012 lança, pela mesma chancela, "O Funeral da Nossa Mãe". Posteriormente, publica "A Filha do Barão" pela Marcador.

Filme preferido: E Tudo o Vento Levou
Livro preferido: E Tudo o Vento Levou
Anime preferido: Não tenho
Manga preferido: Dragon Ball
Evento/Espectáculo ou programa de Entretenimento preferido: Não tenho
Série preferida: Sex and the City

Nasce-se escritor ou aprende-se a ser escritor? 
Nasce-se escritor, sem dúvida. O que não significa que não se possa apenas descobrir isso bem mais tarde. Há quem “aprenda” a ser escritor, ou “se faça” escritor. Mas a distinção é clara entre uns e outros. 

Para ti ser escritora é, acima de tudo, satisfazer a tua ânsia em escrever ou proporcionar boas horas de leitura a quem compra as tuas obras? 
Para mim ser escritora é, sobretudo, procurar compreender-me melhor. Exorcizar a multitude de emoções e de personalidades que me compõe. É poder ser esquizofrénica sem que isso me cause mal. E, por felicidade, há quem encontre algo de bom na minha esquizofrenia. 

Qual foi o melhor elogio sobre o teu trabalho que recebeste até hoje?
Dizerem-me que sou humana nos meus livros é algo espectacular. Transpor humanidade para qualquer tipo de arte não é fácil. É fácil dissertarmos sobre amor e o tempo, ser-se doce ou amargo, mas não é fácil mostrarmos a complexidade, o sujo e o puro, que é ser-se humano, e ainda assim enojarmo-nos e comovermo-nos no mesmo parágrafo. Dizerem-me que o meu trabalho tem muito de humano é muito gratificante.

Olhando, em retrospectiva, para as obras que publicaste até agora, tendo essa oportunidade mudarias alguma coisa? 
Mudaria, sim. Nada será jamais perfeito, porque qualquer coisa que eu faça agora sairia sempre melhor se a fizesse daqui a uns anos. Pelo menos é o que sinto em relação aos livros que escrevi. Sobretudo em relação ao Demência, que é ainda muito carne da minha carne. Estou a reescrevê-lo aos poucos e tenciono tentar voltar a publicá-lo um dia. Falhei nalguma pesquisa e nalguma técnica. Agora conseguirei fazer melhor (nunca perfeito, contudo). Falta-lhe chegar a muita gente. 

Achas que ser uma escritora tão jovem em Portugal é uma vantagem ou mais uma desvantagem? 
Como disse em entrevista anterior ao Sol, a escrita não pode ser vista à luz da idade. Continuo a pensar assim. Cada vez mais ser-se jovem não é impeditivo de se escrever bem, e mesmo a sociedade já entendeu isso.

Como perspectivas o futuro da tua carreira?
Enquanto viver vou escrever, isso é certo. Se haverá quem queira ler-me ou quem queira publicar-me, isso já é outra coisa :)

Muito obrigada Célia pela simpatia!

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