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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

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Livro: O Vilarejo (Projecto Halloween)



Ano de Edição: 2015
Género: Terror
Autor: Raphael Montes

* Por Mariana Oliveira *



Desde muito nova que sempre gostei de histórias de terror, já os contos entraram na minha vida há alguns anos para nunca mais se irem embora. Por isso mesmo, quando surgiu a oportunidade de juntar contos e terror numa mesma leitura não hesitei!


Sinopse:
"Inspirado no padre e demonologista Peter Binsfeld que em 1589 fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demónio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas, o jovem autor Raphael Montes cria uma obra deveras original.
Ao longo de 7 histórias que decorrem numa mesma vila isolada é-nos apresentada a lenta degradação dos seus moradores à medida que o local é dizimado pelo frio e pela fome. Todas as histórias se relacionam de uma maneira complexa acabando todas as narrativas por convergir para uma surpreendente conclusão."


Opinião:
Quero começar por falar nas ilustrações bastante peculiares que acompanham cada um dos contos. Digo isto pois enquanto o traço parece tirado de um filme da Disney, o seu conteúdo é por diversas vezes macabro. Por isso mesmo, este contraste de um desenho fofo que pretende representar algo aterrorizador acabou por dar às ilustrações deste livro um interessante toque de originalidade.

Relativamente aos contos, posso dizer que encontrei o tipo de contos que mais me agrada: não são demasiado longos e levam-nos por um determinado caminho para no final nos apresentar uma reviravolta que nos deixa quase atarantados. Assim, esta leitura tornou-se numa surpresa seguida de outras surpresas à medida que vamos conhecendo o íntimo de cada um dos moradores desta remota vila. Neste livro percebemos a degradação a que o Ser Humano pode chegar quando confrontado com a adversidade e como aquilo que temos por valores morais pode desaparecer num ápice assim que as dificuldades surjam. A essência do Homem naquilo que ele pode ter de pior está perfeitamente retratada nesta obra.
Aquilo de que mais gostei nesta leitura foi a forma engenhosa como o autor relacionou cada uma das personagens e no início de cada conto estava sempre entusiasmada para saber como é que Raphael Montes iria mais uma vez ligar as diferentes personagens entre si.


Depois de ler sete contos surpreendentes e macabros, eis que chega os posfácio que guardava também ele uma tremenda surpresa! A última página deixou-me completamente arrepiada e rendida ao talento e imaginação do jovem autor brasileiro. 
Sem qualquer dúvida que irei acompanhar o seu trabalho de perto daqui para a frente!  

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

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Manga: Hideout (Projecto Halloween)




Ano: 2010
Género: Terror
Autor: Masasumi Kakizaki


* Por Mariana Oliveira *




Uma das minhas resoluções no início de 2017 para o FLAMES consistia em ler mais mangas. Se na primeira metade do ano não cumpri, venho agora redimir-me e apresentar o primeiro manga de vários dos quais conto falar-vos nos próximos meses.
Neste caso, nada como uma história de terror para integrar no meu Projecto Halloween…


Sinopse:
“Um escritor vai de férias com a sua esposa na tentativa de salvar o seu casamento que sofreu uma trágica reviravolta há um ano atrás, ou assim ele o deu a entender porque a verdadeira intenção deste revoltado escritor é matar a sua mulher e recomeçar uma nova vida…”


Opinião:
Num manga, para mim, quase tão importante como a própria história é a arte que a acompanha. Em “Hideout” bastaram-me as primeiras páginas para perceber que me encontrava perante um manga cujo desenho é absolutamente perfeito para a história que se pretende contar. Traços vincados e sombras abundantes resultaram em ilustrações sombrias e simultaneamente dramáticas. Isto era fundamental para a história que se desenrola.

Neste manga, para além do terror o drama também tem o seu devido destaque à medida que vamos conhecendo aquilo pelo que o escritor passou no último ano da sua vida. Se numa fase inicial, quando percebemos que ele pretende matar a sua esposa, é fácil ficarmos contra ele apontando-lhe o dedo, à medida que vamos visitando o seu passado tudo se torna mais claro e acabamos por perceber as suas verdadeiras intenções, não que isso possa de forma alguma justificar tal crime, claro está!

Relativamente ao factor terror, se eu vos disser que grande parte da acção decorre algures numa ilha deserta numa gruta sombria habitada por um louco sedento de sangue creio que rapidamente perceberão porque é que este manga não desiludiu quando afirmou tratar-se de uma história de terror. A crescente tensão, as ilustrações sombrias e o pânico vivido pelo protagonista transportaram-me com facilidade para este mundo onde o medo e a aflição imperam.

No que diz respeito ao final desta história, quando tudo parecia decidido, eis que o autor decidiu surpreender-nos com um desfecho inesperado que aumentou ainda mais o teor macabro desta trama.

Este é um manga que recomendo seu qualquer dúvida aos fãs de histórias de terror.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

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Livro: O Jardim das Borboletas (Projecto Halloween)



Título Original: The Butterfly Garden
Ano de Edição: 2017
Género: Mistério, Terror
Autor: Dot Hutchison
Editora: Suma de Letras

* Por Mariana Oliveira * 

Há livros cuja sinopse nos agarra logo na primeira frase. Foi precisamente isso que aconteceu com “O Jardim das Borboletas” que me trouxe à memória os bons velhos tempos em que vi pela primeira vez o filme “O Silêncio dos Inocentes”.

Sinopse:

“Perto de uma mansão isolada encontra-se um jardim com flores exuberantes, árvores frondosas e… uma colecção de preciosas borboletas: mulheres sequestradas e tatuadas para se parecerem com esses belos insectos. Quem toma conta deste estranho lugar é o aterrador Jardineiro, um homem com uma mente retorcida completamente obcecado com a captura e preservação destes espécimes únicos. Quando o jardim é descoberto pelo FBI torna-se fulcral juntar as peças deste quebra-cabeças. Para isso terão de interrogar Maya, uma das vítimas resgatadas do jardim que se encontra em estado de choque e cujo relato fragmentado está repleto de episódios chocantes. Será Maya uma simples vítima ou será que as suas meias palavras escondem uma outra realidade?”

Opinião:

Há muito tempo que um livro não despertava o Rambo que há em mim. É que ler este livro deu-me uma tremenda vontade de amarrar uma fita vermelha à volta da cabeça, pegar numa metralhadora e sair em perseguição do Jardineiro e dos seus dois filhos. Mas que família mais perturbada e horrível!
Desde cedo arrepiei-me com este jardim amaldiçoado cuja beleza oculta dezenas de horrendos crimes. Raptos, violações, violência e mortes prematuras… a lista é assustadora e dei por mim várias vezes a pensar onde terá Dot Hutchison ido buscar inspiração para se lembrar de uma história destas.
A forma como tudo é relatado é extremamente inteligente pois prende-nos do início ao fim: basicamente viajamos entre o presente e o passado através das palavras de uma misteriosa sobrevivente do amaldiçoado Jardim, a jovem Maya.
Esta rapariga que inicialmente não quer falar, provavelmente devido ao grande trauma que sofreu, lentamente inicia um relato de horror no qual pequenas pistas acerca dos desenvolvimentos subsequentes são lançadas quase como por acaso durante o seu discurso. São esses detalhes de que Maya fala que me deixaram hipnotizada com esta leitura e ávida por saber qual seria o seu desfecho.
Em vários momentos senti repulsa pelas macabras acções do Jardineiro e do seu filho mais velho, um jovem ainda mais perturbado que o seu pai e extremamente violento. Já o filho mais novo deixou-me completamente enfurecida pois, sem ser exactamente uma pessoa malvada, ao longo do livro demonstra uma passividade perante estes acontecimentos indescritíveis que fiquei com vontade de aplicar os meus golpes de Rambo em primeiro lugar nele.
O único aspecto que, a meu ver, poderia ter sido melhor neste livro foi o seu final. Sem entrar em detalhes para não vos estragar a surpresa, creio que foi demasiado fantasioso. Para mim, Dot Hutchison forçou um pouco a nota ao, inesperadamente, envolver uma determinada personagem nas últimas páginas tornando-a num mito vivo para todas as Borboletas e fazendo com que eu visse a estadia de Maya no Jardim de uma forma completamente diferente. Acredito que quando lerem o livro compreenderão o que estou a dizer.

Recomendo este livro a todos aqueles que gostam de uma boa história de mistério com requintes de terror à mistura. Um livro ideal para esta época do Halloween!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

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Filme: It (Projecto Halloween)



Ano: 2017
Género: Terror
Realizador: Andy Muschietti


* Por Mariana Oliveira *




Há alguns anos que tinha vontade de ler o livro “It” de Stephen King, contudo as suas várias centenas de páginas sempre me dissuadiram a isso. Por isso mesmo, fui sempre adiando esta leitura. Agora podem imaginar a minha satisfação quando soube que iriam fazer uma adaptação ao cinema! Sim, sei perfeitamente que ler o livro e ver o filme são duas coisas completamente distintas mas neste caso optei pelo caminho mais fácil e fui directamente ao cinema. Por favor, não me julguem…


Sinopse:
“Um grupo de 7 amigos, conhecidos como “Os falhados” decidem investigar o desaparecimento do irmão de um deles, de quem não se sabe o paradeiro há um ano. Contudo, essa foi apenas uma das várias crianças e adolescentes que desapareceram da pequena cidade de Derry nos últimos meses. Aterrorizados, pais e filhos cumprem um recolher obrigatório até que se consiga perceber quem, ou o quê, anda a raptar sem piedade os jovens da cidade.”


Opinião:
Quando entrei na sala de cinema para a sessão da noite estava com bastante receio de o filme ser demasiado assustador. Tinha visto o trailer e ficado arrepiada, por isso estava à espera de encontrar o vilão mais aterrorizador de todos os tempos.
Vamos então por partes para que eu possa explicar porque é que comecei cheia de medo e terminei algo desiludida.

Inicialmente as cenas com o mítico palhaço são muito assustadoras. O seu sorriso arrepiante, a forma estranha como fala e o modo como corre (acreditem que ele corre de uma maneira perturbadora) deixaram-me completamente arrepiada. O problema prendeu-se, a meu ver, com a duração do filme e a quantidade de vezes que o palhaço apareceu. É que o filme tem mais de 2h e o palhaço aparece imensas vezes. Assim, este efeito de repetição permitiu-me, aos poucos, ficar imune ao efeito aterrorizador do palhaço e nas cenas finais para mim não passava de isso mesmo, um simples palhaço com tendências assassinas.
Não é só o palhaço assassino que aterroriza os jovens do clube dos Falhados, já que outros seres sobrenaturais são utilizados pelo vilão para amedrontar os protagonistas do filme. No entanto, esses nunca me assustaram. Por tudo isto, fiquei desiludida pois estava à espera de sair completamente arrepiada da sala de cinema e não foi isso que aconteceu.

Em relação aos momentos de humor da história, é verdade também há momentos mais descontraídos, não pude deixar de me divertir com este grupo de amigos que me recordou a minha infância: uma época em que brincávamos no exterior, em que ainda não nos tínhamos rendido às novas tecnologias e passávamos o dia todo na brincadeira até o sol se pôr.


Depois de ver o filme, fiquei curiosa com o livro. Duvido que algum dia venha a lê-lo, mas não posso deixar de questionar-me se a versão escrita desta histórica será realmente aterrorizadora. Provavelmente nunca terei uma resposta para esta questão…

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

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Livro: Scary stories to tell in the dark (Projecto Halloween)





Ano de Edição: 1981
Género: Terror 
Autor: Alvin Schwartz 



* Por Mariana Oliveira *

Opinião:
"As lendas urbanas e as histórias mitológicas sempre me interessaram. Algo no seu carácter místico e na possibilidade de existir um fundo de verdade nessas narrativas cria em mim um fascínio que me leva a querer conhecer mais e mais do folclore de cada país. Por isso mesmo, mal consegui a edição que tanto procurei do livro “Scary stories to tell in the dark” não hesitei e li-a em pouco tempo!

Este é um livro para crianças que reúne alguns dos mitos ou lendas mais conhecidos nos Estados Unidos da América e em Inglaterra. Por ser para crianças, não posso dizer que sejam histórias que me tenham tirado o sono, mas a qualidade das ilustrações que as acompanham (essas verdadeiramente arrepiantes!) e os apêndices no final do livro fizeram desta uma leitura de Halloween muito agradável. 
Por curioso que seja, foram precisamente os apêndices no final da obra que mais me fascinaram e não as histórias em si. Neles, o autor fala sobre as origens de cada um dos mitos, bem como as variações que estes sofreram ao longo do tempo ou dependendo dos locais onde são contados. 
Outro aspecto muito interessante da obra são as dicas que o autor dá em algumas histórias: sugestões feitas ao leitor da melhor forma (postura, entoação, etc.) para contar as histórias para que estas se tornem mais assustadoras para quem as ouve. 
Mas o melhor mesmo são as ilustrações. Uma versão mais recente desta obra inclui outras ilustrações muito menos assustadoras, daí que eu tenha feito de tudo para conseguir o livro ilustrado por Stephen Gammel. Estas são absolutamente fenomenais!!! Só por causa delas, já vale a pena ler este livro uma e outra vez!"

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

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Livro: Bird Box (Projecto Halloween)




Ano de Edição: 2014
Género: Terror
Autor: Josh Malerman



* Por Mariana Oliveira *

Desde tenra idade que o mundo do terror e mistério sempre despertou em mim um especial fascínio. Enquanto na minha adolescência essa paixão foi alimentada com a famosa série “Arrepios”, confesso que na idade adulta tenho tido dificuldades em encontrar obras que me façam sentir aquilo que R.L. Stine provocava em mim quando lia as suas frases arrepiantes. Por isso mesmo, foi para mim uma excelente surpresa descobrir a obra “Bird Box”.


Sinopse:
“Um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta olhar para algo desconhecido para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reacção nas pessoas. Cinco anos depois de o surto ter começado, restam poucos sobreviventes, entre eles Malorie e os seus dois filhos pequenos de apenas quatro anos de idade. A jovem mulher sonha em fugir para um local onde os três possam estar em segurança, mas a viagem de olhos vendados que têm pela frente é assustadora: uma decisão errada e todos morrerão.” 


Opinião:
Mas que história! Quando a terminei dei por mim a pensar nela várias vezes durante os dias que se seguiram. Este é daqueles livros em que uma escrita brilhante se funde com uma história intensa para dar origem a uma obra ímpar.
Começando pela história, quero dizer que fiquei impressionada com a imaginação do autor neste seu livro de estreia. A ideia base é incrivelmente simples: alguém ou alguma coisa está a fazer com que todas as pessoas que olharem para ela enlouqueçam atacando quem com elas se cruzar e acabando por cometer suicídio. O grande mistério é o seguinte: mas afinal o que está a causar esta loucura súbita?! A resposta permanece uma incógnita e é incrível ver o impacto que esse acontecimento tem no mundo. A partir daí, acompanhamos a protagonista Malorie e mais alguns sobreviventes à medida que tentam resistir num mundo onde estão presos nas suas próprias casas e só podem sair à rua de olhos vendados.
E se a ideia é extremamente interessante, foi a escrita de Josh Malerman que a tornou absolutamente cativante. Isto porque a forma como o autor descreve aquilo que sente alguém que se encontra vendado num mundo no mais completo caos é absolutamente brilhante. Os pequenos barulhos, a mais leve brisa, um objecto desconhecido no qual se tropeça… é aterrador para o leitor colocar-se na pele das personagens. Como seria sair à rua em busca de alimento sem poder abrir os olhos não sabendo se nos vamos cruzar com outros sobreviventes potencialmente enlouquecidos, com um animal selvagem ou até com as supostas criaturas causadoras de todo este problema? Aqui, o escritor leva a questão mesmo ao extremo e apresenta-nos a seguinte situação: como seria descer um rio num pequeno barco com os olhos vendados durante horas neste mundo selvagem? Aterrador não é?!

Foi muito entusiasmante acompanhar o dia-a-dia dos protagonistas: o seu desespero, a sua tentativa em manter a sanidade, o seu receio do futuro e simultânea esperança de que possa, algures, existir uma solução.
Assim, no meio deste terror, confusão e medo constantes dei por mim a ler este livro com a respiração quase suspensa, percebendo que sempre que ia dormir reparava em todos os sons que de repente se tornavam estranhos. E foi então que pensei: é isto que um verdadeiro livro de terror deve despertar em nós; fazer-nos ter medo, pensar na história mesmo quando não a temos nas mãos e recear poder algum dia passar por uma experiência semelhante!
A ter de apontar algum defeito, apenas me ocorre referir o final que, a meu ver, foi um pouco abrupto. Gostava que o autor tivesse escrito mais umas vinte páginas e explorado melhor a conclusão apresentada. Contudo, não posso dizer que tal facto tenha servido para estragar esta história.
Assim, como se toda esta qualidade não bastasse, eis que quando termino “Bird Box” me apercebo de que as últimas 100 páginas do livro consistiam num conto extra escrito pelo autor. Conto este sobre dois realizadores de filmes de terror que competem entre si numa tentativa de criar o filme de terror perfeito. Esta competição vai aumentando de intensidade até ao ponto em que coisas muito estranhas e perturbadoras começam a acontecer… e damos por nós a mergulhar na mente de duas pessoas obcecadas que não olham a meios para atingir os seus fins. Esta segunda história foi a cereja no topo do bolo de um livro que por si só já era quase perfeito!
Recomendo “Bird Box” a todos aqueles que gostam de histórias e terror que mexem com o leitor!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

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Livro: A Luz Miserável (Projecto Halloween)


 
Ano de Edição: 2010
Género: Fantasia, Mistério, Terror
Autor: David Soares
Editora: Saída de Emergência



* Por Mariana Oliveira *


Há alguns anos tivemos o prazer de publicar aqui no blogue uma entrevista feita ao autor David Soares. Nesse mesmo ano, comprei um livro seu pois fiquei curiosa com a postura directa do escritor. Contudo, só este ano é que me estreei a ler uma das suas obras e, para isso, escolhi um livro que já há algum tempo andava a "namorar" - A Luz Miserável.


Sinopse:
"O horror está de volta.Nestas três histórias, David Soares (O Evangelho do Enforcado, Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados) apresenta imagens de luz e trevas que não deixarão ninguém indiferente. Do ambiente exótico de A Sombra Sem Ninguém, passando pelos interiores claustrofóbicos de A Luz Miserável, até à extravagância macabra de Rei Assobio, prepare-se para conhecer personagens inesquecíveis, como um homem "quase" invisível, três soldados amaldiçoados e um velhote mutilado e vingativo. Do suspense ao splatterpunk, A Luz Miserável é um livro de contos provocadores, diabólicos e literários. Uma viagem vertiginosa ao lado negríssimo da imaginação."


Opinião:
Este pequeno livro é composto por três contos mas, a meu ver, divide-se em duas partes.
Na primeira parte encontramos o conto "Na Sombra de Ninguém", uma história que defino como sendo de fantasia. Nela acompanhamos uma jovem elementarista que se cruza por acaso com um homem quase invisível. Juntos, vão tentar recuperar a forma do segundo que, vítima da sua própria ambição, sofre há muito tempo por não ter um corpo visível. 
Para mim, este conto foi uma espécie de "aquecimento" para aquilo que o livro traria no que ao terror diz respeito. Assim, sem ser assustador, "Na Sombra de Ninguém" consegue criar o ambiente de irrealismo necessário para prosseguirmos para aquela que denomino como segunda parte da obra.

Os contos "A Luz Miserável" e "Rei Assobio" apanharam-me de surpresa. Depois de o livro ter começado de uma forma mais leve e até algo divertida eis que David Soares se serve de uma espécie de veia de Quentin Tarantino para me chocar nestas duas histórias. A forma gráfica como são descritos certos acontecimentos obrigaram-me literalmente a interromper a leitura para recuperar o fôlego.
Numa abordagem mais sombria, David Soares transporta-nos até ao mundo dos mitos, das criaturas aterrorizantes e das situações absolutamente desesperantes. Com estas duas histórias dei por mim a viajar até noites escuras, repletas de sons misteriosos e dor, muita dor...
Posso dizer que o David Soares não me desiludiu: com o meu Projecto de Halloween procuro obras assustadoras e esta sem dúvida que se enquadra na perfeição nessa categoria!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

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Livro: A Noite e o Sobressalto (Projecto Halloween)



 
Ano de Edição: 2010
Género: Mistério, Terror
Autor: Pedro Medina Ribeiro



* Por Mariana Oliveira * 

Todos os anos digo para mim que no mês de Outubro me vou dedicar a leituras adequadas ao Halloween. E todos os anos falho esse objectivo. Contudo, 2016 vai ser diferente pois tomei a verdadeira resolução de ler livros talhados para o tema e, para minha satisfação, estou a conseguir cumprir! 
A primeira obra que li foi o livro de estreia de Pedro Medina Ribeiro - "A Noite e o Sobressalto".


Sinopse:
"Até onde nos levam as nossas crenças e que mistérios estão para lá do que acreditamos? O que têm em comum Londres, Berlim, Alentejo ou Praga? São cenários onde se desenrolam as histórias reunidas neste livro, na tradição da narrativa fantástica de Edgar Allan Poe, ou Sir Arthur Conan Doyle.Um convidado surpresa. Uma festa secreta com um desfecho imprevisto. Uma casa assombrada e uma família destroçada por um mistério. Um escritor e um amigo perseguido pela lenda de um homem de capuz. Uma herança inesperada e uma maldição. Pedro Medina Ribeiro, numa escrita elegante e rica em imagens, transporta-nos para um universo de mistério em que nem tudo é o que parece, cativando o leitor pela qualidade da narrativa e prendendo-o pela curiosidade, só o largando no final de cada história, de forma repentina e surpreendente. Em sobressalto." 


Opinião:
 Foi interessante ler as 7 histórias quase de uma assentada, pois assim tornou-se mais fácil compará-las. 
A primeira impressão com que fiquei é de que não posso dizer que este livro seja assustador, longe disso. O que se passa é que o autor criou histórias de mistério, com algum folclore à mistura. 
Apesar de bastantes diferentes entre si, há um factor comum a todas elas: o sentido de ironia. Não poucas vezes o autor terminava um dos contos com um parágrafo que apresentava uma reviravolta com o seu quê de irónico. Assim, esta acabou por também se tornar numa leitura divertida e que me deixava curiosa até à última frase a tentar perceber qual seria o twist que iria ocorrer naquele conto em particular.
Mesmo não tendo achado as histórias assustadoras, está presente o factor mistério ao longo de todas elas e Pedro Medina Ribeiro conseguiu criar um ambiente obscuro em quase todas. Assim, senti-me a mergulhar num mundo em que o sobrenatural surge para juntamente com os nossos medos atormentar a vida das pobres personagens que habitam estas páginas.
Relativamente à escrita do autor, é evidente o seu talento, ainda para mais tratando-se da sua obra de estreia! Contudo, confesso que em alguns momentos senti que ele estava a "forçar a nota" e recorria a palavras desnecessariamente complexas, a meu ver, que não encaixavam com a restante narrativa. 
Tirando esse detalhe, esta foi uma leitura interessante para começar o meu mês de Halloween. Quero agora ver se os próximos livros serão suficientes para me deixar de cabelos em pé...

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