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quinta-feira, 13 de julho de 2017

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Livro: O Conto da Ilha Desconhecida



Ano de Edição: 2015
Género: Drama
Autor: José Saramago
Editora: Porto Editora

 * Por Mariana Oliveira *


Depois de me ter reconciliado com a escrita de José Saramago, graças à incrível obra “As Intermitências da Morte”, decidi continuar na minha senda de conhecer mais e mais trabalhos do Nobel português.
Desta vez, o eleito foi um pequeno livro chamado “O Conto da Ilha Desconhecida”.


Sinopse:
“Um dia um homem dirigiu-se à porta do rei para pedir um barco… situada num tempo e num espaço indeterminados, a história do homem que queria um barco para ir à procura da ilha desconhecida promete ser a história de todos os homens que lutam contra as convenções em busca dos seus sonhos e de si próprio.”


Opinião:
A primeira impressão com que fiquei após ler os primeiros parágrafos deste conto é a de que a escrita se assemelhava bastante à de Afonso Cruz. Assim, preparava-me para me confrontar com uma escrita poética e intrincada mas ao invés acabei com um livro cuja prosa está mais acessível sem que com isso tenha perdido a sua beleza.

Aparentemente simples, este conto pode ser visto sob vários ângulos e acredito que diferentes leitores chegarão a conclusões distintas.
Para mim, primeiramente esta é uma história sobre perseverança e coragem. Sobre lutarmos por aquilo que queremos por mais obstáculos que surjam no nosso caminho e por mais que aqueles que nos rodeiam nos digam que não somos capazes de fazê-lo.
Este conto também nos mostra de que muitas vezes aquilo de que andamos incessantemente à procura noutros lugares pode estar muito mais próximo daquilo que imaginamos, às vezes está mesmo dentro de nós próprios.


Sei que mais cedo ou mais tarde irei reler “O Conto da Ilha Desconhecida” e possivelmente descobrirei ainda mais coisas com esta pequena mas profunda leitura.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

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Livro: As Intermitências da Morte



Ano de Edição: 2014
Género: Drama, Humor
Autor: José Saramago
Editora: Porto Editora


* Por Mariana Oliveira *

Faço parte do grupo de leitores que ficou com aversão às obras de José Saramago por causa de uma decisão do Ministério da Educação a meu ver tremendamente errada: tornar obrigatória a leitura da obra “O Memorial do Convento” para milhares de adolescentes em todo o país. Ainda não conheci ninguém que com 17 ou 18 anos tivesse a maturidade necessária e experiência de leitura para entender a complexidade da escrita do Nobel português. O que resulta desta péssima opção são milhares de alunos a braços com uma leitura demasiado complexa e que acabam por considerar Saramago como sendo um escritor inacessível e desinteressante. 
Foi precisamente por causa disto que demorei anos a atrever-me a dar uma segunda oportunidade aos livros do conceituado escritor português. O receio estava lá e estava pronta para não gostar da obra. Por isso mesmo, foi com surpresa que me deparei com uma das minhas melhores leituras dos últimos tempos! 


Sinopse:
«No dia seguinte ninguém morreu.» Assim começa este romance de José Saramago. Colocada a hipótese, o autor desenvolve-a em todas as suas consequências, e o leitor é conduzido com mão de mestre numa ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor, e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência. 


Opinião:
Mentiria se dissesse que a escrita de Saramago é fácil. Diferente de todos os estilos que encontrei até hoje, a prosa de Saramago é de uma riqueza ímpar. A construção das frases, a inclusão peculiar dos diálogos e os termos utilizados tornaram a leitura de “As Intermitências da Morte” num delicioso desafio.
Relativamente à trama deste livro, não consigo pensar nele sem dividi-lo em duas partes. 


Na primeira metade, Saramago confronta-nos com as alterações inevitáveis que a ausência da morte implica. Habituados a sonhar com essa possibilidade, o autor mostra-nos que o facto de os Seres Humanos se tornarem imortais pode trazer muitos mais inconvenientes do que vantagens.
Socorrendo-se de um sentido de humor absolutamente genial, Saramago dispara em todas as direcções: governos, religiões, sindicatos, seguradoras e até a máfia. Ninguém sai ileso nesta história onde a morte se ausenta e a sociedade vê os seus pilares abalados.
Dei por mim a rir-me com várias passagens e a pensar seriamente sobre alguns dos pontos de vista apresentados pelo autor e nos quais eu nunca tinha pensado anteriormente. 

Na segunda metade do livro a história muda de tom e a prosa torna-se quase poesia quando Saramago começa a focar-se mais nos aspectos da nossa finitude, da inevitabilidade da morte e na importância que a vida de cada um de nós tem. Adorei esta parte da obra que me levou a mergulhar na intimidade da morte e ver-nos a nós, pessoas, sob a perspectiva de uma entidade cuja função é a de terminar com a nossa existência neste mundo. 
Foi com esta segunda metade que fiquei completamente rendida ao autor e com a certeza de que irei voltar às suas obras para voltar a desfrutar da sua genialidade.

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