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segunda-feira, 15 de julho de 2013

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16ª Entrevista: Inês Botelho (Escritora)


Inês Botelho


Nascida a 3 de Agosto de 1986, Inês Botelho começou a estudar música entre os 5 e os 6 anos de idade. Mas a autora não gosta só de tocar piano ou da escrita. De facto, é apaixonada pela representação. Foi nas férias de verão de 2002, entre o 10º e o 11º que Inês escreveu A Filha dos Mundos, o primeiro livro da trilogia O Ceptro de Aerzis. Para além destes 3 livros, é ainda autora de Prelúdio e O passado que seremos. Colabora também com a Revista Bang!. Vamos então conhecê-la melhor…

Para mais informações:
Site da autora: http://www.inesbotelho.com/ 
Facebook da autora: https://www.facebook.com/pages/In%C3%AAs-Botelho/190027857681462?v=wall

Qual é a sua nacionalidade: Portuguesa
O seu Filme favorito: Já respondi antes a este mini-questionário introdutório, porém parece-me sempre estranho e artificial eleger uma única obra como favorita. Nenhum trabalho é perfeito ou capaz de se sobrepor a todos os outros e, além disso, acho a pluralidade bem mais interessante. Por isso, deixem-me aproveitar para, com mais tempo e calma, acrescentar alguns elementos às minhas escolhas. Portanto, alguns filmes favoritos: Magnolia (Paul Thomas Andersen), Howl (Rob Epstein e Jeffrey Friedman), The Dreamers (Bernardo Bertolucci), Trois couleurs: Bleu (Krzysztof Kieslowski), Le scaphandre et le papillon (Julian Schnabel)
O seu Livro favorito: Novas Cartas Portuguesas (Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa), As Cidades Invisíveis (Italo Calvino), The Sound and the Fury (William Faulkner), The Bloody Chamber (Angela Carter)
O seu Anime favorito: Ana dos cabelos ruivos, A Princesa Mononoke, O Castelo Andante
O seu Manga favorito: não tenho
O seu Espectáculo de Música Favorito: Quintas de leitura (Evento); Correntes D'Escritas (Evento); o extinto programa Câmara Clara; os actuais Agora e Ler +, Ler Melhor
A sua Série favorita: das exibidas recentemente, Fringe, American Horror Story, Game of Thrones

Tem feito inúmeros encontros em escolas... como tem sentido o impacto dos seus livros nos mais novos?
Suponho que eles conseguem responder a esta questão melhor do que eu, pois é-me difícil avaliar essa parte. Em todo o caso, parece-me que a trilogia tem muitos leitores nas camadas mais jovens e que, de forma geral, é bem recebida. O que isso desencadeia e a que outros livros os conduz, desconheço. Mas ficarei contente se contribuir para um amor à literatura. Do mesmo modo, espero que os encontros em escolas ajudem a gerar interesse pela literatura e a desmistificá-la enquanto actividade enfadonha.

Como licenciada em biologia, acha que esta área a irá influenciar em alguns dos seus próximos livros? 
Claro. Aliás, de uma ou outra forma, a biologia influencia todos os meus livros. É inevitável. Tenho-a na linguagem e no raciocínio. Há termos, ângulos de descrição, aspectos realçados que derivam da minha formação em biologia. E não me interessa negá-la ou reprimi-la. Gosto de a ter por lá, entre as frases e o enredo. Além disso, os conhecimentos de geologia, botânica, zoologia, etologia e ecologia são muito úteis para a criação de outros mundos e novas espécies. A biologia é uma das minha paixões iniciais, mais ou menos a par da literatura. Afastei-a um pouco do dia-a-dia ao optar por continuar os estudos na área da literatura, mas anda a apetecer-me trazer a biologia para o epicentro de um livro, transformá-la numa parte fulcral de um enredo. Talvez o faça com certa brevidade.

A maioria das adolescentes entre o 10º e o 11º ano, não imagina um verão sentada a escrever um livro... um livro que se tornaria no primeiro de uma trilogia. Como sentiu o processo de escrita nessa altura? 
Sôfrego e intuitivo. Agora controlo muito todo o processo; conheço os meandros do jogo e sei utilizá-los para criar o que pretendo. Mas o primeiro livro foi quase uma avalancha. Uma avalancha até um pouco irreflectida.

Quando começou a escrever "A filha dos Mundos", já tinha os outros dois livros em mente?
O meu processo de escrita compreende três partes: investigação, escrita e revisão. Durante a primeira fase recolho toda a informação de que preciso para criar os alicerces da história, estudo certos aspectos para evitar bases falaciosas e preparo a narrativa, ou seja, moldo as personagens, conheço-lhes intimamente a pele e o pensamento, e determino os pontos fulcrais do enredo. Assim, quando começo a escrever já tenho uma série de linhas orientadoras. Portanto, no dia em que escrevi a primeira palavra de A Filha dos Mundos, sabia que existiriam mais dois livros e quais seriam os seus principais acontecimentos.

A sétima arte é uma das suas paixões... Preferiria escrever um guião para um filme, ou tornar-se numa personagem principal?
Escrever um guião. Há uns anos, provavelmente escolheria a segunda hipótese. Mas hoje acho que as minhas capacidades de representação não ultrapassam a mediania. Duvido que conseguisse sequer imitar a destreza com que certos actores e actrizes incorporam uma personagem. Às vezes basta-lhes um olhar. Ou um gesto minúsculo, ou uma qualquer ligeira inflexão vocal. Essa capacidade de serem a personagem e de a comunicarem inteira espanta-me e maravilha-me. A representação não é uma arte que me saia com naturalidade. Não lhe compreendo os mecanismos como entendo os da escrita. Por isso, preferiria sem dúvida dedicar-me a um guião.

A autora norte-americana Elizabeth Hoyt (http://flamesmr.blogspot.pt/2013/06/entrevista-elizabeth-hoyt.html) deixou-lhe a seguinte pergunta:

"What is a book by another author that you wish you had written?"

Com mais ou menos trambolhões, quero sempre a minha carreira, não a de outros, ainda que admire os seus percursos. Tendo de escolher, talvez o The Bloody Chamber da Angela Carter. Fascina-me a forma como ela trabalha os contos populares e contos de fadas, como consegue criar novos contos de fadas enquanto captura o maravilhoso dos contos base e os revira, expondo-lhes uma panóplia de significações e influências. Contudo, duvido que conseguisse produzir um texto em inglês tão interessante. Talvez devesse escolher um livro português. Talvez A Neve de Ana Teresa Pereira, uma dessas pequenas pérolas que nos encantam. Em todo o caso, prefiro-os escritos por elas. De certa forma, foram-me importantes enquanto escritora. Principalmente, adorei lê-los.

Sem saber qual é a próxima pessoa a ser entrevistada, por favor, deixe-nos uma pergunta para lhe fazer:
Se construísse um conto ou um livro a partir de um quadro, que obra escolheria?

OBRIGADA

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2 comentários:

  1. Excelente entrevista! Aguçou a minha curiosidade de ler a autora pois, confesso, que nada li ainda dela, a não ser alguns excertos que ia lendo por aí.

    Parabéns por este momento que me proporcionaram.

    Um abraço

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