quinta-feira, 14 de março de 2013

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Livro: Os meus pais já não vivem juntos


Autoras: Nelly Almeida e Susana Monteiro
Editora: Coisas de Ler
Nº de páginas: 191
Ano: 2012
Público-alvo: Psicólogos, Educadores de Infância, Professores, Animadores, Assistentes Sociais, Técnicos de Mediação Familiar e pais em processo de separação ou divórcio.

Alguns de vocês saberão que a nossa formação de base é a Psicologia e que o trabalho com crianças e adolescentes é, para nós, um tópico importante.
Por outro lado, o divórcio tem vindo a aumentar em todo o mundo e também em Portugal, pelo que, a nosso ver, a divulgação de trabalhos deste género é fulcral.
É, do conhecimento geral e popular que, quando há um divórcio "quem sofre são as crianças". Uma vez que o divórcio tem vindo a aumentar e que se sabe que este acarreta dificuldades no núcleo familiar, é importantíssimo que os investigadores se centrem nestas questões e as estudem a fim de as compreendermos melhor, assim como é fundamental que os profissionais de saúde que lidem com estas famílias se sintam familiarizados com as dificuldades apresentadas por estas famílias e saibam como lidar com elas. Este livro é, a nosso ver, uma obra incontornável para estes mesmos profissionais.

Quando um casamento termina, algumas crianças necessitam de ajuda para se adaptarem à nova realidade familiar. Este livro é uma ferramenta preciosa para os profissionais de saúde que com eles trabalham, e pode ser usado para terapia individual ou em grupo (apesar de, em Portugal, as terapias de grupo ainda não serem muito divulgadas).

O livro é bastante prático, mas não dispensa uma primeira introdução mais teórica. Apresenta guiões de entrevista, questionários, fala, detalhadamente, sobre o programa de intervenção (em grupo). Possui uma panóplia de materiais de apoio para cada sessão perfeitamente adaptável e especificado para cada género: puzzle,  histórias, termómetro dos sentimentos, treino de respiração diafragmática, Diário "A minha história de vida", jogo de cartas, diploma de participação etc, tudo sempre acompanhado de um guião pormenorizado para cada sessão.

Este livro é, a nosso ver, indispensável...

terça-feira, 12 de março de 2013

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4ª Entrevista: Anita Carapinheiro (escritora)


Anita Carapinheiro

Ana Luísa Carapinheiro nasceu a 5 de Julho de 1982. É licenciada em Educação de Infância pela ESE Jean Piaget de Vila Nova de Gaia. Devido à sua grande vontade em adquirir mais conhecimentos e competências associadas à sua profissão, decidiu frequentar o Mestrado em Psicologia da Educação na Universidade Lusófona do Porto, realizando para tal uma tese de mestrado sobre as relações de amizade no pré-escolar. Assim sendo, a ideia deste livro surgiu durante a realização da investigação, na qual as crianças deram respostas genuínas e peculiares sobre a amizade.
 
Qual é a sua nacionalidade: Portuguesa
O seu Filme favorito: A vida é bela
O seu Livro favorito: O Alquimista
O seu Anime favorito: Não tenho
O seu Manga favorito: Não tenho 
O seu Evento/Espectáculo de música/Programa de Entretenimento favorito: Lenny Kravitz
A sua Série de televisão favorita: Anatomia de Grey

Começou com uma licenciatura em Educação de Infância e partiu para um Mestrado em Psicologia da Educação. Foi fácil, para si, estabelecer uma “ponte” entre as duas áreas?
A "ponte" sempre existiu pois frequentei o curso de psicologia antes de decidir que o meu caminho seria a educação de infância, não foi complicado criar uma ligação entre estas áreas, penso que um profissional  na área da educação pode e deve ter formação em psicologia, deste modo pode compreender mais facilmente as características, interesses e necessidades da  criança, contribuindo assim para o seu desenvolvimento.


"Ser amigo é” tem como base a sua tese de mestrado. Porque optou por “transformá-la” num livro?

Decidi transformar apenas parte da minha" tese" de mestrado num livro infantil. Durante a realização da análise de conteúdo das entrevistas  das crianças, verifiquei que  estas tinham concepções muito peculiares sobre a amizade e pensei: "porque não escolher as frases mais relevantes e colocá-las num livro?" Como sou educadora de infância, tenho conhecimento da  falta de livros sobre  esta temática para o público pré-escolar e, nada melhor que termos um livro feito e dirigido a crianças. Como tenho um amigo  ilustrador, conversei com ele sobre este projecto, expliquei-lhe quais os cenários que gostaria de ter para cada frase e o resultado final foi excelente.

Este seu primeiro livro consiste numa compilação de definições sobre a amizade feitas por crianças em idade pré-escolar. Foi, de alguma forma, surpreendida pelas respostas que obteve?
Tendo em conta que sou educadora de infância, não fui surpreendida pelas respostas, as crianças têm a capacidade de simplificar as coisas, ao contrário de nós adultos.

Como tem sido a reacção do público a este seu projecto? Surpreendeu-a de alguma forma?

Confesso que tive algum receio com a aceitação do meu livro já que este tem um formato diferente dos "livros normais", isto é, cada ilustração/frase sobre a amizade tem na página ao lado algumas perguntas que as crianças podem responder através do registo gráfico ou código escrito (dependendo da faixa etária).
No entanto, a reacção do público tem sido excelente, as crianças adoram o livro e as educadoras têm realizado trabalhos/projectos sobre os afectos muito interessantes, algumas colegas até apelidaram o meu livro de "destravador de línguas", porque após a leitura do livro todas as crianças querem expressar as suas emoções. Uma amiga e colega minha até criou uma música infantil inspirada no meu livro, com tudo isto posso dizer que sim,  fui surpreendida com a aceitação do  meu projecto que aconteceu por "acaso".

Pensa, no futuro, voltar a “aventurar-se” pelo mundo da escrita?
Sim, o "bichinho" continua cá dentro, brevemente irei lançar o meu segundo livro infantil "INI" e já tenho mais projectos a decorrer.


O nosso anterior entrevistado, o escritor João Paulo Santos, teve como desafio deixar uma pergunta ao próximo autor sem saber de quem se tratava. A pergunta foi a seguinte: "Considera-se uma escritora pelo facto de ter escrito um livro?
Não  me considero ainda uma escritora, apenas alguém que gosta de contar e escrever histórias para crianças.

Se pudesse, o que é que perguntaria ao próximo autor ou autora (ainda a definir) que iremos entrevistar? Qual a sua fonte de inspiração?


Obrigada à simpática autora... e quem será a próxima/próximo? Estejam atentos...

Para mais informações sobre a autora e os seus livros, aqui ficam duas das suas páginas do facebook:

Sinopse do livro

Devido à importância que a amizade assume no desenvolvimento social das crianças, este livro permite que estas possam conhecer e pensar um pouco mais sobre a importância deste tipo de relacionamento social bem como as formas de expressar os sentimentos que nutrem pelos companheiros no jardim-de infância. Assim sendo, o livro consiste numa compilação de definições sobre a amizade realizada por crianças em idade pré-escolar. As definições foram obtidas através de uma entrevista realizada exclusivamente para a elaboração de uma tese de mestrado em Psicologia da Educação. Deste modo, ao desfolhar o livro as crianças podem não só alargar os seus conhecimentos sobre esta temática bem como responder através do registo gráfico a algumas questões relacionadas com os conceitos associados às ilustrações, permitindo assim uma maior interacção entre o livro e a criança, sendo que posteriormente o livro pode ser “contado” pela própria criança.

segunda-feira, 11 de março de 2013

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Livro: Obra Poética Integral de Cesário Verde (1855 - 86): Texto Definitivo


Autor:  Ricardo Daunt

Páginas: 258
Formato: 150x240 mm


Cesário Verde dispensa apresentações. Foi o percursor da poesia moderna e escritor de poesia impressionista. Em 1886 morre (demasiado cedo!) e é o amigo Silva Pinto que organiza e publica, em 1887, o único livro do autor, livro esse que acaba de ser "re"-editado pela DinaLivro. Mas este não é apenas um livro re-editado. É bem mais do que isso. Para além dos poemas, o autor Ricardo Daunt faz-nos viajar até 1800 para percorrermos com ele a história da obra literária do autor.
Quando éramos adolescentes não apreciávamos poesia até contactarmos com este autor. É por isso que este livro nos é tão especial. Como já estudamos há uns aninhos não sabemos se o autor ainda é estudado da mesma maneira que nós o estudámos. Caso assim seja, a nosso ver, este livro é fundamental para o aluno que melhor queira conhecer e entender a obra poética do autor.

Para além da viagem ao passado, o livro apresenta-nos, ainda, uma cronologia, que se inicia com o casamento do seu bisavó paterno (Giovanni Verdi - Natural Génova). Esta cronologia é ainda acompanhada de dados conjecturais que nos fazem perceber como se vivia na época e como o autor seria influenciado. Aprendemos imenso sobre Cesário Verde neste livro. Para além da obra literária apresentada por ordem cronológica, tem ainda um conjunto de cartas trocadas pelo autor e alguns ilustres amigos. Um livro que vale mesmo a pena ler.
 

sexta-feira, 8 de março de 2013

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3ª Entrevista: João Paulo Santos (escritor)




João Paulo Santos


João Paulo Santos nasceu em 1974 em Madaíl, conselho de Oliveira de Azeméis. Escreveu o seu primeiro romance em 2001, no entanto, não o publicou por acreditar que se tratava de algo muito pessoal. Autor de vários livros, foi com "Um tesouro maior"(Editora Alfarroba) que o "conhecemos. E agora... esperemos com esta entrevista vir a conhecê-lo ainda melhor. 


Qual é a sua nacionalidade: Portuguesa
O seu Filme favorito: “Braveheart”
O seu Livro favorito: “A Fórmula de Deus”
O seu Anime favorito: Não tenho
O seu Manga favorito: Não tenho
O seu Evento/Espectáculo de música/Programa de Entretenimento favorito:  one - U2
A sua Série de televisão favorita: "Friends"

- Segundo as suas próprias palavras, diz que é na escrita que se realiza pessoalmente. Quando é que percebeu que ser escritor era algo de essencial para si?
Não foi um momento específico. Acho que foi algo que se foi assimilando em mim durante anos, até que um dia dei por mim a escrever. Contudo, penso que quando comecei a ler por prazer, na minha adolescência, foi o despertar desta minha faceta.

- Conta já com 3 romances publicados ("Ao encontro da verdade", "Conflito de sentimentos" e "Um tesouro maior"). Sente que, a cada novo romance, a pressão sobre os seus ombros aumenta?
De certa forma sim. Mas não deixo que isso tome conta de mim. O importante é sentir prazer ao escrever, alimentar esta minha paixão. Se conseguir cativar o leitor a cada livro, melhor. Se não conseguir, aceitar que nem sempre cumprimos o nosso objectivo, que no fundo é agradar ao leitor, é o melhor remédio. E claro, partir para um novo livro, com a mesma pauixão de sempre.

- Olha para as suas obras da mesma forma ou tem um carinho especial por alguma?
Uma resposta simples para uma pergunta simples, ou não...talvez até seja complexa. O que costumo dizer é que olho para as minhas obras como um pai ou mãe olha para os seus filhos. Todos diferentes mas amados da mesma forma.

- No seu mais recente romante, "Um tesouro maior" aborda a temática da caça ao tesouro, confrontando o leitor com diversas pistas constituídas por códigos e cifras. Sempre teve um gosto particular por este tema ou a escrita deste romance implicou muito "trabalho de casa"?
Não tenho um gosto particular por este tema, embora goste de romances do género. Foi mais trabalho de casa. A imaginação foi fulcral neste romance e, para que nada falhasse, foi preciso um cuidado especial na criação dos códigos e cifras contidos nas pistas. Foi, de facto, um trabalho árduo , mas valeu a pena. O resultado final deixou-me bastante satisfeito.

- O palco da acção em "Um tesouro maior" é a vila de Paços de Ribeirão. A sua cidade, Oliveira de Azeméis, serviu, de alguma forma, de inspiração para a construção deste cenário?
Por acaso não. A vila de Paços de ribeirão foi criada na minha cabeça. E é engraçado que quando me lembro do livro, não o imagino em papel mas sim um lugar cheio de personagens. A vila de Paços de Ribeirão ainda existe na minha imaginação! Quando releio o livro, e faço-o de vez em quando, não só este meu mas também os meus outros livros, recordo-me da vila exatamente como quando eu o escrevi. Parece que estou lá, a acompanhar as personagens naquela perigosa e alucinante busca de um tesouro. Acho que isto acontece um pouco com todos os escritores e até com os leitores. Cada leitor cria a vila de Paços de Ribeia, assim como as terras provindas do imaginário de todos os escritores, à sua maneira.

- Já tem algum projecto novo em mente? Um próximo romance em vista?
Sim. Estou a escrevr um novo romance. É algo diferente dos romances que escrevi até aqui. Quem já teve a oportunidadede ter lido os meus três livros apercebeu-se, de certo, que apesar de um estilo de escrita similar são três obras diferentes. Tento ser versátil ao escrever, e nesta obra optei por escrever na primeira pessoa. Está a ser um desafio maior do que imaginava. Vamos ver qual será o resultado...

- O nosso anterior entrevistado, o escritor João Cunha Silva, teve como desafio deixar uma pergunta ao próximo autor sem saber de quem se tratava. A pergunta foi a seguinte: "O que faria se fosse proibido escrever?
Não escreveria. Vivemos numa sociedade e se, por algum motivo, fosse proibido escrever eu não escreveria. Puro e simples. O mais que poderia fazer era lutar o mais que pudesse para que a escrita voltasse a ser livre. Porque isto de se pensar qe não conseguimos viver sem aquilo que amamos é algo que me confunde. O que não conseguimos é viver sem oxigénio, sem o que comer, sem o que beber. É do que precisamos que não conseguimos nos abster. E eu, apesar da paixão que tenho pela escrita, não preciso de escrever para viver. E viver bem!

- Se pudesse, o que é que perguntaria ao próximo autor ou autora que iremos entrevistar?
Considera-se um escritor só pelo facto de ter escrito (x) livros?
Obrigada ao escritor João Paulo Santos pela sua enorme disponibilidade!

quinta-feira, 7 de março de 2013

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Série: The river




Ano de estreia: 2012
Género: Terror, Aventura, Suspense
Criadores: Oren Peli e Michael R. Perry


 
Sendo fãs confessas de filmes de terror e uma vez que o filme "Actividade Paranormal" foi um dos que mais nos assustou nos últimos anos, foi com grande entusiasmo que decidimos ver a série "The river", que foi criada por nada mais nada menos que o produtor e argumentista de "Actividade Paranormal" (Oren Peli) e pelo argumentista de "Actividade Paranormal 2" (Michael R. Perry).
 
 
A história começa quando um famoso explorador e estrela do seu próprio programa televisivo sobre a Natureza, Dr. Emmet Cole, desaparece misteriosamente, juntamente com a sua equipa de filmagem, no rio Amazonas (América do Sul).
Após longas semanas de buscas infrutíferas, o Dr. Emmet Cole, bem como os restantes desaparecidos, são dados como mortos para desespero dos seus amigos e familiares.
Contudo, 6 meses após o fatídico acontecimento, algo de surpreendente acontece: um aparelho que o famoso explorador transportava sempre consigo, começa a transmitir um sinal de emergência vindo algures do rio Amazonas. Assim, Tess Cole, a mulher de Emmet Cole, ganha uma nova esperança e consegue convencer o filho de ambos, Lincoln, a organizar uma equipa de busca para descobrir se o explorador poderá estar vivo e a enviar sinais para que alguém vá à sua procura.
No entanto, para conseguir juntar o dinheiro necessário para tal "aventura", Lincoln e a mãe têm que aceitar a proposta de Clark Quitely, um produtor de televisão que chegou a trabalhar no programa do famoso explorador: a operação de resgate de Emmet Cole no rio Amazonas será filmada por uma equipa a fim de criar um documentário televisivo.
 
 
Esta foi uma série que nos agradou em alguns aspectos mas, por outro lado, em alguns pontos deixou algo a desejar.
Gostámos particularmente do factor mistério ao longo da série, já que, a cada episódio, o desenrolar de certos acontecimentos apenas aumentava ainda mais a nossa curiosidade em saber o que é que realmente tinha acontecido a Emmet Cole e à sua equipa. O cenário escolhido, o rio Amazonas, pareceu-nos ser o cenário perfeito para este tipo de história uma vez que o factor isolamento e o desconhecido dão ao espectador a sensação de que tudo é novo, diferente e potencialmente perigoso.
Outro aspecto para nós interessante, e que nos lembrava constantemente de que Oren Peli e Michael R. Perry são os criadores desta série, é o facto de que, na maior parte do tempo, o espectador vê a acção através das câmaras dos personagens, aqui na série simulando uma equipa de filmagem. Assim, é quase inevitável lembrarmo-nos de filmes como "Actividade Paranormal" e "O projecto Blair Witch" que, tal como em "The river" dão ao espectador uma sensação de desespero e confusão acrescidos em cenas de maior acção e terror, já que a imagem se movimenta de forma irregular e, por vezes, não conseguimos ver tudo o que se está a passar com nitidez ficando ainda mais expectantes.
 
Relativamente àquilo de que menos gostámos, comecemos com o que mais nos desiludiu: o factor terror não é, de todo, cumprido, a nosso ver. É verdade que a série começa com uma história interessante e prometedora, mas não a achámos minimamente assustadora. Por vezes, a tentativa de Oren Peli e Michael R. Perry em criar uma cena assustadora é tão forçada que acaba por caír em vários clichés de filmes de terror mais do que vistos. Tendo estado, como já dissemos, por detrás de filmes como "Actividade Paranormal" e "Actividade Paranormal 2", esperávamos um tipo de terror bem mais original e que fosse, de facto, digno de um estremecer e de um eriçar dos cabelos.
Outro aspecto que nos fez torcer o nariz em alguns episódios foi o exagero de acontecimentos estranhos e desnecessários para o desenrolar da história ao longo da série. Uma boa série de suspense deve, na nossa opinião, singir-se a poucos (mas bons!) elementos de mistério que alimentem a curiosidade do espectador e que conduzam a história a uma conclusão interessante e lógica. Contudo, em "The river", ficámos com a sensação de que os argumentistas quiseram abordar demasiadas coisas, sendo que pegaram na ideia de que o rio Amazonas é um local mágico, misterioso e perigoso e colocaram na série tudo de que se lembraram para reforçar essa ideia: desde haver uma árvore com brinquedos pendurados que pertencia a uma criança que se afogou no rio e que agora o assombra, uma tribo de pessoas cegas que cegam e matam quem se cruzar no seu caminho, fantasmas aprisionados ao rio à procura de pessoas que lá fiquem a substituí-los para poderem regressar às suas vidas, ...enfim, um exagero que em nada contribuiu para que a história fosse algo de realmente fantástico e que, de certa forma, serviu para "encher chouriços" e adiar aquilo que realmente interessava - descobrir o que tinha acontecido ao Dr. Emmet Cole. 
E agora a cereja no topo do bolo: ao fim da sua primeira temporada, fruto das fracas audiências, a série foi cancelada! Ou seja, nunca saberemos qual o destino dos personagens e o que é que REALMENTE aconteceu naquele rio. Por isso, desaconselhamos o visionamento desta série, para não ficarem, no fim, com aquele "gostinho" amargo da dúvida que nunca será esclarecida.


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Parabéns Mary!!!!


Parabéns à Mariana, a minha PARTNER aqui do blogue a quem quero agradecer a amizade e a oportunidade de partilhar este projecto!! 

PARABÉNS PELO TEU QUARTO DE SÉCULO!!!!



segunda-feira, 4 de março de 2013

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Filme: Os descendentes


Já há uns tempos vos deixámos, neste blogue, a nossa opinião relativamente ao livro "Os Descendentes", de seguida, segue a nossa crítica relativamente ao filme...


Título Original:  The Descendants
País de Origem:  EUA
Gênero:  Drama

Tempo de Duração: 115 minutos
Ano de Lançamento:  2011

Estúdio/Distrib.:  Fox Filmes
Elenco
George Clooney ... Matt King
Shailene Woodley ... Alexandra King
Amara Miller ... Scottie King
Nick Krause ... Sid
Patricia Hastie ... Elizabeth King
Grace A. Cruz ... Scottie's Teacher
Kim Gennaula ... School Counselor
Karen Kuioka Hironaga ... Barb Higgins   


Antes de mais gostaríamos de reforçar a ideia que vale a pena verem este filme e lerem o livro. Mais uma vez, há questões e "relações" que são melhor entendidas após a leitura do livro. 

A história é super diferente do que estamos habituados e as personagens são completamente peculiares. Acompanhamos Matt, um advogado rico que vive no Hawai com a sua mulher, uma senhora completamente dedicada aos desportos radicais (claro, no Hawai tem de ser!) :)
Mas é ao praticar um destes desportos que tem um acidente e entra em coma. E é nesta altura que Matt terá de ser chamado a desempenhar um dos seus papeis há algum tempo esquecido: o papel de pai. Scottie é a filha mais nova de 10 anos, e é das personagens mais inacreditáveis. De facto, trata-se de uma menina rebelde e diferente, sempre à procura de uma aventura interessante para poder contar à mãe. Alex já é mais velha, e passou recentemente por uma experiência com as drogas, tendo posteriormente aceite ir para um colégio interno. Matt tem de lidar com elas, enquanto se prepara para tomar uma grande decisão relativamente à venda de umas terras que lhes foram deixadas pelos antepassados, e que farão com que fique ainda mais rico. Mas é durante todo este processo que descobre algo que o vai levar (a ele, às filhas e a Sid - um amigo de Alex com um sentido de humor estranhissimo) a uma viagem para ir encontrar alguém que nunca conheceu, e com o qual terá de fazer um "ajuste de contas".

Relativamente ao FILME este foi filmado no Havai e presenteia-nos com imagens deslumbrantes. Se o livro é "diferente", também o filme, a nosso ver, o é. Não se trata de um filme de domingo à tarde, mas também não é um filme de culto, e temos dificuldades em o classificar. George Clooney esteve muito bem num papel que, finalmente, o destaca do que tem vindo a fazer, no entanto, a nosso ver, não era merecedor da nomeação que obteve. Por fim, acreditamos que algumas cenas tenham sido um pouco monótonas, no entanto, é um filme que vale a pena.


domingo, 3 de março de 2013

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Passatempo: 25º Passatempo do FLAMES (em parceria com a Livros Horizonte)

Nada como começar o mês Março com um novo passatempo.
Desta vez, o FLAMES tem para vos oferecer, em parceria com a Livros Horizonte, 3 EXEMPLARES do livro "Que monstros fabricamos?", vencedor do prémio Hans Christian Andersen 2010 e adaptado a longa-metragem pela BBC.


Sinopse
"Davie e o seu melhor amigo Geordie assistem, fascinados, à chegada de um misterioso rapaz à aldeia: Stephen Rose não tem pais nem amigos, o seu rosto é pálido, o seu olhar sombrio, e vai viver para a casa de Crazy Mary. A sua ocupação favorita é esculpir figuras de barro… Sem se aperceberem, os dois rapazes encontram-se de repente num caminho escorregadio, numa engrenagem terrível que dará vida a um monstro ameaçador; enquanto aos poucos o passado de Stephen surge, as suas vidas mudam para sempre.
Um livro poderoso e inquietante, por vezes perturbador, em que, subtilmente, a fronteira entre o real e a alucinação se torna dúbia. "
Opiniões:
O seu romance mais profundo, mais negro e, quem sabe, o melhor.
The Sunday Herald
Um devaneio decididamente arrepiante sobre a relação entre a fé e a realidade, o bem e o mal, por um mestre.
The Horn Book Magazine

Os leitores ficarão presos à história tentando perceber se o bem em David conseguirá vencer o demónio à solta.
Publishers Weekly

Divertido, misterioso, emocionante, e de uma construção tão primorosa que irremediavelmente nos convence. À altura da atenção dos leitores adultos.
The Sunday Times

De um lirismo elegíaco sobre a inocência perdida, pontuado por momentos de humor feroz, este romance eficaz e revelador agarra-nos logo e fica a ressoar nas nossas memórias.
The Guardian



Têm até ao dia 16 de Março para participar.
Já conhecem as regras: Preencham o formulário abaixo disponibilizado e... Boa sorte!!

Nota: O FLAMES não se responsabiliza por extravios ou qualquer dano que o prémio sofra durante a sua entrega. O seu envio será, gentilmente, feito pela editora.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

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Lembram-se dele?



Achámos esta fotografia muito engraçada. Vejam Robert Downey JR com uma pose quase inalterável, apesar de estar muito melhor, 20 anos depois...


Robert Downey, nascido em 1965, foi casado duas vezes e é pai de dois filhos. Actor desde 1970, teve a sua estreia quando apareceu num dos filmes do seu pai - Pound.


Esteve internado na California Substance Abuse Treatment Facility e esteve preso também devido às drogas. O contacto com as drogas iniciou-se aos 6 anos quando o pai (viciado em drogas) lhe permitiu fumar marijuana.

Para além do mundo da recitação, participou em algumas músicas usadas como soundtrack dos seus próprios filmes. 

Para mais informações, podem seguir a sua página oficial no facebook - https://www.facebook.com/RobertDowneyJrACTOR 

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Livro: Um tesouro maior




Ano de edição: 2012
Género: Romance, Aventura
Autor: João Paulo Santos
Editora: Alfarroba
 

 
Quem disse que não há autores portugueses capazes de escrever grandes histórias de aventura com uma "pitada" de romance? Pois bem, quem quer que o tenha dito certamente não conhecia o livro "Um tesouro maior".
 
 
A história começa quando um verdadeiro fanático por tesouros, o velho Severino Aires, é morto por uma dupla de ladrões que o atacaram com o intuito de lhe roubarem um medalhão que, segundo as palavras do próprio Severino, guarda o segredo de um enorme tesouro. Contudo, as intenções dos assassinos saem frustradas pois o medalhão, no meio da confusão, acaba por ir parar às mãos de um grupo de quatro jovens da vila: Edmundo, Raul, Fabiana e Francisco.
Assim, começa uma verdadeira caça ao tesouro, numa corrida contra o tempo perigosa pois quando o grupo de jovens amigos decide procurar o tesouro, está muito longe de imaginar que terá que correr contra os dois ladrões já que estes se recusam a desistir do tesouro!
Quem conseguirá chegar primeiro a este fantástico tesouro?!
 
 
Gostámos imenso de ler este livro! Há muito tempo que um livro deste género não nos prendia tanto até à última folha.
Em "Um tesouro maior", é impossível ao leitor não se deixar levar pelo entusiasmo desta verdadeira corrida contra o tempo, ao mesmo tempo que a sua curiosidade sobre o verdadeiro conteúdo do tesouro se adensa. 
Um outro aspecto nesta história que nos conquistou completamente foi a quantidade de pistas, constituídas por códigos e cifras, que o autor, João Paulo Santos, colocou de forma inteligente ao longo do livro. Assim, não só tivemos a oportunidade de aprender IMENSO sobre este universo dos códigos e cifras, dos quais nunca tínhamos ouvido falar, como também nos sentímos como verdadeiras caçadoras de tesouros. Terminada a história, ficou uma enorme vontade em saber mais sobre esta temática e de também nós, um dia, termos a oportunidade de descobrir o nosso próprio tesouro!
Mas há mais... é que quando o leitor achava que a história não podia melhorar, eis que o autor nos surpreende com um final, no mínimo, interessante e original...
Em suma, por toda a adrenalina e entusiasmo que este livro provoca, bem como pela sua escrita directa, clara e acessível, mesmo a um público mais jovem, recomendamos este livro a todos aqueles que não dispensam, por nada neste mundo, a oportunidade de "viver" mais uma grande aventura sem saír do sofá!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

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Evento: Óscares 2013 - Nomeados + Vencedores

E esta noite/madrugada foi importante para todos os que adoram cinema. Aqui ficam os nomeados e os vencedores. O que acharam?

Melhor Filme
«Amour»
«Argo» (vencedor)
«Lincoln»
«A Vida de Pi»
«Silver Linings Playbook»
«Beasts of the Southern Wild»
«Zero Dark Thirty»
«Les Misérables»
«Django Unchained»

Melhor Atriz Secundária
Amy Adams - «The Master»
Anne Hathaway - «Os Miseráveis» (vencedora)
Sally Field - «Lincoln»
Jacki Weaver - «Silver Linings Playbook»
Helen Hunt - «The Sessions»

Melhor Atriz Principal
Emmanuelle Riva - «Amour»
Jennifer Lawrence - "Guia para um Final Feliz" (vencedora)

Naomi Watts - «The Impossible»
Jessica Chastain - «Zero Dark Thirty»
Quvenzhané Wallis - «Beasts of the Southern Wild»

Melhor Ator Principal
Daniel Day-Lewis - «Lincoln» (vencedor)
Hugh Jackman «Os Miseráveis»
Bradley Cooper - «Silver Linings Playbook»
Joaquin Phoenix - «The Master»
Denzel Washington - «Flight»

Melhor ator secundário
Philip Seymour Hoffman, «The Master»
Cristoph Waltz, «Django Libertado» (vencedor)

Robert Deniro, «Silver Linings Playbook»
Tommy Lee Jones, «Lincoln»
Alin Arkin, «Arco»

Melhor argumento adaptado:
"A vida de Pi"
"Argo" (vencedor)
"Lincoln"
"Guia para um final feliz"
"Beasts of the southern wild"

Melhor argumento original:
"Amor"
"Moonrise Kingdom"
"00:30 Hora Negra"
"Django Libertado" (vencedora)
"Flight"

Melhor filme estrangeiro:
"Amor" (Áustria) (vencedor)
"A Royal Affair" (Dinamarca)
"War Witch" (Canadá)
"Kon-Tiki" (Noruega)
"No" (Chile)

Melhor filme de animação:
"Brave" (vencedor)
"ParaNorman"
"Frankenwinnie"
"Os piratas!"
"Força Ralph"

Melhor documentário:
"The Gatekeepeers"
"Searching for sugar man" (vencedor)
"How to survive a plague"
"The invisible war"
"5 Broken Cameras"

Melhor curta-metragem:
"Asad"
"Buzkashi Boys"
"Curfew" (vencedor)
"Death of a Shadow"
"Henry"

Melhor produção artística:
"Lincoln" (vencedor)
"Anna Karenina"
"Os miseráveis"
"A vida de Pi"
"The Hobbit: Uma jornada inesperada"

Melhor fotografia:
"Anna Karenina"
"Django Libertado"
"Lincoln""Skyfall"
"A vida de Pi" (vencedora)

Melhor montagem:
"Argo" (vencedor)
"A vida de Pi"
"Lincoln"
"00:30 Hora Negra"
"Guia para um final feliz"

Melhor caracterização:
"Hitchcock"
"The Hobbit: Uma jornada inesperada"
"Os miseráveis" (vencedor)

Melhor guarda-roupa:
"Anna Karenina" (Vencedor)
"Mirror Mirror"
"Branca de Neve e o caçador"
"Os miseráveis"
"Lincoln"

Melhor Banda-sonora original
«Anna Karenina» (Dario Marianelli)
«Life of Pi» (Mychael Danna) (vencedor)
«Argo» (Alexandre Desplat)
«Skyfall» (Thomas Newman)
«Lincoln» (John Williams)

Melhor Canção original
«Pi`s Lullaby» - «A Vida de Pi» (Mychael Danna & Bombay Jayashri)
«Skyfall» - «Skyfall» (Adele Adkins & Paul Epworth) (vencedor)
«Before My Time» - «Chasing Ice Music» (J. Ralph)
«Everybody Needs A Best Friend» - «Ted» (Walter Murphy & Seth MacFarlane)
«Suddenly» - «Os Miseráveis» (Claude-Michel Schönberg & Herbert Kretzmer & Alain Boublil)

Melhores efeitos visuais:
"The Hobbit: Uma Jornanda Inesperada"
"A vida de Pi" (vencedor)
"Os vingadores"
"Prometheus"
"A Branca de Neve e o caçador"

domingo, 24 de fevereiro de 2013

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2ª Entrevista: João Cunha Silva (escritor)





Foi através da sua primeira obra "A Maria da Lua" que conhecemos o autor João Cunha Silva. Nascido a 10 de Março de 1978 na freguesia de Crestuma, Vila Nova de Gaia, iniciou o seu percurso escolar em 1984. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é professor, formador e, mais recentemente, escritor. Vamos conhecê-lo melhor...

Qual é a sua nacionalidade: Portuguesa
 O seu Filme favorito: O Clube dos Poetas Mortos
O seu Livro favorito: A Noite do Oráculo – Paul Auster / Song of Solomon – Toni Morrison
O seu Anime favorito: Phineas e Ferb
O seu Manga favorito: Não tenho
O seu Evento/Espectáculo de música/Programa de Entretenimento favorito: The Wall - Pink Floyd
A sua Série de televisão favorita: Fringe
 
"A Maria da Lua" é, do nosso conhecimento, o seu primeiro livro. Diga-nos: porquê a escolha desta "temática" para iniciar a sua carreira de escritor?
R: É na verdade o meu primeiro livro publicado, mas tenho muitos pedaços de escrita espalhados pelos anos: poemas; histórias inacabadas; projetos de romances...A Maria da Lua surgiu de forma muito natural a partir de conversas com a minha filhota acerca da Lua e funcionou como uma espécie de reconciliação com a escrita sistemática. Tenho de confessar que, por volta dos 17 anos, fiz uma promessa a mim próprio que só voltaria a escrever quando tivesse as minhas cicatrizes da vida, quando sentisse a minha voz como genuína. Quando esta história surgiu aos poucos na minha cabeça,
surgiu límpida, sentida e genuína. Vi que ao ler-me, que é dos exercícios mais difíceis para quem escreve (pelo menos para mim) aquilo além de corpo, também tinha alma. A minha voz está lá, reconheço-me, faz-me sentido e só por isso é que arrisquei a partilha. Ser pai arrastou-me para este mundo de sonho e magia e para a necessidade de contar histórias.
Quanto a ser escritor, não penso seriamente que o sou, nem penso neste livro como o início de uma carreira. Mas depois de forma escondida e sem o dizer muito alto, pergunto-me : "E porque não tentar?"


Considera que é mais fácil ou mais difícil escrever um livro para um público tão jovem comparativamente com um público mais maduro?
R:Sinceramente não sei responder se é mais fácil, pois temos necessariamente que agradar a dois públicos diferentes, aos pequenotes a quem a história realmente se destina e aos adultos que fazem a mediação entre o livro e a criança. Tem de existir aqui uma cumplicidade a três: o autor, a criança e o adulto (pais, professores, educadores). No final quem faz a escolha do livro são os adultos, por isso, o autor tem de estabelecer a ligação entre os dois Mundos e isso nem sempre se consegue.
Não coloco menos rigor quando escrevo para crianças,  até acho que tenho de ter mais, pois dirige-se a leitores que ainda estão em "construção" e por isso requerem mais cuidado.


Como tem sido a reacção do público ao seu livro? Era aquilo de que estava à espera?
R: Os comentários têm sido positivos, mais ainda está tudo no início, não consigo ter uma noção exata para um balanço. Acho que ainda me falta ter uma base de leitores mais alargada e mais afastada das minhas relações pessoais. Se apenas ouvirmos os que nos estão mais próximos ficará sempre a dúvida se o comentário é por simpatia ou se é realmente verdadeiro. No entanto, sei que está a ser trabalhado em algumas escolas e tem tido uma boa reação, o que muito me agrada.
Sou muito crítico do meu trabalho e acredito que tem valor, mas... no fim é como um sabonete (perdoem-me a comparação) se não tiver uma boa promoção, ser não tiver uma cara famosa com ele na mão, ser não tiver um Professor Marcelo a recomendá-lo, passará discreto, como muitos. A parte comercial é a que me atrai menos em toda esta história de ser "escritor", com a qual terei de me habituar. Mas por isso é que o meu livro não é uma edição de autor. Fico a aguardar pelo trabalho da editora. Quanto a mim, vou fazer o melhor que posso e sei para defender o meu livro.
Pensa que os seus próximos livros serão do mesmo género? Ou tem algo de diferente "na manga"?
R: Não escondo que me dá muito gozo escrever para crianças e espero continuar a ter a mesma vontade de escrever histórias para os mais novos. É com os mais novos que podemos criar novos leitores e principalmente cidadãos mais conscientes e livres. Lembro-me de estar sempre rodeado de livros em criança, lembro-me de ter devorado os livros "Uma Aventura" e sonhado com as histórias de Sophia. Sei que fiz o meu trajeto como leitor, lendo. Valorizo muito o que li, para aquilo que hoje sou. Por isso, na era do digital, acho cada vez mais importante a relação que se estabelece com o objeto livro. O toque, o cheiro, o virar a folha... Mas ler é ler e não importa muito o formato.
Sobre o que tenho na manga: acabei há dias um novo conto infantil e já o propus para publicação. Vamos a ver no que dá... Podem acompanhar o meu crescimento em https://www.facebook.com/PintasEOOssoDeDinossauro .
Estou neste momento a escrever um romance com o nome provisório de "Projeto L", em que a história apesar de estar concluída na minha cabeça, não está terminada no papel.
Escrevo também poesia e um dos meus poemas ("Molhei os pés no rio"), que poderão consultar em dedos.blogspot.com , sairá em Março na "Antologia de Poesia Contemporânea - volume IV", organizada pela Chiado Editora.
Como se pode ver, a minha voz expressa-se de diversas formas e de diversos modos. Cada caminho que eu escolher para seguir me levará inevitavelmente a outro. O que tiver de acontecer, acontecerá.
Não perco muito tempo a pensar nisso.


Para além da Lua, que outros "astros" gostaria de alcançar?
R: Pode parecer brincadeira, mas enquanto os meus amigos de infância queriam ser bombeiros, polícias, professores... eu queria ser astronauta. O infantário que frequentei (Centro Infantil de Crestuma), levou-nos mesmo aos locais das nossas profissões de sonho e eu fui à NASA possível, ou seja, ao Centro de Astronomia do Monte da Virgem, em Gaia. Cedo percebi que, sendo português, não seria astronauta. Sendo assim, a escrita surge, agora, como a minha saída para fora da atmosfera.
Gosto muito de astronomia e um dos meus passatempos é ficar na varanda, ao frio, a espreitar os astros pelo telescópio. Inspira-me ter consciência do grão de poeira universal que somos. Ainda sonho ver o planeta Terra de outra perspetiva.
Quando me referi no livro "... agora faltam os outros astros!" aponto claramente para um percurso que pretendo fazer na literatura, referindo que o livro "A Maria da Lua" não foi um caso episódico e que a minha voz andará por aí. Tenho muitas histórias para contar se alguém quiser ler e ouvir (e editar).


Sabemos que gosta muito da sua terra (Vila Nova de Gaia). Que locais aconselha aos nossos seguidores a visitar na sua cidade?
R: Gosto muito de Vila Nova de Gaia e identifico-me perfeitamente com a região e com a cidade do Porto. Nos últimos 15/20 anos a evolução de Vila Nova de Gaia foi tremenda, tem uma linha de praias magnífica, uma linha de rio fantástica, onde se destaca a zona das caves do Vinho do Porto, com os seus bares e restaurantes. É em Gaia que está o TEP, o Zoo de Sto. Inácio, a ELA, o Parque Biológico...
Mas vivo e sou natural de Crestuma, uma terra com tantos anos e histórias que remontam aos tempos pré-romanos, como demonstraram as mais recentes escavações no Sítio Arqueológico do Castelo. Uma terra sobre a qual existem registos escritos do ano de 922, anterior à nossa nacionalidade. Por isso, aconselho a visitarem Crestuma. Venham fazer os trilhos do Parque Botânico do Castelo e Sítio Arqueológico, dar uma volta nas canoas do Clube Náutico de Crestuma no rio Douro e tragam máquina fotográfica e muitos cartões de memória porque as vistas são fantásticas.


O nosso primeiro entrevistado, o escritor Pedro Jardim, teve como desafio deixar uma pergunta para o próximo autor sem saber de quem se tratava. A pergunta foi a seguinte: "Qual a sua fórmula mágica para o sucesso no mundo literário?"
R: Ora bem... raspa de limão, uma pitada de noz-moscada, canela e muito café para noites longas... ah quem me dera saber! Mas primeiro teríamos de encontrar consenso acerca da palavra "sucesso". Se o sucesso for medido pelas vendas, para ter sucesso é preciso constar nos tops das livrarias e para isso é necessário escrever relativamente bem e ter uma boa máquina de relações públicas. Se sucesso for a capacidade de criar algo de novo no cérebro do leitor, na capacidade de abrir horizontes e de criar alternativas de pensamento, para isso é necessário ser autêntico, ter uma voz verdadeira e inovar, de alguma forma, o histórico literário de uma língua.


Se pudesse, o que é que perguntaria ao próximo autor ou autora que iremos entrevistar?
R: O faria se fosse proibido escrever?

Obrigada ao escritor João Cunha Silva pela sua enorme disponibilidade!


  

Facebook: http://www.facebook.com/pages/FLAMESmr/103707256336074?ref=hl#!/AMariaDaLua?fref=ts

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

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1ª Entrevista: Pedro Jardim (Escritor)





Pedro Jardim é um autor português nascido em 1976 em Lisboa. As suas duas obras Crónicas do Avô Chico (2011) e A Senhora da Tapada (2012) têm sido um verdadeiro sucesso. 
Apesar de ter nascido em Lisboa, é às gentes de Vila Viçosa que se sente mais próximo. A escrita é apenas uma das suas paixões... vamos, de seguida, conhecê-lo um pouco melhor...

Nacionalidade: Portuguesa 

O seu Filme favorito: Cidade dos anjos.
O seu Livro favorito: As palavras que nunca te direi
O seu Anime favorito: Dragon Ball.
O seu Manga favorito: Não tenho
O seu Evento/Espectáculo de música/Programa de Entretenimento favorito: 5 para a meia noite.
A sua Série de televisão favorita: Sobrenatural.

Quando é que percebeu que queria ser escritor?

R: Em primeiro lugar, queria agradecer a amabilidade que, a Mariana e a Roberta, tiveram em me convidar para vos ceder esta entrevista. Vocês são umas queridas e é, para mim, um privilégio deixar umas palavras aos vossos seguidores. Em relação à vossa primeira questão, posso dizer-vos que escrevo desde que me lembro. Foi desde muito cedo que comecei a ter gosto e apetência para a escrita, pois escrevia os meus pensamentos, as minhas ideias e os meus sentimentos, tal como o faço, seriamente, nos dias de hoje. Recordo-me muito bem quando escrevia poesia pela noite dentro, apesar de ainda não ter editado nenhum livro desse género literário. Escrever é uma coisa, ser escritor, ou desejar ser um escrevente com consistência é outra completamente diferente. Essa vontade cresceu e amadureceu há pouco mais de 3 anos, quando comecei a escrever a minha primeira obra literária: As Crónicas do Avô Chico, editada pela Chiado Editora. Foi a partir dessa altura, com esta minha singela homenagem, a um grande homem, o meu avô materno Francisco da Silva Jardim, que me apercebi que não queria apenas escrever e guardar o que escrevia para mim. Senti que estava na altura de as pessoas (leitores) puderem ler aquilo que escrevia. E confesso, tem sido uma partilha extremamente gratificante.

É fácil ser-se escritor em Portugal?
R: A esta questão vou responder sem rodeios, a pergunta assim o merece e quem sabe, possa esclarecer alguém que deseje editar um livro: é fácil editar livros em Portugal, desde que se paguem as edições (ponto). Ser-se autor nestas condições é simples, basta ter-se disponibilidade financeira, pesquisar no Google as dezenas, ou centenas de editoras que existem no nosso país, ou, quem sabe, estrangeiras, como é o caso brasileiro, e procurar a quem queira editar. Agora ser-se escritor e ter uma editora que nos abrace, na ascensão da palavra, não é nada fácil, e isto até para os autores, ditos, conhecidos da praça. Hoje em dia, com a conjectura actual de recessão, ser-se escritor é muito difícil em Portugal, as editoras estão a fechar as portas a muita gente. Mesmo assim, eu falo por mim, não me posso queixar e não se preocupem, o cenário não é assim tão negro, têm é batalhar o dobro, estudar muito (fundamental) e procurar as oportunidades nos tempos certos.

Em ambas as suas obras, “Crónicas do Avô Chico e A senhora da Tapada, fala de experiências vividas por si e pela sua família. Que importância tem para si transpor as suas memórias para o papel?
R: Ter escrito estas duas obras, as minhas primeiras obras literárias, sobretudo passar para o papel as minhas vivências de infância, foi de uma importância sem igual, tal como dizia o meu avô Chico, “não há palavras”. São dois livros de homenagem, como já referi em relação às Crónicas do Avô Chico, que dediquei ao meu avô materno, o meu avô Chico, e o segundo, é igualmente uma dedicatória, desta feita a quem me deu a vida, os meus pais: a minha mãe, Clara Jardim e ao meu pai, Joaquim Barradas. Fazer isso, deu-lhe uma alegria imensa pois, creio, ter conseguido imortalizar os nossos momentos de comunhão, de alegria e de descoberta. Eu era um menino, com a idade do meu filho, 6/7 anos de idade e que viajava desde a capital até ao meu querido Alentejo, a Vila Viçosa. Isso era para mim uma verdadeira façanha, pois vivia, todos os dias com os meus avós, muitas aventuras: ia às amoras; aos figos; passeava nos olivais; apanhava azeitona, tudo o que um menino da cidade não podia fazer… e os jogos tradicionais!, nem vos conto. Adorava jogar a todos eles e aprendi com os meus tios a jogar ao pião, à pateira, ao espeta, ao berlinde, a lançar papagaios, entre outras coisas mais. Além desta parte mais íntima, as minhas vivências, há outra vertente para mim crucial, é o poder levar às pessoas e aos mais jovens, o conhecimento da terra, das gentes, das tradições, da gastronomia alentejana e dos nossos costumes. São dois livros que podem ser bastante educativos a esse nível e está a colher muitos frutos no seio escolar e isso deixa-me muito feliz. É extremamente importante que não percamos a nossa identidade, por isso considero que é fundamental passar esta informação para as gerações vindouras.

O que achou a sua família da ideia de descrever episódios por vocês vividos nos seus livros a fim de que fossem lidos por milhares de pessoas? 
R: A minha família directa gostou muito e apoiou-me bastante. Para mim não faria qualquer sentido se escrevesse as minhas crónicas sem sentir que tinha o seu apoio incondicional. Ficaram também muito felizes ao saber que os meus livros já podem ser encontrados nos quatro cantos do mundo e que têm tido o sucesso que já alcançaram, é um orgulho enorme, para mim e para todos eles, tenho a certeza.
Nos seus dois livros retrata aspetos importantes e tradicionais do Alentejo. Acreditamos que isso tenha uma grande importância histórica e cultural. Fê-lo de forma propositada?
R: Claro que sim! Como referi, foi de fulcral importância o descrever e escrever em livro as minhas vivências, as quais fiz questão de estarem sempre de mãos dadas com as nossas tradições, não só as alentejanas, mas sim também a portuguesa. São essas tradições e os nossos costumes que pretendo levar ao conhecimento de todos, para que não se percam. É com tristeza que verificamos, todos os dias, rupturas da nossa identidade, muito por causa do progresso ou do fenómeno da globalização, na sua parte negativa em relação à aculturação por parte de outros países e outras culturas. Mas se estes fenómenos têm os seus aspectos negativos, também têm aspectos positivos, não é? Porque não aproveitar as novas tecnologias, as novas plataformas, para se promover o que é nosso, aprofundar as nossas raízes, os nossos costumes, no fundo, mostrar ao mundo quem são os portugueses. Apostei bastante na transmissão da gastronomia alentejana, quando falo nas sopas de tomate, na açorda, ou nas azeitonas, mas também em factos históricos, por exemplo quando falo da batalha dos Montes Claros, uma batalha muito importante para a nossa nação, uma batalha que se desenrolou bem perto de Vila Viçosa. São pois, com esses episódios que poderemos reviver, não só voltar à nossa infância, bem como recuar e experienciar acontecimentos que foram muito importantes na nossa História, enquanto país.

Qual tem sido a reação do público ao seu trabalho? Tem sido aquilo de que estava à espera?
R: Eu, sinceramente, nunca esperei nada. Aquilo que me motivou a escrever o meu primeiro livro foi a perda do meu avô e o forte sentimento que senti na altura. Só pensei nisso mais tarde, quando me apercebi que a obra foi muito bem acolhida. É com muita satisfação que constato que o meu primeiro livro está prestes a chegar à 3.ª edição; o segundo à 2.ª, e tenho tido críticas fantásticas, mas sei que tenho ainda um longo caminho a percorrer, certo e convicto que, com determinação e força de vontade se vai a todo o lado.


Já tem algum projeto novo em mente? Um terceiro livro a caminho?

R: Não diria projecto: são mais projectos, sim!, é verdade. Em breve, espero ainda no primeiro semestre deste ano, lançar com uma editora de reconhecido valor, o meu primeiro livro infantil, que se intitulará A Gaiola Dourada. Será um projecto que os mais novos irão gostar muito, o qual fiz em conjunto com a minha querida amiga Sofia Bragança, que fez todas as ilustrações dessa obra, um trabalho fenomenal. Ainda este ano, terei pelo menos mais duas contribuições em antologias poéticas e outra num livro de contos. Tenho apostado, sobretudo, na minha formação ao nível da escrita criativa o que tem ajudado imenso. Estou a meio de um curso com a minha amiga, escritora Margarida Fonseca Santos, o segundo com ela, “Escrever para Crianças II” e estou a preparar-me para tirar um outro curso de romance, com o escritor, bem conhecido, João Tordo; será um grande privilégio receber os seus ensinamentos, tal como os que recebo da Margarida. 
Se pudesse, o que é que perguntaria ao próximo autor ou autora que iremos entrevistar? 
R: Qual a sua fórmula mágica para o sucesso no mundo literário?
Obrigada ao escritor Pedro Jardim por esta oportunidade e pela sua disponibilidade!!! :)
Site do autor - http://jrradas.wix.com/pedrojardim

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