quarta-feira, 14 de maio de 2014

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46ª Entevista: Rita Redshoes (artista portuguesa)


Rita Redshoes

(Foto por WeAreNot!)

Nascida em 1981, Rita Pereira deu os primeiros passos na música na banda Atomic Bees e posteriormente como teclista de David Fonseca, com quem gravou a música “Hold Still”. Mas foi em 2007 que nasceu Rita Redshoes e Portugal se rendeu ao seu talento com o tema “Dream on Girl”. Lançou no ano seguinte o seu álbum de estreia como artista solo, “Golden Era” e decorridos apenas 2 anos lança o seu segundo disco “Lights and Darks”.

Foram precisos 4 longos anos de espera, mas esta compensou pois os seus fãs foram brindados este ano com o terceiro e seu mais recente trabalho – “Life is a Second of Love”.

Estivemos à conversa com a Rita e foi isto que ela nos revelou...



A todas as bandas/músicos, o FLAMES pergunta...

Porque escolheu o nome artístico Rita Redshoes?
Bom, foi um pouco inconsciente. Tinha de encontrar um nome com brevidade porque ia entrar na colectânea da FNAC em 2007. Andei duas semanas a pensar nisso até que numa noite sonhei com esse nome. Gostei do nome pois não só o associo a artistas como a Kate Bush ou o David Bowie, mas também ao cinema como o filme “O Feiticeiro de Oz”.
Os sapatos vermelhos têm um certo poder, são como um feitiço e quando os calçam algo acontece.
Sou uma pessoa extremamente tímida e queria ver como é que esse nome me ajudaria a experienciar esse poder.

Para além de, obviamente, Kate Bush e David Bowie que outros artistas a inspiram?
Tenho um gosto muito diversificado e também influenciado pelo facto de ter estudado música clássica. Gosto de Maria Callas, Nina Simone mas também PJ Harvey. Foco mais as mulheres e a sua escrita feminina…mas também outros como Leonard Cohen, Nick Cave…

Qual o local onde mais gostaria de actuar?
Gostava muito de tocar em Hong Kong (risos).
  
Porquê?
É uma cidade que me fascina.

Mas já lá esteve?
Não. Assim juntava-se o útil ao agradável! Gosto do contraste de culturas e queria saber como é que a minha música iria funcionar lá.

Que cartaz ou mensagem gostaria de ver ser erguida no meio do público durante um concerto seu?
(pensa durante uns instantes) Assim de repente, acho que uma coisa simples como “Rita fazes-me sorrir”.

Lembra-se de alguma situação caricata que tenha ocorrido num dos seus espectáculos?
Sim, uma bastante embaraçosa na qual me senti envergonhada:
Quando andava em tourné em 2008 e 2009 costumava dormir nas carrinhas e uma noite em que ia actuar em Estarreja fiquei de tal forma confusa com o local onde estava que disse “Boa noite Esposende”!

E o público reagiu de imediato ou só no fim do concerto é que alguém lhe disse alguma coisa?
Reagiu logo. Disseram: “Buuuuuu” (risos).

  À Rita Redshoes o FLAMES pergunta...

Já participou na composição de bandas sonoras para o cinema e teatro. O processo de composição de bandas sonoras é diferente do de compor um álbum de estúdio por ter de integrá-las numa história que já existe ou acaba por ser semelhante?
Não, os processos são muito diferentes. Para além de no teatro e cinema haver uma adequação da música às imagens e à história, o próprio formato é diferente.
Num disco as músicas seguem determinadas regras, têm normalmente entre 3 a 4 minutos e pode-se acrescentar ou não mais um refrão.
No teatro não há essas regras. A música está ao serviço de fazer imagens, dá-nos uma liberdade interessante.

Gosta de ambas da mesma forma?
Sim, gosto muito de ambas.

Em todos os seus álbuns a Rita canta em inglês. Qual o motivo por detrás dessa escolha?
A escolha na altura não foi bem escolha. Quando tinha 14 anos entrei para a banda do meu irmão, os Atomic Bees, para ser a vocalista. Na altura era uma miúda e apenas queria cantar. Comecei a escrever em inglês e a conhecer-me nessa língua.
Não ponho de parte fazer um disco ou participar num projecto em português, é a minha língua e é lindíssima. Só que tem uma sonoridade muito específica e ainda não encontrei o meu processo de a cantar. Cada sílaba, cada palavra são muito específicas.

Recentemente entrevistámos o Noiserv e ele referiu que cantar em inglês, ao contrário do que se possa pensar, não faz com que um artista tenha mais facilidade em internacionalizar-se. Qual é a sua opinião acerca disto?
É a mesma. O David (Noiserv) e eu temos essa noção. Não é por cantar em inglês que se abre portas lá fora. Os artistas que cantam em português, como quem canta fado, têm mais facilidade em entrar nos países estrangeiros em comparação com quem faz pop ou rock pop em inglês.
O português é uma língua muito identitária do seu país e torna-se mais difícil a quem canta em inglês “furar” esses mercados.

Recentemente deu uma entrevista ao Jornal Público no suplemento Ípsilon cujo título é “Rita Redshoes é outra, não é a mesma”. Como é a nova Rita?
Bom, isso é a visão de quem escreveu o artigo, o Gonçalo Frota.
Acho curioso porque eu não tinha essa noção mas quando a minha família e os meus amigos ouviram o meu novo álbum disseram que soava a mim mas também a algo diferente.
De facto, houve um amadurecimento de questões na minha vida nos últimos anos, de experiências que me levaram a escrever um álbum assim, de uma forma mais directa, mais crua, mais com uma voz de mulher e menos de menina.

Quando começou a produzir este seu 3º álbum, “Life is a Second of Love”, já sabia qual o
caminho que pretendia trilhar ou a inspiração e as ideias surgiram durante a própria gravação do disco?
Algumas músicas foram, de facto, surpreendentes.
Eu sou um bocado desorganizada a compor e por vezes comecei uma música que só terminei passados alguns meses. Quando compus este álbum, ao longo de 4 anos, aconteceram muitas coisas e pude organizar as minhas próprias experiências e resolver algumas questões na minha vida.
Não tinha nada de muito programado quando comecei a trabalhar neste disco, apenas sabia que queria adicionar-lhe dois pormenores: queria incluir o silêncio em conjunto com a música e queria um álbum mais despido em termos de orquestração.


Como serão os espectáculos ao vivo da “nova” Rita Redshoes? Já está a pensar neles?
Sim, ainda estou a planear os meus espectáculos. Confesso que tenho tido uma inclinação para não fazer o que fiz nos espectáculos anteriores em que usava muitos adereços e compunha mais o cenário. Agora não quero enfeitar tanto o palco, não quero distrair as pessoas pois quero que prestem mais atenção à música e à letra.
Confesso que não quero que se distraiam.

Quando olha para trás e revê toda a sua carreira está plenamente satisfeita com tudo o que fez ou se tivesse oportunidade mudaria alguma coisa?
Não gosto de dizer que não me arrependo de nada. Há coisas que provavelmente faria de forma diferente. Mas gosto de pensar que fiz um bom trabalho e estou em paz comigo e com as coisas que fiz. No geral, estou satisfeita com o meu trabalho.
  
Um enorme obrigada à Rita pelo seu tempo, disponibilidade e ENORME simpatia!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

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Filme: Gravity (2013)



Ano: 2013
Duração: 91 minutos
Género: Drama, Ficção científica, Thriller
Cast:
Sandra Bullock - Ryan Stone
George Clooney - Matt Kowalski
Ed Harris - Mission Control (voz)

Ficção científica... NÃO é para mim (em geral).. mas sou uma pessoa de gostos ecléticos e ADORO surpreender-me.
E foi o que aconteceu com Gravidade! No final achei-o extraordinário. Um filme super bem conseguido. Dei por mim, assim que acabou, a procurar incongruências no filme e a ver se as coisas estavam bem em termos de física e astronomia, e descobri que o filme está bem pensado tentando guiar-se pelas leis da física regentes.
Porque é que adorei o filme? Não foi pela interpretação dos actores (que também ajudou, claro), mas foi pelo cocktail que apresentou: pela imagem, a fotografia, a sensação de sufoco e medo que senti ao longo de todo o filme, a banda sonora que estava MÁGICA, o final que me fez cair uma lágrimas.. Enfim.. este filme resultou muito bem.

A história parece ser simples, mas encerra nela muita complexidade.

O filme decorre no espaço. Lá encontramos as duas personagens principais interpretada por Sandra Bullock e George Cloney. Os dois são astronautas: Sandra é uma brilhante Drª que está neste momento na sua primeira viagem longe do planeta azul. Gerge Clooney por seu turno já é veterano nestas andanças e está na sua última viagem antes de se reformar. Infelizmente algo dá para o torno e a Drª Ryan Stone acaba por se.. perder. É verdade. Perdida, sem controlo dos movimentos e com dificuldades de orientação e pouco oxigénio, como conseguirá ela sobreviver?

O tempo todo consegui sentir a aflição da Drª Stone. Algumas cenas por vezes pareciam-me imprevisíveis e impossíveis, mas senti que não devia ser muito crítica. Trata-se de um filme de ficção científica pensada ao pormenor (que se vê ao longo do filme) então senti que lhe deveria estar a dar um "desconto".

O filme recebeu inúmeros elogios de James Cameron e de Quentin Tarantino que o considerou num dos melhores filmes de 2013... eu eu subscrevo!

domingo, 11 de maio de 2014

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45ª Entrevista: Noiserv (artista/músico português)


Noiserv

(Foto por Vera Marmelo)

Tudo começou em 2005, quando David Santos, conhecido pelo seu nome artístico Noiserv, criou um álbum demo que viria a ser editado online alguns meses mais tarde. Três anos depois, o primeiro álbum de estúdio é editado sob o título One Hundred Miles from Thoughtlessness. O sucesso foi imediato e os elogios dos fãs e da imprensa não se fez esperar. O próximo passo foi o estrangeiro, onde Noiserv encantou amantes de música em países como a Inglaterra, Alemanha e Áustria. Daí até dar o ar de sua graça no mundo do cinema foi um pequeno instante, começando por participar na banda sonora do famoso documentário de Miguel Gonçalves Mendes sobre José Saramago, “José & Pilar” seguindo para o filme “Noiserv” (2001) de Paulo Dias. No ano passado editou o álbum “Almost Visible Orchestra” que apenas confirmou a qualidade a que Noiserv tem habituado os seus fãs, tendo-lhe valido o prémio de Melhor Álbum 2013 segundo a Sociedade Portuguesa de Autores. Vamos conhecê-lo um pouco melhor…

A todas as bandas/músicos, o FLAMES pergunta...

A pergunta de sempre… porque decidiu entrar para o mundo da música?
Acho que não é uma coisa que se decida, é algo que vai acontecendo. Do que me lembro desde muito pequeno que havia algo que me fascinava nos músicos, nos concertos, nos discos, nos videoclipes, etc

Porque é que escolheu este nome artístico?
Foi uma brincadeira, inverti a palavra “version” e troquei o ‘e’ pelo ‘r’, e gostei do que vi.

Músicos/Bandas favoritas que o inspirem:
Não sei se existem bandas que me inspirem directamente, há apenas aquelas que gosto mais que outras, entre as quais, Radiohead, Sigur Rós, Explosions in the Sky...

Local onde mais gostaria de tocar: 
O importante não são os locais onde se toca, mas as pessoas que lá foram para te ver, desta forma não há nenhum sitio onde gostasse de tocar mais que outro, gostava apenas de ter a oportunidade de ao longo do tempo conseguir tocar para o maior número de pessoas diferentes.

Quem compõe as suas músicas? 
Eu!

Que cartaz/mensagem gostaria de ver a ser erguida no meio do público? 
Nunca tinha pensado nisso. Mas não sou “esquisito” gosto de saber o que as pessoas acham/sentem com a minha música, por isso qualquer mensagem me deixaria feliz.

Tem alguma história caricata para nos contar sobre um dos seus concertos? 
Todos os concertos têm as suas histórias :)!

Ao Noiserv o FLAMES pergunta...

Cantar em inglês foi uma opção a pensar numa internacionalização mais fácil ou há outro motivo subjacente?
O motivo é que toda a música que ouvia na altura que comecei a fazer as primeiras canções era cantada em inglês, foi inevitável que o fizesse da mesma forma. Em relação à internacionalização, e olhando para os casos de sucesso entre os músicos portuguesas, cantar em português teria sido a melhor decisão se fosse esse o meu objectivo!

Ao longo dos seus 9 anos de carreira sente que o seu som evoluiu ou o Noiserv manteve-se “fiel” ao seu estilo inicial? 
Eu acho que evoluiu, porque eu também evolui enquanto músico. No entanto acho que nunca houve uma mudança drástica de “estilo” pois eu sou a mesma pessoa que há 9 anos atrás, apenas sinto que tenho mais capacidade para fazer o que gosto e imagino.

Como foi a receção do público ao seu mais recente álbum “Almost Visible Orchestra”
Foi muito boa mesmo, estou contente.


Os seus concertos podem ser considerados algo intimistas. Por isso mesmo, a sua atuação no festival Fusing, no próximo mês de Agosto na Figueira da Foz, representa para si um desafio acrescido? 
Eu acho que a música deve funcionar bem em qualquer palco, no entanto é natural que um festival ao ar livre, com mais distracções externas possa distanciar um pouco o público do(s) músico(s) e dessa forma o concerto não será tão intimista, e poderá ser um desafio maior para quem está a tocar manter o público sempre atento.

Se fosse começar tudo de novo, mudaria alguma coisa ou faria tudo exatamente igual? 
Acho que não, se começasse de novo seria feliz se acontecesse tudo da mesma forma.

Quer dizer-nos quando e onde serão os seus próximos concertos? 
Tenho algumas datas, falando apenas do mês de Maio:
10 de Maio - TEMPO - Portimão
17 de Maio - Auditório Padre Carlos Alberto Guimarães - Lisboa
31 de Maio - Festival Entre Paredes - Paredes

Muito obrigada pela sua disponibilidade, 
Mariana Oliveira e Roberta Frontini

Obrigado eu, Beijinhos e obrigado pelo apoio à minha música!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

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44ª Entrevista: Norton (banda portuguesa)



Norton
No FUSING Culture Experience na Figueira da Foz estarão presentes também os Norton. Quem são eles? Trata-se de uma banda portuguesa de grande qualidade. Eles são 4, e são únicos. São uma banda albicastrense e tiveram a paciência de aturar mais uma entrevista, desta vez feita por nós.
Vejam o que eles nos contaram…

Nome dos membros da banda e instrumentos que tocam: 
- Pedro Afonso – voz e guitarra
- Rodolfo Matos – bateria
- Manuel Simões – guitarra e voz
- Leonel Soares – baixo

A todas as Bandas o FLAMES pergunta...

Porquê este nome para a vossa banda? 
Não tem grande história por detrás. Queríamos apenas um nome simples que fosse um nome próprio e universal, quase como se tivéssemos a dar um nome a um filho.

Músicos/Bandas favoritas e que vos inspiram: 
Somos quatro pessoas com gostos bem abrangentes. Mas podemos dizer que a culpa dos Norton existirem foi certamente por, na nossa adolescência, ouvirmos Pavement, Yo La Tengo, Dinosaur Jr., Sonic Youth...

Local onde mais gostariam de tocar: 
Sem dúvida no Japão. E repetir a nossa digressão que fizemos em 2009 pela Europa. Também gostávamos de tocar no Glastonbury ou no Reading.

Quem compõe as músicas? 
Os quatro em conjunto. Nos Norton não há um compositor principal. Pode haver um loop, uma parte de uma canção que alguém leva para os ensaios, mas todas as canções nascem com todos a tocar.

Que cartaz/mensagem gostariam de ver a ser erguida no meio do público? 
O que mais queremos é que o público se entregue ao nosso espectáculo de corpo e alma. Essa é a melhor mensagem que nos podem transmitir.

Lembram-se de alguma situação caricata que tenha ocorrido num dos vossos concertos? 
Em Bilbao tocámos num bar um pouco duvidoso e com condições técnicas muito precárias. Decidimos tocar sem electrónicas e fazer um concerto 100% rock!

Aos NORTON o FLAMES pergunta...

Os vossos álbuns são, musicalmente, bastante distintos uns dos outros. Esta diferença foi propositada? 
Não foi propositada, de todo. Fazemos música da maneira mais honesta possível e, para nós, um disco é quase como uma fotografia nossa. Marca um momento e é isso que os torna tão especiais.

Portugal não é o único local onde tocaram, e sabemos que Espanha é um país que vos tem apoiado muito. Como tem sido a vossa receção noutros países? 
Bastante boa. Felizmente, tocamos bastante por Espanha, tanto em festivais, como em salas grandes e em salas pequenas. Em 2009 fizemos uma digressão pela Europa e a nossa carrinha passou por Espanha, Alemanha, Holanda, Luxemburgo e França. Adoramos tocar e adoramos viajar. Poder juntar as duas coisas é sempre fantástico.

A vossa banda tem tido algumas alterações nos membros que a compõe. Quando isso acontece é como se houvesse um “renascer” da mesma?
Esse renascer de que falas aconteceu em 2010 quando o Pedro assumiu a voz principal. Com isso houve todo um virar de página. Mudámos muito em todos os aspectos, tornámo-nos uma banda mais unida, mais alegre e, acima de tudo, sempre com os olhos no futuro.

Alguns dos vossos membros já trabalharam em outras bandas, ou seja, a música acompanha-vos para todo o lado. Que outras coisas vos apaixonam para além da música? 
Viver, acima de tudo viver. Somos todos grandes fãs de viajar, de cinema, de fotografia. Mas a música é mesmo a nossa paixão. Vivemos música! Se não a estamos a fazer ou a tocar, estamos em concertos ou a comprar discos.

Para além da vossa participação no FUSING Culture Experience na Figueira da Foz, que outros espetáculos têm agendados? 
Vamos andar um pouco por todo o país este Verão. Há muita coisa ainda a ser confirmada e, como não queremos que percam nenhuma data, o melhor é mesmo irem ao nosso site (www.nortonmusic.net) ou ao nosso facebook (www.facebook.com/wearenorton) para estarem actualizados com as datas. Vamos de certeza andar a tocar perto de vossas casas.

Obrigada aos Norton pela entrevista :) 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

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Filme: Extremamente alto, incrivelmente perto


 
 
 
Título Original: Extremely loud and incredibly close
Género: Drama
Ano: 2011
Realizador: Stephen Daldry
 
Nos dias que correm, tenho cada vez mais dificuldades em encontrar um filme que “me encha as medidas”, que me faça sentir que o tempo que investi a vê-lo valeu mesmo a pena. Pois bem, a película “Extremamente alto, incrivelmente perto” fez-me voltar a acreditar que ainda existem filmes norte-americanos capazes de fugir à tentação de fazer muito dinheiro com uma história comercial, apostando antes numa trama com conteúdo.
 
O protagonista desta história é Oskar Schell, uma criança de apenas 10 anos que sofreu na pele as consequências do trágico 11 de Setembro de 2001 ao perder o seu pai que se encontrava numas das torres do Wall Trade Center quando esta desabou.
Apenas 1 ano depois, Oskar encontra, totalmente por acaso, uma chave que o seu pai tinha escondida e incumbe-se de descobrir qual a fechadura que esta abre. Começa, assim, a sua aventura pela cidade de Nova Iorque em busca da revelação deste grande segredo.
 
Este filme tocou-me de uma forma inesperada!
Apesar de ter como pano de fundo a tragédia do Wall Trade Center, a verdade é que o foco principal da história está na forma como o miúdo de 10 anos aprende a lidar com a ausência do pai.
Ao longo da sua busca pela fechadura misteriosa, Oskar encontra pessoas tão distintas quando especiais que, à sua maneira, o ajudarão a prosseguir a sua jornada. Houve momentos engraçados, momentos comoventes e outros com alguma tensão. Cada personagem encontrou o seu devido lugar e criou uma teia interessante que leva Oskar a locais nunca antes por ele imaginados.
O filme está repleto de momentos comoventes, com uma edição de imagem verdadeiramente fabulosa que contribui para que os sentimentos e emoções das personagens cheguem até ao espetador com uma intensidade brutal.
Esta não é uma história com perseguições de carros, explosões, tiros ou cenas de luta. Esta é a história de uma criança que acaba por dar uma lição a todos aqueles que a acompanham ao longo da sua viagem de descoberta: por mais incómodos que as nossas tristezas e dúvidas possam ser, é possível aprender a conviver com elas e fazer disso não uma fraqueza mas a nossa principal força.
 
Um filme que aconselho vivamente!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

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43ª Entrevista: David Soares (escritor português, autor de banda desenhada)

David Soares
Escritor português conhecido pelos seus romances meticulosamente pesquisados e complexos que versam sobre temas históricos e ocultismo. A revista literária portuguesa "Os Meus Livros" definiu-o como sendo «o mais importante escritor português de literatura fantástica». Escreveu quatro romances, quatro livros de contos, oito livros de banda desenhada (um deles publicado em França), um livro para crianças e dois livros de ensaios. Recebeu três troféus para "Melhor Argumentista Nacional" pelos seus livros de banda desenhada. O seu livro mais recente intitula-se «Palmas Para o Esquilo» (Kingpin Books, 2013).


Blogue do autor: http://cadernosdedaath.blogspot.pt/
Página do Facebook: https://www.facebook.com/escritor.DavidSoares

Nacionalidade: Portuguesa

O seu Filme favorito: «O Tambor», de Volker Schlöndorff.
O seu Livro favorito: «Darconville’s Cat», de Alexander Theroux.
O seu Anime favorito: Não tenho.
O seu Manga favorito: «Uzumaki», de Junji Ito. (vejam a opinião do FLAMES aqui)
O seu programa de Entretenimento/Evento/Espetáculos favorito: Não tenho.
A sua Série de televisão favorita: «The Storyteller», de Jim Henson.
 
 
O que é que surgiu primeiro na sua vida: o gosto pela banda desenhada ou o gosto pelos romances?
Primeiro, o gosto pela leitura. Aprendi a ler sozinho, em casa, antes de ir para a escola, e os livros, de prosa e de banda desenhada, eram os meus brinquedos. Não categorizo em diferentes graus de importância ou de valor um bom livro de banda desenhada ou um bom livro de prosa: para mim, são linguagens literárias, pertencentes ao mesmo conjunto.
 
 
Descobri muito cedo que aquilo que eu queria fazer era escrever. Não foi nenhuma revelação, nenhuma epifania. Simplesmente, descobri: tal como se descobre as preferências sexuais. Quando era miúdo fazia bandas desenhadas e escrevia contos e, gradualmente, fui desenvolvendo a minha voz autoral. Mas ler e escrever não são a mesma coisa, assim como X é diferente de f(X). Um escritor não é um leitor: é um escritor e, em virtude disso, olha para os livros de um modo muito diferente de um leitor. No mínimo, eu olho para os livros de um modo diferente.
 
 
Para começar, há muitos anos que deixei de ler ficção. Não leio romances, nem livros de banda desenhada. Só leio não-ficção: história, política, filosofia, divulgação científica, conhecimentos extravagantes. A ficção aborrece-me, porque consigo ver a estrutura invisível que sustenta o texto, consigo discernir as intenções do autor e as razões das suas escolhas. É demasiado transparente para mim. Acho que a maioria dos escritores não lê ficção ou, então, só lê, criteriosamente, os novos livros dos seus autores preferidos ou os clássicos.
 
 
Neste momento, as únicas ficções que leio são os novos livros escritos por dois ou três autores que eu considero como sendo, de facto, verdadeiramente geniais e alguns clássicos que eu ainda não tive oportunidade de ler. Os leitores poderão ficar surpreendidos com isto, mas é preciso que compreendam que aquilo que eles esperam e retiram de um livro é muito diferente daquilo que um escritor espera e retira de um livro. A experiência da leitura, em si, é totalmente diferente. Estar obcecado em ler todas as novidades literárias e em acompanhar as carreiras dos escritores ao detalhe é um comportamento de fã: os escritores autênticos nunca são fãs. Os leitores é que são.



Nasce-se com o dom de desenhar banda desenhada ou é um talento que pode ser aprendido?
Tudo pode aprendido e desaprendido. Até certos limites, claro. Nasce-se com determinadas aptidões que, à medida que se vai crescendo, se ramificam em talentos inesperados. Tenho uma aptidão muitíssimo grande para palavras e como sou um pouco sinestético atribuo-lhes cores e objectos. Adoro palavras e a etimologia é uma das minhas maiores paixões. Adoro ler dicionários e compilar listas das minhas palavras preferidas. Por outro lado, sou muito mau com números. Há quem tenha aptidão para ambas as coisas, palavras e números, mas eu não tenho. É por isso que tenho alguma dificuldade em recordar datas: às vezes tenho de recorrer a mnemónicas para me lembrar de certas datas, de determinados eventos históricos. Os números não falam comigo, como falam as palavras e não os consigo compreender. Felizmente, a minha mulher tem duas licenciaturas em matemática, por isso estou a salvo.
 
 
Nesse sentido, não existem dons, no sentido de qualidades preternaturais predestinadas. Somente se
nasce com aptidões diferentes, que poderão ser desenvolvidas nas circunstâncias adequadas. Alguns tropos da linguagem da banda desenhada podem ser aprendidos, mas se não existir uma centelha de genialidade que suporte essa aprendizagem tudo aquilo que se irá fazer será menor ou demasiado esforçado quando comparado com os trabalhos dos autênticos artistas, aqueles para quem a linguagem da banda desenhada ou da prosa é perfeitamente natural. A arte tem de sair de dentro para fora, não pode ser enxertada ou introduzida. Existem demasiados indivíduos a querer ser artistas sem terem esse fogo iniciático dentro deles e vemos exemplos a todas as horas. São enganados pelos aforismos de supermercado inventados por quem pensa saber melhor do que os artistas aquilo que é preciso para criar arte.
 
 
A arte é mineralogia: quer-se extrair o ouro, mas isso dá muito trabalho. É necessário suar muito e perder muitas noites de sono. Não vai ser o trabalho árduo que irá transformar um indivíduo num artista, mas é o trabalho árduo que transforma um artista mediano num grande artista: ou seja, o esforço e o sacrifício só beneficiam quem tem espírito de artista dentro de si. A arte não se compadece com confortos, com compromissos. Se não se der tudo, não se ganha nada. Tudo depende, é evidente, daquilo que se almeja. O meu exemplo é o de que o caminho certo – o único caminho – é o mais difícil. Se não me engano, em «A Divina Comédia», de Dante Alighieri, a palavra “sorrir” só aparece uma vez: é que sair da treva em direcção à luz não é divertido, nem fácil, mas quando se alcança a claridade o sentimento é insubstituível. O segredo é subtrair dos nossos dias tudo aquilo que atrofia e obstaculiza a nossa missão – porque ser-se artista é uma missão. É uma vocação, como a do sacerdócio – e igualmente ascética.
 
 
Acha que os portugueses já aprenderam a apreciar os livros de banda desenhada? A procura por este tipo de arte tem vindo a aumentar em Portugal?
Não sei. Diria que não se aprendeu a apreciar livros nenhuns. Acho que, em geral, se lê pouco e se lê mal em Portugal, mas de quem é a culpa? A gente vai à Espanha e percebe que existe uma oferta estonteante de traduções, desde os clássicos até às novidades, em formato de livro de bolso, que é o ideal para verdadeiros leitores, e quando se olha para Portugal percebe-se que o panorama é dessultório. O arcediago Claude Frollo, de «O Corcunda de Notre-Dame», de Victor Hugo, diz às tantas que «o livro vai matar o edifício». Ele referia-se ao chamado “livro de pedra”, que é a catedral. É uma personagem ingénua neste sentido: ele achou que um novo veículo de conhecimento iria eliminar um veículo antigo de conhecimento. Hoje, aquilo que está a matar o livro não é o eBook, epifenómeno perfunctório e ridículo, sintomático da doença neófila de que padece a nossa cultura hodierna, mas os maus livros: os títulos que não passam de guiões de cinema e televisão disfarçados de livros, aqueles que, criando modas e molduras de referência, roubam espaço aos livros verdadeiros – nas livrarias, na divulgação de imprensa, etc.

A banda desenhada é observada pela maioria do público como sendo algo adequado para analfabetos
e, se calhar, até por culpa da própria banda desenhada, que está cheia de livros muito maus. Aquilo que é mau, infelizmente, acaba sempre por sobressair e distorcer a visão dos observadores, que ficam com uma ideia errada. Uma das situações que tem concorrido para que se crie essa má reputação é o facto de que quem deseja escrever não escolhe ser autor de banda desenhada e quem cria bons livros são os escritores. A banda desenhada atrai os desenhadores que, quase sempre, não estão interessados em contar uma boa história, mas em mostrar virtuosismo gráfico. Aliás, um bom desenhador raramente se torna um bom autor de banda desenhada: para se ser um bom autor de banda desenhada nem sequer é preciso desenhar “bem”. É preciso conhecer essa linguagem, ponto. Em banda desenhada, a imagem é texto. Quando se compreende isto, o resto vem por acréscimo. Quem quer ver desenhos “bonitos” que compre um livro de ilustrações ou de pintura e deixe a banda desenhada em paz. A banda desenhada é uma linguagem literária: ninguém diz que viu uma BD, mas que leu uma BD. A banda desenhada portuguesa sofre por ser um nicho dentro de um nicho: poucos leitores de banda desenhada lêem banda desenhada portuguesa. Os meus leitores lêem os meus livros de banda desenhada e os meus livros de prosa porque gostam da minha obra, mas tenho leitores, por exemplo, cujas únicas bandas desenhadas que lêem são as minhas, porque a banda desenhada, no geral, é algo que não lhes interessa. A banda desenhada portuguesa sofre imenso – ou gosta de sofrer imenso, parece-me – com o facto de ser “pouco comercial” e com o facto de os seus autores serem incapazes de se profissionalizar e viver de fazerem banda desenhada num mercado pequeno e pouco atractivo.
 
 
A minha opinião é a de que essa é uma perspectiva errada. Por qual motivo é que os autores de banda desenhada têm, forçosamente, de viver de fazerem banda desenhada? Isso não os menorizaria, de todo. Muitos grandes escritores foram funcionários públicos, que nunca viveram da escrita. Esta falsa ênfase na dita profissionalização só serve para criar comportamentos artificiais e obsessivos que desviam os criadores da própria arte. Ninguém estará, de facto, à espera que um artista e uma obra caracterizados como sendo “profissionais” se definam pelo significado mais elementar dessa palavra: só se espera que a obra e o artista tenham uma relevância mais alta, uma estética mais sofisticada e um valor técnico superior. Com efeito, é esse o significado original da palavra: o de dedicar-se a uma actividade com rigor e não o de viver em exclusivo dessa actividade. Partindo daqui é fácil observar que sendo a banda desenhada portuguesa uma arte desatractiva comercialmente e monetariamente pouco recompensadora todos os autores que escolhem dedicar-se a ela com rigor são autênticos profissionais, independentemente de recolherem rendimentos regulares desse labor.
Empregar a grosseira bitola de que um verdadeiro profissional é, em exclusivo, aquele que vive (ou sobrevive) de um determinado ofício coloca no campo dos profissionais os tarefeiros que, nas artes e nas letras, produzem proficuamente os piores trabalhos possíveis e deixa de fora artistas de valor incontornável que não tiveram na realização artística a sua principal ou única fonte de rendimentos.
 
 
Acrescento que a banda desenhada poderá vir a desaparecer, infelizmente. A literatura em prosa está connosco há demasiado tempo para que isso lhe aconteça, mas a banda desenhada é recente, tem pouco mais de dois séculos, mais ou menos a idade da democracia. Se as novas gerações não encontrarem significância na linguagem da banda desenhada, que, ao contrário do que se pensa, é muito diferente da cinematográfica, ela poderá desaparecer.



De entre tantos géneros literários, porque é que optou pelo Terror e Fantástico? Quando começou essa sua paixão por este tipo de livros?
Não optei por género nenhum. Não escrevo segundo géneros, fórmulas ou quejandos. A minha obra inscreve-se naquilo que se denomina de Fantástico, em virtude da minha voz autoral se preocupar com ideias e imagens que transcendem a esfera restrita do chamado realismo, da vapidez da vida de todos os dias, mas não existe da minha parte nenhuma intenção de inscrever a minha obra, nem deliberadamente nem acidentalmente, nesse âmbito.
 
 
Como já escrevi acima, aquilo que é genuíno sai de dentro para fora, não pode ser imposto. Ora, aquilo que qualifica um artista como sendo um autor é o facto de possuir um universo artístico pessoal, uma voz autoral única, que vai ao encontro de alguns temas-chave que, constantemente, interroga e explora. O ponto de vista autoral pode mudar de obra para obra ou de conjuntos de obras para conjuntos de obras, mas a voz autoral será sempre a mesma, porque é autêntica. Não se pode falseá-la, como fazem os tarefeiros – alguns dos quais são respeitadíssimos na nossa sociedade da inimputabilidade. Chamo-lhe sociedade da inimputabilidade, porque, infelizmente, já não se sabe distinguir o bom do mau e ninguém é chamado à atenção por culpa disso. Tenho cada vez mais tendência para isolar-me, porque sinto que tenho pouquíssimas coisas em comum com esta sociedade que me circula: não gosto da linguagem neófila com que se lauda o novo para rasurar o velho, nem da deselegância que enoda as relações entre indivíduos, ainda menos da desvalorização da cultura em benefício do entretenimento. Há coisas – atitudes, comportamentos, em principal – para as quais já não tenho cabeça, quanto mais estômago, e que me fazem sentir fisicamente doente. Disse que era mau com números, mas a subtracção é uma operação que sempre soube fazer bem: aquilo que extirpo da minha vida, extirpo para sempre.



Sabemos que o David é manifestamente contra o novo acordo ortográfico. Qual acha que são as consequências deste acordo para o futuro da língua portuguesa?
Não sou capaz de prever consequências de espécie alguma, mas sei, por reflexão histórica, que todas as iniciativas artificiais impostas de cima para baixo apresentam sempre uma escala crescente de intensidade paralela a uma escala decrescente de eficácia. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, independentemente da força com que foram implementadas, irão desagregar-se e desaparecer. Somente aquilo que é criado de baixo para cima tem longevidade. Com isto não quero dizer que a língua nasce na rua: nenhuma língua europeia nasceu na rua. Na rua nascem atalhos convenientes à oralidade e à rápida e eficaz transmissão de informação.
 
O ambientalista pioneiro (e lúcido, ao contrário dos anti-humanistas disfarçados de ambientalistas) Stewart Brand postulou uma vez que «a informação quer ser livre». Esta é uma grande verdade e adquire uma expressão máxima na coloquialidade do discurso de rua, nas conversas de todos os dias: falar e escrever são coisas diferentes, tal como opinião e facto são coisas diferentes. Aproximar a escrita da oralidade é um disparate. Além de que o léxico contemporâneo foi, praticamente, todo inventado por escritores, filósofos, teólogos, cientistas. Pensem numa palavra e procurem a sua origem: de certeza que irão remeter à mesa de trabalho de um escritor. Até a palavra “internacional”, tão em voga hoje em dia, foi inventada pelo filósofo Jeremy Bentham. Thomas De Quincey inventou quase duzentas palavras, entre as quais “fenomenal”, “interconexão”, “intuir” e “subconsciente”. “Fragrância”, uma palavra mais poética, foi inventada pelo neologista-mor John Milton, assim como “jubilante”, “sensual” e “extravagância” (além de “satânico” e “pandemónio”). Percy Shelley inventou “optimista”, “espectral” e a designação “hino nacional”. A palavra “computador” foi inventada no início do século XVII pelo poeta Richard Braithwait. Mas houve quem tivesse ido mais longe: a língua latina que conhecemos foi quase toda inventada por Cícero, que quis desenhar uma língua com a dignidade do grego (o latim era, até então, uma língua muito rudimentar – o verbo “existir” nem sequer existia). Mais: mesmo assim, o latim que nós conhecemos é obra dos escolásticos medievais, que se divertiam a inventar neologismos para as suas traduções e adaptações dos clássicos romanos. Nem sequer os numerais romanos que conhecemos foram os verdadeiros numerais romanos, mas também foram inventados.
 
 
As línguas não nascem nas ruas, mas nas secretárias dos escritores e ganham dimensão nos livros. Sobretudo, o AO90 é ilegal. Não passa de uma simples Resolução do conselho de ministros (não possui nenhum carácter vinculativo) que nem sequer foi promulgada, nem publicada no Diário da República. A ortografia em vigência, por sua vez, foi ratificada por Decreto-Lei (em 1973). Legalmente, uma resolução não suplanta um decreto-lei, por conseguinte a “antiga” ortografia é que é a legal e aquela que vigora. Esta questão importantíssima tem sido mantida afastada do debate público, mas tenho ideia de que mesmo que tivesse sido anunciada na comunicação social os indivíduos se estariam nas tintas para ela, pois o público, ao que parece, não percebe nem quer saber, verdadeiramente, desta matéria, ainda mais quando confrontado com os problemas levantados pela draconiana conjuntura económico-financeira do país, o que é uma pena, porque nem só de pão vivem os homens. Em essência, são estas as duas razões que me levam a ir contra o AO90: porque é uma deformação da legalidade e uma aberração histórica – somente pugnada por um punhado de linguistas, como o brasileiro Antônio Houaiss (criador, já falecido, do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa) e pelo português João Malaca Casteleiro (responsável pela edição portuguesa do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).



Pode levantar o véu relativamente a novos projetos nos quais esteja a trabalhar?
Este ano será publicado um novo livro de banda desenhada escrito por mim, intitulado «Sepulturas dos Pais», com desenho de André Coelho. Tenho outra banda desenhada escrita, intitulada «O Poema Morre», que estou, nesta altura, a rever e para a qual já tenho um desenhador. Também tenho um novo romance e um novo livro de não-ficção já começados, mas será prematuro revelar informações detalhadas sobre eles. Posso desvendar que o romance terá um espírito de certa forma semelhante a «Batalha», embora o tom seja muito mais umbroso e niilista, e que o livro de não-ficção é uma visão nova, com algumas heterodoxias, sobre um certo tema histórico.

Muito obrigada pela disponibilidade!

terça-feira, 6 de maio de 2014

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Passatempo: 101º Passatempo do FLAMES (em parceria com a Editorial Presença)


Um passatempo em parceria com a Editorial Presença só pode ser sinónimo de qualidade… e esta vez não é exceção!
Temos para vos oferecer um exemplar do novíssimo livro “A 5ª Vaga” de Rick Yancey:



 


 
Sinopse:
 
"A 5ª Vaga, o volume que dá início à trilogia com o mesmo nome, é uma obra-prima da ficção científica moderna. É um épico extremamente original, que nos apresenta um cenário de invasão extraterrestre do planeta Terra como nunca antes foi escrito ou sequer imaginado.
Nesta narrativa assombrosa, uma nave extraterrestre fixa-se na órbita da terra, à vista de todos mas sem estabelecer qualquer interação. Até que, subitamente, uma gigantesca onda eletromagnética desativa todos os sistemas da Terra, e todas as luzes, comunicações e máquinas deixam de funcionar. A esta primeira vaga seguem-se outras, num crescendo de violência que devasta grande parte da humanidade.
Será este o fim da existência humana sobre a Terra?
Haverá ainda alguma salvação possível?
Um thriller de alta voltagem, com todos os ingredientes para se tornar um grande clássico da literatura fantástica universal."
 
Participem até ao dia 16 de maio…e já sabem que podem fazê-lo uma vez por dia!

 Preencham o formulário abaixo fornecido e… Boa Sorte!
 
PASSATEMPO TERMINADO

segunda-feira, 5 de maio de 2014

4

Livro: A Mulher-Casa - Cenas da Vida Íntima em Paris (Tânia Ganho)



Autora: Tânia Ganho - http://www.taniaganho.com/
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 376
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04594-2
Coleção: MARCA D'ÁGUA

Este livro foi, para mim, uma enorme surpresa. Já o tinha visto à venda, mas confesso que só o comprei quando soube que iria estar num evento onde a autora estaria presente. Assim que o comprei, não resisti e comecei logo a lê-lo. Em mim, esta obra teve um efeito magnético - assim que o comprei!

Para isso muito contribuiu a escrita da autora (coisa que lhe referi pessoalmente).
Tânia Ganho provou-me, com esta obra, que é das escritoras portuguesas mais talentosas! Há muito que não via um estilo de escrita tão bom! Por isso mesmo penso que merece todo o carinho e a atenção que tem tido dos seus leitores.

Antes de vos dar a minha opinião, e como é prática corrente aqui no FLAMES, conto-vos brevemente a história que o livro encerra.

Trata-se da história de Mara, uma modista de chapéus que mora em Aix-en-Provence e que, no início do livro, se muda para uma nova casa com o marido (Tomás) e o filho, na cidade da luz: Paris. Como acontece com muitos casais, o sucesso profissional do marido começa a fazer tremer a relação de casal pelo que Mara vê-se obrigada a ter de lutar contra os seus próprios sentimentos, sonhos, e ambições.

O que achei desta história é que é fabulosa. Nela entramos, claramente, na cabeça de Mara. Apercebi-me que, finalmente, estava em frente a uma personagem principal imperfeita e, por isso mesmo, Humana! Muitas vezes é disto que sinto falta nos livros. Mara, a personagem com quem não tive dificuldade em criar empatia, acredito que irá enervar muitos leitores. A sua imperfeição torna-a Humana e credível. É mãe, é mulher e, por vezes, é esquecida e relegada para 2º plano por isso. De certo que eu nunca me poria no lugar dela ou, se lá estivesse, ter-me-ía comportado de outra forma, mas sinto que não a posso condenar de nenhuma maneira. Entendo e quase que consigo justificar a maioria dos seus actos. Não digo que concorde, mas a verdade é que os entendo.

São IMENSAS a referências artísticas ao longo do livro! Isto torna-o numa obra muito completa. Tânia Ganho trás-nos, assim, mais do que uma simples história!

Um outro aspecto que achei extraordinário foi o facto de a autora explorar o mundo da mulher de forma feminista (sem radicalismos) e de nos ajudar a redescobrir o conceito de casa/lar, através da própria visão de Mara. A parte que menos gostei prendeu-se com a questão da sexualidade de algumas personagens que aqui está explorada.

Um livro que penso que irá agradar a imensas mulheres. Aconselho-vos a darem-lhe uma oportunidade. Parabéns à autora pelo trabalho! Nota-se empenho e talento a cada página!

(18 Janeiro 2014, uma das administradoras do blogue com a autora Tânia Ganho).

quinta-feira, 1 de maio de 2014

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Livro: A Caixa em forma de coração

 
 
Título Original: Heart-Shaped Box
Ano: 2007
Género: Terror, Aventura
Autor: Joe Hill
Editora: Civilização Editora
 
Para quem passou grande parte da adolescência a ler histórias de terror, com particular incidência na famosa coleção “Arrepios”, foi com grande expetativa que comecei a leitura de “A Caixa em forma de coração”. Um livro que prometia levar-me de volta para o mundo do terror… ou não fosse o seu autor filho do único e incomparável Stephen King!
 
Sinopse
“Judas Coyne colecciona o macabro: um livro de receitas para canibais… uma corda usada num enforcamento… um filme snuff. Uma lenda do death metal de meia-idade, o seu gosto pelo bizarro é tão conhecido entre a sua legião de fãs como os excessos da sua juventude. Mas nada do que ele possui é tão inverosímil ou tão medonho como a sua última descoberta…
Um artigo à venda na Internet, uma coisa tão estranha que Jude não consegue resistir a pegar na carteira. "Vendo" o fantasma do meu padrasto a quem fizer a licitação mais alta. Por mil dólares, Jude tornar-se-á o orgulhoso dono do fato de um homem morto que se diz estar assombrado por um espírito inquieto. Ele não tem medo. Passara a vida a lidar com fantasmas - o fantasma de um pai violento, o fantasma das amantes que abandonara sem compaixão, o fantasma dos companheiros de banda que traíra. Que importância teria mais um? Mas o que a transportadora entrega à sua porta numa caixa preta em forma de coração não é um fantasma imaginário ou metafórico, não é um benigno motivo de conversa. É real.”
 
 
Este livro pode ser dividido em duas partes:
  
A primeira parte, correspondente à primeira metade do livro, contém alguns momentos arrepiantes e provocou o típico estado de alerta de quem lê este tipo de histórias. Joe Hill conseguiu tornar uma premissa algo ridícula em momentos de tensão e exaltação. Por momentos, senti que tinha regressado ao meu mundo de histórias de terror, abandonado há alguns anos.
 
 Na segunda parte, que é como quem diz a segunda metade do livro, o autor como que abandonou a temática do terror para criar uma corrida contra o tempo. Ao longo desses capítulos, tive a sensação de que estava a ler um livro de aventuras, ao invés de uma história de terror escrita pelo filho de Stephen King. Aliás, alguns dos pormenores que me assustaram inicialmente tornaram-se algo ridículos e repetitivos.
 
Por causa desta dualidade de abordagens em “A Caixa em forma de coração”, não posso dizer que esta tenha sido uma leitura plenamente satisfatória. Não pude deixar de sentir-me algo enganada por inicialmente me ter sido prometida uma história de terror que acabou por transformar-se em apenas mais uma leitura igual a tantas aventuras que se encontra por aí.
 
Não penso que Joe Hill não seja talhado para a escrita de livros de terror, apenas acho que devia ser mais coerente na sua abordagem e não se deixar dormir à sombra da bananeira, que é como quem diz: não se deixar convencer que basta ser filho de Stephen King para vingar no mundo da escrita de terror.
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Passatempo: 100º Passatempo do FLAMES (em parceria com a autora Susana Esteves Nunes)

 
A autora Susana Esteves Nunes está imparável e acaba de editar o seu segundo romance! Ela não se esqueceu do FLAMES e por isso mesmo disponibilizou um exemplar do livro "Caminho Traído" para sortear no nosso passatempo que tem um número muito especial: 100!! :)

 

Sinopse
"Habituada a uma vida árdua e com uma grande falência de amigos e família, Amélia tenta, uma vez mais, superar e seguir aquele que é o seu destino. Embora tivesse sido abandonada, quando ainda um bebé recém-nascido, não vive obstinada por explicações sobre os motivos do seu abandono. Depois de deixar o orfanato, onde cresceu e foi criada até a maioridade, tem como objetivo conseguir independência financeira, através de um trabalho digno. Será esse emprego a sua salvação ou o seu calvário? Quando por fim, os amigos e o amor brotam na sua vida, e quando, finalmente, parece ter encontrado o seu caminho, Amélia depara-se com mais contrariedades. Conhecer o preconceito social, a traição e um amor perdido, não será fácil para esta jovem. Será ela capaz de superar mais esta adversidade? Poderá um amor resistir a tantos obstáculos? Um romance repleto de adversidades e traições. Onde o amor é a peça fundamental para um enlace feliz, ou será?"


O Verão está a chegar e esta capa remete-nos logo para viagens, calor e descontração, não acham? Para ganharem 1 exemplar deste livro, perfeito para o ler num momento mais descontraído, já sabem o terão de fazer! Preencham o formulário em baixo até ao dia 15 de maio...podem fazê-lo uma vez por dia! Boa sorte!
 
PASSATEMPO TERMINADO
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Lembram-se do Hulk Hogan?


Claro que se lembram... até porque Hulk Hogan continua muito activo na TV. Hulk nasceu a 11 de Agosto de 1953 e, como podem imaginar, não nasceu com este nome. De facto, o seu verdadeiro nome é Terrence Gene Bollea.
Hulk pesa cerca de 137 quilos e tem 2,01 cm de altura.
Foi lutador profissional e, no ring, teve vários nomes:

Hulk Hogan (o mais conhecido)
Super Destroyer
Sterling Golden
Terry Boulder
Hulk Machine
Immortal Hulk Hogan
Hollywood Hogan
Mr. America

A sua estreia foi em 1977.
Mas Hulk não é apenas um lutador. Em jovem, estudou gestão e música na Universidade.
Tornou-se, nos 80, dos lutadores mais lucrativos e importantes de todos os tempos. No entanto, toda a popularidade tem um fim e, nos anos 90, começou o declínio. Para além da perda de popularidade, entrou e saiu de vários tribunais por conta de problemas ligados ao uso de esteróides.
Em 2006 fez a sua última luta livre da qual saiu vitorioso.

Para além do ringue, Hulk foi também actor e participou em bastantes filmes, incluindo Rocky III. Apareceu, também, como personagem de jogos electrónicos.

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