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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

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22ª Entrevista: Pedro Guilherme-Moreira (escritor)


Pedro Guilherme Moreira


Pedro Guilherme-Moreira nasceu em 1969 na maravilhosa cidade do Porto. É advogado e escritor, tendo sido dos primeiros advogados a ganhar o Prémio João Lopes Cardoso. Ex-estudante da Universidade de Coimbra, publicou o seu primeiro romance em 2011,  “A manhã do Mundo” (Dom Quixote), e venceu o Prémio M.A. Pina de poesia em 2012. Vamos conhecê-lo um pouco melhor...

Qual é a sua nacionalidade: Portuguesa, com raízes francesas da bisavó Germaine
O seu Filme favorito: “O túmulo dos pirilampos” (vencedor absoluto, é criminoso não ser mais visto)
O seu Livro favorito: A Bíblia e, em geral, todos os livros sagrados: revelam uma síntese quase sempre admirável, às vezes preocupante, da natureza humana; e não sou uma pessoa religiosa;
O seu Anime favorito: “O túmulo dos pirilampos”
O seu Manga favorito: prefiro sem manga
O seu Evento/Espetáculo de música/Programa de Entretenimento favorito: sou viciado nos óscares, não quero saber se é fachada; ainda quero ver se ganho um.
A sua Série de televisão favorita: Lost

Este ano faz 12 anos que a tragédia do 11 de Setembro aconteceu. Como um autor que escreveu uma obra baseada neste acontecimento, sente que com o passar do tempo o impacto deste ataque terrorista vai ficando mais “adormecido” na mente das pessoas ou, pelo contrário, continua bem “vivo”?
PG-M: O 11 de Setembro é um dos raros acontecimentos históricos em que o que foi dito na altura, quase sempre sentenças disparatadas por não terem distanciamento, e que neste caso foi “haverá um antes e um depois do 11 de Setembro”, tem grandes hipóteses de se tornar verdade. Já é assim. Olha-se para trás e este dia está ali, cravado. Nunca vai ser esquecido. O interesse vai aumentar, tal como aconteceu com o holocausto. Mais pessoas vão querer saber porquê. É fundamental para entendermos o caminho em frente.

O vólei tem um lugar especial no seu coração... já pensou em escrever um livro exclusivamente sobre esse tema?
PG-M: Que fique claro: a minha vida não me interessa nada para os meus livros. Faço dela uma prostituta quando preciso de material de ligação, mas não me interessa o “eu”. Interessam-me os outros. Mas confesso que, se estiver vivo daqui a vinte anos, tentarei explicar ao mundo porque é que o voleibol nos toma a alma. Mas nos próximos vinte anos já tenho tudo tomado (sorrisos, muitos).



Se cada país fosse representado por um livro, que livro representaria Portugal e qual é que de certeza que não seria o escolhido?
PG-M: Difícil ultrapassar “Os Lusíadas”, embora a nossa grandeza como povo, que é a mesma desse tempo, esteja dentro, com medo de sair. E às vezes sai da forma errada, à bruta e sem classe. Entremos todos para um cavalo de tróia para que os nossos filhos se ergam. Um livro que não seria escolhido para representar Portugal, de certezinha absoluta (a pergunta é boa, caraças!), seria (posso dizer mais do que um? Iupi.) “A dieta dos 31 dias” (e daí...), ou....(espera lá, começo a perceber que todos os livros de todos os tempos podem representar Portugal. Não somos um povo magnífico?)

No seu livro, duas pessoas têm a oportunidade de evitar que o ataque ao World Trade Center ocorra. Se pudesse escolher uma data, apenas uma, para voltar atrás no tempo e refazer algo... qual escolheria?
PG-M: Essa data ainda está por vir, felizmente. Não posso morrer depois do meu filho e da minha mulher. Se isso acontecer, essas são as datas, ambas. Espero não viver nenhuma.

Pode contar-nos um pouco sobre a história da sua professora que ganhou uma fábula escrita por si quando lhe ensinou a fazer contas de dividir?
PG-M: A Dona Laura era uma senhora aparentemente severa. No dia em que fiz 40 anos, fui ao encontro dela. Um dia antes de o livro ser lançado no Porto, que foi o dia em que fiz 42, fui mostrar-lhe a badana onde ela fica imortalizada. Mas o mais importante acontecera trinta e cinco anos antes, na Ecola de Francelos: o assombro nos olhos dela quando leu a minha fábula é o único responsável de eu escrever hoje. Ainda procuro isso nos meus leitores. A Dona Laura ainda é viva e está bem, embora tenha tido uma vida difícil e nunca se tenha casado ou tido filhos. Tem-nos a nós. E vejam como a vida é curiosa: vivíamos no mesmo lugar quando ela foi minha professora, mas ela saiu de Francelos pouco depois de se reformar. Hoje vive nas traseiras do meu escritório, no centro de Gaia.

Numa entrevista a um outro blogue referiu que “As miúdas tornam-se giras quando gostam de escritores”. Existe um número mínimo para nós mulheres nos tornarmos giras? Ou assim que gostamos de um escritor já ficamos giras? E se gostarmos de muitos ficamos mais giras que as que gostam só de um? ;-)
PG-M: Essa era uma pergunta provocatória do Tito Couto para os booktailors, como são quase todas as perguntas do Tito, e foi respondida com a mesma boa disposição. A pergunta era “As miúdas giras gostam de escritores?” Não está fixe, a resposta? Hein? Em rigor, detesto viver esse charme especial que tem a escrita e de sentir essa curiosidade pelo bicho. Gosto muito da mulher, considero uma obrigação activar quimicamente o encantamento heterossexual, que é o que represento, mas não por esse motivo. Acho detestável as pessoas que guardam os olhares e os sorrisos. Mas se eu os distribuo não é por ser escritor. Como advogado tenho um humor impossível de aturar, detesto o cinzentismo dos tribunais, gosto de quebrar jarras. Se virem bem (e não que vocês o tenham feito), essa minha resposta retirada do contexto torna-me detestável. É por isso que vou fazer aprovar na A.R. um novo crime: “Retirar do contexto”.

Em todas as nossas entrevistas pedimos à pessoa entrevistada para deixar uma pergunta para a próxima pessoa a entrevistar. No seu caso, foi o autor Paulo M. Morais que lhe deixou uma pergunta (pode ver a sua entrevista aqui - http://flamesmr.blogspot.pt/2013/08/entrevista-paulo-m-morais.html). A pergunta foi: Quando tem de “matar” alguma das suas personagens, emociona-se? Chega a chorar quando dá cabo dela?
PG-M: Há mortes literárias que fazem rir. Outras fazem chorar. Mas prefiro dizer que evito matar gente. Mas quando começo a matar é uma razia. Tarantino ou anti-Tarantino.

Agora é a sua vez... Pedimos-lhe para deixar uma pergunta ao próximo entrevistado, mesmo sem saber de quem se trata:
PG-M: Tens a mania, não tens?
(convém explicar ao perguntado que eu não sabia quem ele ou ela eram quando fiz esta profundíssima pergunta)


PG-M: Declarações finais: quero agradecer à Mariana e à Roberta o trabalho que têm desenvolvido pela divulgação literária. A luso-italiana Roberta Frontini fisgou-me no “Não há feira, mas há escritores”, semana um, com aqueles olhos claros terríveis, e sou hoje um dos seus muitos apaixonados. Já me declarei e tudo. Ahahah. A Mariana é de Oliveira de Azeméis e já me prometeu uma saca de pão d'Ul. Não sei do que está à espera. Ah, e a entrevista está muito bem feita. Fossem todas assim. Acima de tudo, são duas boas meninas. PG-M 2013
Muito obrigada ao Pedro pela simpatia e disponibilidade!

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4 comentários:

  1. Um escritor bem humorado :) Gostei muito.

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  2. Por acaso foi um escritor que nos deixou muito à vontade por ser tão bem disposto :)

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  3. Ok.. não gozem comigo mas.. estive o filme INTEIRO à "procura" do pão d'Ul e nunca vi qualquer referência. Será que a minha tradução era assim TÃO má? :(

    Roberta

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    Respostas
    1. Sou mesmo burra... não sabia que o Pão D'Ul era da tua terra Mariana... não me mates ok?
      Roberta :)

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