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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

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Livro: A Sul de nenhum Norte


Título Original: South of No North 
Ano de edição: 2016 
Género: Drama 
Autor: Charles Bukowski 
Editora: Alfaguara 


* Por Mariana Oliveira *


Em determinadas obras opto por lê-las sem saber nenhuma informação prévia. Sinopses ou críticas ficam completamente de parte quando decido mergulhar numa história sabendo o mínimo possível. Foi precisamente isso que decidi fazer com um dos títulos mais chamativos que me passaram pelas mãos nos últimos tempos: A Sul de nenhum Norte. 


Sinopse:
"Uma colectânea de 27 contos. Um homem compra um manequim feminino pelo qual se apaixona perdidamente. Um escritor alcoólico e frustrado alcança o sucesso mas não se liberta do vício. Dois vagabundos partem para um assalto nocturno e acabam transformados em assassinos. Bêbedos, escritores falhados, prostitutas, ladrões, pugilistas, bandidos: os personagens que povoam as páginas destes contos são velhos conhecidos do mundo narrativo de Bukowski. Um mundo pobre, sujo e feio, retratado com absoluta lucidez mas também com uma profunda compreensão e empatia. A América das ruas, dos bordéis, das salas de jogo, dos bares mais esquálidos e das pessoas mais esquecidas. A América que não conheceu o Grande Sonho e de que Bukowski foi sempre, talvez, a voz mais autêntica. Considerado por muitos como o melhor livro de Bukowski, "A Sul de Nenhum Norte" é o retracto cru e fulgurante dos americanos que desistiram da sociedade e até de si mesmos. Uma reflexão que Bukowski faz com particular genialidade e domínio literário na economia e alvos das suas palavras. 


Opinião:
Há vários anos que sentia uma imensa curiosidade em ler algo de Bukowski mas até agora a oportunidade nunca se tinha proporcionado. Por isso mesmo, foi com um misto de histerismo e expectativa que iniciei esta leitura. 
Contudo, qual não foi o meu espanto quando me deparei com contos cujos protagonistas são ladrões, violadores, prisioneiros, caloteiros e alcoólicos. Foi a primeira vez que me confrontei com uma obra assim e a palavra que encontro para melhor descrever o que senti foi: chocada. Não estava à espera que o autor me apresentasse de uma forma tão crua uma América a anos-luz do famoso sonho americano. 
Charles Bukowski não poupa nos adjectivos fortes, nos verbos violentos e nas situações repugnantes. Se a intenção do autor era a de chocar, pois bem comigo conseguiu cumprir o seu propósito por completo! 
É evidente a crítica social e até política que o autor pretende fazer com a sua obra, ao denunciar o que de mais degradante existia à época na sociedade americana. Sendo um país comummente retratado como o local onde todos os sonhos se podem concretizar, o autor decidiu demonstrar que também existe uma classe degradada, sem rumo e com dificuldade em se inserir na restante sociedade. Será que os restantes cidadãos podem fazer algo para alterar essa situação? E o que dizer dos governantes?
Se tivesse lido a sinopse antes de embarcar nesta leitura, com certeza que a chapada na cara não teria sido tão violenta. No entanto, da forma como as coisas aconteceram, dei por mim perante a leitura que mais me chocou nos últimos tempos. Confesso que não estava nada à espera desta surpresa e não considero que estivesse preparada.
Serão assim os outros livros de Bukowski? Confesso que fiquei cheia de curiosidade em sabê-lo. Contudo, aprendi a minha lição: na próxima vez leio primeiro a sinopse!

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