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domingo, 12 de março de 2017

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124º Entrevista do FLAMES: Kika



KIKA

Kika está de volta com novo álbum: “Love Letters”. O álbum contou com a produção executiva de RedOne, célebre produtor que já trabalhou com algumas das maiores estrelas pop da atualidade – Lady Gaga, Nicki Minaj, Jennifer Lopez, One Direction, entre outros – e com quem Kika já tinha colaborado no disco anterior, “Alive”. Este foi o pretexto para uma conversa connosco!

A todos os artistas o FLAMES pergunta...

Quais são os artistas que mais te inspiram?
Gosto particularmente da Adele, sempre gostei desde o álbum de estreia o 19 para o 21, para o 25… Ela faz uma coisa que eu gostava de conseguir fazer que é, não precisa de fazer uma música com uma batida muito forte, uma música muito energética e mesmo assim as pessoas respondam da mesma maneira. Acho que ela faz isso através das letras. Quem me dera escrever letras assim. Depois gosto da Joss Stone que é uma coisa mais soul, mais blues, e que acho que é um bocadinho diferente do pop geral e, portanto, reconheço-lhe muito mérito. Mas eu ouço muita coisa, desde blues a jazz…

Há algum local onde gostarias muito de poder actuar, ou onde gostarias muito de poder voltar a levar este teu novo trabalho?
Não sei… Na realidade todos os concertos que eu fiz (ou pelo menos a grande maioria dos que fiz com o meu primeiro disco) foram em espaços abertos e muito grandes. Cheguei a fazer o Rock in Rio, o Marés Vivas e assim.. .e gostei imenso! Mas por acaso gostava, com este álbum, de tentar uma vertente um bocadinho mais íntima, com as salas mais pequenas, ou tocar num sítio onde as pessoas pudessem estar sentadas. E tenho sobretudo, o sonho de um dia tocar, mas isto não sei se algum dia seria possível, num concerto no Rio de Janeiro, no cimo de um monte num pôr do sol! Isso era um sonho mas no Brasil ninguém me liga nenhuma, (risos) mas no dia em que ele ligar eu vou lá (risos).

Acho que ia ser muito bonito... Lembras-te de alguma situação caricata que tenha ocorrido numa das tuas actuações?
Uma vez numa FNAC aconteceu uma cena mesmo estranha numa das primeiras vezes em que lá toquei. Estava na FNAC do Porto e antes de começar a cantar estava a andar pelos corredores da FNAC. Isto não tem piada nenhuma, mas na altura achei curioso. Havia um miúdo que me andava a seguir pelas alas. A princípio achei que estava a ser um bocado paranóica, que ele não me estava a seguir a mim, que devia só estar a escolher uns livros e assim… então saí da FNAC e ele também saiu! Desci as escadas e ele também! Fui até à garagem e ele também. Comecei a entrar em pânico. Eu estava ao telefone, e ia dizendo o que se passava, mas ninguém acreditava em mim. Então depois tive que ir ter com o segurança do parque e fingir que estava a ter uma conversa com ele e o miúdo desapareceu. Tenho também um novo manager que é o Quintela, que está sempre a fazer piadas, mas as pessoas não acham piada nenhuma! Do género, as pessoas pedem-me um autógrafo e ele diz “Tome de 8 em 8 horas”. As pessoas ficam revoltadas porque ele não tem mesmo piada nenhuma. Mas não me estou a recordar assim de uma situação muito caricata...

Eu acho que isso já é bastante caricato... Que mensagem gostarias de ver ser erguida num cartaz durante um concerto teu?
Não sei, mas por acaso leio sempre esses cartazes porque são grandes e saltam à vista… Mas eu tenho sempre um bocadinho de receio que este álbum não seja tão bem-sucedido por não ser tão… tão “rádio” ou tão pop como os anteriores…! Por isso desde que eu não veja coisas do tipo “Sai do palco” já fico feliz (risos). Algo tipo “Este novo CD é um máximo” eu gostava de ver, mas não tenho desejo de ver nada em particular.


À KIKA o FLAMES pergunta…

Ficaste conhecida ainda muito jovem. Sentiste na altura que os restantes artistas portugueses já te respeitavam como artista mesmo sendo tão nova? Ou sentiste que te tiveste de esforçar mais que os outros?
Eu não senti muito isso! Quer dizer eu também não tinha muito contacto com muitos artistas, e por isso não tinha uma opinião muito formada sobre isso. Mas tinha sempre receio que por ser nova eles tivessem um bocadinho de pé atrás. Não sei... Mas não me interessava assim tanto, porque os músicos com quem eu sempre trabalhei e que eu respeitava muito, gostavam de mim. Diziam que mesmo que alguém pudesse dizer alguma coisa, do género, “eh pá, a miúda é muito nova, não canta nada”, eles diziam “não é verdade, canta mesmo”. Ou seja, a opinião deles para mim era a mais bem formada que havia, e era boa sobre mim! E não era só por estarem a trabalhar para mim não é? Senão mais valia ficarem calados se não tivessem nada de bom para dizer. E isso sempre me deu um bocado de conforto. Conheci também o Pedro Abrunhosa e ele só teve coisas espectaculares a dizer sobre mim, portanto fiquei muito feliz. Mas não faço ideia se os restantes gostam ou não. (risos)

Qual é a tua maior fonte de inspiração?
Não faço ideia. Eu nunca me inspirei em ninguém. Sempre ouvi muita coisa e sempre cantei de uma maneira específica. Qualquer música que eu cantasse podia ser muito diferente uma da outra, mas acabam sempre por soar a mim de certa forma. Por exemplo, na RFM fiz um cover de uma música chamada “The Pretender” dos Foo Fighters e a música é assim meio metal, tipo rock e na altura disse ao meu pai “vou fazer esta”, e ele disse “és maluca, não faças isso, essa música é horrível”. Mas eu lá cantei a música e ele adorou porque eu faço umas versões muito próprias. Eu acho que se me inspirasse mesmo em alguém era na Adele pelo prazer que eu tenho em ouvi-la, e só esperava que os outros tivessem também. E acho que ela não tenta ser demasiado exuberante e mesmo assim as pessoas gostam dela, não é? Por exemplo, eu adoro a Beyoncé, mas não tem nenhum desejo de dançar com 10 dançarinas e uma produção, uns holofotes todos… É por isso que admiro a Adele por conseguir, mesmo não tendo aquelas coisas todas, captar o mesmo tipo de atenção.

Tirando os artistas, tu costumas basear-te mais em coisas que te acontecem ou…
Bem, a maior parte dos meus temas não fui eu que os escrevi, escreveu um compositor que trabalhou comigo no meu primeiro álbum. Ele fez um trabalho extraordinário nesse álbum, e como compositor também cresceu muito. Eu entrei praí em 3 ou 4 temas desta álbum. Há artistas que usam vivências pessoais nos seus temas, mas como a maioria das minhas músicas são em relação a corações partidos, e como eu nunca tive nenhum desgosto amoroso.. eu acabo por falar naquilo que ouço. Por exemplo, eu acabo por falar nas minhas amigas todas. Inclusivamente escrevi uma das músicas com uma das minhas amigas, e ela escreveu uma que é a "Next to you" e vamos bebendo um bocado das vivências umas das outras. Eu de facto não tenho tido um papel preponderante enquanto letrista no álbum porque na verdade eu só quero mesmo pegar num tema e escrever eu a letra quando eu sentir que tenho realmente algo de interessante para contar. 

Como consegues conciliar o teu trabalho e o estudo?
No início foi um bocadinho mais complicado porque havia muito mais coisas. E na realidade, no último ano, eu estive um bocado parada. Fui aparecendo, mas estive a trabalhar neste segundo álbum e estive a tentar fazer uma coisa com a qual eu me identificasse mais. Eu lancei o primeiro álbum, depois tive muitos concertos, e depois a certa altura eu senti que as músicas davam a entender que eu tinha uma presença que não era a que ía ter. Nalguns momentos parecia, por exemplo, na música Can't Feel Love Tonight, houve uma versão de dança que fizeram, e as pessoas íam para lá saltar e não era isso que eu queria fazer. E então decidimos alterar um bocado o estilo para se adequar um bocado mais a mim. Nessa altura eu tinha a escola... mas não precisava de estar lá sempre, e consegui manter boas notas na mesma. Agora na Universidade, com uma dupla licenciatura, eu ainda não sei bem... estou agora a começar com as entrevistas, rádio, etc., mas tudo bem. Não sei.. vou ter de arranjar tempo, quando se quer o tempo arranja-se! E eu também sei que nunca vou descarrilar nos meus estudos porque os meus pais davam-me um sermão (risos) e nunca íam deixar isso acontecer. Mais depressa me tiravam da música do que dos estudos. Portanto, vou ter de conseguir. 

Já tens 2 videoclips relacionados com este teu novo álbum. Tens um papel mais participativo da decisão dos vídeos? Como é que se processou a criação dos vídeos?
Não, eu nos vídeos não tenho opinião. Não é que não ma dêem, mas eu de facto não tenho. Eu não sei como é que se produzem vídeos, eu não sou boa nisso, e portanto na parte da música, sim senhora opino e na parte dos instrumentos também, agora, deixo quem sabe fazer! Desde que não me sinta desconfortável! Se me pedissem para fazer uma coisa que eu sei que me faria ficar desconfortável, eu ía-me pronunciar. Eu vou fazendo o que me dizem porque realmente não percebo como se processam as coisas. Não vou fingir. Também não gostava que alguém chegasse e me dissesse como é que eu havia de cantar a minha música. (risos)

A tua música tem estado bastante associada à novela “Amor Maior”. Como foi quando soubeste que a tua música faria parte de uma novela tão querida pelos portugueses. 
Sim, e já tive outras duas músicas noutras novelas. Estas coisas acontecem através da editora/discográfica. Por acaso as pessoas dizem-me que várias das minhas músicas dão para estas coisas, porque parecem acompanhar algum tipo de enredo. Então quando a discográfica me manda mails a dizer "Olha a SIC quer usar isto" eu respondo sempre "Sim!" Nem olho para as condições porque eu acho que é sempre bom para mim. As pessoas depois acabam por associar a música às personagens e assim criam uma relação mais próxima com a música do que teriam se só a ouvissem na rádio por exemplo. E eu acho isso espectacular. Vejo sempre, acho um máximo! E depois acho engraçado quando vou ver os comentários às minhas músicas, no youtube e no facebook, e alguém diz "ah o Francisco e a outra trouxeram-me aqui" e eu acho um máximo (risos). 

Por acaso eu reparei nisso, quando fui ao youtube e vi pessoas a referir nos comentários que chegaram a determinada música por causa de algumas personagens...
Acho mesmo piada porque acho que as pessoas de facto associam aquela música a determinadas personagens.. Eu acho isso espectacular. 

Este disco surge 3 anos depois do anterior. Como era a Kika na altura e como está ela agora em termos musicais?
Eu acho que há imensas diferenças. Em particular, e a mais óbvia, é que a minha voz mudou imenso. É que eu sou muito nova e nestes 4 anos, claro que a minha voz engrossou... Lembro-me perfeitamente quando a minha irmã me disse "olha, vamos ouvir outra vez o teu primeiro álbum" e eu ouvi e disse "Meu Deus, eu não me lembrava da minha voz ser assim". Disseram-me que pareço mais velha, mas mentiram-me, porque eu vou ouvir e de facto a minha voz parece a de uma criança. Essa é a diferença que eu acho que, obviamente, se nota muito. A nível pessoal, acho que ganhei mais conhecimentos a nível de música. Fiquei mais ciente de tudo a nível dos instrumentos. Fiquei com uma opinião muito mais informada sobre o que queria ou não para as minhas músicas, e também com uma confiança muito maior para expor essa minha opinião. Antes os músicos diziam: "Vamos fazer assim" eu achava que não gostava e dizia-lhes, mas eles respondiam que gostavam a eu acabava por ceder. E agora, como sinto que já percebo mais, já tenho outra confiança para dizer que não gosto mesmo de algo. Ganhei assim maior intervenção no processo de gravação e de criação, sobre os estilos e ritmos das músicas. Nesse sentido fiquei então mais confiante e mais interventiva. Mas isto é algo que ocorre mais no background. As pessoas não vão propriamente aperceber-se disto. Mas pelo menos assim tenho ideia que faço agora uma música que se adequa muito mais ao que eu quero fazer

Por fim, o que é que as pessoas podem esperar deste teu novo trabalho?
É claro que eu sou suspeita, mas eu gosto mesmo muito do álbum! O disco tem muita música, 16! E na altura, nós não sabíamos onde é que havíamos de cortar. É um sentimento óptimo para nós, perceber que não há nada que quiséssemos retirar dali. Já no primeiro álbum isso não aconteceu. No primeiro álbum nós andávamos à procura de músicas para fazer o álbum. Aqui foi o contrário. Nós a certa altura tínhamos cerca de 20 músicas. Acho que o álbum tem, sobretudo, uma sonoridade muito mais coesa. No primeiro disco isso já não acontecia. Havia músicas que se destacavam, como se fossem de uma outra artista, se as pessoas não soubessem que estavam no mesmo disco. Havia estilos muitos diferentes, e agora acho que as coisas estão muito mais homogéneas.. as letras estão lindas (e não fui eu que escrevi por isso posso dizê-lo).. histórias lindas... 
E o nome do CD "Love leters" [Histórias de amor] tem mesmo a ver com isso. Todas as músicas são uma espécie de carta escrita por alguém para alguém... Não foram escritas por mim, mas eu interpreto-as como se fossem. Portanto acho que há muitos sentimos naquelas musicas.. espero que as pessoas gostem! É um trabalho que reflecte muito aquilo que eu sou e a artista que eu quero ser!

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