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terça-feira, 18 de março de 2014

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31ª Entrevista: Melech Mechaya (Banda portuguesa)



Melech Mechaya

Os Melech Mechaya foram formados em 2006 e nós que já fomos aos seus concertos podemos prometer-vos que é impossível manterem muito tempo os pés no chão. São apontados como a primeira e mais proeminente banda de música Klezmer em Portugal e acreditem que nunca viram, nem ouviram, coisa igual! Pessoalmente achamos que eles ao vivo são fabulosos porque, para além de tocarem maravilhosamente, têm uma interação com o público que é fora do comum. Não é por acaso que Salvatore Esposito, da revista italiana BlogFoolk, os considerou “um dos casos mais interessantes da cena musical portuguesa”. Têm lançados o EP “Melech Mechaya” (2008) que temos orgulhosamente autografado pelos membros da banda, e o LP “Budja Ba”, onde participam as Tucanas (2009). Em Outubro 2011 lançaram ainda o álbum “Aqui Em Baixo Tudo É Simples” que conta com a participação da fadista Mísia e do trompetista norte-americano Frank London. Este álbum foi considerado pela revista Blitz como um dos melhores álbuns do ano e foi lançado internacionalmente em Maio de 2012. Desde aí, a banda tem percorrido o mundo, desde Espanha à Croácia, Brasil e Cabo Verde. Os Melech Mechaya trabalham também no teatro e no cinema, pelo que eram uma banda obrigatória para ser entrevistada pelo FLAMES. 

Nome dos membros da banda
João Graça (violino) - JG
Miguel Veríssimo (clarinete) - MV
André Santos (guitarra) - AS
João Novais (contrabaixo) - JN
Francisco Caiado (percussão) - FC

A todas as bandas/músicos, o FLAMES pergunta...

Qual o significado do nome da vossa banda?
MV: "Melech Mechaya" significa "Os Reis da Festa" ou "Os Reis da Alegria" em Hebraico. A humildade do mesmo só é comparável com a facilidade de pronunciar!

Músicos / Bandas favoritas que vos inspirem:
MV: Beatles, pois claro. Mais recentemente o novo dos Dead Combo  [vejam a entrevista que o FLAMES lhes fez aqui] parece muito interessante, o incontornável Sérgio Godinho, Divine Comedy, Radiohead...
JN: Por acaso acabo de vir do concerto dos Dead Combo, foi muito bom. Gustavo Santaolalla, Jaga Jazzist, Phronesis, Dexter Gordon, Carlos Paredes, Carlos Bica, Stravinsky.....
FC: Radiohead, NIck Cave, PJ Harvey, Tom Waits, Damon Albarn, Klezmatics, John Zorn, Zeca Afonso, Ornatos e claro Dead Combo
AS: Gosto muito de Flamenco, especialmente de Paco de Lucia e Vicente Amigo. John Zorn e Portico Quartet têm o lugar especial na prateleira dos discos mais ouvidos. Não posso deixar passar o Ricardo Ribeiro e o Pedro Joia que tanto me ensinou.
JG: Avishai Cohen, Mayra Andrade, Arcade Fire.

Local onde mais gostariam de tocar:
MV: Fazer os Coliseus em nome próprio seria algo especial, claro.
JN: Gostava de fazer concertos para a rua na janela de casas de pessoas aleatórias...
FC: Em barbearias por esse mundo fora, gosto da ideia de tocar enquanto um bigode está a ser aparado.
AS: Carnegie Hall, já que podemos sonhar...
JG: Centro Cultural de Belém
  
Lembram-se do vosso primeiro ensaio? Onde foi:
MV: Lembramos pois, ainda hoje se sente o cheiro naquela sala... Foi numa garagem no Feijó, em Almada. Ensaiámos lá muitas vezes.
JN: Não foi na garagem, foi no escritório da casa dos meus pais.
FC: Foi no escritório da casa dos pais do João
AS: Lembro-me bem desse escritório e desse ensaio. Algo entre o caos e a alegria!
JG: Foi no escritório da casa dos pais do João, num fim de semana. Ainda não nos conhecíamos todos, mas foi como se nos conhecemos. Um ambiente leve e descontraído.

Quem compõe as músicas?
MV: Depende. Normalmente um de nós chega com uma ideia (uma melodia, um ritmo, um ambiente, qualquer coisa) que pode estar muito desenvolvida ou quase embrionária. Depois em conjunto trabalhamos o arranjo.
JN: Quem quiser... Algumas já estão compostas, são tradicionais, ou de outros autores.
FC: A composição é livre mas tem depois de passar pelo aceitação democrática dos elementos da banda.
AS: O Sr. Inspiração! 
JG: Todos podemos compor. Só que nem todas passam no tribunal Mechaya.

Que cartaz/mensagem gostariam de ver a ser erguida no meio do público?
MV: "Fiz este cartaz só para chatear quem está atrás de mim"
JN: Lá lá lá lá lá , Ei
FC: "Obrigado pelo Desprazer!"
AS: "Toca a outra" 
JG: "Deixem-me subir ao palco"

A pergunta de sempre... como se conheceram e como decidiram começar esta banda?
MV: Obrigaram-me!
JN: Foi o André.
FC: Esta resposta terá de ser respondida pelo AS.
AS: O Graça e Miguel estudavam comigo no conservatório, o Novais era da escola de puto e tanto ele como o Caiado já tinham tocado comigo noutros grupos. A decisão para começar os Melech foi porque lhes prometi serem famosos e como são todos uns vendidos aceitaram na hora eheheh
JG: Não nos conhecíamos a todos. O André e um livro de partituras vindo de Moscovo foi o elo de ligação entre nós.

Aos Melech Mechaya o FLAMES pergunta...

Têm tido uma aceitação internacional fantástica… sentem diferenças entre o público português e o internacional?
MV: A fruta podre tem o mesmo ar em todo o mundo! As diferenças são muito ténues. Creio que o facto de fazermos música maioritariamente instrumental que ajuda, pois de alguma maneira se torna numa linguagem mais universal sem a barreira linguística.
JN: Pouca, mas os portugueses são mais bonitos.
FC: Os públicos tendem a ter um comportamento semelhante perante a nossa música. Suspeição, Surpresa, Aceitação e Arremesso de fruta podre ou Dança/Alegria.
AS: Acho que o ponto principal é mesmo a música ser tendencialmente instrumental e a mensagem fica mais universal. Mas há diferenças claro, é raro o sítio de Portugal que o Graça não tem um amigo no público, logo ai influencia a aceitação do mesmo!
JG: Acho que tenho destruído alguns mitos. Por exemplo, o público que temos conhecido no Norte da Europa é igualmente entusiasta e caloroso. Digamos que o público que nos vem ouvir partilha o mesmo espírito de procura.

Nos vossos discos têm trabalhado com outros artistas. Existe algum artista com o qual gostariam particularmente de trabalhar?
MV: Imensos, o problema é eles quererem trabalhar connosco!
JN:  Neste momento gostava que nos convidassem.... 
FC: Seria uma honra trabalhar com qualquer uma das nossas influências. Em particular gostaria muito de trabalhar com o Damon Albarn.
AS: A pergunta é: Será que algum artista gostaria de trabalhar convosco? 
JG: A lista é enorme, mas é difícil individualizar. A seu tempo pensaremos nisso outra vez.
  
É fácil conciliar o trabalho da música com o teatro e o cinema?
MV: O trabalho que fazemos para teatro e cinema é bastante pontual, não é algo frequente como os concertos. Aliás, o nosso trabalho com teatro e cinema é sempre e só com a música.
JN: É muito difícil,  mas agente aguenta.
FC: Sim até agora tem sido fácil também porque temos trabalhado com pessoal muito profissional e humano.
AS: É uma trabalheira! 
JG: Não, trabalhar em cinema (leia-se filmar telediscos, gravar em novelas, filmar curtas-metragens) é algo em que investimos pouco do nosso tempo. Mais trabalho temos com os ensaios e a preparação do espectáculo ao vivo.
  
O tipo de música que tocam não é o mais tradicional (ou melhor, não é música para as massas), no entanto é um estilo que atrai, nos vossos concertos, uma grande diversidade de pessoas, e parece que ninguém consegue ficar indiferente quando vos ouve. Porque acham que isso acontece?
MV: Há malucos para tudo...
JN: Acho que é a velha máxima "perdido por cem.....perdido por mil..." 
FC: Hum acho que é difícil haver indiferença perante algo desconhecido e estranho. Seria o mesmo que alguém ter um encontro de 3º grau com um alien e simplesmente ignorá-lo.
AS: Ficam com medo das ameaças que fazemos...
JG: Ainda estou hoje para perceber isso. Para mim é-me muito difícil colocar-me como espectador do nosso espectáculo. Estou perdidamente enviesado (por ter ouvido tantas vezes as músicas). Mas acredito que possa haver algo no ritmo e na harmonia (típica da sonoridade klezmer) que fascine algumas pessoas.

Alguma vez vos passou pela cabeça terem uma aceitação tão grande lá fora?
MV: É uma aceitação relativa, pois apesar de termos tocado em muitos países ainda são os primeiros passos. Mas, como começámos, nunca pensámos nisso.
JN: Cada novo local onde vamos tocar é um orgulho. Desde que nos juntámos, nunca imaginei que Melech Mechaya me levasse a tantos sítios.
FC: Nunca pensamos profundamente no longo prazo, mas essa aceitação tem sido uma agradável e motivadora experiência.
AS: Nunca me passou pela cabeça tocar fora de Lisboa, logo tudo o resto que veio...
JG: Não. Era um sonho, literalmente. Agora um objectivo.

Têm alguma história caricata relacionada com as vossas digressões (que possam contar claro)?
AS: Lembro-me de uma vez estarmos a tocar nos Açores e alguém da produção veio por uma bandeja com copos de cerveja na frente do palco para nós. Entretanto estava lá um Sr. ligeiramente alcoolizado que além de começar a gritar "vão-se embora!!!" com toda a alma, acabou por chegar à frente do palco e bebeu as nossas cervejas o mais rápido que pode antes de acabarmos a música.

Mais informações e próximos concertos em: www.melechmechaya.com

Dia 24 de Março sai o novo disco dos Melech Mechaya "Gente Estranha"... fiquem atentos

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2 comentários:

  1. Entrevista super engraçada. Não conhecia a banda mas fiquei curiosa. Vou ouvir!

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    1. Eles são fenomenais Eunice. Especialmente ao vivo. Nunca vi uma banda assim. E foram muito engraçados na entrevista sem dúvida. Obrigada por ter passado.

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Obrigada por ter passado pelo nosso Blog e por comentar! A equipa do FLAMES agradece ;)

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