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terça-feira, 4 de novembro de 2014

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88ª Entrevista do FLAMES: Luísa Sobral (artista portuguesa)


Luísa Sobral

(Ilustração de Catarina Sobral)

Luísa Sobral não é só cantora mas é também uma compositora portuguesa. Com apenas 16 anos ficou conhecida ao ter ficado em 3º lugar no programa Ídolos da SIC. Mas esse seria apenas o início de uma fantástica carreira. Esteve nos USA onde se licenciou em 2009 e em 2011 lança o álbum de estreia "The cherry on my cake". Já em 2013 lança "There's a Flower In My Bedroom". Dia 03 de Novembro saiu o seu mais recente disco e nós entrevistá-mo-la a propósito dele.

A todos os artistas o FLAMES pergunta...

Quais são os artistas que mais te inspiram?
Hum... (pensa um bocado) acho que talvez os Beatles, Tom Waits, Bob Dylan, Carlos Tê ou João Monge que me inspira principalmente na parte das letras...

Qual é o local onde mais gostarias de actuar?
Em Carnegie Hall... em Nova Iorque.

Que cartaz ou mensagem gostarias de ver a ser erguido num dos teus concertos?
Hum... não sei! Sinceramente eu não ligo muito a essas coisas dos cartazes.

Lembras-te de alguma situação caricata que tenha ocorrido num dos teus concertos?
Sim. Uma vez parti um dente num concerto. Quer dizer, não foi bem o dente, o dente parti quando era pequenina, foi a massa, mas a verdade é que passei o concerto todo a passar com a língua lá...

Mas ninguém se apercebeu?
Sim, o meu pai (risos). O meu pai achou que eu estava um bocado ordinária, até me perguntou "estás com um novo tique?" e eu disse-lhe "não pai, parti o dente". Depois tive de ir tratar disso que ainda tinha um concerto no dia a seguir no Porto.

À Luísa Sobral o FLAMES pergunta...

Em 2012 editaste o teu primeiro disco em Portugal, depois de teres passado alguns anos a viver no estrangeiro. Em 2013 seguiu-se o teu segundo trabalho e ambos tiveram uma aceitação excepcional por parte do público português. Ficaste surpreendida com a forma como foste recebida pelos fãs de música do nosso país? 
Vou responder da forma como costumo sempre que me fazem uma pergunta do género. Eu acho que nós achamos sempre que o nosso trabalho vai ter algum tipo de reconhecimento. Se o nosso trabalho não vai ser reconhecido, ou se achamos isso, então simplesmente não vale a pena. Eu queria muito gravar um disco, quando foi a primeira vez, e eu acreditava que iria ter gente que fosse gostar. Quer dizer, eu tinha de acreditar. As pessoas normalmente respondem de uma forma assim mais... humilde, mas a verdade é que se não acreditássemos, então não valeria a pena.

O teu novo álbum é dirigido para o público infantil. O que pretendes alcançar com esta abordagem musical completamente diferente? 
Isto era uma coisa que eu já queria fazer há muito tempo. Eu sempre soube que na minha carreira isto iria acontecer. Achei que depois dos dois discos este era o timing perfeito. Como ainda não estou a trabalhar no meu terceiro disco (sem contar com este para crianças claro), e como vou recomeçar com uns novos concertos daqui a uns meses, senti que tinha tempo. Para além do mais, neste momento eu já tenho uma certa credibilidade, ou seja, eu sei que com este disco eu não vou ser rotulada de "cantora de músicas infantis" então para mim esta era a altura certa.  

O título deste terceiro disco tem origem numa das brincadeiras preferidas de uma geração: a língua dos “Pês”. Achas que a tua geração teve uma infância muito diferente da que as crianças têm hoje em dia? 
Todas as gerações têm infâncias diferentes e têm alguma coisa de diferente das outras. Há sempre algo de novo. No meu caso especifico e comparando com hoje em dia, sinto que a tecnologia veio mudar muita coisa. Quando eu era mais nova já se sentia um pouco estas novas tecnologias, mas era tudo muito básico. Havia a TV, havia computadores com disquetes enormes, mas as crianças não mexiam muito nestas coisas, eram coisas mais para as empresas e isso... Portanto, para além da TV a minha infância não teve essas coisas. Hoje vemos crianças a mexer em tablets com 3 anos! E acho que por causa de não termos tido estas coisas, a nossa geração é uma geração muito mais criativa, aproveitávamos muito mais para brincar ao ar puro e com a Natureza. Hoje em dia é difícil deixarmos as crianças irem para a rua.. Há mais perigos. 

Neste teu novo trabalho abordas diversos temas, desde a amizade das crianças com o seu animal de estimação até ao vício das novas tecnologias. Como foi o teu processo de selecção para escolheres quais os assuntos sobre os quais querias cantar? 
Eu fui pensando em coisas que aconteceram comigo na minha infância. Quer dizer, na verdade eu não tive um animal de estimação na minha infância, nem as novas tecnologias (risos), talvez tenha pensado na minha infância em todas as músicas menos nessas duas. Acho que os miúdos quando podem ter um cão ou um animal de estimação quando são novos, acabam por ter uma amizade muito bonita. Gosto muito dessa amizade, e hoje tenho um cão e sei bem o que isso é. Mas nas outras músicas foi isso que fui fazendo, fui pensando em coisas que se passaram na minha infância. Coisas que por exemplo odiava. Por exemplo, eu odiava que me fossem deixar à porta da escola e que me chamassem nomes carinhosos que só se deveriam usar em casa. E falo nisso numa das músicas. Outra coisa, por exemplo, a questão de quase todas as raparigas acabarem por gostar do mesmo rapaz. Enfim, coisas que nos acontecem na infância, que na altura nos irritam, mas que agora nos fazem rir ao olhar para trás. Coisas que hoje têm piada. Depois tenho duas canções um pouco mais moralistas, a do bullying em que falo nos miúdos que gozam com alguém e a das novas tecnologias, mas eu tentei que as músicas não fossem muito moralistas.

Porquê?
Porque eu não queria estar ali a dar uma lição de moral. Temos essas mas depois achei que devia meter um travão. Foram suficientes. 

O tema “Onde foi o avô” fala sobre a morte do ponto de vista de uma criança, enquanto o tema “Todos gozam” aborda a questão do bullying e as consequências deste na vida das suas vítimas. Qual esperas que seja o impacto destas canções com temáticas tão fortes? 
Na verdade eu nunca sei se as minhas músicas vão ter algum impacto ou não. Se o fizesse estaria a ser prepotente. Eu prefiro escrever e depois se tiver algum impacto em alguém, óptimo! Por exemplo, com a música do bullying, eu não estava a pensar na pessoa que sofre. Eu queria era que as crianças que gozam e tratam mal as outras ouçam a letra com atenção e tenham a noção de que gozar tem um impacto importante na vida da outra criança. Mas na verdade eu não sei se isso vai acontecer. Já na música "Onde foi o avô", é a mesma coisa. Eu por acaso sinto o impacto que esta música tem, já a toquei em alguns concertos. As pessoas vêm ter comigo no final e dizem-me que sentiram a música, ou que choraram a ouvi-la. Falam-me das pessoas que perderam e que a canção lhes faz lembrar esse alguém, não tem de ser necessariamente o avô, mas é alguém de especial que perderam. Ainda no outro dia uma rapariga que falou nisso, e eu fiquei um pouco sem saber o que dizer. Nós nestas coisas acabamos por ter um pouco o papel de um psicólogo porque as pessoas acabam por vir falar connosco e esperam que lhe consigamos dar algum conforto. Eu sinto que o que as pessoas me estão a dizer com isto é "já que escreveste esta canção, diz-me agora que posso fazer". Mas eu não sou psicóloga e às vezes fico um pouco sem saber o que posso ou não dizer. No caso dessa rapariga recordo-me que lhe disse que tinha pena, e que quando canto a canção também me lembro do meu avô. E a canção não nos deve só deixar tristes. Ouvir esta canção é uma forma de nos lembrar-mos de alguém especial que partiu, mas que nos deixou boas recordações. Espero que esta canção faça isso: que nos faça lembrar dessas pessoas, mesmo que nos deixe um pouco tristes. Foi basicamente isto que lhe respondi.

Já que o teu novo álbum fala da infância, uma última questão: se tivesses essa oportunidade, gostarias de voltar a ser criança?
Não (risos) isto porque eu tenho o privilégio de ter uma profissão que me permite ser um pouco criança. Eu acho que tenho mesmo a sorte de poder ser uma criança quando quero. O vídeo clip vai sair amanhã, e tu vais ver que lá pude ser uma criança. Eu até tenho mais sorte que as crianças, é que imagino o que quero, e depois posso mesmo meter em prática, por exemplo, nos vídeos. Eu costumo dizer que tenho o melhor dos 2 mundos: não tenho de ir à escola, mas posso fazer coisas de que gosto. Na primária é divertido, mas no liceu às vezes aprendemos coisas de que não gostamos. Às vezes acontece. Agora posso aprender o que gosto, ter as aulas que quero, e estudar o que me apetece.

Obrigada Luísa. Estamos desejosas por ver amanhã o vídeo. Obrigada pela simpatia e disponibilidade :) 


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